A Saída Dígital

A saída digital é a opção pela Quarta Revolução Industrial

Plano Real 2.0 – A decência

Arte popular na Avenida Paulista.
Arte popular na Avenida Paulista.

O Plano Real 1.0 – A Estabilidade – Promoveu a estabilidade da moeda e livrou o Brasil de uma inflação crônica que parecia invencível. O êxito inconteste deste plano deu novo alento ao país e assegurou mais de uma década de prosperidade, além de ter vacinado o país contra a inflação. Os efeitos do Plano Real 1.0 vem perdurando e abarca toda a sociedade. Hoje o Brasil é unânime em dizer: “Inflação Nunca Mais”.

Agora precisamos de um Plano Real 2.0 – A Decência – para vencer a corrupção. Este mal chegou a um nível de infecção generalizada e compromete todas as instituições do país. O executivo está atolado em escândalos e o presidente só escapou de ser processado por negociar no congresso apoios despudorados e por exercer o presidencialismo de cooptação em sua plenitude mais viciosa. O congresso, para juntar o insulto à injúria, vêm com esta proposta que o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), considera um “desaforo”: a criação de um fundo público com R$ 3,6 bilhões para financiar campanhas. Os escandalosos salários e vantagens de altos dignitários do executivo, do legislativo e do judiciário são um escárnio diante das dificuldades e carências do país e mostram que os escrúpulos simplesmente desapareceram do três poderes. Desalentado, o país se vê vitima de absoluto desrespeito, sofre com seus 13 milhões de desempregados e vê milhões de cidadãos lutando para sobreviver em meio a maior crise da história, enquanto enfrenta carências de toda a ordem, na saúde, na segurança pública, nos transportes, na educação e em tudo o mais.

Em paralelo, o congresso, de composição medíocre, da qual se salvam alguns poucos, se mostra incapaz de oferecer qualquer perspectiva para o país. Mergulhado em profunda perplexidade, parece caminhar às tontas.

  • A Indignação em ponto de erupção

Existe um nível elevado de indignação na sociedade brasileira. E se a população não está nas ruas isto não significa que está aceitando o atual estado de coisas. Não está. E não se enganem, se a população não está nas ruas é porque não quer protestar só por protestar. Uma vez afastado o perigo mais imediato, que era o desvario da ex-Presidente Dilma, a população está se guardando para sair em apoio a uma causa que valha a pena. Poderá ser uma ideia. Poderá ser um líder. Mas é no vazio de alternativas que mora o perigo. Assim, antes que as multidões se deixem seduzir por algum maluco ou aprendiz de incendiário é preciso oferecer um projeto de moralização do Brasil. Um plano bem estruturado e bem orientado, que una e motive as pessoas. Um Plano Real 2.0, que continue a transformação virtuosa do Plano Real 1.0 e agora se oriente para a moralização do país. Um plano que tenha as virtudes do Plano Real 1.0, como bom planejamento e implementação equilibrada. Um plano, enfim, que tenha o sincero propósito de implantar uma nova cultura de decência no Brasil.

E assim como o Plano Real 1.0 trouxe para o Brasil as boas práticas da gestão monetária adotadas no primeiro mundo, o Plano Real 2.0 deveria se espelhar nas melhores práticas políticas dos países democráticos do primeiro mundo. Chega de jabuticabas. Está na hora de acabarmos de uma vez com esta mania de tentar reinventar a roda a golpes de parvoíce.

  • Plano Real 2.0 – FHC deve ser o líder.

Precisamos vencer o dilema que nos amarra à mediocridade: “Somos corruptos porque somos atrasados ou somos atrasados porque somos corruptos?”

Vencer e afastar a corrupção é a tarefa prioritária da nacionalidade. Chegou a hora de ouvirmos o que Sérgio Porto, o imortal “Stanislaw Ponte Preta”, dizia ser a nossa escolha: “Ou nos locupletamos todos ou implante-se a moralidade.” E alertava para o fato de que, se fizéssemos a primeira opção, o planeta não teria dinheiro suficiente para saciar a voracidade de nossos corruptos.

Felizmente o Brasil tem o homem certo para liderar a formulação de um Plano de Moralização e produzir um consenso na sociedade brasileira. O Presidente Fernando Henrique Cardoso já provou que sabe conduzir com bom senso e equilíbrio um plano capaz de mudar fundamentos equivocados do país. FHC já prestou muitos serviços ao pais, mas o Brasil deve pedir mais este serviço ao Presidente do Real. Ao líder que resgatou nossa moeda, que acabou com nossa inflação alucinada, pediríamos que formulasse as diretrizes para o Plano Real 2.0, o plano que teria a finalidade de encaminhar as mudanças no rumo da moralização e da modernização de nossas instituições.

Evidentemente, uma vez feito o plano sob liderança de Fernando Henrique Cardoso, caberia a sociedade apoiar as mudanças constitucionais necessárias e ao eleitorado escolher o executor da grande transformação do país.

De minha parte, acredito que o político mais provado, experiente e capaz de liderar a implementação do plano seja o governador Geraldo Alckmin. Sua administração em São Paulo é evidência de sua capacidade como realizador. E sua liderança firme e de pés no chão é o tipo de liderança que um plano como este precisaria para ser bem sucedido. Um plano sólido, implantado com base no bom senso e em práticas comprovadas nos países de referência democrática, seria capaz, finalmente, de nos livrar da praga da corrupção e de levar o Brasil a cumprir, finalmente, seu destino de grande país. E que teria orgulho em proclamar: “Corrupção no Brasil, nunca mais”!

PS. Diversos comentários questionam como um Plano Real 2.0 poderia se contrapor às mudanças da tal “reforma política”, ora em gestação no congresso. A resposta está na “Lei de Camões” (Como escrita em “Os Lusíadas”):

Cesse tudo o que a musa antiga canta, que outro valor maior alto se alevanta” 

Se houver apoio popular suficiente, o mundo político encontrará os mecanismos legais para fazer valer o Plano. Uma nova musa que se levante sempre irá deslocar a antiga.


Ceska – O digitaleiro

Os Correios eram assim, nos dias do Coronel Botto

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Cerimônia de Assinatura do Convênio entre a SUDELPA e a ECT. Na foto: 1- Governador Laudo Natel; 2- Cel. Adwaldo Botto; 3- Antônio Castilho; 4- O autor (Celso Skrabe); 5 – Secretário do Governo (Não tenho o nome)

Era uma vez um país que tinha um correio.

Era o melhor correio do mundo. O povo todo confiava. Tudo funcionava como um relógio. O presidente da instituição, um sergipano “porreta”, tinha uma máxima que virou um mantra: “correio é horário”.

Os outros países, acostumados com a malemolência brasileira, no começo ficaram pasmados com a transformação daquele correio vira-latas. – Seria o “super-homem”?  – Depois, ainda incrédulos, se perguntavam como podia existir um correio daquele calibre no país das maracutaias, da selva amazônica, do sertão profundo, do pantanal intransponível, das estradas intransitáveis? Finalmente, se renderam. No Correio do Brasil, o homem que mandava sabia das coisas. Não demorou e a surpresa virou admiração. O respeito internacional cresceu tanto que logo chamaram aquele mago das cartas e encomendas para mostrar como se faz um correio funcionar.

Em 1984, no Congresso de Hamburgo/Alemanha, o Presidente da ECT, Coronel Eng. Adwaldo Cardoso Botto de Barros foi eleito Diretor Geral (Presidente) da UPU – União Postal Universal. A UPU é o órgão da ONU, com sede em Berna, na Suíça, que regula e organiza os correios de todo o planeta. Era o reconhecimento do mundo pela competente transformação nos Correios do Brasil. E tão operosa foi a gestão do Coronel Botto na UPU que a entidade lhe garantiu a reeleição por mais 5 anos, em 1989.

De minha parte, conheci bem o Coronel Botto. Tudo começou quando ele ainda dirigia o Correio de São Paulo, conduzido ao cargo por indicação pessoal do Presidente Castelo Branco.

Eu, em meus verdes vinte e sete anos, trabalhava na antiga AEG Telefunken, onde atuava na área comercial de equipamentos de rádio comunicação em SSB. Estes rádios funcionavam em ondas curtas e usavam apenas meia banda, o que os tornava mais leves (para a época…) e podiam ser instalados em estações fixas ou em veículos, como caminhonetes, ônibus e embarcações. Também podiam ser usados para fonia ou para telegrafia sem fio. Neste último uso, combinando diversas frequências para compensar variações de propagação, eram tão confiáveis quanto a telegrafia tradicional, com fio de cobre.

Um dia, acho que foi em agosto de 1971, logo cedo, ao chegar no escritório que ficava junto ao parque industrial da empresa, instalado em grandes prédios na Avenida Nossa Sra. do Sabará, em São Paulo, a secretária me passa um telefonema:

   – Está no telefone uma pessoa que se diz diretor do Correio e quer falar com alguém da área comercial.

   – Ok, pode passar a ligação.

Do outro lado da linha ouvi o Coronel Botto, embora naquele momento não soubesse de quem se tratava.

   – Bom dia. Sou Celso Skrabe, consultor da área de rádios SSB.

   – Bom dia. Meu nome é Adwaldo Botto, mas todos aqui me conhecem como Coronel Botto. Sou o diretor dos Correios aqui em São Paulo e gostaria de saber se vocês teriam condições de nos emprestar dois rádios SSB no período das férias de verão. Podem ser rádios usados ou de demonstração.

Eu fiquei intrigado. Sabia que o correio não usava rádios para seus serviços de telégrafo. Era uma coisa que já me havia chamado a atenção e que eu atribuía ao nosso atraso tecnológico. Na verdade, eu já tinha fornecido rádios para a Funai, para a FAB e outras instituições que os usavam para comunicação na selva e que, frequentemente, faziam o envio de mensagens da população local. Estas instituições, contudo, reclamavam, já que não tinham infraestrutura para entregar as mensagens aos destinatários. Para fazer o envio precisavam repassar os telegramas para o Correio, acarretando demora desnecessária em mensagens urgentes e ônus para as instituições.

Enfim, fui em frente:

   – Bem Coronel, se eu entendi certo, o que o senhor quer é que emprestemos dois rádios SSB no final do ano, de novembro a março. Seria isto?

   – Sim. Eu gostaria de instalar um dos rádios em Ubatuba, no litoral, e outro aqui em São Paulo para fazermos um teste para nossa área de telegrafia. Hoje não temos um único telégrafo instalado no litoral paulista. Em nenhuma cidade. E, durante as férias, a população cresce muito e reclama da falta de comunicação. E, para piorar, as cidades do litoral também não tem telefone. Ubatuba tem apenas uns poucos telefones públicos e a espera de uma linha para uma ligação, nos meses de verão, pode levar horas. Ir de ônibus é mais rápido do que telefonar. Na alta estação demora duas, três, as vezes quatro horas.

Era verdade. Quando iniciou o governo militar, em 1964, as comunicações no Brasil eram uma coisa medieval. Este estado de coisas ainda perdurava no início da década de 70. Me pareceu, desde logo, que meu interlocutor queria fazer algo para amenizar isto.

Respondi então:

   – Posso verificar se temos equipamentos disponíveis e preciso consultar nossa diretoria para saber se podemos atender. – E lembrei de um detalhe – Se eu conseguir os rádios, o correio já tem as frequências? – No caso, os rádios precisavam de cristais para fazer a modulação. Estes cristais eram feitos sob medida para cada usuário e dependiam de licença do DENTEL.

O Coronel Botto, então, confidenciou:

   – Olha, eu preciso que vocês me emprestem também as frequências. O correio não tem frequências autorizadas pelo DENTEL para uso em telegrafia e eu, como diretor regional, não tenho autoridade para solicitá-las. Minha ideia é que, se conseguirmos fazer uma conexão de telégrafo sem fio bem sucedida, talvez eu possa quebrar a resistência contra o uso de radiotelegrafia no correio e argumentar para a liberação de seu uso com nossa presidência. Se conseguir demonstrar que a radiotelegrafia funciona acredito que possamos comprar rádios para todas as localidades do litoral paulista hoje sem telégrafo. Talvez possamos comprar rádios até para outras praças não atendidas.

Esta questão das frequências me parecia mais complicada do que conseguir os dois rádios. Duvidava que o Dr. Cardoso, nosso presidente, fosse aceitar que instalássemos frequências de teste em rádios que seriam usados para telegrafia pelos correios. A empresa era alemã e seguia normas estritas do que se podia, ou não, fazer. E como o empréstimo de frequências não estava previsto nas nossas autorizações do DENTEL, dificilmente seriam autorizadas. Não era formalmente proibido, mas ficava no limbo legal e eu teria que consultar nossa assessoria jurídica. Traduzindo: era proibido tudo o que não estivesse formalmente permitido.

Aí resolvi pedir uns dias para verificar meios de atender ao que o coronel me solicitava. E, como estávamos em pleno regime militar, me atrevi a perguntar:

   – Coronel, o senhor, com seus contatos no governo, não teria meios de liberar umas duas ou três frequências junto ao DENTEL, mesmo que em caráter provisório?

A resposta do coronel foi direta:

   – Exatamente aí é que está o problema. Falar em telegrafia por ondas curtas aqui no Correio é tabu. Não é que eles desconheçam uma tecnologia que, desde antes da guerra, está em uso em todo o planeta. Mas tem muito dinheiro envolvido nas redes telegráficas de cobre. E tem muita gente lucrando com elas. Assim, jamais eu conseguiria formalizar um pedido de frequências ao DENTEL. Eu não consigo autorização nem mesmo para pedir frequências provisórias. Ao contrário, seu eu mexer errado, posso por tudo a perder e ser proibido expressamente de testar o uso dos rádios. Aí meu projeto vira fumaça e você perde a chance de vender rádios para o Correio. Venha me fazer uma visita eu explico o que está acontecendo.

Caramba, pensei com os meus botões, aí tem algum mistério da “mão invisível do mercado”. Não a mão invisível descrita por Adam Smith, claro, mas aquela outra, bem brasileira, inventada pelo capeta!

Foi a esta altura que tive um estalo e liguei as pontas. Ocorre que, por uma destas coincidências que mostram que Deus ainda não tinha desistido do Brasil, eu havia acabo de fechar a venda de uma rede de rádios SSB para a Sudelpa, a Superintendência de Desenvolvimento do Litoral Paulista. Precisamente a agencia estadual criada para fomentar o desenvolvimento do litoral de São Paulo, onde, claro, se situa a cidade de Ubatuba. Não era preciso ter o QI do Einstein para perceber que havia uma coincidência de interesses: o Correio queria instalar um telégrafo em Ubatuba e a Sudelpa ficaria muito feliz se contribuísse para a instalação do telégrafo em Ubatuba. Afinal, o que mais poderia contribuir para o desenvolvimento da região a curto prazo se não instalar o telégrafo dos correios na época das férias que se avizinhavam? E, ainda mais, a um custo praticamente zero?

Ademais, a Sudelpa tinha as frequências de SSB já concedidas e até já tinha recebido alguns dos rádio comprados. Todos, entretanto, da versão móvel, instalados nas caminhonetas, que foi a prioridade solicitada. A conclusão lógica saltava aos olhos: se o governo do estado cedesse os rádios e emprestasse uma ou duas das suas frequências teríamos resolvido o problema. Ubatuba teria telégrafo funcionando na alta estação e o Coronel Botto poderia mostrar que a solução funcionava.

Por um momento pensei em consultar informalmente o superintendente da Sudelpa, Antônio Castilho, sobre a ideia, mas achei que deveria antes saber como o Coronel Botto veria esta alternativa de solução. Liguei marcando uma visita e, no dia seguinte, na hora marcada, (sete da manhã!) fui vista-lo em seu escritório, no antigo prédio dos Correios, no início da Avenida São João.

Na manhã friorenta do dia seguinte o Coronel me recebeu em sua sala e, após uma conversa introdutória, foi direto ao assunto:

   – A direção nacional dos Correios fica no Rio de Janeiro. E lá, na alta direção, existe uma máfia dos fios de cobre. O presidente é um militar da reserva, mas de patente maior que a minha, e só posso supor que ele também está envolvido no esquema. O pessoal lá do Rio sabe que se ficar provado que os rádios de ondas curtas em SSB podem atender nossa necessidade com telegrafia sem fio, na mesma hora acaba todo o negócio deles e, junto, terminam as propinas milionárias que eles recebem. O esquema é perverso porque o custo de implantar o serviço de telegrafo com fio tradicional é astronômico. Para qualquer localidade são quilômetros e quilômetros de fios e milhares de postes a serem instalados. Além do sistema depender de conexões e triangulações intermináveis, com o repasse de telegramas. Chega a ser ridículo o número de erros nas mensagens repassadas. Sem falar no roubo constante dos fios, fato que requer reposição constante e consome todos os recursos de expansão. E sem dinheiro expansão não há. Desde que estou aqui não implantamos nenhuma nova estação no estado. Por isto, pelo sistema tradicional, o litoral paulista vai levar ainda muito anos para receber o serviço de telégrafo. Infelizmente, para os dirigentes da estatal nada disto importa. Daí meu cuidado em tentar uma operação discreta. Precisamos mudar este estado de coisas, mas se o pessoal da máfia do cobre descobrir o que estou tramando, me impedem ou me demitem na hora.

Ainda retruquei:

   – Mas coronel, sendo o senhor indicado para a Superintendência dos Correios em São Paulo pelo presidente não seria o caso de recorrer a ele?

   – Eu fui indicado pelo Castelo Branco. Tenho bons amigos no governo, mas não tenho a mesma intimidade com o presidente atual. E depois, a situação não é tão simples. Esse pessoal da máfia tem controle sobre a empresa e seus projetos e existem muitos interesses envolvidos. O sistema de telegrafia sempre foi a vaca leiteira da corrupção aqui nos Correios e tem muita gente mamando. Eles não vão largar o osso assim fácil. Sei que tenho a confiança do governo, fui colocado aqui pelo Presidente Castelo Branco, mas prefiro agir de modo a criar fatos consumados e usar a evidencia para forçar as mudanças. Seria desperdiçar a janela de oportunidade que temos se abrir uma guerra interna, um conflito em que a causa maior dos correios e das comunicações pode ser sacrificada em meio a uma luta politica.

Agora dava para entender o dilema do Coronel Botto. Em resumo, se ele tentasse furar o bloqueio da máfia do cobre de peito aberto, possivelmente seria demitido. Mesmo com o ministro e o presidente da República desejando ficar ao seu lado, a realidade é que havia todo um jogo de interesses políticos e militares conspirando contra ele.

A solução imaginada pelo Coronel Botto, assim, era estrategicamente brilhante. Se fizesse funcionar satisfatoriamente uma estação de radio telégrafo no litoral paulista, uma só que fosse, abriria uma brecha na represa da corrupção e a pressão da demanda iria forçar a mudança na política e alterar o jogo. De fato, como alguém iria se colocar no caminho de uma solução que custava menos de 1% do método tradicional, era muito mais versátil, tinha implantação rápida (dias ao invés de anos) e era altamente lucrativa?

O Brasil do início dos anos 70 ainda estava em lua de mel com o governo militar. Os velhos cabides de antes da revolução, como os Correios, esperneavam e resistiam tanto quanto podiam, mas, no caso dos correios, o fim do empreguismo e da corrupção estava à vista e a era de ouro estava em marcha. O coronel Botto era um destes homens providenciais, o homem certo na hora certa. Engenheiro, bem preparado, íntegro, patriota, ansiava por melhores comunicações para o país e sabia que os correios precisavam dos recursos a serem gerados pela expansão dos serviços de telégrafo. O ponto chave de seu plano, contudo, era fazer as evidências falarem por si sós. E para conseguir isto era preciso, como repetia sempre, “navegar abaixo da linha do radar”.

O coronel, a esta altura da nossa conversa, me convidou para ir tomar um café em uma padaria ao lado. O café aos funcionários fora reduzido e só seria servido as dez horas. Enquanto sorvíamos o café cheiroso daquelas máquinas “Monarca”, típicas dos bares paulistas da época, expliquei a ideia de falarmos com a Sudelpa e o governo paulista para atendermos seu plano de conseguir o empréstimo de dois rádios SSB equipados com as frequências. O coronel ouvira falar da Sudelpa, a Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista, mas não tinha conhecimento exato de sua função. Quando terminei de explicar o que aquela instituição fazia e como poderia se associar ao seu plano para levar telegrafia sem fio ao litoral de São Paulo, ele virou um dínamo de entusiasmo. Seus olhos brilhavam:

   – Se a Sudelpa ajudar os correios a operação está garantida. Ubatuba vai ter telégrafo e, depois, vamos conectar todo o litoral.

Em face da manifestação de entusiasmo nem precisei perguntar: a autorização para falar com a Sudelpa estava concedida.

A confiança do Coronel Botto era uma coisa contagiante. Em geral comedido nos gestos, no entusiasmo do momento ele tirava e colocava os óculos sem parar e gesticulava como um napolitano na Festa di San Gennaro.

Assim que nos despedimos peguei meu fusca azul, estacionado ali nas imediações, e subi a Avenida Angélica, onde ficava a Sudelpa.

Me dirigi direto à secretária e pedi para falar com o Dr. Castilho.

A moça me olhou com se eu tivesse chegado de Marte.

   – O senhor tem hora marcada? O Dr. Castilho deve estar chegando e já tem um pessoal esperando por ele para uma reunião.

Eu nem precisei argumentar. O superintendente estava entrando e, ao me ver, veio me cumprimentar com aquele ar de pressa educada. Estava esbaforido e em cima da hora.

Antes que me descartasse fui logo falando:

   – Dr. Castilho, sei de sua reunião e não quero atrapalhar, mas o assunto que tenho é uma oportunidade única e eu precisaria dois minutinhos de sua atenção reservada.

Achei que ele me mandaria voltar mais tarde, mas eu ainda devia estar sob a influência do entusiasmo do Coronel Botto, que era uma coisa contagiosa, e o Dr. Castilho resolveu me conceder os dois minutinhos.

Fomos a uma sala contígua e eu expliquei resumidamente o que tinha a dizer. Os olhos do Dr. Castilho quase saltaram das órbitas.

   – Mas esta é uma oportunidade fantástica! Eu estava precisamente procurando maneiras de mostrar serviço lá na região. Vamos topar com certeza. Pode contar comigo.

Eu me apressei a marcar um próximo passo:

   – O senhor estaria disposto a ter um encontro pessoal com o Coronel Botto para conversar?

   – Sem dúvida nenhuma. E gostaria que fosse o quanto antes. Acontece que eu tenho uma reunião com o secretario nos próximos dias e gostaria de levar a ele esta ideia já mais elaborada.

   – Se o senhor me autoriza, ligo agora de seu gabinete e falo com o Coronel e vejo quando podemos marcar.

Enquanto o Superintendente entrava em sua reunião liguei para o Coronel. Expliquei o resultado do contato e o desejo do Dr. Castilho de fazer a reunião o mais rápido possível.

O coronel respondeu sem titubear um segundo:

   – O mais rápido possível é agora, mas vamos deixar para depois do almoço. Se ele puder me receber, podemos marcar aí as duas horas da tarde.

   – Se o senhor puder esperar na linha, vou confirmar com o Dr. Castilho.

Fiz um bilhetinho e pedi para a secretária levar na reunião e confirmar o horário com o superintendente. A resposta veio escrita em maiúsculas no bilhete: “ESTÁ MARCADO”.

Voltei ao telefone:

   – Coronel, a reunião está confirmada para hoje, as duas horas da tarde.

   – Ótimo, ótimo. Vou cancelar umas coisas que tinha marcado por aqui e chego aí as duas horas.

Acabei ficando por ali. Precisava fazer hora. Comprei um jornal, fui almoçar em alguma espelunca da Angélica, que meu tíquete refeição era igual ao da peãozada da fábrica, e voltei cedo ao escritório do presidente da Sudelpa.

Dez para as duas chegou o Coronel Botto. Vinha acompanhado de um engenheiro a quem incumbiria cuidar dos aspectos técnicos.

Na reunião os dois homens de ação se entenderam de imediato. Sem delongas inúteis, debateram as alternativas. Castilho disse que, caso fossemos usar o rádio das caminhonetes, ele poderia ceder até umas quatro ou cinco para o período das férias daquele ano. Além de Ubatuba poderiam ser atendidas outras cidades. Inclusive Registro, cidade pela qual Castilho tinha grande consideração. Para a estação no correio central eu prometi antecipar a entrega de um rádio fixo e instalar a antena no telhado da agencia central. A reunião do Superintendente da Sudelpa com o Secretário se daria em uma semana e o Dr. Castilho queria um teste do funcionamento da solução para que o assunto pudesse ser levado ao Governador Laudo Natel.

Ao que eu lembro, a reunião se daria na quarta feira da semana seguinte. Então combinamos fazer um teste logo na segunda feira, com uma caminhonete com rádio posicionada próximo a agencia dos correios em Ubatuba e a estação fixa instalada em uma unidade de Assistência Técnica da Telefunken localizada na Avenida Pacaembu, a uma quadra da Avenida São João e a uns dois quilômetros em linha reta da agencia dos correios. Dada a precariedade do tempo, a antena seria fixada provisoriamente do lado de fora, estendida entre duas janelas.

Tudo pronto, uma caminhonete instalada em Ubatuba e o rádio na Barra Funda instalado, as nove horas começa o teste para valer. Os dois pontos já tinham feito contatos bem sucedidos, mas agora era oficial. Estavam na sala, em São Paulo, o coronel Botto, seu engenheiro, o Dr. Castilho, um engenheiro da Polícia Militar de São Paulo especialista em comunicações, eu e meu chefe na Telefunken, Wayland Coats além, obviamente, de um operador do rádio e do telegrafista do correio. Nove em ponto, o rádio ligado, entra a voz do operador de Ubatuba, falando da caminhonete.

   – QRA Ubatuba – QAP (Estação na escuta).

O sinal vinha claro e límpido, tanto quanto era possível, considerando que o SSB aproveita só meia banda. Mas a emoção tomou conta da sala.

O operador de São Paulo responde:

   – QRA estação São Paulo. Sinal com clareza cinco. Repito, clareza cinco.

Nem precisava repetir. Óbvio que, se era clareza cinco é porque era clareza cinco. A comunicação era limpa e perfeita.

Em seguida São Paulo inicia o teste para valer:

   – Segue QTC em Morse.

E ambos os telegrafistas fizeram a troca de mensagens em condições tão boas quanto o fariam no telégrafo com fio. Bastou uma tentativa. E até houve espaço para o humor:

   – Favor QRQ (transmita mais depressa…)

Terminada a troca de mensagens, todos na sala sentiram a mesma emoção que devem ter sentido os cariocas que testemunharem a iluminação do Corcovado, em 12 de outubro de 1931, quando, numa cerimônia organizada pelo jornalista Assis Chateaubriand e presidida pelo Cardeal do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Paes Leme (filho de Espírito Santo do Pinhal) e pelo Presidente Getúlio Vargas, o cientista italiano Guglielmo Marconi, inventor do rádio, e o Papa, acionaram um dispositivo que enviou um sinal de rádio que iluminou o Cristo Redentor. A iluminação que brilhou no céu aconteceu no início da noite, as 19 horas e quinze minutos e assim foi relatada por Marconi, em sua biografia escrita por Filippo Garozzo:

“Então todos ficaram olhando para o morro, esperando o milagre a ser produzido pelo homem. E o milagre aconteceu pontualmente. O Papa e Marconi, em Roma, apertaram uma chave de transmissor e um sinal partiu rápido da Cidade Eterna, deslizou sobre o Atlântico mais velozmente que o relâmpago, e atingiu o Cristo Redentor, construído sobre o Morro do Corcovado, na Baía de São Sebastião do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. E o Cristo, de repente, ficou tão resplandecente e brilhante de luz que mais se assemelhava a uma festa! Parecia até outro Cristo, risonho e mais bonito, agora que estava iluminado e inaugurado pela mão do Santo Padre e pelo gênio de Marconi.”

O espantoso desta história é que o corrupto Correio brasileiro da época, mesmo depois de atravessar quarenta anos e uma guerra mundial, ainda enfiava a cabeça na areia, ainda parecia não ter tomado conhecimento das ondas de rádio e se aferrava aos fios de cobre.

De toda forma, após o teste entre o litoral e a capital, estava resolvida a questão técnica. Faltava, agora, resolver a questão política.

O Dr. Castilho levou os laudos do teste para o Secretário, que, junto com o Superintendente da Sudelpa, os levou ao Governador Laudo Natel. Esta reunião não assisti. Mas soube dos resultados depois.

Segundo o relato do Dr. Castilho, o governador ouviu todo o relato e deu uma olhada nos laudos para então dizer:

   – Os senhores devem estar brincando comigo. Como eu posso justificar para a opinião publica que vamos beneficiar apenas uma cidade em detrimento das outras?

O secretário e o Dr. Castilho tentaram justificar:

   – Desculpe, governador, mas nossa proposta é emprestar os rádios para atender um pedido do Correio e começar fazendo um teste. Primeiro seria Ubatuba, mas depois o correio nos assegurou que vai poder estender o serviço para as demais localidades…

O governador teria ficado impaciente:

  – Quanto custa cada estação? – Quis saber o governador.

  – Metade do custo de um fusca, foi como o Dr. Castilho teria respondido.

  – E quantos postos de correio existem no litoral?

  – Cerca de vinte localidades.  – Teria sido a resposta do Dr, Castilho.

Laudo Natel, então, teria resolvido a questão:

   – Se este é o número vamos fazer nossa parte. Vamos formalizar logo um convênio doando os rádios ao Correio e oferecermos telégrafo no litoral paulista ainda neste verão. Vamos comprar os rádios e fazer uma festa nas vinte localidades logo que começar a alta temporada.

   – Mas será que teremos tempo? – Quis saber o Secretário.

   – Os senhores já devem conhecer minha frase preferida: “fazer o possível agora e o impossível depois.” Se precisar, o senhor empresta suas caminhonetes.  Então vamos logo adquirir os tais vinte rádios e providenciar imediatamente o convênio para oficializar a doação da Sudelpa para os correios.

E assim foi feito. O governo de Laudo Natel celebrou o convênio entre a  Sudelpa – Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista e a ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, formalizou a doação dos rádios – como ficou registrado no flagrante acima – e inaugurou os novos pontos de telégrafo naquela temporada de praia com uma grande festa. E todos foram felizes até quando uma nova geração de corruptos ressurgiu nos governos Lula e Dilma e passou a meter a mã0 e novamente avacalhar com os correios. 

PS.

1) – Os rádios foram entregues a tempo mas as frequências estavam demorando perigosamente. O governador, por seu turno, queria que os rádios fossem instalados já com as frequências definitivas. Acontece que o Dentel estava criando problemas. Contaram-me que o governador, em raro momento de irritação, teria ligado diretamente para o Presidente da República, o General Médici. Como por encanto, as frequências vieram rapidinho e a tempo.

2) – Quando a máfia do cobre e a alta direção dos correios soube do “golpe baixo” do Coronel Botto ficou espumando de raiva e foi reclamar com o presidente. Pensaram que iam tosquiar o coronel Botto mas saíram tosquiados. A solução foi típica do governo militar: a diretoria corrupta foi demitida sem delongas e – surpresa! – sabem quem foi escolhido como o novo presidente da Empresa Brasileira de Correios? Ele mesmo, o Coronel Adwaldo Cardoso Botto de Barros, o sergipano porreta, o Coronel Engenheiro do Exército Brasileiro que mais entendia de comunicações e um personagem que nos enche de orgulho e que marcou seu nome na história como o responsável pela criação do serviço de SEDEX, pela criação do POSTALIS e pela era de ouro do correios do Brasil. De sobra, ainda dirigiu a renovação tecnológica dos correios de todo o planeta. O resto da história vocês já conhecem.

3) – Muitos anos depois reencontrei o Coronel Botto no Aeroporto de Guarulhos. Ele já era, então, presidente da UPU – União Postal Universal. Ao me ver, o coronel Botto veio ao meu encontro e fez questão de me convidar para um café. Nos quinze minutos que faltavam para seu horário de embarque, relembramos o episódio dos rádios e dos “telégrafos de férias”, episódio que ele lembrava com carinho e via como “a mudança da maré” de sua carreira nos Correios, que presidiu por 12 anos, e, por extensão, de seu papel como líder mundial dos correios por oito anos. Fez-me um convite para visitá-lo na Suíça, mas vai ter que ficar para uma outra vida. Nunca mais o vi, porém tampouco o esqueci. E foi com grande tristeza que li a notícia de sua morte em janeiro de 2015, quando nos deixou, aos 90 anos de idade.

Homens como ele temos poucos e nos fazem muita falta. Que seu legado de competência e integridade frutifique e que Deus o tenha.


Celso Skrabe


Lula e o Vaso Chinês

 

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Lula mesmo disse que é agora só um “Vaso Chinês”. Ele elegeu um poste e acha que agora elege um vaso? Tá tudo muito doido.
  • Lula e o Vaso Chinês

O Lula é finório de papo e, de prosa, muito bom,

tanto que garante, na conversa vaidosa, que o país não tem “alma mais pura”,

só que o maroto de sempre fez do Brasil sua troça e de nosso futuro sepultura;

Moleque, comia calango cozido no ensopado de jerimuns,

depois, já em “Sum Palo,” tomou gosto em usar o gogó e tapear o povo sofrido,

se fazendo de grande amigo nos discursos de paletó;

Competente prometedor de vício antigo, prometeu tudo de baciada.

Promessa fez de montão, mas era tudo fantasia

de uma falador que se fazia de Patativa do Garanhuns;

Demagogo caviloso e muito esperto, um jagunço redivivo,

sempre foi imbuído da mais pura desfaçatez.

Enganou gente com fome e deixou amargurado quem pensou que teria vez.

Rei da “istripolia”* tenebrosa, foi um presidente comodista.

Querendo, tudo podia, posto que tinha o poder da nação,

mas todo dia mentia e, por sua gente, não se atrevia nem um tiquinho não;

Homem tosco e de pouca cultura, à beber sabedoria ele preferia uma boa pinga,

o cabra tinha medo de livro e do saber corria feito o diabo da cruz,

porém lábia tinha muita sobrando e ludibriava o povo como ninguém;

Com seu talento maneiro e um traquejo verbal colosso,

tivesse sido homem digno, ou mesmo um poeta de tabuleta,

teria enricado e virado santo só fazendo rima e caçando “barbuleta”.

Mas sendo um insensato que pela ambição foi picado,

vendeu fiado sua alma ao capeta e logo trocou tudo e fez errado:

meteu os pés pela mão e, aloprado, “Cantou cá” o que devia “Cantar lá”.

Tivesse sido fiel a seu berço, ao seu povo e sua nação,

tivesse refreado, só um pouquinho, sua insana ambição,

teria sido, se fosse bom e honesto, o grande presidente da redenção.

Mas, qual nada, era fraco de caráter e gostou do encosto macio.

Se cercou de puxa-saco e zuniu de avião a jato, movido à corrupção.

Virou um “bon vivant”, liso como quiabo, esperto como o diabo e malandro como o tiziu.

Lula, cabra indomado, vaidoso e arrogante, se deixou cair em tentação.

Deu uma banana malvada, rasteira e desalmada, ao seu povo sofrido,

que só teve consolo num bolsa família de ralas migalhas de humilhação.

Mascate de ilusões tarimbado, Lula pegou na mão o que pode,

enricou ainda mais os ricos e mandou dinheirama até para outras nações,

mas o Brasil, pobre coitado, além de pagar a conta, ficou na pior condição.

E diferente do Patativa do bem, que cantou as mágoas de quem pouco tem,

esse embusteiro terrível só queria mesmo levar vantagem

e, para dizer a verdade, nunca foi leal a ninguém.

Agora, o país lastima o tanto de dinheiro roubado no governo dele e da Dilma,

enquanto falta hospital e falta tudo mais na sofrida “classe matuta”,

“que nem em sonho mais desfruta as riquezas do Brasil”;

Lula, se acaso fosse mesmo verdade que ele nada sabia,

como repete, com monotonia, o seu surrado refrão,

seria pior que um mau vigia que abre a porta da casa para deixar entrar o ladrão;

Todos sabem que um corno só é enganado se for frouxo ou bobalhão.

Se roubaram nas suas barbas fortunas de muito milhão,

além de ser condenado, merece uma surra de vara do sofrido povo do sertão.

E nosso triste nordeste, ainda mais empobrecido e calcinado,

outra vez foi logrado sem a menor contemplação,

e, decepcionado, ficou ainda mais “nordestinado” depois deste sonho de verão.

E se pensa, este traíra, viver de luxo no bem bão,

o velhaco se engana total e completamente. Que bote as barbas de molho

que desta vez não escapa das grades da prisão.

E agora, desmascarado, que sabe não ser mais nada,

que desceu do pedestal, que é réu na Lava Jato da Justiça Federal,

ainda vive se iludindo com o poder que já não tem mais;

Quer de novo, este tratante, voltar a ser presidente,

dizendo, na cara dura, que vai arrebentá e prendê. Mas ele está muito enganado,

pois seu prestígio é do passado, tal como foi do passado sua força e seu poder;

Ao povo brasileiro, este sujeito matreiro, nunca mais engana não.

E se ainda tivé povinho prá acreditá na sua enganação,

o santo padinho Ciço vai mandá todinho ele para a eterna danação.

Mas pretensão é pior que bicheira prá apodrecê coração.

Esta vontade traiçoeira de mandá no povo de novo e que faz coceira na sua língua,

só precisa um gole de pinga prá desandá em falação.

Mas a um povo inteligente só se engana uma só vez;

Lula, por isso, disse ao Moro, falando de sem pulo, sem saber bem o que fez:

Eu já não sou mais presidente. Agora eu só sou um “Vaso Chinês”!.


 Ceska – O digitaleiro


(*) As expressões e frases em itálico foram inspiradas em poesias de Antônio Gonçalves da Silva, poeta e trovador cearense conhecido como “Patativa do Assaré” (1909 – 2002).


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Democracia Baseada em Evidência

Democracia Baseada em Evidência

A Democracia Baseada em Evidência pode aprender com a Medicina Baseada em Evidência melhores terapias para curar os males que nos afligem.
A Democracia Baseada em Evidência pode aprender com a Medicina Baseada em Evidência melhores terapias para curar os males que nos afligem.

Vamos nos alinhar ao mundo que deu certo, para variar?

O mundo contemporâneo, este que emerge da Quarta Revolução Industrial, o chamado Mundo 4.0, gira em volta da Inteligência Artificial (IA). Este mundo em transformação, revolucionário e disrruptivo, vem quebrando todos paradigmas. Para começar, o mundo já não se divide mais entre esquerda e direita. Ele se divide em digital e analógico; em funcional e disfuncional; em veloz e capenga. Este novo mundo é conectado ao universo digital e vai se distanciando cada vez mais das partes velhas, desarvoradas, sem eira e nem beira, perdidas na poeira das nações de ponta.

A diferença entre as nações bem sucedidas e as fracassadas se acentuará de modo irreversível à medida que a Quarta Revolução Industrial for mudando a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. A Primeira Revolução Industrial utilizou água e vapor para mecanizar a produção. A Segunda se valeu da energia elétrica para criar a linha de montagem e a produção em massa. A terceira usou a eletrônica e a tecnologia da informação para automatizar a produção. Agora, a Quarta Revolução Industrial vem no bojo da Inteligência Artificial. Mais do que nunca, será o novo contra o velho; o múltiplo contra o monocórdio; o inteligente contra o obtuso.

O Brasil, felizmente, tem núcleos que já ingressaram no Mundo 4.0. Empresas como Embraer, Tramontina, Fanem, para ficar apenas em algumas que atuam no cenário mundial, já estão neste mundo novo. O agronegócio brasileiro figura entre os mais avançados do planeta. Nele a IA – Inteligência Artificial – vem sendo adotada intensivamente. Tratores e colheitadeiras dispensam operadores e trabalham com piloto automático, orientadas por GPS. Drones supervisionam do ar rebanhos e lavouras e fazem pulverização de fertilizantes e inseticidas. O gado é rastreado com chips de RFID. Isto tudo da porteira para dentro, claro, porque da porteira para fora caem no Brasil meia-boca de sempre. Armazenagem insuficiente, estradas imprestáveis, ferrovias por construir, portos limitados e subdimensionados. Um Brasil imensamente rico em potencial, mas contaminado pela corrupção, dirigido por incompetentes e pilhado dia e noite por bucaneiros da política, salvo as honrosas exceções, que existem e são fonte de esperança e alento.

Agora, porém, em meio a maior crise de nossa história, chegou a hora de repensarmos o Brasil. E de reformarmos este arremedo de democracia que tem se mostrado uma madrasta para o país.

Para fazermos nossa democracia alinhar-se aos requisitos da Quarta Revolução Industrial precisaremos que atenda três exigências:

  • – Deve ser digital, conectada, inteligente, online e funcionar em tempo real;
  • – Deve ser aberta ao cidadão, criar espaço para o debate permanente das questões mais importantes, e permitir que de todos os interessados na política do país tenham acesso a canais de transparência com todas as áreas do governo;
  • – Ser capaz de integrar os cidadãos no processo de tomada de decisão, oferecendo suporte decisório baseado em “evidências” sobre tudo o que diga respeito a vida da sociedade e as boas práticas.

Em princípio, não é difícil, havendo vontade. Mas temos que entender que a democracia Brasileira enfrenta um desafio de vida ou morte. Se não transformar-se radicalmente, continuará vulnerável ao assalto de demagogos e populistas. Se vierem demagogos populistas, com desclassificados padrão Lula, a crise não se resolverá nesta geração. Tomada por desalento, a democracia será dissolvida no ácido de seu fracasso e de sua inépcia. E termos uma ditadura no horizonte.

Mas sejamos otimistas. A oportunidade que o Mundo 4.0 nos abre, com as novas tecnologia e a Inteligência Artificial, permite que venhamos a ter uma democracia inovadora, vibrante e alinhada com a cibernética, para substituir a atual que é burocrática, caduca, lenta e fenecente.

A chave, contudo, para o êxito de uma democracia digital no Mundo 4.0 não se limita à velocidade nas decisões, por exemplo, mas em ser capaz de azeitar o funcionamento da sociedade para que esta possa cumprir seu papel e atender as expectativas de seu povo, operando com eficiência, eficácia, equidade, precisão e qualidade. Sua arquitetura deve articular as melhores decisões possíveis. Decisões bem informadas, provadas e comprovadas, baseadas nas melhores “evidências” disponíveis.

  • O mundo digital já está entre nós

No Brasil já está todo mundo na orbita digital. Nem que seja ao assistir televisão.

Os brasileiros, especialmente os das novas gerações, já vivem na era digital. Segundo o Jornal O Estado de SP, com dados da 28ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), de março de 2017, o Brasil terá um smartphone em uso por habitante até o final de 2017. Com crise ou sem crise, ainda de acordo com a pesquisa, até outubro a base de smartphones no País será de 208 milhões de aparelhos.

Hoje, o País tem 198 milhões de celulares inteligentes em uso, crescimento de 17% na comparação com o ano passado. Um número que continua crescendo. A expectativa é de que, nos próximos dois anos, o País tenha 236 milhões de aparelhos, um crescimento de 19% em relação ao momento atual. Sem esquecer que o Brasil tem também 162,8 milhões de computadores (entre desktops, notebooks, e tablets) em funcionamento, um crescimento de 5% na base instalada com relação ao levantamento de 2015. Até o final do ano serão 166 milhões de computadores em uso, sendo cerca de 33 milhões de tablets.

O mudo digital também já chegou aos bancos brasileiros e ao imposto de renda. Como seria de esperar, para cobrar juros e cobrar impostos já estamos na era digital. Falta chegar na democracia.

Agora, achar que vamos ficar encalhados numa democracia “carro de boi” é tolice. Os jovens já vivem em outra dimensão e vão simplesmente passar por cima dos que ficarem no caminho. Os políticos do antigamente, do tempo do onça (eita!), podem não gostar, mas a transformação digital vai jogá-los ao relento. O país está pronto para fazer as reformas transformadoras e abrir as portas do século XXI, um século que ainda não alcançamos.

  • A Democracia fascinante

Brava gente brasileira, já podemos antever os contornos desta nova democracia de perfil digital. Como em outros campos transformados pela Inteligência Artificial, a nova democracia digital tende a funcionar em volta de uma grande “nave mãe” virtual, aberta para a participação cidadã, tendo à sua volta os “c-pods”, os “civic-pods”, núcleos de opinião e grupos de interesses específicos, organizados por áreas e temas, aos quais os cidadãos poderão aderir usando seus títulos de eleitor eletrônicos para ter amplo acesso à transparência, as informações e as decisões dos três níveis de governo.

Estes aplicativos permitirão participar de debates e de decisões, votar e cobrar resultado de seus eleitos. Organizar e encaminhar projetos de lei de iniciativa popular e muitos outros. Essa democracia digital será infinitamente mais inclusiva, mais participativa, mais transparente e mais equitativa. Até muito mais alegre e divertida. Além disso, como o mundo digital está ainda em formação, a nova fronteira é território aberto, pronto para ser desbravado e conquistado.

De uma coisa, contudo, já podemos ter certeza: a era da Quarta Revolução Industrial, a era da IA – Inteligência Artificial – vai mudar profundamente as práticas democráticas e, com elas, as formas de governar e prestar contas aos eleitores.

Basta imaginar qual seria o impacto da adoção de “câmaras testemunhas” em obras públicas. O cidadão interessado em uma determinada obra poderia, ele mesmo “fiscalizar” sua evolução. Um fórum associado permitiria opiniões e críticas. E, acreditem, nada levanta um traseiro mais depressa que fogo em baixo do banquinho!.

Ademais, pode-se prever que nosso titulo de eleitor será a senha aplicativos pessoais, para acesso a informações sobre indicadores democráticos, bem como para o exercício de votos online em consultas públicas e assinaturas pré-validadas para abaixo-assinados e projetos de lei de iniciativa popular. A senha servirá, ainda, para contato autenticado com autoridades e representantes no legislativo. Nós, o povo, vamos ter muito mais força, muito mais direitos, mas também muito mais responsabilidades. A democracia que teremos será menos distante e mais inteligente; menos perfunctória e mais funcional. Além de menos vulnerável a fraudes e a manipulações.

Apenas para ilustrar, uma boa “evidência” sobre como os cidadãos querem acompanhar as coisas que lhe dizem respeito são os 222.086.385 de visitantes que foram ao site da SABESP conferir os níveis dos reservatórios da capital paulista entre maio de 2014 a 01 de março de 2017. Ou seja, deixa só este povo tomar gosto pela democracia digital. Vai ser a maior limpeza das teias de aranha de nossas instituições já registrada em nossa história.

  • Democracia Inteligente

A Democracia Inteligente  do Mundo 4.0 vai colocar o cidadão no centro do processo político. Não será só na hora de votar que o cidadão terá voz e vez. O chamamento à participação será permanente e dinâmico, o que significa que o cidadão deverá também saber mais em relação aos assuntos do governo. Para tomar posição em temas como a reforma política, na economia, nas questões sociais, nas leis e decretos, o cidadão precisará de boas informações e bons comparativos sobre os efeitos das decisões que vai tomar. Saber qual o custo social a pagar e quais os resultados a esperar.

De maneira que, para melhor exercer sua cidadania, precisará dispor de “evidências” sobre o que funciona e o que não funciona.

O movimento mundial em favor de decisões baseadas em evidências começou com a Medicina Baseada em Evidência (MBE). Em pouco tempo revolucionou a prática médica e mostrou-se um instrumento de enorme valia para orientar boas decisões na medicina. O sucesso levou a enfermagem a logo adotar sua versão por meio das “Práticas Baseadas em Evidência”. Outras áreas a adotaram na sequência, como Nutrição e Fisioterapia. Hoje é difícil encontrar uma área da saúde que não tenha a sua versão da metodologia. Campos de atividades correlatas logo também abraçaram a experiência, a exemplo da Arquitetura e do Design Hospitalares. Em pouco tempo surgiu um movimento mundial para acabar com o “achismo” e que tornou as decisões com base em evidência em um conceito multidisciplinar. Hoje, este método de basear decisões numa sistemática de evidencias já foi adotado por áreas como Administração, Economia e dezenas de outras.

Dado o êxito destacado desta metodologia, tudo indica que seus princípios seriam aplicáveis a uma Democracia Baseada em Evidência no Brasil.

Seguir as “evidências” nos ajudaria a evitar equívocos e erros dolorosos, como o nosso presidencialismo imperial e as eleições proporcionais com desequilíbrio na representação na Câmara. Ocorre que há uma distorção no modelo atual. As regiões mais povoadas e avançadas, sul e sudeste, têm uma representação proporcionalmente menor que as menos povoadas.

Entre os benefícios, desde logo a DBE nos auxiliaria na tarefa de exorcizar essa nossa mania de adotar políticas jabuticabas, que só existem aqui. Esta insistência em inventar políticas “heterodoxas” tem uma explicação: fica mais fácil encobrir a corrupção e a incompetência quando se adota um modelo politico turvado e opaco. Tal é o caso da estapafúrdia “Nova Matriz” econômica”, um conceito destrambelhado adotado pelo duo Lula e Dilma. A explicação é rasa: com adoção de uma falsa democracia, o que temos é um mero arremedo democrático, os indicadores tradicionais passam a ser rejeitados sob o argumento de que “não são aplicáveis”.

Qualquer sociedade precisa de uma organização e uma disciplina interna para funcionar. Disto não há dúvida. Consequentemente, é preciso que exista uma autoridade que atue sistematicamente para manter o conjunto funcionando. Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesses ou preocupações mútuas visando um objetivo comum.

O principal objetivo comum de um país, supõe-se, seria o bem estar de seus cidadãos. Mas, no Brasil, o deposto governo de Dilma já não tinha mais este objetivo. Seu propósito se tornou ter e manter o poder. O sonho petistas era chegar a um poder ditatorial, como em Cuba e na Venezuela. Ditadores, como Raul Castro, em Cuba, ou Maduro na Venezuela, ditam as ordens e o povo ou se submete ou é reprimido. No Brasil, porém, já existe uma sociedade suficientemente bem informada e articulada para torpedear este tipo de pretensão totalitária. Este tipo de ameaça já foi vencido mais de uma vez, mas sempre a custo de muita angústia e sofrimento.

Como sabemos, foi para evitar o trauma das revoltas populares e limitar o poder absoluto dos monarcas que a civilização criou a democracia. Este regime, mesmo que imperfeito, é, no dizer de Churchill, “o pior dos regimes, exceto todo os outros”. De modo que nada temos de melhor ou mais civilizado para organizar a sociedade e dar voz e vez aos cidadãos. Mas sempre será possível aperfeiçoar a democracia e seus mecanismos de empoderamento dos cidadãos.

O que precisamos aceitar, no entanto, é que uma democracia é, por natureza, um sistema de permanentes tensões e disputas. Precisamente por esta razão precisa de mecanismos rápidos de ajustes e de acomodação de interesses.

O homem sempre quer mais e nunca está satisfeito. Talvez esta ambição ilimitada explique porque o homem saiu das cavernas para conquistar o espaço. Decorre daí que as demandas nunca acabam. As sociedades se formam e existem em um contexto dinâmico, insertas que estão na natureza e competido umas com as outras. Portanto, vivem em um mundo de cotidiana tensão. O que equivale dizer que em nenhuma sociedade moderna os dias são sempre iguais. São estas disputas que produzem as mudanças e fazem a história. O pressuposto é que, se nada é permanente e tudo é fluído, a conclusão é que o bem estar geral irá refletir a qualidade das decisões. Estas vão moldar o momento e as circunstâncias. Tempos de vacas gordas e de vacas magras sempre acompanharam a história do homem. A escassez sempre foi um inimigo a ser combatido. Aliás, é bom lembrar que a disciplina da economia foi criada para lidar com o fenômeno da escassez.

Os povos bárbaros sofriam as crises de escassez e a elas se conformavam sob a crença de que sua penúria vinha dos deuses. Os povos subdesenvolvidos acreditam na lorota de que suas agruras venham dos inimigos externos. O esquerdistas de Cuba e na Venezuela culpam os Estados Unidos. Já os povos civilizados aprenderam que a pobreza não vem da maldição divina, mas das decisões equivocadas de seus governantes. Ao evoluírem, passaram a exigir bons governantes e querem ser consultados naquilo tudo que tenha a ver com seu destino. Os povos civilizados querem resultados e por isto querem votar e influir nas em suas sociedades.

Ocorre que o processo democrático, sendo obra dos homens, é passível de distorções, vícios e imperfeições. Sem falar, claro, da demagogia, da irresponsabilidade e da mais destilada hipocrisia.

No mundo civilizado acredita-se em valores como equidade, igualdade e justiça. Algo que os gregos, desde Clístentes, chamavam de “isonomia”. Modernamente, este conceito abarca a noção de cidadania, sendo o cidadão, por definição, membro ativo da sociedade e partícipe da construção de sua história. E foi para proteger o cidadão, seus direitos e deveres, que a civilização engendrou a divisão dos poderes entre executivo, legislativo e judiciário.

Norberto Bobbio, que era socialista, mas temperava seus pecados com um vigorosa defesa da democracia e acreditava na separação de poderes, indicou pelo menos três fatores que dificultam um projeto democrático efetivo nas sociedades contemporâneas: a especialidade, a burocracia e a lentidão do processo.

O primeiro obstáculo seria derivado da complexidade da vida contemporânea, que demanda competências técnicas de “especialistas” para dar solução a inúmeros problemas públicos, notadamente em economias altamente reguladas e planificadas. A complexidade dos problemas dificulta o entendimento das soluções por parte do cidadão comum e abre espaço para “especialistas” que usurpam o poder político ao tomar decisões contrárias ao interesse da maioria. As ditas “soluções técnicas” dificultam a hipótese democrática de que todos podem decidir a respeito de tudo.

O segundo obstáculo resulta da expansão exagerada da burocracia, um aparato de poder sem mandato, ordenado hierarquicamente de cima para baixo, em direção totalmente oposta ao sistema de poder democrático.

O terceiro obstáculo vem do desejo equivocado das esquerdas de fazer com que o Estado tome o lugar de Deus e se torne o grande provedor da sociedade. Políticos demagogos se valem do desejo legítimo das pessoas de obterem renda e se sentirem seguras e prometem que o estado oferecerá estas duas benesses a troco do voto. Prometem o que não existe: o almoço grátis. Com sua demagogia irresponsável estimulam demandas irrealistas dirigidas ao Estado. Um povo dependente do estado é mais propenso a ser seduzido pelas promessas populistas. Ocorre que o Estado não produz riquezas, apenas se apropria daquela produzida pela sociedade. O resultado prático é que, ao invés de atuar para equalizar as oportunidades, o estado cria privilégios, benefícios e benesses para os grupos mais influentes, favorecendo corporações e grupos específicos. Esta tendência s torna ainda mais aguda no voto proporcional. Neste modelo os candidatos representam corporações e grupos e são facilmente seduzidos pela corrupção. Ao usar o estado para favorecer aos “amigos”, tirando dos que produzem para dar aos aliados, acaba criando descontentamento e minando as bases em que se assenta democracia. Quando a Democracia se desfigura e não tem mais legitimidade para encaminhar o debate político, uma crise é inevitável. Sem confiar nos seus ditos “representantes” fica comprometido o convívio democrático e esgarçada a coesão social.

  • Sincrisis “versus” décrisis.

Se, eventualmente, a perturbação do equilíbrio é corrigida por algum mecanismo homeostático, como eleições periódicas que permitam a mudança do poder, a crise pode se limitar a uma “síncrisis”, uma crise que se resolve de forma não traumática. Por exemplo, em um governo parlamentarista, uma crise do governo dificilmente evolui e se resolve com um voto de desconfiança e a substituição do primeiro ministro. Se, porém, a democracia não possui os instrumentos de defesa e de reequilíbrio ágeis para conter a erosão das instituições, as características da crise podem levar a impasses e ao esgarçamento de sua coesão. Neste caso sobrevém uma “décrisis”, um processo de falência múltipla das instituições democráticas. O exemplo das crises do presidencialismo brasileiro ilustra bem os efeitos das “décrisis”. Quando uma crise aguda se instala, dificilmente se tem um bom prognóstico. O ambiente politico vira um “salve-se quem puder” e os acordos e os mútuos compromissos do arranjo social, que implicam em concessões em nome do bem comum, deixam de valer.

A piora gradativa leva à desordem, ao descontrole e, finalmente, desemboca no caos. Para impedir a evolução de uma “décrisis” é preciso interromper o processo de desagregação. Na atual “décrisis” brasileira, que continua sem uma solução definida, a saída da ex-presidente Dilma permitiu um alívio momentâneo. Seu desfecho, contudo, ainda é uma incógnita. As mudanças estão no rumo certo, mas se mostram tímidas demais para o porte da catástrofe em curso. Para reverter a situação política do país e estabelecer um círculo virtuoso que converta a “décrisis” em uma “síncrisis”, é preciso mais do que parar de piorar. É preciso que sobrevenham fatos novos.

  • A oportunidade que vem da “décrisis”

Em uma sociedade que conta com uma escassa “massa crítica” de bom senso, como a brasileira, resta o instinto de sobrevivência como antídoto para uma “décrisis”. Os milhões de brasileiros que saíram às ruas no “fora Dilma” evidenciam que a sociedade está alerta e disposta a tomar posição. As multidões deixam claro que não vão aceitar um destino e segunda classe.

A lamentar, contudo, é que não se pode esperar muito deste congresso ou do governo Temer. A maioria dos atuais políticos no governo e no congresso estão implicados e tem contas a prestar.

Mas podemos encontrar um lado bom neste cenário de crise e de obtusidade política. A necessidade é a mãe das soluções. Então, a mesma sociedade que se mobilizou nas manifestações poderá se mobilizar para acertar as coisas no Brasil. Vamos precisar de muito jogo de cintura e, talvez, fechar os olhos para muita coisa errada, mas não adianta chorar o leite derramado. Transformar o Brasil é imperioso, posto que de crise já cansamos. Multidões na rua podem ajudar a encontrar um novo caminho. Multidões nas mídias sociais também podem. Mas que caminho? Corrupção e mentiras não queremos. Engodo nem pensar. Sim, é verdade que ainda estamos imersos em perplexidade, mas não será por muito tempo.

  • O jeito de mudar certo

Confúcio nos dizia que há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.

Como não aprendemos pelos dois primeiros métodos e hoje sofremos com mais de 14 milhões de desempregados (e crescendo…), estamos acumulando uma divida colossal e regredimos com uma recessão por dois anos seguidos, com uma queda, segundo a Folha de S. Paulo, de 9,1% do PIB “per capita” desde 2014, tudo o que nos resta é engolir seco e aproveitarmos as lições mais amargas que nos vem da experiência que estamos vivendo.

  • Encruzilhada da ação

O que temos claro é que nos encontramos diante de uma encruzilhada. Ou abraçamos as mudanças necessárias ou vamos avançar rumo a um despenhadeiro de empobrecimento e mediocridade. O caminho que escolhermos agora vai definir o que seremos como nação no restante do século XXI.

  • Aprendendo a transformar com base em evidência

Recapitulando, já sabemos que nossa democracia é um arremedo. Que nossos políticos, salvo exceções, são uma lástima. Despreparados, desinformados, superados, isto quando não mal intencionados. Uma parcela deles são apenas e tão somente “picaretas”. Mas o povo brasileiro tem alma democrata. Gosta de votar. As eleições o Brasil são uma festa. Pena que os candidatos sejam uma lástima.

  • Mas por quê?

Dá para deduzir que alguma coisa está errada no processo. Certamente, o presidencialismo e voto proporcional tem boa parte da culpa. O voto distrital traria outro perfil de candidatos. Mas não temos voto distrital. Nem parlamentarismo. Estas duas mudanças já seriam um avanço, mas elas não virão sem um movimento popular que as respalde. E mesmo sendo fundamentais, não esgotam as transformações possíveis e desejáveis para uma democracia do século XXI. E neste ponto é que viria a calhar uma nova metodologia de transformação democrática para o Brasil. Uma nova forma de examinar e diagnosticar os nossos males, de reunir e comparar as alternativas, de escolher as melhores soluções e de trazer a sociedade, a cidadania e o povo para ter participação 24/7 nesta tarefa que é de todos e de cada um.

Em todos os campos da atividade humana vem sendo adotada a busca sistemática de melhores resultados com base no conhecimento, nas experiências e no comparativo entre performances, ou seja, nas “evidências”. Hoje, além da “Medicina Baseada em Evidência” já existe uma enfermagem com “Procedimentos Baseados em Evidência”, uma “Arquitetura Baseada em Evidência” uma “Administração Baseada em Evidência” e inúmeras outras similares. O que podemos fazer para curar nossa democracia é sermos os pioneiros de uma “Democracia baseada em Evidência”.

  • Um pouco da História do Movimento pela adoção das Evidências como método de acertar

O movimento da “Medicina Baseada em Evidências” foi inspirado no livro “Eficácia e Eficiência”, escrito pelo médico Archibald (Archie) Cochrane e publicado em 1971. A obra criticava acerbamente os métodos nos cuidados de saúde de então. O livro criticou o “achismo” e a falta de evidência confiável por trás de muitas das intervenções de saúde comumente aceitas na época. Suas críticas provocaram um terremoto nas práticas médica e estimularam a adoção de “evidências” confiáveis na medicina. O movimento levou a McMaster University, de Ontario, no Canadá e a University of York, do Reino Unido, a estruturarem a “Medicina Baseada em Evidência”. A nova abordagem obteve ampla aceitação porque era evidente que muitos pacientes morriam ou sofriam sequelas por não terem sido tratados com as melhores práticas existentes. E isto era moralmente inaceitável. Ainda mais tendo em conta que, na era digital, era possível organizar as informações sobre as boas práticas e sobre pesquisas científicas de modo a encontrar “evidências” sobre o melhor procedimento para tratar cada caso. Visando reunir uma acervo de evidências foi criado o Cochrane Database of Systematic Reviews (CDSR), um banco de pesquisas científicas e publicações médicas que podem ser acessadas por médicos de todo o mundo na busca das melhores terapias disponíveis para tratar a doença de seus pacientes.

Ao médico canadense David Sackett se atribui a definição clássica da MBE: “uso consciencioso, explícito e sensato da melhor evidência disponível na tomada de decisão sobre o cuidado a pacientes, acrescida da experiência do médico e das preferências do paciente”.

Se viermos adotar um método análogo para a “Democracia Baseada em Evidência” no Brasil, poderíamos começar com uma definição inspirada na definição da MBE: “adoção conscienciosa, explícita e sensata da melhor evidência disponível sobre o regime e as práticas democráticas, a escolha de representantes, a elaboração de leis, a transparência, a governança e a participação continuada dos cidadãos nas decisões que afetem a sociedade e o povo”.

Optar por uma democracia com método seria um fato novo, uma alternativa ao debate estéril, pirotécnico, impregnado de ideologias arcaicas e falsas premissas que vemos ser feito por partidos políticos de aluguel, alheios a realidade e aos anseios do país.

  • Um Futuro, Já!

Como transformaremos o país se não temos um plano de ação coerente e nem vislumbramos um destino desejável? Sêneca dizia: “nenhum vento sopra a favor de quem não sabe onde ir”. Como empolgar a nação, em especial a juventude, se não definirmos onde queremos chegar e como faremos para chegar lá?

Talvez um dos poucos momentos de nossa história em que tivemos uma clara visão de um projeto nacional foi na construção de Brasília. O país se jogou no projeto proposto por Juscelino Kubistchek e o realizou. Juscelino também se lançou na criação da indústria automobilística, levou a nação junto e o fez acontecer. Foram bons projetos? A discussão hoje é supérflua. Não há dúvida de que houve muita corrupção e desvios na época. Uma peça de teatro do impagável Sérgio Jockyman, “Boa Tarde, Excelência”, produziu gargalhadas homéricas na décadas de 60 e 70 ao contar as trapalhadas e as maracutaias daquele período. A disputa da concessão dos clips de papel e do papel higiênico é tão hilária que chega a ser perigosa para quem sofre de falta de ar. Mas fica o exemplo de que sabemos realizar bons projetos, embora precisemos mudar os métodos.

Portanto, debater um projeto nacional é da mais alta prioridade. E esse debate deve ser da sociedade, da cidadania, como foi a manifestação das ruas.

O que é certo é que podemos ter uma democracia melhor e mais funcional. Uma democracia para o mundo 4.0. O Brasil não aguenta mais retórica vazia e precisa partir para as transformações. Ou, como dizia, com espírito, o ex-prefeito de São Paulo, Brigadeiro Faria Lima, “precisamos de menos planejamento e mais fazejamento”.

  • Método para fazer uma Democracia 4.0

O primeiro passo é assumir que queremos uma democracia alinhada com o futuro. Claro, esta democracia deve ser imune à contaminação corruptogênica. Para chegar a esta imunização será preciso dotá-la de defesas e dar a ela total transparência digital. O espírito desta Democracia 4.0 deve ser capaz de coragem para iluminar-se na lógica de Camões, nos Lusíadas, nos versos em que canta as descobertas lusitanas que transformaram o mundo de seu tempo: “Cesse tudo o que a musa antiga canta, que outro valor maior alto se alevanta!”. Ou seja, diante do novo, dos novos valores e novas descobertas; dos novos conhecimentos e saberes, cessa a influência da antiga musa. O velho cede o passo para o novo. A velha musa murcha e perde o encanto, eis que surge, resplandecente, uma nova e bela musa. O novo brilha com um novo encanto e remete ao obsoletismo as velharias superadas e manda para o ostracismo os seus velhacoutos.

Se dermos boas vindas a uma nova musa democrática, esbelta e glamorosa como todas as musas recém chegadas, precisamos ajudá-la a firmar-se entre nós. Um cuidado preliminar é afastá-la dos zumbis delirantes, um grupo de bocós políticos que teima em acreditar em fantasmas marxistas, encostos bolivarianos, abdução por seres extraterrestes, mau olhado e sortilégios, mas não acredita em coisas prosaicas e burguesas como matemática, lógica cartesiana, causa e efeito e que tais. Também convém proteger nossa musa dos corruptos profissionais de plantão, o bem aparelhado bando de rufiões que obra com engenho e arte, como prova o mal afamado “Departamento de Operações Estruturadas”, da Odebrecht. Esses são até mais perigosos do que aqueles. Nossos corruptos são afamados mundo afora, atuam com método e disciplina. Tem faro para o dinheiro público e seguem objetivos estratégicos. Para obterem acesso ao erário se fantasiam de democratas e se camuflam de esquerda, direita, centro e o escambau. Estes calhordas nefandos são os que pilham o Brasil e condenam seu povo a uma vida de sofrimentos e necessidades. Nas mãos pecadoras destes bucaneiros nossa política deixou de servir à democracia e passou a ser mera e escassa alegoria. A triste verdade é que nossa democracia sempre foi palco de engodo e foi usada para a encenação de simulacros eleitorais. Uma nova democracia teria que ser imune a estes mercenários e mistificadores.

  • O esgotamento da locupletação autossustentável

Stanislaw Ponte Preta nos deu o caminho da redenção: “ou nos locupletamos todos ou implante-se a moralidade”. Não temos mais dinheiro e nem condições para mantermos a locupletação desenfreada que tivemos até o esboroamento dos governos petistas de Lula e Dilma. Em outras palavras, a locupletação deixou de ser autossustentável no Brasil. Portanto, chegou a hora de implantarmos a moralidade. Mas temos uma dificuldade: não temos experiência em lidar com a moralidade. Nossa democracia ou foi manietada, no governo militar, ou sempre foi corrupta.

Este é outro motivo para adotarmos uma “Democracia Baseada em Evidências”. Esta DBE nos ajudaria a reunir boas evidências é a usá-las na formulação de nosso projeto democrático. Precisamos conhecer o que funciona e o que não funciona nas democracias do mundo. E, ainda mais importante, precisamos isolar nosso contingente politicamente subdesenvolvido. Um grupo de chupins culturalmente limitado e emocionalmente ressentido. Nelson Rodrigues dizia: “subdesenvolvimento não se improvisa. É obra se séculos.” Ora, sendo o subdesenvolvimento, a um só tempo, causa e efeito da corrupção que nos assola, pode-se ampliar o significado: “Corrupção também não se improvisa; é também “obra de séculos”. Sabemos que nossa corrupção é endêmica e está arraigada a nossas práticas políticas desde a carta de Pero Vaz de Caminha, em 1500, na qual o escriba que revelava à corte a “descoberta do Brasil”, aproveitava para pedir favores pessoais ao Rei.

E, além disto, controvérsias à parte, quer De Gaulle tenha dito, quer não tenha dito que “Lê Brésil n´est pas um pays sérieux”. A verdade é que o Brasil não era mesmo um país sério. Aliás, até agora continua não sendo. Mas vai ter que mudar. E não por moralismo ou decência cívica, que seriam bons motivos, mas porque o custo da corrupção ficou alto demais. Nossa corrupção já consumiu tudo o que podia na saúde, na educação, na infraestrutura e onde logrou meter a mão. Finalmente estamos cruzando o limiar da moralidade.

  • Da Prática de uma Democracia Baseada em Evidência

A DBE só teria sentido em um novo ambiente que crie um mundo paralelo que seja uma reprodução digital do mundo real. Neste ambiente paralelo podem ser reunidas informações e realizadas simulações ao infinito. Com o uso desta tecnologia a vida institucional do país vai deixar de ser este marasmo medieval para se transformar numa atividade online, com os acontecimentos fluindo como flui a vida. A mudança implica em fazer uma mudança do sistema e não no sistema. Trata-se de uma nova lógica e não de uma mudança limitada ou cosmética. Ainda que a prioridade seja neutralizar o sistema corruptocêntrico, a mudança de paradigma é que vai determinar se vamos mesmo escapar deste buraco negro político.

Em síntese, mudar do jeito certo significa fazer as coisas funcionarem direito. A corrupção colossal, os 13 milhões de desempregados e os déficits monumentais do governo indicam que nossa política e nossa democracia não estão funcionando direito. E precisam ser consertadas. Ou melhor, nós mesmos precisamos consertá-las.

A viabilização da DBE no Brasil vai depender das novas gerações. Elas é que viverão nesta nova democracia. Caberá a elas delinear um projeto que cresça por dentro e que, quando pronto, descasque esta velha carcaça política e permita ao país sair deste casulo de ideias medievais que o oprime.

Como o sistema político atual não é representativo da nação e como os atuais partidos não acolhem o debate aberto e não se prestam para o exercício de uma militância inovadora, a renovação democrática no Brasil precisa encontrar um novo tipo de entidade sem ligações partidárias. Movimentos como o MBL e o Vem Para a Rua tem esta característica, mas nasceram para lutar “contra” o projeto corrupto de pode do PT. Cumpriram seu papel de forma brilhante, mas agora é preciso abrir uma nova luta. Quem sabe desenvolver a DBE – a Democracia Baseada em Evidencia – em volta de uma nova entidade, de uma “nave mãe”, permitiria que se formassem miríades de núcleos filiados, cada um com uma vocação, cada um com uma missão, cada um dedicado a um projeto específico. Todos unidos por uma causa: transformar a Democracia Brasileira em uma democracia inteligente, alinhada com o Mundo 4.0 e, ainda que com atraso, pronta para os desafios do século XXI.


Ceska – O digitaleiro

 

Brasil, tome juízo.

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Operação “Pelo em Ovo” e churrasco onírico em Brasilia.

Brasil, tome juízo.

Parece que este país perdeu o juízo. O nível de desatino que aflora nos mais diferentes setores do país é de estarrecer. Para onde quer que olhemos vemos uma nação mergulhada na estultícia. A corrupção generalizada associada à irresponsabilidade, à inconsequência e a arrogância vem derretendo as instituições e transformando o país num ente desmoralizado e em desagregação.

Tivemos nossa imagem internacional tisnada pelos escândalos da Lava-Jato, cujos eventos de corrupção foram solidamente comprovados e, de repente, em contra-ponto, vemos agora uma imitação canhestra querendo a ribalta. Na Operação “Carne Fraca”, que, pela falta do que procurar devia ter sido chamada de “Operação Pelo em Ovo”, um delegado da PF, despreparado e destrambelhado, decidiu jogar na sarjeta a coisa que melhor funcionava neste país, o agronegócio. Se não eram as luzes do proscênio o que queria a Polícia Federal ao detonar a tal operação “Carne Fraca”?

A Polícia Federal declarou que se valeu de um laudo próprio – um único laudo! – referente à empresa Peccin Agroindustrial Ltda., uma empresa insignificante para o setor, sendo o outro laudo fornecido pelo Ministério da Agricultura. Também haviam mal explicadas denúncias de um auditor do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sobre o frigorífico Souza Ramos. Em cima destes dois “laudos”(?) e da tal “denúncia”, a PF atacou com mais de 1.100 (!) policiais federais todo o setor produtivo do maior exportador de carnes do mundo. Mais de 1.100 agentes federais saíram país afora procurando pelo em ovo. Na operação foi investigado um dito “esquema de fraude” na produção, fiscalização e comercialização de carnes, envolvendo pagamento de propina a fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo a PF, a investigação teria encontrado “indícios” de adulteração de produtos e venda de carne vencida e estragada.

Agentes que nada entendem da produção de carnes, nem de como funciona a extensa e complexa cadeia produtiva de que dependem milhões de brasileiros, entrou estabanadamente em frigoríficos e empresas do setor falando bobagens, acreditando em “salsichas com papelão”, e espalhando acusações com a ligeireza dos inconsequentes. Quer dizer, então, que vamos acabar com milhares de empregos e todo um setor da economia do Brasil só porque um fabricante de salsichas trocou carne de peru por carne de frango?

Se queriam afundar ainda mais o Brasil, conseguiram. Se queriam criar mais desemprego, conseguiram. Se queriam produzir mais crise, se queriam envergonhar ainda mais o país, se queriam jogar gasolina no incêndio que queima as entranhas brasileiras, conseguiram com louvor.

A falta de juízo com que as coisas vem sendo feitas nesta terra maluca não tem paralelo. Nunca antes neste país, – aliás, nunca antes neste mundo! – se viu tanta insensatez. Os exemplos de hipocrisia e de mau comportamento que vem de cima, e que continuam agora com esta “reforma política”, com a tal “lista fechada”, desenhada para proteger políticos de vergonha escassa e cara de pau espessa, só podiam prosperar e nos jogar na lama.

Consertar o país, agora, ficou um pouco mais difícil. O Brasil vai ter que juntar os cacos da nossa indústria de carnes e sair peregrinando humilde por nossos clientes pedindo clemência. Tentando explicar que somos um país de doidos. E dando mais descontos. Nossa imagem internacional já andava abalada com a lava-jato, de modo que uma acusação de corrupção no sensível setor de carnes, por mais descabida que fosse, encontrou terreno favorável para prosperar e se espalhar mundo afora. E, como desgraça pouca é bobagem, para gáudio de nossos concorrentes do mercado de carnes de exportação, como a Índia e Austrália (carne bovina) ou Turquia (aves), nosso caricato presidente, mais perdido que cego em tiroteio (ou seria mais correto dizer “deficiente visual” perdido em meio aos projéteis de uma saraivada de tiros”?), agindo da mais paspalha maneira, resolve convidar os embaixadores dos países que importam nossa carne para um churrasco. E os leva justo para uma fina churrascaria de Brasília que se orgulha de servir…carnes argentinas!!! É ou não é uma Chose de loc?

Infelizmente, como seria de esperar, as consequências já começaram. As vendas despencam. As exportações desabam. Os mercados mundiais se fecham. Uma empresa de Curitiba, uma das “investigadas”, acusada sem defesa, mas já devidamente denegrida, demitiu 280 pessoas dia 22 de março. E, acreditem, muito mais demissões vem aí.

Pode ser que tudo tenha acontecido por “acidente”. Mas pode ser que tudo tenha sido feito de caso pensado. Para aparecer na mídia ou para obter algum tipo de ganho político. Só que, ao que tudo indica, o feitiço virou contra o feiticeiro. Afinal, como justificar uma operação tão desastrada que, como diz a PF, vinha sendo “preparada” há dois anos? Já daria para suspeitar de algo “contaminado” (na operação e não na carne) a partir daí. Então quer dizer que a PF “sabia” que os alimentos vinham sendo “adulterados” há dois anos, em tese “comprometendo” a saúde da população ao longo de dois anos, e só agora resolveu agir?

Ainda na terça-feira a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) divulgou nota afirmando que as conclusões da Operação Carne Fraca referentes aos danos à saúde pública não têm embasamento científico. A entidade diz que peritos foram acionados uma única vez e não comprovaram os danos.

Segundo o Jornal Folha de S. Paulo, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que a “narrativa” da PF ao divulgar as ações da Carne Fraca está cheia de “fantasias” e “idiotices”. Nesta quarta-feira, o ministro disse que os prejuízos para o setor são estratosféricos.

Nem nos tempos bíblicos, nem nos rocambolescos tempos da idade média, uma nação padeceu de tanta falta de juízo. E vai tudo ficar por isto mesmo?

Deus do céu, por caridade, dê um pouco de juízo ao Brasil.


Ceska – O digitaleiro

2017 – O retorno à lógica, antes que seja tarde.

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O Brasil parece um trem sem maquinista banguela abaixo.
  • Cadê a lógica?

Depois de longa diáspora, está na hora de irmos buscar a lógica de volta. E já é mais do que tempo.

Parecia que o Impeachment da Dilma nos tiraria da “decrisis”, onde prevalece o círculo vicioso desagregador, e nos conduziria para a “sincrisis”, onde um círculo virtuoso começaria a amainar a tempestade.

Mas as coisas não estão caminhando como deviam. O Temer vem decepcionando. Mostra-se titubeante. E temeroso. E o titubeante temeroso Temer tem se mostrado incapaz de entender o contexto de fundo e de enfrentar a crise que o país enfrenta. Concordo, estamos melhor com Temer do que com a Dilma dos tempos escarlates, mas isto é pouco. A crise não cede, antes rescede, e continuamos cruzando terrenos pantanosos. Ainda vivemos em brumas nebulosas.

Os emblemáticos episódios das matanças dos presídios de Manaus e Roraima mostrou um novo Temer: o presidente avestruz. Não só enfiou a cabeça na areia como a tirou titubeante. Segundo seu falar vetusto, cheio de volteios gongóricos, a revolta de Manaus foi “acidente”. Tal e qual a queda do avião da LaMia. Aí não dá. O mordomo de Brasília subestima o povo brasileiro e não só titubeia temerosamente como demonstra estar perdido e perplexo diante dos desafios da crise sem precedentes em que estamos imersos.

“Acidente”, convenhamos, é estarmos sendo governados por Temer e por políticos medíocres. Nós os elegemos, é verdade. Mas o modelo presidencialista com voto proporcional é um fiasco. Estamos patinando no pântano da mediocridade. Sem uma liderança que aglutine o país e o conduza com segurança, vamos continuar patinando…

Temer, o titubeante temeroso, já mostrou que não está a altura. Mas quem está? O único líder com arcabouço moral, experiência e força política seria o governador Geraldo Alckmin. Mas seu estilo é mais do tipo “devagar e sempre” e não exibe o ardor do líder revolucionário que o país precisa agora. Fernando Henrique é uma reserva moral, mas já passou seu tempo. Aécio e Serra estão chamuscados pelas labaredas das denúncias da Lava Jato. Tá difícil.

  • A Inconsequência galopante

Nesta formosa terra que tem palmeiras onde canta o sabiá tem também um monte de gente que acredita nos poderes de uma galinha preta com uma pinga e duas velas na encruzilhada, mas não tem a mínima fé em matemática. Desconfia das ciências exatas e, ainda com mais razão, de ciências exóticas, como economia. Hão de preferir as ciências ocultas.

O que somos é inconsequentes. E imprevidentes. O Brasil, para nossa desdita, está encastoado em  uma América latina convictamente, teimosamente e recorrentemente inconsequente. E frequentemente irresponsável. Desde o descobrimento e das cartas de Pero Vaz de Caminha, vivemos às turras com a lógica e desprezamos raivosamente o dito “bom senso”. Bom senso quer dizer capacidade para ver além das aparências e entender as razões e os motivos, as causas e os efeitos. E agir com equilíbrio. Um elenco de coisas abomináveis para os que preferem crer em mandingas, bruxedos e “amarrações” de cartomantes. O bom senso, enfim, é tido e havido pelas esquerdas como um mofado convencionalismo burguês, ainda que venha da Grécia de Aristóteles.

O problema é que quem briga com a lógica não escapa da sua vingança. De tragédia em tragédia estamos preparando uma hecatombe. Os “acidentes” do Temer são da mesma natureza irresponsável da recente queda do avião da LaMia. Este acidente, típica tragédia desnecessária, foi resultado de um desafio à lógica. O capitão, um inconsequente dotado do voluntarismo que implicou com o império da lógica, entendeu que não precisava seguir as normas de segurança. O comandante, tomado da empáfia besta do voluntarismo latino-americano, preferiu jogar roleta russa com a vida de seus 72 passageiros e 9 tripulantes. Com uma pane seca anunciada continuou voando para a morte. Pode-se supor que continuava o voo esperando um milagre. Tanto que, ao se dar conta de que o avião iria mesmo espatifar-se no solo, ainda cobrou o milagre que não vinha: “Jesus”!.

  • A praga latino americana que pegou

A inconsequência, esta praga latino-americana que está na raiz da nossa atual crise e de nosso subdesenvolvimento é doença antiga. Um espécie de herpes-crisis cujo vírus se recolhe, mas volta a se manifestar de tempos em tempos. Fugimos da lógica como o diabo da cruz. Somos avessos a normas, desafiamos as regras e enxotamos a razão. Não acreditamos em fazer contas, como, aliás, não acreditamos em planejamento, ou melhor, não acreditamos é em fazejamento, que “planejamento” por estas bandas, é biombo para “consultorias” suspeitas e, por isto, dá como capoeira em mato. Tem muito mas não serve para nada. Também não respeitamos nenhuma destas disciplinas burguesas que foram criadas para “explorar os pobres”. E para quem interessar, não esqueçam que agora somos livres e independentes. Não precisamos dar satisfações à metrópole e somos “capazes” de fazer nossas próprias leis. E, orgulhosamente, tem mais: revogamos as leis de que não gostamos ou que nos oprimem. Um exemplo: a Lei de Newton. Ainda não conseguimos acabar com a lei da Gravidade, mas não desistimos. Mesmo sendo uma lei “cláusula pétrea” da natureza (Ah, bom!), sua revogação continua sendo proposta em reiterados projetos de lei. Qualquer dia conseguimos.

Para ilustrar, alguns anos atrás o Estado de São Paulo noticiou que o Prefeito de Palmeira dos Índios, das Alagoas, propôs revogar a lei da gravidade por uma decisão da Câmara Municipal: “Informado pelo engenheiro da Municipalidade que a lei da gravidade impedia a construção de uma caixa de água na praça central de Palmeira dos Índios, devido a um forte declive,” o prefeito da cidade não se conformou. Chamou seu líder na câmara e mandou que conseguisse maioria “para derrubar a lei da gravidade, pois era preciso construir uma caixa de água na praça”. Ainda bem que o edil tinha um mínimo de noção do ridículo e foi hábil em não afrontar o alcaide:

“Senhor prefeito, não se sabe se esta lei é municipal ou estadual. E, depois, pode ser federal. É melhor não mexer no assunto, para não criar problemas. É melhor não desobedecer ao engenheiro, que é especialista no assunto”.

O monitor das besteiras que assolam o país aponta outra recente tentativa de revogar a lei da gravidade. Desta feita veio no bojo do episódio (“acidente”…?) de Mariana. Por pouco o Ministério Público Federal não vira motivo de chacota global: ele “ordenou” que a Samarco “impedisse” que o material argiloso que chegou pelo rio à foz do Rio Doce entrasse no mar. Os desavisados procuradores confundiram a argila, que se mistura com a totalidade da água, com uma mancha de óleo, que não se mistura e fica na superfície, e sapecaram a “ordem”. Ora, impedir que a argila entrasse no mar exigiria “apenas” represar o rio inteiro. Uma estupidez descomunal. Ainda bem que um juiz providencial, Thiago Albani, titular da 3ª Vara Civil de Linhares, no ES, veio salvar a face do Brasil e da MPF: “autorizou” que a água do rio desaguasse no mar!

De tanto ver prosperar estultícia Nelson Rodrigues dizia, rouco de desespero, que, toda a vez que via um brasileiro “ligar causa à efeito, tinha um orgasmo“. Os teve poucos.

Segundo Confúcio, “três são os caminhos pelos quais chegamos à virtude: pela reflexão, o mais nobre; pela imitação, o mais fácil; pela experiência, o mais doloroso”. E já que teimamos em não aprender nem pela reflexão e nem pela imitação, vamos ter que aprender pelo sofrimento. O consolo é que, por cruel que seja nossa sina, sofrimento produz lógica. Ao menos entre os sobreviventes, claro. A dor leva a busca das causas. E estas, no caso da atual crise, apontam para a inconsequência aguda de nosso socialismo capenga de cepa petista. E, sendo a crise sintoma da grande enfermidade que padecemos no Brasil, qual seja a ilusão socialista de que o estado teria os poderes que os socialistas negam a Deus, o poder de acabar a pobreza por ato de vontade, certamente podemos lembrar Margareth Thatcher que dizia: “o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros”.

  • A opção pelo despenhadeiro

Dilma Rousseff queria enfraquecer a posição do ministro da Fazenda Antônio Palocci no governo. Ela era, na época, a ministra da casa civil do Lula. Palocci, que era corrupto mas não era burro, tinha um plano de ajuste fiscal de longo prazo que vinha sendo elaborado pela equipe econômica. Em síntese, Palocci defendia que o gasto público não podia subir mais que o crescimento do PIB. O mesmo princípio que levou o atual Ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, a propor o teto de gastos por vinte anos.

O plano de Palocci estabelecia que o ideal seria que tivéssemos um superávit fiscal de 4,25% pelos próximos dez anos.

Dilma, a guerrilheira, que se imaginava audaz, de coração valente e cabeça de vento, em entrevista ao “Estado de S. Paulo”, desqualificou os autores da proposta, dizendo que Palocci e seu grupo estavam se baseando “em planilhas” e classificou o plano de “rudimentar”, afirmando que nem o encaminharia ao presidente Lula porque não tinha as condições mínimas para um início de discussão dentro do governo. E aí deu sua imortal contribuição para o rol das frases insanas: “gasto público “é vida”!.

Daí em frente abriu-se a porteira dos gastos sem freios. Estabelecido como preceito pela grande líder que gasto público era “vida”, todo mundo desandou a “viver”. “Viveu-se” a mais não poder. Nunca antes se tinha visto tanta “vida” neste país. E até disparamos a ensinar outros países a “viver”: Cuba, Bolívia, Venezuela e outros deste e do outro lado do Atlântico.

O PT, alegremente convertido ao catecismo dilmista, não só pregava “a vida em abundância”, aqui e “urbi et orbi”, como praticava com fervor franciscano a boa nova. O que se viu foi uma maré de “vida em abundância”, com os pixulecos escalando as estrelas. Parecia descoberto o moto-contínuo da prosperidade. Só que não. De repente caiu a ficha: quando termina a “vida”, o que vem depois? Estava na cara que esta aventura irresponsável só podia acabar mal.

E agora, o que temos diante de nós?

Quando os gregos dividiam as crises em “decrisis “e “sincrisis” eles buscavam entender como as forças internas dos processos de crise evoluíam. Decrisis eram as crises “ruins”, que tinham como característica a desagregação, enquanto as sincrisis, ao contrário, eram as crises “boas”, aquelas que se encaminhavam para uma solução por força dos mecanismos corretivos e dos equilíbrios de pesos e contrapresos que atuavam no seu interior.

Nossa crise, uma “decrisis” crônica, sob a estarrecida batuta da Dilma “presidenta”, evoluiu para uma crise aguda e resultou no impeachment. Com o impeachment tivemos uma sangria e a crise aguda foi momentaneamente debelada, mas os desequilíbrios financeiros que alimentam a cronicidade da crise continuaram a minar o organismo da nação.

A partir do impeachment, a sociedade deu um crédito de confiança ao governo Temer. Mas o prazo está se esgotando e as medidas de rearrumação da economia tem se mostrado insuficientes. O congresso continua com óculos cor de rosa. O que vemos é que as condições objetivas da economia e do meio social não se modificaram e continuamos vivendo em meio a um impasse social muito perigoso.

  • Um barril de pólvora social

Doze milhões de desempregados são um barril de pólvora social. Os desempregados estão encurralados e não veem saída. O governo se mostra perdido. E a crise pode piorar rapidamente e descambar para uma nova etapa de “decrisis”.

  • Um PROER  para o povo

O ponto critico mais importante é que a sociedade está endividada e não tem como resolver seu endividamento com a crise torpedeando a atividade econômica e os empregos. E enquanto os milhões de endividados não conseguem voltar a ter crédito, a economia fica travada.

Os juros dos cartões de crédito e cheque especial são um crime de lesa pátria. E os bancos estão insensíveis. A saída seria o governo atacar o problema de maneira a desatar o nó. Criar um PROER para o povo. Criou para salvar os bancos, não foi? E que tal fazer a mesma coisa para salvar o povo? Mas os bancos mandam no país e não vão aceitar de bom grado que o governo tire deles o filão que os mantém indecorosamente lucrativos, mesmo numa crise sem precedentes.

Acontece que as “decrisis” não tem bom prognóstico. Se as forças desagregadoras que as formam não são neutralizadas, a caldeira continuará a acumular vapor até o ponto de explosão. O país é um trem despencando ladeira abaixo, com o maquinista olhando para a paisagem. E estamos próximos, perigosamente próximos, de um grande desastre. Perdão, de um grande “acidente”, como definiria o tateante e temeroso Temer.


Ceska – O digitaleiro

No meio do caminho tem eleição. Tem eleição no meio do caminho.

 

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Dia 02 de outubro tem eleição no meio do caminho; Tem eleição no meio do caminho dia 02 de outubro.

Estamos no rumo certo, mas cuidado: tem uma eleição no meio do Caminho!

No meio do caminho tem um eleição

Tem uma eleição no meio do caminho

  • Desde já aviso aos amigos que vou votar em João Dória. Quero ter a “convicção” (a palavra está na moda) de que voto na continuidade do caminho.

Ainda que aos trancos e barrancos, o Brasil vai avançando e entrando nos eixos. (Ainda com muitos trancos: a receita da União voltou a decepcionar em agosto). Enquanto isto, o barulho dos pinos caindo no strike do boliche anticorrupção da Lava Jato continua. Os corruptos desabam como carreiras de dominós enfileirados. Caiu Dilma. Caiu Cunha. Lula caiu na Lava-Jato.

E ainda tem muito gaiato pendurado se agarrando para não cair. Mas a sociedade está vigilante e a nova ordem vem se afirmando como uma vitória do Brasil. Um triunfo que vem sendo obtido com o espírito e as armas do século XXI. Mas é preciso lembrar Tancredo Neves: Estamos apenas na metade do caminho. Não podemos nos dispersar.

Um ano atrás, quem diria? Estávamos nas ruas. Tínhamos a indignação. Tínhamos a esperança. Tínhamos a determinação. Mas os petebas do poder grudavam em suas benesses e sorviam privilégios com a gula insaciável dos sanguessugas. A corrupção estava institucionalizada e parecia invencível. Vivíamos em uma “propinocracia”, na definição de Deltan Dalagnol, da força tarefa da Lava Jato. E os cabras que haviam tomado o governo viviam à larga, refestelavam-se em um luxo de nababos, voavam pelos céus do Brasil e do mundo na frota VIP da FAB, enquanto se lambuzavam com as delícias, as benesses e o néctar do poder.

Por um momento pareceu aos crédulos que os petistas tinham – heureca! –  encontrado a fórmula do roubo perpétuo, do moto contínuo da propina forrando a burra dos larápios. Os brasileiros decentes, por outro lado, coçavam a cabeça se perguntando como era possível tanta patifaria dar certo por tanto tempo. E muitos se questionavam, diante do êxito aparente da esbórnia escancarada, se ainda valia a pena se manterem honestos.

Mas desafiar a lógica é como afagar um tigre: raramente dá certo. E o PT devia saber: roubar e deixar roubar não é uma ideologia, é uma patifaria. E ao adotar a patifaria como estratégia de manutenção do poder e em escala jamais vista no planeta, seria de se esperar que o fim fosse um fiasco desastroso. E não deu outra. Foi tanta a sofreguidão, tanta a ganância, que sobreveio o descontrole e o caos. Claro, a desatinada da Dilma, perdida em suas mandiocas, deu o empurrão final. Mas o que se roubou neste país foi coisa nunca vista. Um mega rombo para não se esquecer jamais.

  • Vencendo a hidra de mil cabeças

O fato é que, para livrarmos o país do projeto de poder do PT foi preciso vencer a hidra petista de mil cabeças, de mil línguas bífidas venenosas. Foi preciso encetar uma luta árdua, enfrentar chiliques, esperneio e chorumelas, mas o Brasil que tem ambições, que quer um lugar decente na história, combateu o bom combate com a admirável galhardia verde e amarela. Ao chegarmos ao meio do caminho podemos nos orgulhar de que juntos lutamos e juntos vencemos. E é uma alegria congratular-me com você, que esteve aos milhões nas manifestações, que amassou suas panelas para fazer o Brasil ouvir seu clamor, que protestou, incansável, nas mídias sociais. Parabéns a você que foi para o enfrentamento corajoso e sem esmorecimento, que disse a que veio na pugna crucial entre o passado caquético da esquerda corrupta e o ansiado futuro que todos queremos para nosso Brasil. E que só depende de nós.

Com o país ainda se debatendo na maior crise de nossa história, não tínhamos mesmo escolha. Não queríamos um destino cafajeste. Um futuro de bagre chafurdando na lama rasa. Era preciso reagir. Era preciso demolir o Carandiru ideológico com que Lula e os seus asseclas aprisionavam o Brasil; em que prendiam os brasileiros por meio de um emaranhado de mentiras, demagogia, e engodos.

  • Definindo o país que queremos

Não podemos morrer na praia. Seria uma pena esmorecermos agora. Podemos lembrar Tancredo Neves quando dizia “Enquanto houver neste país um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa”.

Existe muito a ser feito, é verdade. Há montanhas de entulho para limpar. Bobalhões desfilando asneiras. Desocupados atrapalhando o trânsito. Mas, sem recear o lugar comum, todo começo começa pelo princípio.

O mais importante é nos entendermos sobre o Brasil que queremos. E definirmos o que, como sociedade, queremos fazer do país.

O que sabemos, desde logo, é que qualquer organização – e um país é um tipo complexo de organização – se apoia em um triângulo com três vértices:

  1. – Recursos Humanos
  2. – Recursos Materiais
  3. – Sistemas.

Os Recursos Humanos, as pessoas, vem em primeiro lugar. E elas é que se valem dos recursos materiais e dos sistemas para fazer o país funcionar. Os recursos materiais, ao contrário do que muitos pensam, não fazem a riqueza de uma nação. Nossa maior riqueza não é o pré-sal. Não é o ferro, ou o ouro ou os diamantes. Nem mesmo a Amazônia, o cerrado, o sertão, o pantanal, os pampas do sul. Nossa maior riqueza é a gente brasileira. É nosso povo. Com ele, tudo será possível. Sem ele, seremos tribos perdidas, grupos erantes, confusos e quebrantados.

Mas os recursos materiais contam muito. E nossos recursos naturais contam muito mais. Nossa prosperidade haverá de voltar muito pela generosa mão da natureza com que o Brasil foi abençoado. Os recursos naturais que temos são superlativos. Temos muito e temos em abundância, tanto temos que podemos sermos ufanos de nosso país. Mas lembrando sempre que, sem a atividade produtiva de nossa gente, nossos recursos naturais são apenas paisagem. Se não forem tocados pela mágica transformadora do homem, continuarão ali, inertes, pelos tempos afora, sem gerar riquezas e sem contribuir para melhorar a vida do povo ou para enriquecer seu futuro.

A propósito, o Brasil tem dois exemplos do que pode ser conseguido fazendo certo as coisas certas: o agronegócio, que prosperou graças aos empreendedores que vivem no campo, longe dos predadores de Brasília, e a Embraer, que é até “brasileira” (note as aspas…), mas que soube escapar do alcance da burocracia rapinante que esculhamba tudo o que toca neste país e foi progredir lá fora.

  • Tudo depende de nós. 

Um país não se faz apenas amontoando pessoas em um território. Países existem que acumulam seres e vidas, mas que são lástimas, que são catástrofes. Temos vizinhos como a Venezuela, a Bolívia e o Equador nesta categoria de paspalhões fracassados.

Sem bons governos e bons sistemas não existem bons países. Sem bons governos, as nações se desorganizam, ficam improdutivas e sofrem os efeitos deletérios da desordem. O resultado é que seus povos vivem vidas desgraçadas, vidas sem perspectivas, vidas miseráveis.

O que vai fazer a diferença é a educação. Segundo Sydeny Harris, o principal propósito da educação é transformar espelhos em janelas. É facultar às pessoas uma visão capaz de abarcar o mundo e permitir que compreendam os fatos elementares da vida e da natureza. Desta compreensão nasce a sabedoria. E da sabedoria de um povo surgem bons governos e bons países.

A sabedoria permite compreender que não se pode viver de mentiras e engodos. E que a nossa condição humana nos impõe a crueldade da matemática: nenhuma nação se poderá sustentar de pé se seu povo não tiver juízo. Se gastar mais do que tem. Infelizmente é possível, sim, usar o cheque especial para viver uma fantasia passageira, gastando por conta. Alimentar um sonho demagógico, uma ilusão aberrante, por algum tempo. Mas a ilusão passageira cobrará bem caro na hora da conta. E a conta sempre vem: a economia não se defende, ela se vinga.

Confúcio, que viveu 500 anos antes de Cristo, explicou existirem três métodos para adquirir sabedoria: Primeiramente, pela reflexão, que é a mais nobre; Em segundo lugar, pela imitação, que é a mais fácil; e terceiro, por experiência, que é a mais amarga. E tudo leva a crer que nós, brasileiros, preferimos a última. Acho que temos uma queda para o sofrimento. Affêe!!!

Conclusão I: A sabedoria de um povo é que define seu destino. Todos conhecem a fábula de Esopo que narra a história de uma cigarra que canta durante o verão, enquanto a formiga trabalha acumulando provisões em seu formigueiro. No inverno, desamparada, a cigarra vai pedir abrigo à formiga. Esta, a formiga, pergunta o que a outra fez durante o verão. “Eu cantei”, responde a cigarra. “Pois então agora, dance”, rebate a formiga, deixando-a do lado de fora. A fábula de Esopo é um ensinamento que vem da sabedoria da experiência. E permite concluir que um povo operoso será recompensado com a prosperidade. Um povo de tolos terá o destino dos tolos: as carências, a miséria e o sofrimento desnecessário.

O terceiro vértice corresponde aos “Sistemas”. Estes determinam o que fazemos, como fazemos, quando fazemos e porque fazemos. O governo está neste vértice e seu papel de líder e organizador equivale ao do cérebro em nosso organismo. A gente até deveria saber disso, posto que nossa sabedoria popular sempre ensinou que “quando a cabeça não pensa o corpo padece”…

Em síntese, um governo inteligente organiza os sistemas de modo a formar um todo coerente, bem balanceado e holístico, capaz de funcionar e ser eficiente. Até aqui, salvo os eventuais misantropos, suponho que todos estejamos de acordo. Deste ponto em diante, contudo, é que as divergências começam a separar a humanidade em dois grupos irreconciliáveis: os “fazedores” e os “tomadores”.

  • A divisão do mundo em dois grupos: Os “fazedores” e os “tomadores”

Os “fazedores” são os românticos da ação. Para estes, o mundo é como um pomar. Entendem que sua tarefa no mundo é plantar, adubar, regar, combater as pragas, colher e distribuir a colheita para que todos possam se saciar. Para os “fazedores”, um país rico é cheio de pomares (e fábricas, lojas, escritórios; óbvio, né mesmo?) onde os laboriosos colhem frutos em abundância. Os fazedores acreditam que fazer um país se tornar rico é fácil. Basta que todos se disponham a plantar pomares e obedeçam as regras da natureza. Como são sábios, compreendem que existe um tempo para plantar e um tempo para colher. E que é preciso saber semear, esperar que as sementes germinem, que as plantas cresçam, que as flores se convertam em frutos. Que os fruto amadureçam. Daí que sua maior aspiração é poderem plantar e colher sem obstáculos. Sua crença: a produção transforma o mundo. Sua fé: se muito for produzindo, muito haverá para todos e não haverá ninguém com fome.

Já os “tomadores” acham que o mundo é um galinheiro onde eles são as raposas.

Existem “tomadores” à esquerda e à direita. Os da direita são os folgados, os vagais, os parasitas. Sabem o que deve ser feito, mas não estão a fim de trabalhar. Ponto.

Já na esquerda, petistas inclusos, os “tomadores” acham que seu papel é “redistribuir” a riqueza que os outros produzem. Se pensam os justiceiros da humanidade.

Esses boçais vivem olhando ao redor. Onde alguém criar um caminho, eles tratam logo de colocar uma pedra, “regulando” e taxando a atividade. Esta fúria arrecadatória não começou com a indústria da multa do Haddad, embora, devo reconhecer, este a tenha refinado para o padrão da tortura chinesa. A fúria arrecadatória já era assim nos tempos coloniais dos tropeiros e no “Caminho de Viamão”. O tropeiro suava sangue para trazer do extremo sul gaúcho uma tropa de muares ou gado, vindo por trilhas intransponíveis, cruzando os Campos de Vacaria cheio de obstáculos, enfrentando os índios Xokleng e os Coroados Kaingang e quando, mil quilômetros depois, chegava em Lages, tinha que pagar um “pedágio” para cada cabeça de boi ou lombo de mula que houvesse sobrevivido.

Essa obsessão de tudo controlar e regular chega a ser uma patologia. Acredito tratar-se de uma compulsão atribuível a uma fixação freudiana na fase anal. Parece humor escatológico, mas não é, pois, como se sabe pela psicologia, a fixação na fase anal leva ao desejo compulsivo de controlar tudo e todos. Explico: o sujeito que não conseguia controlar sua evacuação na infância, que se abraçava ao vaso sanitário pedindo “cocô, volta aqui”, enquanto chorava ao vê-lo ser levado pela descarga, agora quer compensar controlando a vida de quem trabalha e produz. É o fim da picada. E como para o pirado esquerdista-anal vale tudo, dá-lhe discurso apelativo, demagogia, mentiras, engodos e enrolação.

O cúmulo, contudo, é que o esquerdista brasileiro pensa que o país lhe deve uma cornucópia. Para quem não sabe, a cornucópia, na mitologia grega, era um dos cornos do bode Amalthea, o qual seria dotado da propriedade mágica de prover quantidades ilimitadas dos mais variados e deliciosos manjares e guloseimas. Do corno vinha mel, doces, frutas, e, seria de supor que, para atender ao surpreendente paladar petista, viriam também fantásticos sanduíches da melhor mortadela. E sendo que nada neste mundo é mais parecido com uma cornucópia do que um emprego público no Brasil, o sonho do petista padrão é uma sinecura ou uma boca no governo.

  • O Brasil merece bons sistemas 

Apesar dos pesares, no Brasil já somos um país. (Que bom!). Mas somos latino-americanos. (Que mau!). E, portanto, somos disfuncionais. Acreditamos em coisas que não existem, como na capacidade do governo criar riqueza. Ou na capacidade de funcionários púbicos resistirem à tentação. Em compensação, não sabemos ligar causa com efeito. O arguto e saudoso Nelson Rodrigues dizia que toda a vez que via um brasileiro ligar causa ao efeito tinha um orgasmo. Acho que os teve poucos.

O ponto chave é entender que, no século XXI, um governo deve ser um maestro. Em sociedades amadurecidas, os cidadãos não precisam da tutela do governo. E um governo deveria ter sua avaliação de forma automática. Se seus indicadores mostrassem incompetência, o sistema acionaria a ejeção e pimba: o governo seria mandado para o espaço.

O maior dos indicadores seria a qualidade do gasto público. Quando o governo começasse a gastar mais nas atividades meio do que nas atividades fim, tocaria o alarme da ejeção. Se um governo começa a enriquecer os amigos e a mandar as contas para o povo receberia um aviso de alerta e, se insistisse, seria demitido pelo computador. Estamos chegando a um tempo em que ninguém mais aceita ser escalado para ser trouxa a vida inteira.

Os governantes deveriam ser servidores do povo. Com crachá. O presidente deveria fazer como o Papa e lavar os pés do povo ao menos na páscoa da ressureição. Mas no Brasil, os membros dos três ramos do governo ainda se acham no direito de desfrutar das glórias imperiais. Vivem em palácios, voam nos tapetes voadores da FAB e desfrutam da coisa pública como se vivêssemos em um reino das arábias. É uma pouca vergonha daquela muito sem vergonha. Mas temos que nos curvar ante a dura verdade, a doída verdade: nenhum país pode ser latino-americano impunemente.

O que precisamos cultivar no Brasil é um pouco de bom senso. É lutarmos para criarmos sistemas balanceados com um mínimo de equilíbrio ganha-ganha. Sistemas feitos com uma beirada para incluir o povo e em que os dois lados ganhem.

Talvez venhamos a concluir que isto implica em refundar o Brasil. Fazer um nova constituição para o novo século. Todavia, só um imbecil anacéfalo irá acreditar que estes políticos mentecaptos, ou os políticos da velha ordem, sejam capazes de largar o osso que roem desde o descobrimento. Que se disponham a criar sistemas isentos da velha sacanagem patrimonialista nacional que os fazem marajás. De modo que, para mudar mesmo, precisamos, antes, reinventar a participação moderadora da sociedade no desenho de nosso destino.

Como as mídias tradicionais tem se mostrado limitadas é preciso contar com a mobilização das mídias sociais e, especialmente com as ruas. A estas cabe mostrar força e união. Às ruas cabe neutralizar os esforços bucaneiros dos piratas de nossa política.  Sem uma presença massiva desta nova forma de mobilização social seria repetir a velha história: “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é bobo ou não tem arte”. Lamento dizer, mas penso que apenas se, e quando, a sociedade ficar de olho e contar com pesos e contrapesos eficazes, os políticos e agentes públicos se portarão com a devida decência. Por exemplo, é impossível esperar reformas do atual congresso, formado por compadrio entre 28 partidos que repartem o mando. O resto é devaneio de noite de verão.

Conclusão II: Um bom sistema é como a virtude, que só é boa quando a serviço de uma boa causa. Como lembrava Santo Agostinho, “uma virtude a serviço do vício agrava o vício!”. Carlos Lacerda, ao dar um exemplo sobre esta frase da tribuna da câmara, disse, certa feita, que “a pontualidade é uma virtude, mas se for usada para ir ao bar para beber com pontualidade, vai agravar o vício da bebida.”

De maneira que redesenhar o sistema político precede outras providências. É preciso redesenhar os canais pelos quais fui a democracia. Hoje o sistema é uma enganação. As elites fingem que mudam mas, mudar mesmo, não mudam nada. A habilidade com que os políticos “espertos” manipulam as leis e normas em seu favor nesta grande pátria tropical ficou cabalmente demonstrada no arranjo inconstitucional sobre os direitos políticos da Dilma.

  • Fórmula para arrumar a casa

Se fosse para consertar de vez, não seria preciso reinventar a roda: o mundo desenvolvido já mostrou claramente que os mecanismos que melhor funcionam são aqueles baseados em dois princípios:

  1. – Voto distrital – A experiência demonstra que o distrito tende a eleger o melhor candidato de sua área. O conjunto de distritos tende a eleger um congresso com compromissos claros com suas comunidades, o que resulta em um congresso melhor.

(A dificuldade: Os políticos profissionais fogem dessa discussão porque, na hora de se discutir o tamanho dos distritos, o povo de São Paulo vai querer saber porque, para a câmara federal, o voto de um cidadão de Roraima vale 10 vezes mais do que o de um cidadão paulista. E não vai gostar de ficar na segunda classe. Nem de saber que é o que mais paga e é o que menos recebe.

2. – Parlamentarismo – Os mecanismos do parlamentarismo favorecem a governabilidade e ajudam a neutralizar os vícios e as inevitáveis crises do presidencialismo.

(A dificuldade: o presidencialismo de “coalisão” é o regime das melhores negociatas. Vender o voto é um excelente negócio. Somado aos lucros da corrupção, tem sido melhor do que encontrar ouro no quintal.)

  • Pedra à vista: estamos no meio do caminho 

Estamos no meio do caminho. Mas no meio caminho já estávamos quando conquistamos as eleições diretas. Parecia, naquele tempo d’antanho, que havíamos de seguir em frente. O governo de Fernando Henrique Cardoso, sobretudo, foi auspicioso e parecia indicar um tendência pela prosperidade autossustentada. Mas, ledo engano: nossa natureza de sul-americanos não demorou a aflorar e a nos submeter. O Belzebu colorado que jura ao povão que dá para viver de milagre, de efeitos sem causa, voltou com seu tridente para nos afastar da lógica e do bom senso. Caímos novamente na tentação das delícias grátis. E agora, no fundo do poço, devemos enfrentar uma penosa e lenta recuperação. Ou, pior, descambarmos de vez, seguindo no destino dos rebotalhos do mundo, a exemplo de Cuba, da Venezuela e de outros fracassados deste e do outro lado do Atlântico.

Mas haveremos de vencer, certo? Vamos enfrentar nossa realidade de frente, esconjurar nossos pecados, cortar as asas da corrupção, ficar de olho no desejo de nossas “zelites” picaretas de meter a mão e de misturar o público com o privado. Temos que acreditar que o impeachment de Dilma, a cassação de Cunha e o indiciamento de Lula no Lava-Jato são sinais de um provir mais promissor.

Uma saída, mais à frente, possivelmente será uma nova constituinte para o século XXI. A Atual constituição é desbalanceada e conduz a uma instabilidade permanente. Até seria muito bom se nosso dinheiro desse, mas o Brasil não tem como manter todos os privilégios, regalias, direitos e benesses contemplados na atual carta. Esta constituição está além de nossas possibilidades. É triste reconhecer, todavia, que enquanto esta perdurar, vamos viver em crise permanente.

  • E a eleição no meio do caminho?

Escolher mal agora pode desperdiçar toda a caminhada já feita. E recolocar as pedras que conseguimos tirar do caminho.

Por isso, como revelei com candura, vou votar em João Dória para prefeito de São Paulo.

Conheço o candidato pessoalmente e já trabalhei com ele em uma parceria internacional. Sei, de primeira mão, que é preparado, competente e trabalhador. O mais importante: acho que, com ele, vamos poder contar com São Paulo para continuar a caminhada no rumo do Brasil decente que queremos.

Que me desculpem os petistas e os vermelhos em geral, mas, com o entusiasmo da esperança, não posso deixar de bradar: Viva o Brasil verde e amarelo.


Ceska – O digitaleiro

Fim dos ratos

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O Flautista de Hamelin reencarnou no Juiz Moro: a Lava Jato está desentocando os ratos que habitam o poder e vai levá-los todos para Curitiba.

Os ratos estão em polvorosa. Pressentem que o fim está próximo. Nunca a confraria dos roedores deste país se sentiu tão acuada. Nunca enfrentou inimigos tão implacáveis, nem tão letais, como o Juiz Sérgio Moro e a Força Tarefa.

Nada a estranhar, portanto, na estridência de seu esperneio.

De todas as bocas de lobo, de todos os antros corruptos, de todos esgotos escancarados, de todos os quadrantes comprometidos com a roubalheira ouvem-se impropérios, ranger de dentes e ataques à Lava Jato e, em especial, contra o juiz Moro.

Todos os ratos que pilharam a pátria sem dó agora se juntam nos rompantes guturais do coral da cloaca. Vendo o cutelo zunindo em sua direção, vociferam a cantilena de golpe que ecoa pelos porões putrefos daquele que foi o mais perverso dos governos que o Brasil conheceu.

Segundo disse à Folha de S. Paulo o Procurador Dalton Dallagnol, coordenador da Força Tarefa de Curitiba, “nossa única defesa é a sociedade.”

Fica claro, portanto, que, se queremos um país decente, precisamos nos unir e mostrar que estamos com a Lava Jato e apoiando o Juiz Sérgio Moro, para o que der e vier.

O sentimento majoritário da sociedade brasileira é que chegou a hora de dar um basta. De desratizar o país. De eliminar os ratos para acabar com a roubalheira desenfreada, despudorada, desavergonhada, de uma vez por todas.

Ainda que muitos políticos pensem o contrário, não somos um país de tolos. Somos tolerantes em demasia, é verdade, mas tudo tem limite. Cansamos de tanto bandido, cansamos de tantos roedores.

Fora ratos Já!

“Você sabe o que acontece quando um navio tem ratos demais? Ele afunda. É isto o que acontece.” (David Wong).

Bem, um país com ratos demais também afunda. Que é precisamente o que vemos acontecer com o Brasil.

A verdade sobre os ratos, tanto os rattus rattus, de quatro patas, como os homo rattus (teria mulher rattus?) de duas pernas, é que são insidiosos. E prolíficos: quando encontram condições favoráveis, os ratos se multiplicam como ratos. O que, convenhamos, era de esperar! E, ainda, sendo os ratos roedores incansáveis, roem tudo o que podem. Daí os rombos colossais que vemos à nossa volta no Brasil.

Por isso, a luta contra os ratos não tem fim e o homem vem, desde sempre, tentando se livrar destas pragas.

No combate aos ratos, é mais fácil eliminar o animal de quatro patas, o rattus rattus, como registram diversos episódios do passado.

Por exemplo, em 1508, na pacata Autun, uma pequena cidade da França, cerca de 300 km ao sul de Paris, o vigário acionou o tribunal eclesiástico da localidade para processar os ratos que haviam devorado as plantações de cevada da região.

Naquele tempo era comum este tipo de processo que o direito eclesial e medieval considerava dentro de suas atribuições. Hoje, na igreja católica, ainda existe a benção dos animais, mas nos idos do século XVI, os líderes religiosos acreditavam que os animais poderiam ser possuídos pelo demônio e, portanto processados e condenados pelos tribunais da igreja.

Só para ilustrar, houve um Papa, Leão XIII, que preconizava o exorcismo de animais. Em outro exemplo, o bispo de Lausanne, certa feita, tratou de amaldiçoar oficialmente as criaturas que desobedeciam as ordens eclesiais.

Na França, chegou a existir alguma jurisprudência penal animal, como evidencia uma tapeçaria na antiga cidade de Falaise, referindo-se ao assassinato de um bebê por um porco, em 1386.

Assim é que, em 1508, a pequena cidade de Autun decidiu que haviam evidências suficientes para processar os ratos das redondezas. Os bichos tinham passado de todas as medidas. Pois não é que os desgraçados haviam dizimado a plantação de cevada local?

O crime já era grave por si, pelas perdas econômicas, mas, para piorar as coisas, haviam privado a cidade da matéria prima para a produção local de cerveja. (Não entenda mal: em certas épocas, a cerveja chegou a ser mais popular do que a água, já que, na Idade Média, as práticas sanitárias deixavam muito a desejar. Assim, ainda que servisse com uma boa desculpa, era mais seguro beber cerveja do que água.)

O fato é que, então, o Tribunal Eclesiástico de Autun, solenemente presidido pelo dito vigário, emitiu uma citação convocando os ratos a comparecerem perante o Tribunal. Em deferência à importância dos réus, a corte seria instalado na célebre Catedral de Autun, uma magnífica construção ainda imponente, concluída em 1.146.

Como rezavam as boas regras do direito, um advogado local foi indicado para ser o defensor “pro bono” dos ratos. A atribuição coube a Barthélemy de Chasseneuz, personagem que se tornou conhecido e respeitado pela forma engenhosa como defendeu as ratazanas de Autun.

Os autos do processo registram que, no primeiro dia do julgamento, os ratos não compareceram.

Chassenez argumentou ao Tribunal que a intimação fora inválida. A intimação, feita dos púlpitos, não teria como chegar aos acusados, que tendiam a viver sozinhos. O advogado insistiu que cada um de seus clientes devia receber uma intimação individual.

Depois de acalorado debate, o juiz decidiu que Maitre de Chassenez tinha levantado uma questão relevante e foi decidido que uma intimação fosse devidamente afixada nas igrejas de toda a cidade e das cidades vizinhas. (Consta que perto do chão, na altura dos olhos das criaturas endiabradas, para facilitar a leitura por parte dos réus).

Mas os ratos continuaram em desobediência e não se deram ao trabalho de aparecer na segunda citação.

Foi a esta altura que Chassenez ganhou a reputação que o tornou famoso e o enriqueceu como grande advogado: argumentou que, na medida que o tribunal não tinha proibido a presença dos gatos no caminho, simplesmente não era seguro para seus clientes comparecerem nas audiências em Autun.

Ora, o Estado de Direito já fazia sentido na França em 1508: se um acusado não pode ter assegurada sua segurança pessoal para comparecer diante de um tribunal para responder às acusações, poderia ser dispensado de obedecer à citação. E assim foi que, por decisão da corte, os ratos continuaram vivos e soltos.

Outro episódio medieval, desta feita com um desfecho menos favorável aos ratos, exige que recuemos ainda mais 250 anos na história.

Conta-se que, precisamente no dia 26 de junho de 1284, um “caçador de ratos” se apresentou com uma proposta ao prefeito de Hamelin. A cidade, que estava tão infestada de ratos como o Brasil hoje, queria se livrar da praga que a assolava. O caçador se propunha livrar a cidade dos ratos mediante uma recompensa. Haveria um alta conta a ser paga pela população, mas a cidade se veria livre da praga para sempre.

O mencionado “caçador de ratos”, um personagem que entrou para a história como o “Flautista de Hamelin”, pôs-se a trabalhar. O “caçador de ratos”, que era, na verdade, um músico que tinha uma flauta cujo som atraia os ratos, saiu pelas ruas da cidade tocando seu instrumento. A população viu, assombrada, que os ratos, enfeitiçados pela música, seguiram o flautista até o Rio Wesser, onde foram caindo e morreram afogados.

Todos festejaram e ficaram muito felizes: o fim dos ratos prometia uma nova era para o povo da cidade de Hemelin.

Mas e agora? O que esta história da Alemanha Medieval tem a ver com o momento que vivemos no Brasil?

Simples: O Juiz Moro é o nosso “Flautista de Hemelin”. A flauta á a Polícia Federal e a música é a lei. Os ratos, como estamos vendo, são todos da espécie homo rattus, bípedes corruptos que estão sendo desentocados e tendo que se explicar diante da lei.

De nossa parte, o que devemos fazer é apoiar de todas as formas possíveis a Força Tarefa da Lava Jato e o Juiz Sérgio Moro.

E aproveito para enviar um recado ao Temer e seu grupo da velha guarda (e velhos hábitos) que assumiram o plantão: a Lava Jato vai acabar quando acabar. A limpeza vai ser geral e irrestrita.

Segundo o Ministro Teori, “A gente puxa uma pena e vem uma galinha“. Portanto, enquanto houver pena solta por aí, o povo vai continuar mobilizado. Podes crer. Assim, que fique claro para todos os efeitos: a Lava Jato vai acabar quando tiverem acabado as galinhas e eliminados todos os ratos que infestam o Brasil.

Se você é também desta opinião anota aí: dia 31 de julho próximo vamos todos para a rua participar da próxima megamanifestação de apoio à Lava Jato e ao Juiz Moro.

E lembre-se: país rico é país sem ratos!

Em tempo: este post já estava na internet quando o Youtube publicou o público de Curitiba aplaudindo o Juiz Sérgio Moro, em um teatro, durante show da Banda Capital Inicial, dia 25 de junho.

Ceska – O digitaleiro


O Ano do Orangotango

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O Brasil vai sempre lembrar 2016 como um ano insólito

O Ano do Orangotango

A fuzarca assola o país. É tanta zica que só pode ser castigo cósmico.

No horóscopo chinês, 2016 é o Ano do Macaco. No Brasil, pelo tamanho da encrenca, só poderia ser o Ano do Orangotango.

Nossa atual crise, uma esculhambação jamais vista antes neste país, tem o jeito mal encarado de um Orangotango, só que bicéfalo.

Numa das cabeças temos um presidente “vintage”, que se vira com status de substituto e pose de primeiro mordomo e, no outro crânio, um recipiente agora oco, posto que descerebrado, remanesce a dita “afastada”, uma quase “ex-presidenta” desidratada, ranzinza e cada dia mais furibunda, agora que a deixaram sem avião.

Esta bizarra criatura de duas cabeças – refiro-me ao orangotango, óbvio – começou o ano atazanada e resolveu que pagaríamos todos os nossos pecados de uma só vez. A partir desta disposição, nada que tenha o dedo do coisa-ruim tem escapado da faxina ampla, geral e irrestrita.

A Lava Jato vem usando o ventilador em sua capacidade máxima.

As instituições, por seu turno, balançam sob abalos de proporções sísmicas, provocadas por gravações insólitas, que desnudam, fáticas, algumas das figuras mais herméticas da república. Figuras caricatas, toscas, fétidas, pilhadas em eventos sórdidos, assás nauseantes, reais arquétipos de corrupção explícita. (Ufa!…)

Algumas destas figuras, ademais, não escondem estar dispostas a se aventurarem em esquemas e maquinações malucas na desesperada tentativa de escaparem de Curitiba.

Suas excelências, antes bem falantes e fagueiras, agora catam desculpas gaguejantes, atarantadas, aparvalhadas. É um espetáculo patético. É triste, mas impagável, ver os digníssimos, sempre tão empertigados, demonstram temer mais o juiz Moro, em Curitiba, do que temeriam o Conde Drácula, na Transilvânia.

E ainda, o mais atroz vaticínio neste Ano do Orangotango, horrendo e insopitável, que insiste em espalhar paranoia em Brasília: eis que todas as conversas foram gravadas; eis que todos farão delações premiadas; eis que todas as trapalhadas serão reveladas; eis que todas as bandalheiras serão punidas; eis que toda a roubalheira deverá ser devolvida.

Para complicar, o exemplo de Lula e Dilma fez escola. E, dado que o mau exemplo é mais corrosivo que o ácido, o país, que já não era sério, que sempre foi amigo do jeitinho, parou de acreditar no bom senso.

Segundo o catecismo petista, bom senso é bobagem antiga. Muito antiga. De antes do Lula. É coisa do tempo de um tal Aristóteles, um cara que falava grego. Funcionava assim: para alcançarmos uma vida próspera e feliz. devemos utilizar como instrumento a frônesis (já imaginou?), que significa “justa medida”, uma combinação de comedimento e equilíbrio que resulta no tal “bom senso”.

O velhote da Grécia dizia ser esta uma sabedoria prática, acessível a todo o povo pelo uso do cérebro (uso do quê? abusado o Tóteles, hein?). Por exemplo, um guerreiro, com pouca coragem, se torna um covarde; com muita coragem, se torna temerário e pode se dar mal. Alguém que tem a obsessão de poupar dinheiro vira sovina; em contrapartida, aquele que nunca guarda nada, torna-se esbanjador e vai à falência. Assim, pregava Aristóteles, o caminho correto para uma vida boa e feliz está no equilíbrio e na ponderação.

De modo que, descartado o citado “bom senso”, devidamente xingado de neoliberal, nenhum petista queria ouvir falar em mérito e decência. Havia uma “ética” do partido: era nossa vez de “enricar”, de “meter a mão”. E nem as “zelite”, nem ninguém mais tasca.

Tanto fizeram que instalou-se a crise e a sociedade cansou. E, repetindo Rui Barbosa, “de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Por consequência, com a adoção generalizada do “gasta que eu gosto”, hoje vivemos o efeito desta onda produzir o colapso em série nos estados e municípios. São dezenas de estados e centenas de municípios que estão na bancarrota, sem dinheiro até para pagar salários.

E foi nesta toada, ao se espalhar pelo país a seita petista, avessa às boas práticas de gestão da coisa pública, que o festival de gastança tirou os calços. Por exemplo, criaram-se milhares de cargos públicos. Acontece que cada novo emprego público gera compromissos de salário, aposentadoria e pensão por TRINTA ANOS. São trinta anos de despesa engessada. Grande número comprometida em manter funções obsoletas, como os ascensoristas do congresso nacional, que recebem mais de R$ 12 mil mensais.

E com Dilma, como mãe do PAC, e Lula et caterva com a mão no PAC, para qualquer lado que se olhe, depara-se com o desperdício. Vê-se uma profusão de obras inacabadas. Muitas delas, aliás, criadas só para gerar propina. Como Lula e Dilma acreditam que dinheiro dá em árvore, bilhões foram gastos sem controle. Podemos começar pela transposição do São Francisco, ou pela Refinaria Abreu e Lima, mas a lista é tão extensa que não cabe num só post.

Nestor Cerveró, um dos delatores “premiados”, contou que muitos políticos reclamavam do “pequeno” percentual destinado à propina nos contratos da Petrobras. “Tem muito político que pensa… Isso funciona muito em obra estadual, aí a comissão é 10%. Tinha político ali (na Petrobras) que ficava revoltado: ‘Porra, só isso que vc pode pagar? Fiz uma estradinha e levei 20%'”…

A propósito, Cerveró acusou Dilma de ferrá-lo. E deu o troco. Pelo que disse, Lula e Dilma sabiam de tudo desde o princípio. E apontou a responsabilidade de Dilma na compra da Refinaria de Pasadena, com 700 milhões de dólares pagos a mais.

O fato é que, sendo 2016 o Ano do Orangotango, tudo pode acontecer. Inclusive a volta da Dilma. Mas parece pouco provável. E por uma razão muito simples: político vende a mãe, mas não vende o cargo. Convencer senadores a escolherem o suicídio político é uma verdadeira missão impossível.

Dilma, ainda na cadeira, não conseguiu nem mudar os votos dos deputados, sendo que um deputado, eleito por voto proporcional, ainda poderia pensar em se reeleger com o que sobra de votos petistas. Ainda os haverá em pequena escala.

Já um senador, votando contra o impeachment e, assim, traindo a maioria dos seus eleitores, teria que enfrentar a fúria do eleitorado em uma eleição majoritária. Moral da história: não se reelegeria nem a pau.

Outras manobras de concepção sibilina, como esta proposta matreira que propõe a volta da Dilma com base numa promessa de renúncia e na convocação imediata de eleições diretas, simplesmente afrontam a inteligência da sociedade. Fazer um plebiscito para, depois, se for o caso, convocar eleições gerais, é enrolação da boa. Sem falar que promessa da Dilma tem credibilidade zero. Ninguém acredita.

Em todo o caso, só para ver o tamanho da bobagem, vamos imaginar a sequência destas tais “eleições gerais”: isso exigiria reformar a Constituição de uma hora para outra, com um rito complicado e maioria de dois terços. Mesmo que houvesse apoio de dois terços de ambas as casas e Dilma voltasse ao cargo à bordo desta “promessa”, isto só ocorreria em fins de agosto.

Em seguida, seria preciso começar a votar o projeto em meio às eleições municipais: o primeiro turno das eleições municipais de 2016, que elegerão em todo o país prefeitos e  vereadores, será realizado em 2 de outubro, primeiro domingo do mês. O segundo turno, em cidades com mais de 200 mil eleitores, está marcado para 30 de outubro, último domingo do mês. No congresso, durante a campanha, não se obterá nem quórum simples, quanto mais qualificado.

Passado o pleito, estaríamos no final do ano. Mesmo que as discussões iniciassem em novembro, as decisões pulariam as festas e as férias e seria retomadas depois do carnaval de 2017, que será em 28 de fevereiro. Com todas as chicanas e manobras protelatórias, uma eventual aprovação só ocorreria em meados de abril, na melhor das hipóteses. Então, a menos de dois anos do término do mandato, a eleição não seria por meio do voto popular, seria no plenário da Câmara dos Deputados. Sempre lembrando, claro, que, antes, seria preciso combinar com os russos: o Temer deveria concordar em renunciar junto.

E agora, José?

O Ano do Orangotango tem sido cruel de muitas formas. A roubalheira perene e os eflúvios etéreos estão nos dando uma surra merecida. Para a sociedade, não existe punição mais sádica do que assistir os noticiários. Milhões para cá, milhões para lá, milhões em profusão, milhões de contribuição, milhões no exterior, milhões em grana viva, milhões em espécie, milhões em maletas, em mochilas, em sacolas. São milhões, muitos milhões, mas nenhum, nenhunzinho, na sua mão. (São mais de 60 milhões de brasileiros inadimplentes, somando dívidas superiores a 250 bilhões)

Estamos vendo, de modo palpável, que no governo a irresponsabilidade é mais contagiosa que o sarampo. Que é mais fácil roubar do que ganhar. Que é mais fácil destruir do que construir.

O momento é de suspense. Dilma afastada é um alento. Mas é pouco. Tudo em nossa volta ainda segue se desmanchando. Estamos vendo as coisas continuando a  se complicar. Temos a cada dia uma nova agonia.

Mas, por outro lado, a catarse antipetista, antisafadeza, e anticorrupção está transformando o ano de 2016 em um ano que será lembrado séculos afora. Enquanto houver Brasil, enquanto houverem brasileiros, 2016 será lembrado como o ano insólito, o ano da grande faxina, como o ano da inflexão, como o mais cabal e Orangotango de todos os anos.

Ceska – o digitaleiro


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Conselhos a um jovem desempregado

Caro jovem desempregado,

Mesmo se não existisse a atual recessão econômica, você ainda assim estaria tendo de lidar com um mercado difícil.  E o motivo é um só: você está entrando no mercado de trabalho praticamente sem nada a oferecer.

Nossa sociedade, há muito tempo, decidiu que era melhor para você passar 16 anos da sua vida sentado inerte em um banco escolar a tentar ganhar experiência real de trabalho no mercado, algo que o ajudaria a ter um emprego mais tarde.

Ainda que o governo lhe permitisse trabalhar quando você já o fosse capaz — ou seja, a partir dos 12 ou 13 anos de idade —, o fato é que ele impôs leis de salário mínimo que criam uma barreira à sua entrada no mercado de trabalho, impedindo que você concorra com pessoas mais qualificadas.  Se o preço mínimo a ser pago é o salário mínimo estipulado pelo governo, então quem irá contratar você em vez de uma pessoa mais velha e mais qualificada?

Não bastasse tudo isso, ainda lhe disseram que, se você concluísse o colégio e se formasse em uma universidade, teria um emprego ótimo, com um alto salário.

E então a realidade chegou e você descobriu que os empregadores não estão interessados em você. Você começa a sentir que os empregadores pensam que você tem poucas habilidades e qualidades que realmente interessam a eles, além de não ter nenhum histórico comprovado de produção de bens e serviços que realmente interessaram a alguém.

Eis aí a raiz do problema. As pessoas mentiram para você por toda a sua vida.

Quando você era criança, você foi bombardeado com slogans sobre igualdade para todos. O impulso de competir e vencer foi reprimido em seus jogos de infância, ao passo que compartilhar e cuidar dos outros foi exaltado como sendo uma qualidade acima de quaisquer outros valores.

Então, em algum momento — quando você tinha entre 7 e 10 anos de idade —, algo mudou. Todo aquele papo sobre compartilhar e cuidar acabou, e um mundo hipercompetitivo surgiu.  Exigia-se que você obtivesse notas altas, fosse excelente em matemática e ciências, fosse perfeitamente obediente, e ficasse na escola o maior tempo possível.  Foi-lhe dito que, se você fizesse isso, tudo daria certo para você.

E, de fato, dá certo para alguns. Mas somente uma pequena minoria de pessoas está disposta a tanta submissão e aprendizado robótico.  E, mesmo entre essas pessoas, nem todas conseguem o que lhes foi prometido. Já para o resto, não há planos. Espera-se apenas que aquelas que fracassaram em algum momento irão recuperar por conta própria, de alguma maneira.

Como você supera isso? Tudo se resume ao trabalho remunerado.  Mas há a barreira que erigiram entre você e o seu objetivo. Você tem o desejo e está procurando por alguma instituição que valorize o que você tem a contribuir. Mas você não consegue encontrar a recíproca.

Considere isso: por que uma empresa contrata um empregado? A resposta é simples: empresas contratam porque acreditam que o negócio terá mais lucro com o empregado do que sem ele. A empresa lhe paga, você faz seu trabalho e, como resultado, há maiores ganhos do que haveria sem você.

Mas pense bem no que isso significa. Significa que você tem de adicionar mais valor à empresa do que recebe dela.  Para cada real que você ganha, você tem de fazer com que a empresa ganhe um real mais algo extra. Essa tarefa não é fácil. Empresas têm custos a cobrir além do seu salário. Por exemplo, há o custo do seu treinamento.  Adicionalmente, o governo impõe encargos sociais e trabalhistas onerosos.  Há toda a carga tributária que incide sobre as receitas e sobre os lucros.  Além de tudo isso, há incertezas com as quais ela tem de lidar.  Tudo isso representa um fardo adicional à sua contratação pela empresa, que, além de arcar com tudo isso, tem de lhe pagar um salário.

O que isso significa é que você tem de ser mais valioso do que você pensa. Por que os empregos que pagam salário mínimo são tão duros? Porque é difícil para um trabalhador inexperiente valer mais do que lhe é pago. O empregador tem de extrair o máximo de valor possível dessa relação dele com você apenas para fazer com que essa relação traga a ele algum ganho. São grandes as chances de você estar dando prejuízo para a empresa nos primeiros meses de emprego, simplesmente porque você ainda não está treinado. Você acaba se esforçando como um louco apenas para ganhar o mínimo.

Se você já entende essa regra — que você deve adicionar mais valor do que recebe —, então agora você já sabe mais do que a grande maioria dos jovens trabalhadores. E isso lhe dá uma vantagem.  Ao passo que todos os outros estão reclamando sobre o excesso de trabalho e o baixo salário, você ao menos já sabe por que está tendo de lutar tanto. Você está produzindo mais para a companhia do que recebendo dela. Fazer isso consistentemente é a maneira de seguir em frente. Na verdade, esse é o segredo da vida.

No entanto, para seguir em frente, você tem de ser, acima de tudo, um jogador.  Não será nada bom você se acomodar e esperar que o trabalho certo, com o salário ideal, surja magicamente. Esqueça todas as suas expectativas.  Se alguma coisa, qualquer coisa, surgir, você deve aceitar imediatamente. Nenhum emprego é degradante, apesar do que é dito a você. O objetivo é apenas entrar no jogo. Sim, você tem expectativas de salário muito maiores, e você pode alcançá-las algum dia. Mas não agora.

O primeiro passo é entrar no jogo com algum salário, qualquer salário, em alguma área. O medo que tal emprego, qualquer que seja, seja de alguma forma indigno é uma fonte séria de ruína pessoal. Aquelas pessoas que estão dispostas a efetuar a maioria dos empregos “degradantes” são exatamente as mesmas pessoas que futuramente poderão ter uma vida mais confortável. Apenas porque você enxerga aquele emprego como “degradante” não significa que ele não seja valioso para os outros e, especialmente e em última instância, para você.

Você sempre aprende algo com todo e qualquer emprego que você consegue. Você aprende a interagir com terceiros, aprende como um negócio funciona, como as pessoas pensam, como os patrões pensam, e percebe na prática que aqueles que são competentes vão muito mais longe em relação àqueles que falham. Trabalho é um aprendizado contínuo, tanto quanto — ou até mais que — a escola.

O principal medo das pessoas é que seu trabalho irá, de alguma maneira, definir suas vidas. Consequentemente, elas concluem que um emprego de caixa no supermercado irá redefinir ou até mesmo diminuir quem elas são. Essa noção é completamente falsa. Aquele trabalho é um tijolo em sua fundação.

Para conseguir qualquer emprego, você tem de fazer mais do que apenas deixar um currículo ou enviar um pela internet. Você tem de se destacar na multidão. Isso significa que você tem de se vender como uma mercadoria de qualidade.  Você tem de fazer propaganda de si mesmo (e o marketing é o aspecto menos valorizado e ainda assim o mais crucial de todos os atos comerciais). Isso não é degradante; isso é uma oportunidade. Descubra tudo o que você conseguir sobre a empresa e seus produtos. Depois de solicitar o emprego, você tem de voltar ao local várias vezes, se encontrar com os gerentes, se encontrar com os donos — tudo com o objetivo de mostrar a eles quanto de valor você irá adicionar à empresa.

Neste novo emprego, o sucesso não é difícil, mas requer disciplina. Apenas siga algumas regras simples. Nunca se atrase. Faça imediatamente tudo aquilo que seu supervisor imediato lhe diga para fazer. Faça mais rapidamente e mais minuciosamente do que ele espera. Quando o trabalho estiver completo, faça algumas coisas inesperadas que adicionem valor ao meio. Nunca reclame. Nunca faça fofoca. Nunca participe e tome parte das politicagens do alto escalão. Seja um empregado modelo. Esse é o caminho rumo ao sucesso.

Tudo isso não se resume a apenas adicionar valor à empresa. É sobre adicionar valor a si mesmo. A era digital nos fornece todos os tipos de ferramentas incríveis para acumular capital pessoal. Crie uma conta no LinkedIn e anexe seu emprego à sua identidade pessoal. Comece a criar e a aglutinar essa rede essencial. Essa rede é algo que irá crescer ao longo da sua vida, começando agora e durando até o fim. Pode ser a mercadoria mais valiosa que você tem além de seu próprio caráter e suas habilidades. Tenha posse de sua experiência de trabalho e faça o seu próprio caminho.

Enquanto estiver fazendo todo esse excelente trabalho, você precisa estar pensando sobre dois possíveis caminhos adiante, cada um deles igualmente viável: progredir nessa mesma empresa ou mudar para outra empresa. Você deve ir para onde é melhor para você. Nunca pare de olhar para seu próximo emprego. Isso é verdade agora e sempre será ao longo de sua vida.

Um grande erro que as pessoas cometem é se envolver emocionalmente em uma instituição. A lei estimula essa atitude ao amarrar todos os tipos de vantagens ao emprego você tem atualmente. Você tem plano de saúde, tempo livre, aumentos salariais regulares, e é sempre mais fácil ficar com aquilo que você já conhece. Mas fazer isso é um erro. O progresso vem por meio de rompimentos, e algumas vezes você tem de romper consigo próprio para fazer esse progresso acontecer.

Estar disposto a renunciar à segurança de um emprego em troca da incerteza de outro dá a você uma vantagem.  Pessoas medianas ao seu redor farão de tudo para sacrificar cada princípio e cada verdade em troca dessa sensação de segurança. As pessoas, com poucas exceções, temem a incerteza de um futuro desconhecido e se apegam firmemente à aparente segurança de uma situação já estabilizada.  Você pode se livrar dessa propensão, mas isso requer coragem, assunção de riscos, e um ato consciente de desafiar o convencional.

Você deve sempre ver a si próprio como uma unidade produtiva que está sempre no mercado de trabalho. Você pode ir ascendendo de empresa para empresa, sempre melhorando suas habilidades e, portanto, seus salários. Nunca fique com medo de tentar algo novo ou de mergulhar em um novo ambiente de trabalho.

Administrar inteligentemente suas finanças é algo crucial. Nunca viva no mesmo nível de sua renda. Sempre viva abaixo de sua renda. Seu padrão de vida deve corresponder à sua segunda melhor oportunidade de emprego, aquele emprego do qual você abriu mão ou aquele que você pode aceitar no futuro. Se você se apegar a essa prática — e isso requer disciplina —, você será livre para escolher onde trabalhar e a aceitar maiores riscos. Você também terá um colchão de segurança caso algo dê errado.

Ao mesmo tempo, pode haver vantagens em se manter por um bom tempo na mesma empresa, mesmo se todas as outras pessoas ao seu lado estiverem continuamente se movendo. Se isso acontecer, você ainda assim deve continuar se vendo como estando no mercado. Você está no controle de si mesmo. Não se sinta preso a nenhum patrão, por maior que seja sua gratidão a ele.  Mas também entenda que ninguém deve a você um emprego e um meio de vida. Essa é a única forma de fazer julgamentos claros sobre seu caminho na carreira.

Em todo e qualquer emprego, você irá aprender sobre ética humana, psicologia, emoções e comportamento. Boa parte do que você irá aprender será esclarecedor e encorajador.  Outra parte, entretanto, pode não ser agradável e pode até mesmo ser um choque para você.

Primeiramente, você irá descobrir que as pessoas em geral são extremamente relutantes em admitir erros. As pessoas irão defender uma opinião ou uma ação até o fim, mesmo que todas as evidências e até mesmo toda a lógica estejam contra. Desculpas sinceras e admissões de erro genuínas são as coisas mais raras deste mundo.  No entanto, não há motivo nenhum para exigir desculpas ou em ficar ressentido quando os pedidos de desculpas não surgirem. Apenas siga em frente. Tampouco você deve esperar que seja sempre recompensado por estar certo. Pelo contrário, as pessoas geralmente ficarão ressentidas e tentarão lhe inferiorizar.

Como você lida com esse problema? Não fique frustrado. Não busque por justiça. Aceite a realidade como ela é. Se um emprego não está funcionando, siga em frente. Se você for demitido, não busque vingança. Raiva e ressentimento não trazem absolutamente nada. Mantenha-se focado no seu objetivo, que é o avanço profissional e pessoal, e encare tudo aquilo que possa atrapalhar seu caminho como algo a ser superado e ignorado.

Em segundo lugar, todos queremos acreditar que fazer um bom trabalho e tornar-se excelente em algo irá nos trazer uma recompensa pessoal. Isso nem sempre é verdade. Excelência transforma você em um alvo da inveja daqueles à sua volta que fracassaram em relação a você. Excelência geralmente pode prejudicar suas expectativas de sucesso. A meritocracia existe, e até mesmo prevalece, mas é conseguida por meio de sua própria iniciativa; ela nunca lhe é garantida livremente por algum indivíduo ou instituição. Todo o progresso pessoal e social ocorre porque você sozinho se esforçou e superou todas as tentativas de todos ao redor de você de lhe atrapalhar.

Em terceiro lugar, as pessoas tendem a possuir uma propensão à imobilidade e à comodidade, preferindo seguir ordens e instruções a tomar iniciativas próprias; a maioria das pessoas não consegue imaginar como o mundo ao redor delas pode ser diferente caso elas tenham mais coragem e iniciativa.  Se você conseguir criar o hábito de imaginar um mundo que ainda não existe — exercitar o uso da imaginação e da criatividade em um âmbito comercial —, você pode se transformar na mais pessoa mais valiosa ao redor. Você pode estar entre aqueles que podem ser os genuínos empreendedores. Sim, sem exagero, você pode até mesmo criar algo que mude o mundo.

À medida que você for desenvolvendo o uso desses talentos, e à medida que eles forem se tornando cada vez mais valiosos para aqueles à sua volta, lembre-se sempre de que você não é infalível. O mercado de trabalho pune o orgulho e a arrogância, e recompensa a humildade e o espírito de aprendizado. Seja feliz por seu sucesso, mas nunca pare de aprender. Há sempre mais a conhecer porque o mundo está sempre mudando, e nenhum de nós pode saber tudo. O segredo para se prosperar nessa vida é estar preparado não apenas para mudar junto com a vida, mas também para se antecipar às mudanças e conduzi-las.

Do seu ponto de vista atual, desempregado e com poucas perspectivas adiante, seu futuro pode parecer desesperador. Mas essa percepção não é verdadeira. Há barreiras, sem dúvida, mas elas estão lá para ser ultrapassadas por você e somente por você. O mundo não funciona da maneira como lhe falaram quando você era criança. Lide com isso e comece a se envolver com a realidade à sua volta da maneira que ela é, usando inteligência, astúcia e charme. Você é o tomador de decisão supremo, e o seu sucesso ou fracasso em última instância dependerá das decisões que você tomar.

De várias formas, você é uma vítima de um sistema que conspirou contra você. Mas você não irá a lugar nenhum agindo como um coitado e tendo uma mentalidade vitimista. Você não precisa ser uma vítima. Você tem livre arbítrio e autonomia.  Com efeito, você tem o direito humano de escolher. Hoje é o dia de começar a exercitá-lo.

Publicado originalmente no site do Instituto Ludwig Von Mises

A Petrobrás e o diabo

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Lula e Dilma fizeram o diabo com a Petrobrás

A Petrobrás é uma benção ou uma praga para o Brasil?

Relata o apóstolo Mateus, no evangelho, (4:8-9), que Jesus, após o batismo, teria vencido a três grandes tentações. Se cedesse em qualquer das três, teria frustrado sua missão na Terra.

Na terceira tentação, Jesus teria sido levado pelo diabo a um monte muito alto. Do cume do monte o diabo teria mostrado todos os reinos do mundo e a glória deles e teria dito ao Messias: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”.

O preço a pagar para receber a ajuda do diabo na conquista do poder sobre as coisas materiais é prostrar-se diante do dele e adorá-lo. Esta passagem do evangelho fala em traição.

Para obter o poder absoluto, para fazer e desfazer das coisas deste mundo, sem dar satisfações, é preciso trair. E é preciso vender a alma, é preciso “fazer o diabo”, como, aliás, confessou com candura a afastada Dilma. E, neste processo, é preciso trair o povo e mandar seus interesses para o inferno.

Visto do alto do monte, no cenário brasileiro, a maior das glórias e o mais rico dos orçamentos é o da Petrobrás.

E cada governante deste país, desde que a empresa foi criada, em 1953, tem sido submetido à mesma tentação. A cada um deles, o diabo oferece a Petrobrás. E todos tem sucumbido à ela. Alguns mais, outros menos.

Os presidentes militares caíram em tentação por um dos sete pecados capitais: a soberba nacional, que se expressava pela manifestação de orgulho e arrogância. Ainda assim, mantiveram-se com algum pudor.

Quando chegou a vez do Lula, o diabo o levou ao cume da montanha e mostrou a Petrobrás. Foi amor à primeira vista. “Tudo isto vai ser meu”? quis saber Lula, os olhos brilhando.

E o capeta, esfregando as mãos, já antevendo a esbórnia que ia dar, respondeu: “tudo isto vai ser teu, desde que tu me entregues tua alma e pagues religiosamente as propinas do PT, do PMDB, do PP e caterva”.

Para o tinhoso, estava tudo dominado. Para Lula, era a glória! Exultante em botar a mão na Petrobrás, nem titubeou. Fechou negócio no ato. É de se imaginar que seus olhos aboticaram e, sem se conter, saltitava de cá prá lá, girando os braços no estilo que copiou da Elis Regina. Só podia estar radiante. Amigo do demo ele já era de muito tempo, mas agora iria ser parceiro!

Há quem diga que, neste dia, a estátua do Padinho Cícero verteu lágrimas que, de tão abundantes, resvalavam pelos botões de sua batina de pedra caiada. Mas Lula não era cabra de fazer pela metade. Então, sem titubear um segundo, partiu para a ação, implantando a transposição do dinheiro da Petrobrás para seu projeto de poder.

Para operar a safadeza, que era muita e opulenta, estabeleceu a parte que cabia a cada um. De início, nomeou os diretores que representariam o diabo na diretoria da estatal. Mas, nem com todo o enxofre vertendo pelas ventas, foi coisa fácil.

Relata, em sua delação, o ex-deputado e ex-presidente do PP, Pedro Corrêa, que houve alguma resistência corporativa ao avanço da diretoria do “Projeto Satanás”. Segundo o delator, o partido havia indicado Paulo Roberto Costa para a diretoria de abastecimento, mas a nomeação emperrou.

Lula, então, teria ligado à José Eduardo Dutra, na ocasião presidente da estatal, para saber que diabo estava atrapalhando.

Dutra, tolo que era, ainda tentou argumentar:

Mas Lula, eu entendo a posição do conselho. Não é tradição da Petrobrás assim, sem mais hem menos, trocar um diretor”.

Qual o quê! Acordo com o diabo é como sentença do Supremo: tem que cumprir e acabou.

Lula, possesso e enfezado, mandou passar por cima da tal alegada tradição, ameaçando demitir os conselheiros teimosos que havia nomeado. Segundo Corrêa, o ex-presidente teria dito: “Se fossemos pensar em tradição, nem você era presidente da Petrobrás e nem eu era presidente da República”.

Assistindo tudo aquilo, o diabo se estrebuchava de tanto rir.

Em outro episódio da série, que seria hilária se não fosse trágica, um grupo do Partido Popular foi ao Palácio do Planalto falar com Lula e reclamar da “invasão”. Corrêa relata que o, à época, presidente, passou uma descompostura nos deputados.

Lula foi logo dizendo que eles “estavam com as burras cheias de dinheiro” e que a diretoria era “muito grande” e tinha que atender a outros aliados”. Segundo o relato, os caciques do PP se conformaram quando Lula lhes garantiu que a maior parte das “comissões” seriam dirigidas para a sigla.

E a Petrobrás, sob o comando satânico, foi se desfazendo. De maior empresa brasileira para a empresa mais endividada do mundo. Nunca antes neste país, tanto dinheiro foi pelo ralo tão depressa: a empresa registrou a maior perda em valor de mercado, em números absolutos, desde o ápice no Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, em 2008, Segundo a consultoria Economatica.

A petroleira, que tinha chegado a um valor de mercado de 510,3 bilhões de reais em 21 de maio de 2008, em janeiro de 2016 não valia mais que 73,7 bilhões de reais, uma perda de R$ 436,6 bilhões, em queda de 85,55%.

O mais insano é que, se de fato, a corrupção respondeu por apenas 6 bilhões de reais, como diz a Petrobrás, para meter a mão nesta quantia o PT e aliados queimaram 430 bilhões. Há que se reconhecer que as diabruras do PT foram mesmo infernais. O belzebu estará orgulhoso do bom negócio que fez com o Lula e, por extensão, com a Dilma.

Mas e agora, o que vai acontecer daqui para a frente?

Com o Lula fora e a Dilma afastada, o diabo precisa sair para uma nova rodada de negociações. Vai tentar o Temer. O Temer tem uma figura com toques mefistofélicos que deixa o diabo com o pé atrás. Mas negócio é negócio. A Petrobrás vai continuar na parada da corrupção? Continuará a ser parte do botim eleitoral? Continuará a ser sangrada para enriquecimento dos políticos e safados de plantão?

Um antigo e sábio ditado diz que “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não tem arte”. Onde tiver dinheiro público, onde tiver dinheiro “sem dono cuidando”, lá estará o diabo obrando tentações e lá haverá gente metendo a mão.

Os liberais defendem o estado mínimo porque acreditam que lutar contra a natureza humana, contra a cobiça e contra o patrimonialismo que mistura o público com o privado, apenas com base em prédicas moralistas, é enxugar gelo ou, pior, é criar uma cortina de fumaça para que a corrupção prospere camuflada.

Mecanismos de governança e transparência podem ajudar a controlar a roubalheira desenfreada, mas serão sempre impotentes diante da criativa malandragem tupiniquim. No Brasil, não dá para facilitar. Medidas ditas de “prevenção” sempre serão vencidas pelos truques e maracutaias engendradas pela turma formada na melhor escola de corrupção do mundo, a brasileira.

A resposta, portanto, é de clareza meridiana: privatiza. Enquanto a Petrobrás for estatal, ela será alvo da cobiça dos políticos e burocratas. E ela será a grande aposta do diabo para fomentar a corrupção e, de quebra, infernizar a nação.

Agora, privatizar a vaca leiteira dos milhares de parasitas que mamam em suas tetas não vai ser bolinho. Como, então, convencer a sociedade brasileira que o melhor a fazer é privatizar a Petrobrás?

Essa daí é uma questão deveras complexa. Após anos de lavagem cerebral, na base do discurso do “Petróleo é Nosso”, muita gente ainda confunde petróleo com Petrobrás. O petróleo é nosso porque está em nosso subsolo e ninguém vai levar o petróleo embora.

Já a Petrobrás, ao contrário do que apregoa, não é “nossa”. Ela é um polvo tentacular que opera em pelo menos 35 países: Brasil, Bolívia (lembram que tomaram nossas refinarias e perdemos investimentos de 6 bilhões de dólares?) Paraguai, Peru, Colômbia, Uruguai, Argentina, Chile (A Petrobras informou, recentemente, que concluiu a negociação da venda de ativos na Argentina e no Chile, como parte de seu plano de arranjar dinheiro para cobrir o rombo da corrupção)Equador, Venezuela, Trinidad e Tobago, EUA (lembram da Refinaria de Pasadena?), México, Cuba (claro!), Senegal, Líbia, Argélia, Portugal, Inglaterra, Noruega, Guiné, Nigéria, Angola, Tanzânia, Madagascar, Moçambique, Turquia, Iraque, Japão, China, Paquistão, Índia, Cingapura (lembram da Venina Velosa da Fonseca, aquela gerente da área do Paulo Roberto Costa que denunciou as falcatruas milionárias da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco? Ela foi mandada para chefiar o escritório da petroleira nesta cidade-estado por Graça Foster, outra que anda sumida, ), Iêmem e Iraque.

Assim, a Petrobrás virou uma multinacional que negocia suas ações na bolsa de N. York e, como se sabe, aliás, vai ter que pagar bilhões de dólares em indenizações nas 28 ações que são movidas nos Estados Unidos  por acionistas que se sentiram ludibriados pela corrupção e consequente desvalorização das ações.

(Anote: O julgamento dos processos contra a Petrobrás está marcado para iniciar dia 19 de setembro próximo, conforme determinou o Juiz Jed Rakoff, da Corte de Nova York)

Portanto, de brasileira mesmo, a Petrobrás hoje só tem a corrupção. Ela é de seus acionistas, ela é do mercado. Hoje a empresa defende mais o interesse de seus acionistas do que algum eventual interesse do povo brasileiro. Por exemplo, pagamos a gasolina mais cara das Américas. Se a empresa é “nossa”, e deixamos que nos explore, somos os maiores trouxas do mundo.

Os ventos estão mudando. A sociedade vem amadurecendo em seu entendimento de que precisamos nos desvencilhar de arcaísmos que nos seguram no passado.

O Brasil precisa de educação, saúde, segurança, uma matriz energética inteligente, habitação, instituições contemporâneas, um mercado livre e integrado, uma infraestrutura de logística e transportes. O país não precisa de monopólios, estatais anacrônicas, cabides de empregos, uma burocracia cara, antiquada e prepotente.

Quando estivermos preparados, saberemos fazer escolhas alinhadas com o Século XXI e nos livraremos do peso de velharias ideológicas do século dezenove. Então a Petrobrás será privatizada, retornando aos cofres públicos parte do dinheiro que já custou ao país, pagando impostos e tirando de nossos ombros a maldição do petróleo.

Quando isto acontecer, vamos produzir mais petróleo do que nunca, vamos ter mais produto a preços menores e o diabo, aleluia, vai ter que achar outro caminho para financiar a corrupção no Brasil.

Ceska – o digitaleiro

Dilma, a sopa de pedra e o sapo

 

Dilma, a sopa de pedra e o sapo

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Dilma fez uma sopa indigesta. Misturou pedra com sapo e lula. Temperou com PT ao gosto. Deu no que deu. Eca….

Dilma, a mulher sapiens, fez uma sopa de restos. Entrou pedra, sapo, lula, um ministério “fim de feira” e muita mandioca, que, em sopa de Dilma, aipim é que não pode faltar. Foi uma pajelança.

Tem quem pense que um governo é uma sopa: uma mistura de ingredientes que devem ser fervidos juntos para produzir um caldo.

O primeiro governo do PT tinha boa proteína na sopa do Lula: Meirelles no Banco Central. Era como um naco de músculo de pescoço que teimava em resistir à fervura do fogo que a esquerda botava para queimar por baixo. O cozinheiro Lula, ainda pouco afeito às lides de forno e fogão, preferia ir com jeito, seguindo a receita econômica do mundo que dava certo – o mundo mal amado dos gringos de “olhos azuis”. Lula xingava os gringos, sem lembrar que os orientais do Japão, China, Coréia, Singapura e outros, de olhos amendoados, também vinham se dando bem à luz do bom senso na economia, aliás, seguindo o mesmo cânone prometido na hoje esquecida “Carta ao povo brasileiro”, dos idos de 2002. De toda forma, bafejado pela herança bendita que recebeu de FHC, que começava a produzir frutos, tudo parecia estar indo bem na sopa, ainda que nela já estivem cozinhando os sapos do mensalão.

O segundo governo do Lula foi o despertar dos embrulhões. Parecia chegado o momento de adotar a feitiçaria heterodoxa, que a ortodoxia era blasfêmia dos neoliberais. Com a saída de Palocci, vieram os aprendizes de feiticeiro. Com pompa e circunstância, começaram as bruxarias na  economia. Abriu-se a caverna da Abra-cadabra: sucediam-se mágicas bestas à torto e à direito. Com dinheiro correndo farto para irrigar a corruptaiada, mesmo o escândalo do Mensalão acabou sendo absorvido, sob regozijo de Lula, que viu seu rival Zé Dirceu ir parar nas masmorras. Para o governo, tudo transcorria em clima de quermesse. O mundo vivia a festa das commodities. Os dólares jorravam da cornucópia das exportações e muita gente, no país do Macunaíma, imaginava que se haviam aberto as portas do jardim do éden. Sob a frouxidão de um presidente que, a aquela altura, saracoteava mais que um Baco de arrabalde em meio a uma balada rap, os rigores burgueses foram lançados ao mar. A Petrobrás virou a casa da mãe Joana. Bilhões eram roubados e o caixa saqueado com a desenvoltura de dona de bordel. Como tudo parecia lindo e maravilhoso, todos os aliados meteram a mão sem “pudô” e a farra do liberou geral saiu do controle.

Era uma folia de reis no planalto. O “pudê” tava uma delícia. E tudo nos conforme: se as “zelite” gostam, deve ser bom. Agora é nóis na fita.  E dado que, para o projeto de poder do PT, os fins justificavam os meios, nada havia a temer.

Para o PT e aliados, após oito anos gulosos aprendendo a gostar do bom e do melhor, com Lula voando solto no salto alto, de repente surge a ameaça que podia acabar com a brincadeira: uma nova eleição se avizinhava. Era preciso pensar o futuro. Largar o osso, nem pensar. O “sapo barbudo”, definição preferida de Brizola para o molusco, gostou de ser presidente. Queria mais. Por ele, bem que tentaria ficar para sempre passeando de AeroLula, sendo bajulado por todos os basbaques bolivarianos da Sul América, e, que beleza, recebendo títulos honoris causa mundo afora. Digno do Guiness: foram 55 títulos de universidades deslumbradas e que não se deram ao respeito!. Só na Argentina foram 11. Mas o Brasil não é a Venezuela. Aqui não dava para engatar uma mudança constitucional que permitisse uma nova reeleição. A salvação é que Lula, o sapo sábio, havia aprendido com o Chapolim Colorado a suspeitar desde o princípio. E, sem querer querendo, plantou a candidatura de um poste. Dilma parecia o poste ideal. Para começar, era um poste sem luz. Não era muito inteligente, arrogante no trato, era péssima em política e ruim até no arremesso de grampeador. Daí que, pensou o molusco de Garanhuns com suas ventosas: o poste (a “posta”??) seria submissa, faria pose, mas seria ele, Lula, que continuaria a mandar nos bastidores. Seria um maestro sem batuta, um Rasputin do sertão. E assim decidiu e ficou feliz. Ele era esperto, muito esperto.

Para ganhar, fizeram o diabo. Abriram os dutos do tesouro. Prometeram enormidades e, o povo, nosso ingênuo e crédulo povo, acreditou. Só que, como diz o ditado, a esperteza, quando é muita, vira bicho e come o esperto. Como as contas não fechavam, as coisas começaram a dar errado. Dilma só fazia o que lhe dava na telha, quer dizer, coisa pouca e atabalhoada. Depois de dar lições de economia à Angela Merkel (e levar um pito equivalente ao 7 x 1), assumiu a nova “matriz econômica”. Desdenhosa, quis mostrar-se acima da matemática, esta ciência que dá nojo em petista que se preza, esta invenção satânica da burguesia de direita para oprimir os pobres e os humildes. Foi uma derrocada anunciada que provou, uma vez mais, que quem não aprende com o passado está condenado a revivê-lo como farsa.

Em um governo cheio de empáfia e distante da realidade, a lei de causa e efeito foi revogada e deixou de valer. Erros sucessivos e incompetência obsessiva solapavam diariamente as bases em que se assentava a economia do país. Dilma, a mulher sapiens, esqueceu que a economia, como a natureza, não se defende: ela se vinga. O crescimento não vinha. O valor das commodities despencou. A Petrobrás não aguentou tanto desaforo. As pedaladas começaram. Quatro anos de deterioração enferrujavam a estrutura do país. A entropia auto induzida emperrava tudo. Para disfarçar seus efeitos e esconder a ferrugem, os taifeiros do PT passaram uma mão de tinta. O Brasil virou uma alegoria que fantasiava uma prosperidade que não lhe pertencia mais. Os 39 ministérios só faziam maquiagem. Neste clima veio a nova eleição.

O que se diz é que Lula tinha decidido ser candidato, como, acreditava-se, era o planejado. Acontece que Dilma o chamou para um canto e teria dito alguma coisa que fez o medo vencer a esperança. Era chato, mas Lula resolveu esperar mais quatro anos. Foi um erro fatal. Livre de escrúpulos, sem eias nem peias, Dilma se lançou em uma campanha despudorada, jogando bilhões na parada, sempre devidamente aconselhada por ministros igualmente aloprados, como Aloísio Mercadante e José Eduardo Cardoso. A candidata jogou para o alto o que restava de decência. Se valendo da mais refinada malandragem de que se ufana este país, aplicando competentes golpes de marketing charlatão, sob a batuta do atual presidiário João Santana, arrancou uma escassa vitória nos grotões. Lá, na beirada pobre do país, os votos foram escandalosamente comprados com o dinheiro do bolsa família. De positivo, só ficou provado que nada acaba mais depressa com um mau produto do que um bom marketing.

Reeleita, reassume a nova Dilma. Agora, ciclista na melhor acepção da palavra, sai para as pedaladas. Na cozinha, assume o panelão. O segundo mandato da mulher sapiens começou com uma sopa de pedra. O Ministro Levy era a pedra. Estava na sopa, mas não tinha nem sabor nem cheiro. A Dilma, mais imperial, arrogante e prepotente do que nunca, fazia questão de humilhar seu ministro. Um ministro, aliás, nomeado “pour épater le bourgeois”  e que era exibido para fazer o contraste e deixar claro quem mandava. A mensagem imperial era clara e tonitruante: “vocês vão ter que me engolir”. “Vocês”, no caso, éramos nós, o povo.

Após um ano patético, Levy foi tirado da sopa. Saiu como entrou. E, com a dignidade intacta, Joaquim Levy, o engenheiro naval com doutorado em economia, foi ser Diretor Financeiro do Banco Mundial (BIRD). Sem a pedra, a sopa ficava cada vez mais à imagem da ex-guerrilheira: uma poção mal cheirosa. No caldeirão da bruxa, a “presidenta” ia jogando todo o lixo que aparecia pela frente. Jogou dentro até um ministério arrebanhado nos restos da feira livre em que virou o congresso. Tentou fazer um acordo com o Eduardo Cunha, mas era tarde. Nas ruas, as multidões eram muitas e o dinheiro era pouco. Como última esperança, a feiticeira aloprada colocou o sapo na sopa. Não funcionou: eis que a sopa de sapo ninguém quis.

E agora, o fim melancólico da era lulopetista está escrito nas estrelas. (Refiro-me às verde e amarelas, aquelas que brilham no firmamento e no coração dos brasileiros.)

A Lava Jato continua moendo petista e vem escancarando as entranhas malignas dos governos de Lula , de Dilma e do PT. O lance final da mulher sapiens, chamar o Chapolim barbudo para o ministério, foi a cereja do bolo: o Sérgio Moro foi mais esperto e soltou a gravação que citava o tal “Bessias”. Fim. Cheque mate.

Agora, na desmontagem do mais estapafúrdio e estrambólico governo de nossa história, ainda se observa um esperneio aqui e outro ali. É a petezada querendo osso. Mas nem mortadela tem mais. Só sobrou mandioca. E sem acesso ao dinheiro público, a empáfia se esvazia, a ilusão acaba, as cortinas se fecham. Tchau, querida

Ceska – o digitaleiro.

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Onda de crescimento represado pode ser a grande surpresa

Prepare-se para uma grande surpresa: um tsunami de crescimento pode vir tomar conta do Brasil já ao longo dos próximos 180 dias. Conversando com diversos empresários nos últimos dias fui surpreendido por um contexto inteiramente inesperado: a existência de um represamento de projetos que estão no gatilho para serem disparados assim que se consolidarem os primeiros sinais de uma mudança nos rumos da economia. Tudo indica que a existência de crescimento represado e projetos prontos para implementação imediata pode disparar uma onda de crescimento por empresas que pretendem “sair correndo” para evitar que eventuais concorrentes cheguem antes e ocupem lugar no mercado. Se esta tendência se confirmar de fato, pode ser que venhamos a assistir a uma autêntica “corrida de ouro” dos tempos do velho oeste.

Ceska – o digitaleiro


 

Dicas de empregabilidade 2

Este blog tem como foco o debate das perspectivas brasileiras na Quarta Revolução Industrial. Mas antes do país se posicionar diante dos desafios que as novas tecnologias como a Inteligência Artificial nos reservam, precisamos arrumar a casa.

Este vídeo apresenta ideias que podem ajudar você a melhorar sua empregabilidade no momento que o país atravessa e preparar-se para encontrar seu espaço no futuro do mercado de trabalho.

Obrigado por sua atenção.

Ceska – o digitaleiro

Emprego bom na crise braba

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Emprego bom em crise braba é para quem vai à luta!

Emprego bom na crise braba existe, mas é difícil de achar.

Se a crise é muita, a competência precisa ser máxima. Ser meio bom não basta. É preciso ser muito, muito bom.

Para quem quer, sempre existe uma maneira de fazer melhor…encontre-a. Este é um conselho de Thomas Edison e vem bem a calhar para quem deseja melhorar sua empregabilidade neste tempos bicudos.

Com crise ou sem crise, tem cerca de 40 milhões de pessoas com emprego formal no Brasil (dados atualizados indicam que são 39,37 milhões de pessoas em março deste ano, contra 41,22 milhões de pessoas empregadas, com carteira assinada, no mesmo mês do ano passado.) Assim, pela lógica, encontrar um para você não é tarefa impossível. Especialmente se você tiver qualidades e souber mostrá-las no lugar certo, na hora certa e da forma certa. Claro, se você tiver talento, competências e uma atitude proativa suas chances aumentam muito. Mas, nestes tempos áridos, não espere que o emprego que você busca caia do céu. De modo que, para encontra-lo, é preciso contar com um bom planejamento e estar disposto a ser flexível, criativo e, mais que tudo, empenhar-se fundo na busca de seu lugar ao sol.

Procurar emprego é trabalho duro e atividade de tempo integral. E exige um “Plano de Ação”, com estratégia, método e disciplina. Ainda mais se você precisa de um emprego para “ontem”.

É um fato da vida, mas em uma crise como a atual você precisa desenvolver uma visão de Raio-X, como o SuperHomem: saber ver através das paredes e descobrir empregos pelo faro.

Um pouco de kabala também ajuda: preste atenção nos sinais visíveis do universo invisível, estudando os sinais emitidos por empresas que possam estar se dando bem na exportação ou atuando em nichos favorecidos pela crise. Estude o mercado para entender seu contexto, localizar as oportunidades e saber o máximo possível sobre as opções de emprego existentes e como você pode chegar até elas.

Mas vamos ao planejamento da ação:

  • Defina o seu papel no mercado

Somos todos atores em nossos papéis na sociedade. Quem afirma isto é o médico e psicólogo Jacob Levy Moreno (1889 – 1974), cientista muito respeitado nas áreas de formação e treinamento, autor do conceito de “espontaneidade” e criador do psicodrama e do sociodrama.

Assim, um emprego outra coisa não é senão um palco onde você vai exercer o seu papel profissional e social. Onde você vai aplicar seus conhecimentos e competências e interagir com seus superiores, colegas e, eventualmente, com os fornecedores, clientes e stakeholders da empresa. Da qualidade de seu desempenho em cada uma das habilidades requeridas para a sua função virá seu grau de empregabilidade.

Uma tarefa que precede a definição de seu papel e de seu posicionamento no mercado de trabalho é listar as competências requeridas para o exercício da função buscada e, em seguida, tomar consciência sobre qual o seu grau de habilidade no desempenho de cada uma delas.

Outro conjunto de definições inclui a sua missão: aquilo que você deseja ser e fazer; sua visão: a forma como você deseja atingir seus objetivos profissionais e pessoais; seus valores: as coisa em que você acredita e seus princípios: o eixo moral de sua vida, sua integridade e lealdade.

Este exercício serve a dois propósitos:

Um, ajuda você a estabelecer seu grau de empregabilidade em um dado setor ou empresa. (Por exemplo, se você domina o alemão, esta é uma vantagem que soma pontos em empresas de origem alemã.) e

Dois, permite que você identifique melhor seus pontos fortes e fracos, facilitando a tarefa de reforçar e destacar seus pontos fortes e melhorar as habilidades em que você se reconhece fraco.   

  • Defina seu foco

Foco significa concentração de esforços em uma área delimitada. Você precisa eliminar tudo o que não é relevante para sua empregabilidade. Não dá para ser bom em tudo. Assim como não dá para ser bom com esforços meia-boca. Então é necessário saber escolher a abrangência de seu foco e deixar de fora tudo o que possa atrapalhar ou roubar energia do seu mix de empregabilidade. Competir por um emprego é como participar de qualquer outra competição: ganha o melhor.

Acontece que nem sempre é fácil saber onde focar seus esforços. Para obter bons resultados é preciso saber o que mercado busca e como posicionar-se de forma favorável para conquistar a pole-position na disputa pelo emprego ou pelo cargo.

Saber focar esforços significa ser profissional. E ser profissional significa dominar não apenas as competências centrais de uma atividade, mas também os detalhes e segredos do desempenho da função. E o bom desempenho requer domínio sobre o papel a ser exercido na empresa ou organização.

A escolha de um emprego, assim como a de uma profissão ou carreira, pressupõe que você sabe qual a sua vocação e qualificação, bem como quais são suas virtudes e defeitos, suas aspirações, aptidões, expectativas e resiliência. Conhece-te a ti mesmo, recomendava Sócrates a quem quisesse conhecer seu lugar no universo. Pode-se supor que o sábio grego não tinha em mente a busca por um emprego, mas conhecer-se a si mesmo é um passo importante, na medida em que você quer um lugar no mercado, que é aquela parte do universo onde estão os empregos.

Portanto, se você ainda não sabe, comece por descobrir quem exatamente você é e o que, precisamente, você aspira em sua vida profissional. Aqui lembrando que Confúcio já dizia: escolha um trabalho de que você goste e você nunca vai precisar trabalhar um só dia na sua vida.

  • A autodescoberta

O ideal é dividir o processo de autodescoberta em duas partes:

Parte um: olhe para dentro de você mesmo. Qual o seu sonho? O que você que fazer em sua vida? Escreva tudo isto e liste seus objetivos, crenças, valores, competências, habilidades, experiências, realizações e conquistas

Parte dois: descubra como os outros o veem. Peça e ouça a opinião de pessoas em que você confia sobre o que elas pensam sobre você. Sobre o que acham de suas habilidades e sobre como percebem o seu desempenho. Pergunte também sobre o que elas sabem em relação ao que os outros falam a seu respeito. Prepare-se para ouvir algumas coisas menos agradáveis, mas encare eventuais críticas como uma ajuda para o seu processo de melhoria em sua empregabilidade. Aliás, desconfie se você só ouvir elogios ou se só falarem bem de você. Afinao, ninguém é perfeito. Até o juiz Sérgio Moro disse que comete erros. Assim não tenha medo de enfrentar os fatos e nem se deixe abater. O que você quer não é uma massagem em seu ego, mas compreender quais fatores podem contribuir ou prejudicar sua jornada em busca do melhor emprego ao seu alcance.

Uma vez que você tenha obtido um bom conhecimento de si próprio e adquirido uma visão clara de seu papel, defina sua nova identidade profissional. Ela deve passar a ser o eixo de seus esforços.

  • Mapeie as oportunidades

Quais são e onde estão os empregos em linha com sua nova identidade profissional?

Pesquise e coloque em seu radar pelo menos 20 empresas que pareçam promissoras.

Descobrir possíveis oportunidades é essencial para o êxito de sua busca a um bom emprego. Tenha em mente, contudo, que apenas uma em cada dez vagas é anunciada – nove são preenchidas a partir de um banco de candidatos, por indicação, recrutamento interno ou remanejamento de pessoal. Outra coisa: apenas um percentual das vagas anunciadas tem qualidade, porque muitos anúncios se referem à pesquisa de salários, empregos temporários, vendas à base de comissão ou picaretagem pura e simples. Portanto, não desperdice seu tempo lendo anúncios periféricos à sua busca e não confie resolver seu problema por meio de anúncios. A boa notícia é que  as empresas sempre tem posições à espera de um candidato certo. As vendas estão desabando? Um bom vendedor poderá ter aí sua chance. É preciso reduzir custos? Quem saiba como fazer isto será ouvido. Mas seja objetivo. As empresas querem resultados.

  • Vá à luta

E, uma vez feito o seu dever de casa, vá à luta. Estude como chegar à cada empresa de sue interesse. Escreva o caminho a ser percorrido. Pesquise entre seus amigos e seu relacionamento se alguém conhece alguém na empresa alvo de seus esforços. Ligue para o RH da empresa e pergunte a quem enviar seu currículo e com quem conversar sobre a área de seu interesse sobre uma posição ou vaga que possa estar aberta. Em crises com a que vivemos muitas empresas procuram agrupar funções e reduzir os salários e o número de empregados. A demissão de um pode ser a contratação de outro, mais qualificado, mais produtivo e, claro, mais barato. E isto cria vagas e oportunidades.

  • Não acredite no primeiro “não”

Fique preparado para encontrar uma barreira de nãos. Em uma grande empresa muitas pessoas tem o poder de dizer “não”, mas apenas um grupo muito reduzido de pessoas tem o poder do sim. Descubra quem tem este poder e não desista enquanto não chegar a elas. Se um caminho não funciona, tente outro.

  • Assuma sua Missão

Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir (Sêneca).

Faça suas escolhas e escreva uma Declaração da sua Missão na busca do emprego.

Use o ensinamento das empresas de primeira linha que usam as “declarações de missão” como forma de definir com clareza os objetivos e o passo a passo planejados. Escreva com detalhes sua declaração: seja específico sobre o que você busca, tipo de empresa, seus valores e crenças, o elenco de habilidades e competências que você deseja utilizar, o tipo de cultura da empresa, o nível da responsabilidade que você se propõe a assumir, a região geográfica, o potencial de carreira e crescimento, disposição para viagens, para mudar de endereço, salário e benefícios desejados. Esta “declaração” ajudará você a manter seu foco. Em momentos de incerteza você poderá se valer desta declaração para recobrar sua confiança e manter seu foco.

  • O Plano de Ação

Um Plano de Ação deve separar o ciclo da atividade nos seus passos: como você vai encontrar as empresas, como você vai reunir seus dados de contato, como site, e-mail e telefone, como você vai fazer o contato, se por telefone, e-mail, etc. Depois de fazer o seu planejamento é preciso partir para o “fazejamento”, como diria o ex-prefeito de São Paulo, Brig. Faria Lima.

Um bom plano deve incluir um conjunto de objetivos intermediários e como chegar a eles.

Por exemplo: desenvolver uma rede de contatos para obter indicação, apoio e referências

Estratégias: Entrar em contato com ex-colegas e conhecidos. Usar grupos no LinkedIn para gerar contatos e conexões. Buscar contato com entidades e associações. Circular e mostrar presença em eventos e oportunidades para relacionamentos. Fazer ligações para os departamentos de pessoal. Mas atenção: selecione os eventos pelo critério da qualidade dos contatos possíveis. Ir por ir é desperdiçar seu ativo mais importante que é o tempo.

Ao selecionar a lista de empresas nas quais você tem interesse seja específico: que tipo de empresa você se propõe a pesquisar, como você vai fazer isto e em que profundidade.

Estabeleça metas de trabalho diárias: quantos contatos por telefone, quantos e-mails personalizados, quantos currículos enviados, quantas entrevistas. Estas metas vão permitir que você tenha indicadores sobre o progresso de seus esforços e se sinta pressionado a cumprir a atividade planejada. Até para garimpar um emprego existe uma curva de aprendizado.

Uma vez que você inicie a busca é preciso manter um acompanhamento de suas atividades e do seu progresso. Quer por meio eletrônico, quer em papel, é preciso ir anotando tudo, desde e-mails enviados, contatos via telefone, entrevistas realizadas, etc. Trata-se de uma rotina tediosa, mas que pode ajudar muito a conseguir o seu desejado emprego.

  • Sua narrativa

Seu empregador terá interesse em conhecer a história de sua vida, certamente, mas o eixo de sua narrativa deve destacar o que você, seus conhecimentos e experiência podem fazer para a empresa no futuro. Para saber como construir sua narrativa procure entender a empresa que você corteja. Se o emprego está anunciado, leia com atenção a descrição da função e outros materiais que você consiga encontrar. Leia o website da empresa, artigos e matérias publicadas, pesquise sobre seus produtos e serviços no Google, busque vídeos no YouTube, enfim procure “sentir” a cultura d empresa. Procure descobrir pessoas que tenham trabalhado na empresa antes por meio de sites de empregos ou no LinkedIn e peça para elas relatarem suas experiências. Por meio deste processo você irá ver a empresa sob diversos ângulos e, eventualmente, criar um sentimento de identidade com a empresa, com seus produtos e até com seus clientes.

Para organizar e facilitar esta tarefa de construir uma narrativa atraente, liste todas as suas habilidades e competências, tanto as que sejam diretamente ligadas a sua experiências profissionais como as ligadas indiretamente, como o domínio de softwares ou de outras habilidades úteis. Para cada uma faça uma ficha (pode ser numa planilha) e coloque um descritivo curto. Assim, à medida que uma entrevista se desenrole, você poderá facilmente encaixar cada um dos temas sem perder o curso da narrativa principal. Se você puder adicionar o relato de alguns casos ilustrativos, use-os, mas cuidado para não usar o escasso tempo da entrevista com coisas não relevantes.

Antes de cada entrevista repasse os temas e selecione os que você pretende utilizar, procurando ajustá-los à empresa, sua cultura e valores, incluindo a “linguagem” da empresa, os termos, marcas a nomenclatura utilizados para descrever seus mercado e produtos. Cuidado com a pronúncia de marcas ou termos estrangeiros. Já vi candidatos de bom potencial se queimarem por demonstrar desconhecimento ou falta de familiaridade com marcas ou produtos da empresa empregadora.

Um processo comprovado para melhorar seu desempenho é escrever sua narrativa e treiná-la. Mas, claro, não apresente sua história como um texto decorado.

Uma boa fórmula de encadear os assuntos envolve seis tópicos:

Primeiro: Quem eu sou. Um resumo de sua história pessoal, onde nasceu e viveu, situação familiar e residência. Entre três e cinco minutos. O importante é deixar claro que você não é filho de chocadeira…

Segundo: Como cheguei aqui. Sua formação, escolaridade, educação, habilidades e competências.

Terceiro: O que fiz em minha vida profissional. Atividades, empregos, cargos, incumbências, missões. De preferência destacando aspectos do seu desempenho sempre que conveniente, notadamente quando tiverem aspectos que possam ser úteis na função desejada.

Quarto: O que busco para o futuro. Tipo de desafio que me motiva, o que gostaria de alcançar.

Quinto: Como antecipo minha atuação no cargo ou função. Esse item requer um cuidado dobrado. Demonstre que você entende os desafios do cargo e que está preparado para enfrenta-los, mas evite fazer afirmações ou emitir julgamentos de valor que possam confrontar políticas, procedimentos ou valores da empresa.

Sexto: Minha ética. O que acredito. Os aspectos éticos tem enorme peso no processo de seleção. Dedicação, compromisso e lealdade com a empresa são valores sempre muito valorizados. Enfatizar estes aspectos é sempre muito importante, mas prefira falar com fatos.

  • Duas recomendações adicionais:

A questão da atitude.

Ter o perfil certo é melhor do que ter o currículo mais longo. Se você pensa em buscar um emprego em empresas como a Ambev, Lojas Americanas, Burger King, Submarino, Bud­weiser, Heinz é bom ter em mente o tipo de gente que seus controladores, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira preferem: os PSD — poor, smart, deep desire to get rich (“pobre, esperto, com muita vontade de ficar rico”). Se você se qualifica, parabéns. Você vai longe.

A questão da apresentação pessoal

Procure apresentar-se em conformidade com a cultura da empresa. Cada organização tem seus valores internos, suas crenças e, eventualmente, seus preconceitos.

A questão do traje é muito importante. Na dúvida sobre o que vestir para a entrevista é bom perguntar para o RH da empresa. Dependendo do tipo da organização e da função, se apresentar fora dos padrões de expectativa da empresa é fatal. Empregos em bancos e na área financeira requerem terno e gravata de cores sóbrias. O setor bancário segue a linha dos banqueiros de Londres, onde “brown is not a gentleman’s color” (“marrom não é uma cor para cavalheiros”).

Para funções gerenciais, se apresentar bem trajado, bem escanhoado e com aspecto de executivo é condição necessária, mas sem exageros. Um exemplo bem ilustrativo: Por alguns anos fui assistente de Mr. Richard Alex Mozer, um empresário norte-americano que, entre outras empresas, era dono da fábrica de Empilhadeiras Yale no Brasil. Uma das minhas incumbências era a seleção dos executivos que seriam encaminhados para uma entrevista final com Mr. Mozer. Haviam os testes preliminares e uma pré-seleção com um psicólogo e tal, mas a principal recomendação que recebia de meu antigo chefe era que evitasse selecionar “os bonitinhos”. Mr. Mozer dizia, com fina ironia, que os executivos brasileiros eram “os mais bonitos do mundo”. Chegavam portando currículos reluzentes, cabelos cortados na moda, calçados italianos, gravatas francesas, camisas e ternos sob medida, tudo impecável. Mas, no dia a dia da operação, eram um desastre: estavam sempre mais preocupados com sua aparência, com academias e vida social do que com o bom desempenho na função. Não caia nesta.

O fator mais importante

Isoladamente, o fator mais importante de empregabilidade no Brasil é a fluência em inglês. Em igualdade de condições, quem tem bom domínio do inglês consegue um emprego duas vezes mais rápido do que quem tem apenas conhecimentos básicos. E recebe, em média, salários 45% maiores (Pesquisa da Catho). Portanto, use seu tempo disponível para dar polimento ao seu inglês. Existem muitas ferramentas grátis no Google, como o tradutor, por exemplo, que, inclusive, ensina a pronúncia das palavras.

(Saiba como melhorar seu inglês – veja abaixo)

Quer um bom emprego? Melhore seu inglês.

Enfim…

Empregos bons existem e existirão. Prepare-se, tenha a atitude certa e saia para a luta. Com crise ou sem crise, se você procurar de verdade, você vai achar seu lugar ao sol.

Sucesso!

Ceska – O digitaleiro


Quer um bom emprego? Melhore seu inglês.

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Quer um bom emprego? Melhore seu inglês.

Receita para conseguir um bom emprego: ganhe fluência em inglês.

Conhecer uma segunda língua é possuir uma segunda alma. Essa é a opinião de Carlamagne, o Rei Carlos, o Grande, que viveu no início da idade média e plantou os fundamentos para a criação da França e da Alemanha.

No Brasil da crise, conhecer o Inglês, além de facultar esta segunda alma, permite conseguir um emprego melhor.

Acho que você sabe disso, mas diversos estudos demonstram a importância do inglês para o mercado de trabalho. Isoladamente, este é o fator mais importante da empregabilidade no Brasil. Estes estudos mostram que a fluência no idioma de Shakespeare reduz para metade o tempo de busca de emprego. Outra coisa, ser fluente em inglês também pode ser determinante para que seu salário seja maior. A revelação veio na 52ª edição da Pesquisa Salarial, divulgada pela Catho. Um profissional em cargo de coordenação, por exemplo, ganha 61% mais que uma pessoa na mesma função, mas que tenha apenas o conhecimento básico da língua. Se não tiver nem o básico, suas chances de conseguir a vaga são praticamente nulas, na medida que há muita gente que tem conhecimentos básicos de inglês e está disputando os empregos.

Em cargos de diretoria, a diferença de salário entre alguém que fala inglês com boa fluência e um profissional sem essa habilidade é de 42%, segundo a pesquisa. Para os cargos de gerência e de supervisão, a diferença é de 57% e de 43%, respectivamente.

Como seria de esperar, quanto mais alto o nível hierárquico, maior o percentual de pessoas que dominam o idioma, mostra o estudo. No caso das promoções, tudo o mais equivalente, um bom domínio do inglês dobra as chances de um candidato ser o escolhido. Mesmo em níveis intermediários, os salários são, em média, 45% maiores.

Portanto, se você está buscando melhorar sua empregabilidade, o melhor investimento de seu tempo será aquele dedicado à conquistar a fluência no idioma do autor de Romeu e Julieta.

I – Como melhorar seu inglês

Línguas se aprendem ouvindo, falando, lendo e escrevendo. Nesta ordem. Existem muitas formas de você melhorar seu conhecimento e fluência no inglês.

Na China, um país que anseia por sua integração ao mundo, existe uma instituição nacional: as “English Corners”. São pontos de encontro de gente de todas as origens e de todas as idades que vão lá, nas sextas feiras à tarde, para praticar seu “inglês oral”. O mais conhecido destes pontos é o Portão de Entrada Este da Renmin University, em Pequing.

Ir à China praticar inglês não parece sensato. Mas você pode fazer um intercâmbio pelo YFU, fazer um curso de imersão em Nova York ou Londres ou Toronto ou, ainda, ir a Sydney e aprender localmente. Você pode optar por um dos inúmeros cursos oferecidos aqui no Brasil, tanto básicos como avançados. Mas não são opções para todo mundo: além do custo elevado, demandam um tempo que você talvez não tenha. Por outro lado, com boa vontade tudo tem jeito: uma boa solução seria juntar um grupo de amigos para exercitar o idioma: o custo é zero e o resultado é garantido.

Mas antes de praticar para obter fluência, você precisa de um patamar mínimo de conhecimentos. O que vamos apresentar aqui são algumas alternativas práticas, eficazes e virtualmente sem custo, que podem ajuda-lo no aprendizado de inglês. Desde que você queira, tenha acesso à internet e ao Google e se disponha a estudar com método e disciplina.

  • Uma língua é um código

Para começar, é importante compreender que um idioma vem a ser o método de comunicação humana que consiste no uso de palavras para expressar o pensamento de uma forma estruturada e convencional. Um língua é um código.

Saussure, o criador da Linguística Moderna, propõe que uma língua é um processo de comunicação que não se dá somente pelo uso das palavras, mas também por gestos, olhares, roupas, cortes de cabelo e quaisquer elementos que possam ser usados como signos. A partir desta linha de pensamento, ele propõe que a Linguística seja incorporada por uma ciência mais ampla: a Semiologia. Esta ciência, também denominada Semiótica, estuda como nos expressamos e como lemos, captamos e entendemos os demais seres humanos por meio da linguagem, dos símbolos e dos signos.

A contribuição desta abordagem é nos fazer perceber que uma língua é um todo que vai além de um vocabulário, que vai além dos meandros gramaticais e reveste de significados esta segunda alma a que aludia Carlamagne.

O que sabemos é que o aprendizado de uma língua fica mais fácil se, ao lado das palavras, pudermos sentir as emoções que elas suscitam. A memória é mais permeável às emoções do que às repetições. As palavras, imantadas pela emoção, são atraídas para o interior da segunda alma, onde se fixam como ímãs de geladeira: visíveis e fáceis de achar. Aprender uma língua é mais fácil, assim, se você aprender a imantar as palavras com a emoção do seu significado.

Para obter fluência, entretanto, é preciso que sua mente “pense” em inglês. Demora um pouco chegar neste nível, mas o importante é praticar todo dia. A estrutura da língua, a ordem da palavras, a flexão dos verbos e as expressões idiomáticas devem se encaixar e formar um quebra cabeças de modo a ir criando as frases e dando sentido ao conjunto.

O ideal é alcançar um estágio de “espontaneidade”, uma expressão criada por Moreno para definir o desempenho mais fluído e natural que decorre da participação do subconsciente em um dado papel ou uma dada atividade, inclusive no processo de usar uma língua. O subconsciente entra em ação quando está suficiente treinado. Portanto, para obter fluência em inglês é preciso treinar o uso da língua até automatizar as respostas. Mas é preciso que o exercício da língua se assemelhe ao contexto de sua utilização no palco do mundo real. Como o cérebro não faz distinção entre o uso no mundo real e o mundo representado, a simulação é eficaz na preparação da mente. Se um simulador funciona para ensinar um piloto a pilotar um avião, também pode ensinar você a usar uma língua. O que é preciso é que a simulação contenha os ingredientes da emoção e de entrega psíquica ao papel ensaiado. Mesmo que você não disponha de uma mesa de escritório para simular uma entrevista, a mesa da sala de jantar serve perfeitamente: coloque a foto de um executivo na sua frente e faça a si mesmo as perguntas de um entrevistador. Sinta a emoção. E permita que seu subconsciente tome o controle. Se quiser gravar para análise, espere para fazer isto quando você achar que já está pronto. Deixe a natureza seguir seu curso e complete sua curva de aprendizado. Não existe motivo para você se auto depreciar prematuramente. Outra coisa: divida seu teatro de entrevista em etapas e avance um passo de cada vez. Primeiro treine e domine a abertura, a entrada, o contato com os olhos, o aperto de mão. No caso do inglês, especialmente daquele que poderíamos chamar de “corporativo”, é preciso, igualmente, “vestir” o figurino e absorver a forma de pensar focada, sintética, objetiva e direta da cultura corporativa das empresas que usam o inglês como língua predominante. Qualquer filme americano sobre temas empresariais mostra isto. É prestar atenção.

  • A fluência

Existe o mito de que haveria uma “fluência” perfeita. Fluência perfeita é coisa que não existe em nenhum lugar do mundo pela simples razão de que a fluência é um fenômeno relativo. Ninguém, nem um nova-iorquino ou um londrino, jamais vai ser completamente fluente em todos os contextos de uma língua como o inglês, que é falado de muitas maneiras diferentes ao redor do mundo. Você poderia ter o inglês como sua língua nativa e ainda assim não entender um motorista da Austrália descrevendo o tempo ou um professor de matemática falando sobre equações.

A língua é uma coisa viva, sempre mudando e em constante evolução. A “fluência”, assim, depende do contexto e do ambiente cultural em que a língua é utilizada.

Isto posto, é perfeitamente aceitável se sua fluência em inglês conseguir explicar seu pensamento, ainda que, para conseguir isto, você precise dar algumas voltas ao usar sua linguagem.

  • A medida da fluência

Alexander Arguelles, um especialista que dedicou sua vida ao aprendizado de línguas, acreditava que se pode definir o grau de domínio de uma língua com base em um conjunto de “patamares”:

250 palavras constituem o núcleo essencial de uma língua e sem as quais não é possível construir frases simples e coerentes.

750 palavras constituem o núcleo do vocabulário usado ​​todos os dias pelas pessoas que falam a língua.

2.500 palavras constituem o “núcleo da fluência”: conhecendo este número de palavras você conseguirá expressar tudo o que você possa querer dizer, ainda que, as vezes, tenha que “dar voltas” e utilizar circunlóquios explicativos.

5.000 palavras constituem o vocabulário ativo dos que falam o idioma de forma corrente, mas que não tem ensino superior.

10.000 palavras constituem o vocabulário ativo dos que falam o idioma de forma corrente e dominam terminologia adquirida no ensino superior.

20.000 palavras constituem o vocabulário erudito e que você precisa reconhecer passivamente, a fim de ler, compreender e apreciar uma obra literária, um romance ou um livro de ficção.

Aprendendo a ser fluente em inglês com o Google

Se você tem um domínio básico da língua, é possível ganhar fluência rapidamente com a adoção de um método simples, fácil e rápido (e gratuito) tomando por base os “patamares” de Arguelles e usando o Google Translator como apoio. Vejamos um passo-a-passo prático:

1. Comece a formar sua lista básica

Vamos para a ação: liste suas 250 primeiras palavras. Em uma planilha, ou até num caderno, faça cinco colunas. Na primeira você escreve em inglês as palavras que você já conhece. Pode começar com as seis da frase mais conhecida: the book is on the table…Na segunda coluna escreva a pronúncia; na terceira coluna você escreve o significado em português; na quarta você identifica gramaticalmente a palavra: substantivo, verbo, adjetivo, advérbio, etc.; na quinta você escreve uma frase usando a palavra listada.

Se você não conseguir 250 palavras em inglês nesta primeira iniciativa, vá para o próximo passo e, na coluna apropriada, escreva as palavras em português que você considera importantes na sua comunicação do dia a dia. Inclua verbos indispensáveis como “eu vou” (I go) “eu venho” (I come) “eu compro” (I buy), eu trabalho (I work) eu como (I eat).

Aí você vai ao Google, entra no tradutor (as vezes fica escondido naquele cubo de seis pontos que fica no canto superior direito), selecione português na primeira janela e inglês na segunda, e, na primeira janela, escreva a palavra em português. O resultado, em inglês, vai aparecer na janela da direita. Copie a grafia na sua primeira coluna do seu caderno ou planilha. Ainda no Google, clique no ícone do alto-falante, no rodapé do quadro, ouça a pronúncia e escreva como pronunciar na segunda coluna.

Suponhamos que você queira pesquisar a palavra “almoço”: Depois de escrever na janela da esquerda você vê, na direita, a expressão “lunch”. Aproveite para observar que, abaixo do quadro, aparecem outras versões possíveis, como “luncheon” (pronuncia-se “lanchen”) e “tiffin”, que é uma forma rebuscada de dizer almoço leve.

Na sequência vá ampliando para o patamar das 750 palavras. Ao chegar a este número comece a cruzar estas palavras entre elas: um substantivo – um verbo – um adjetivo. Escolha um termo chave e comece a formar “clusters” ou “agrupamentos”. Sempre checando a pronúncia e o significado no Google. Esta checagem vai ajudar a evitar confusões e os falsos cognatos, palavras geralmente derivadas do latim e que existem em inglês e português.

Apesar das diferenças entre as duas línguas, ambos os idiomas têm palavras que se assemelham na escrita ou no som. Algumas dessas palavras semelhantes possuem, de fato, o mesmo significado nas duas línguas, como television e computer, que, claro, se traduzem por “televisão” e “computador”, respectivamente. Essas palavras, que têm semelhança ortográfica e o mesmo significado nas duas línguas, chamam-se cognatos.

Entretanto, existem outras palavras que, embora semelhantes, diferem completa ou parcialmente quanto ao significado. Estes palavras são conhecidas como “Falsos cognatos”. Uma pequena lista para ilustrar o cuidado a ser tomado com estas palavras traiçoeiras:

  • Actual – significado em inglês: real, verdadeiro, e não “atual”;
  • Actually – significado em inglês: na verdade, de fato, e não “atualmente”;
  • – Adept – significado em inglês: perito, profundo conhecedor, e não “adpto”;
  • Agenda – significado em inglês: Assuntos do dia, pauta do dia, pauta para discussões, e não “agenda”;
  • Alms – significado em inglês: “esmola”, e não “almas”;
  • Alumnus – significado em inglês: ex-aluno já formado, e não “aluno”;
  • Amass – significado em inglês: “acumular”, “juntar”, e não “amassar”;
  • Anthem – significado em inglês: “hino” e não “antena”;
  • Apparel – significado em inglês: “roupas”, “vestuário” e não “aparelho”;

2. Formação de “clusters” ou “agrupamentos”

Um método muito útil é o da formação de “clusters”. Funciona assim: você escolhe uma palavra chave e constrói um conjunto de frases em volta. Por exemplo, “love”. Você vai no Google Translate e descobre quais os significados e usos da palavra. Para cada uso você faz, ou copia do texto, uma frase.

Love” Como substantivo:

babies fill parents with intense feelings of love

Para ouvir a pronúncia, você seleciona a frase e copia em cima, na caixa da esquerda, clicando, em seguida, no ícone do alto falantes na parte de baixo da caixa de texto.

Abaixo da caixa, no campo à direita, o Google mostra outros significados para o substantivo “love”: amor, paixão, afeição, afeto, ternura, cupido, dedicação, pessoa amada.

“Love” como verbo

do you love me?”

Outros significado possíveis para o verbo “to love”: amar, adorar, gostar de, querer, sentir prazer, sentir afeto

Observe que abaixo da caixa de tradução estão os possíveis significados. E à direita, outros sinônimos, agora em inglês.

Para a palavra “love” aparecem:

“amor” – e depois – love, heart, darling, sweetheart, flame e sweeting

Clicando em “darling” abre uma nova caixa de tradução e assim sucessivamente.

A ideia deste exercício é buscar entender os diferentes significados e diferentes ângulos como o vocábulo é usado. No caso da palavra “love”, embora signifique também “amor” em português, seu emprego em inglês é mais amplo e pode definir sentimentos uma amizade sincera e uma grande admiração.

II – O grande dia – A entrevista em inglês.

Você vai desejar estar calmo e seguro de seus desempenho, o que requer estar o mais preparado/a possível.

Planeje sua entrevista:

  1. Verifique seu “kit entrevista” (currículo, cartão, caneta, bloco de anotações, lenço, uma garrafa de água, as chaves de respostas planejadas, etc.).
  2. Certifique-se do endereço com antecipação. O melhor é passar pelo local na véspera para garantir que você sabe como chegar, onde estacionar (se for de carro) e “sentir” o clima do espaço.
  3. No dia, chegue cedo. Um meia hora antes. Mas se apresente cerca de 10 minutos antes da hora da entrevista. Assim uma eventual demora na recepção não vai elevar sua ansiedade.
  4. Relembre o nome do entrevistador ou da equipe de entrevistadores (tenha um cartão com os nomes anotados). Cuidado com a pronúncia dos nomes, especialmente e forem estrangeiros.
  5. Vista-se conforme o estilo da empresa. Se não sabe, pergunte para o RH.
  6. Não use perfume. No máximo uma água de colônia ou um desodorante bem leve.
  7. Evite chegar suado. Se preciso, lave o rosto e as mãos no toalete antes de entrar. Use o lenço para enxugar as mãos e prepará-las para os cumprimentos.
  8. Desligue o celular (muito importante), feche os olhos por um momento, respire fundo, e relaxe.
  9. Caminhe com passos firmes, faça contato com os olhos e aguarde que o entrevistador estenda a mão para os cumprimentos.
  10. Se estiver com uma pasta, procure colocá-la sobre outra cadeira. Evite colocar no chão.
  11. Responda as perguntas sem atropelo, com voz pausada e audível.

Como preparar as respostas para entrevista:

A menos que você tenha pleno domínio da língua, o que, se fosse caso, não justificaria ler este artigo, o melhor meio de começar uma entrevista é começando em terreno conhecido. E usar frases preparadas com antecedência para serem utilizadas em assuntos que serão abordados na maioria das entrevistas

A primeira frase de cumprimentos é, geralmente, do entrevistador. Ele dará as boas vindas ou algo assim. Em sua primeira resposta, comece com uma frase pronta e bem ensaiada. Por exemplo, “nice to meet you” ou “it’s a pleasure to meet you.”

Prepare e treine com antecedência a resposta a algumas prováveis perguntas que surgirão em entrevistas em inglês:

  • – “Tell Me About Yourself” – Fale-me sobre você;
  • – “Describe Your Current (or Most Recent) Position” – Descreva sua atual ou mais recente posição;
  • “Why are you leaving your current job?” – Porque você está saindo de seu emprego atual?
  • “Why are you looking for a new opportunity now?” – Porque você está procurando por uma nova oportunidade?
  • “What are your strengths?” – Quais são seus pontos fortes?
  • “What are your weaknesses?” – Quais são seus pontos fracos?
  • “What is your greatest weakness?” – Qual seu ponto mais fraco? (Esta é uma pergunta que as vezes surge como variante da anterior)
  • “How well do you work under pressure or tight deadlines?” – Como você trabalha sob pressão ou com prazos apertados?
  • “What do you do in your spare time?” – O que você faz em seu tempo livre?
  • “What do you think of working in a group? – O que você pensa sobre trabalhar em grupo?
  • “Why do you want to work here?” – Porque você quer trabalha aqui?
  • “Where do you see yourself in five years?” – Onde você se vê daqui a cinco anos?
  • “Why should we hire you?” – Porque devemos contratá-lo?
  • “Do you have any other skills of experiences that we have not discussed?” – Você tem alguma outra habilidade ou experiência que não discutimos?
  • “Do you have any questions for me?” – Você tem alguma pergunta que queira me fazer?

E não esqueça: Assim que possível, envie um agradecimento por e-mail. (Não para mim. Para seu  entrevistador).

Sucesso!

Quem quer emprego?

Ceska – O digitaleiro


Crise: tudo o que é falso se desmancha no ar

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Profecia realizada: Carta fora do baralho

O Brasil vem passando por um fascinante processo de descoberta e amadurecimento. O que estamos vivendo no Brasil é um destes momentos transformadores que educam os povos e fazem avançar as nações. O impeachment tem sido traumático em muitos aspectos, mas o funcionamento das instituições tem mostrado um amadurecimento extraordinário. E o Congresso e o Supremo Tribunal Federal podem contribuir para converter a “decrisis” em curso – uma crise de desagregação que conduz ao caos – em uma “sincrisis” – uma crise que se encaminharia para a solução pelo reordenamento do país e por acender uma luz no fim do túnel.

A causa original do impeachment da Presidente Dilma, que já se encontra na fase do senado, foi a profunda crise econômica e moral que se abateu sobre o país. Uma crise produzida pela corrupção e pela incompetência, aliada ao desprezo olímpico pela matemática, uma ciência tida como “neoliberal”, e pela afronta rombuda aos princípios da economia. Esta, como se vê, é uma tolice perigosa, já que a economia não se defende. Ela se vinga.

Em retrospecto, foi a conjugação de preços favoráveis das commodities associado com o crescimento artificial do poder de compra das classes mais pobres, via bolsa família e financiamento generoso de bens de consumo, que levou a esquerda a se imaginar invencível.

Jogou fora o freio e passou a acelerar os gastos sem limites na crença de que, no final, o “dinheiro pinta”. Pior, para perpetuar-se no poder, escancarou as portas da corrupção. A Petrobrás passou a ser vista como uma cornucópia de dinheiro fácil. Eram milhões e bilhões que jorravam sem controle e sem vergonha para o bolso de empreiteiras e políticos amigos. O governo petista virou um programa do tipo “quem quer dinheiro”. E se ainda fosse pouco, visando ganhar a eleição por meio de distribuição de dinheiro farto e por um marketing charlatão, a primeira mandatária assumiu  o papel de “dilapidadora da república”, se deixou tomar pela soberba, aquele sentimento caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, e inaugurou o governo pela arrogância. Não surpreende que os fatos tenham vindo cobrar a conta.

As mentes toscas da nossa esquerda ignara sempre imaginaram que podiam torcer a verdade sem enfrentar as consequência, que esconder os fatos os fariam ir embora. Mas descobrem, agora, que não é assim que o mundo funciona. E a parte do povo brasileiro que foi ludibriado por um governo edificado sobre mentiras, descobre que foi vítima de um conto do vigário. E descobre, pela via sofrida de quem paga o pato, que é melhor desconfiar das promessas vigaristas de quem reconhece que “faz o diabo” para ganhar uma eleição.

O lado bom, ainda que doído, é que a nação brasileira vive a experiência de lamentar ter acreditado em “milagreiros”, de ter sucumbido aos demagogos sem escrúpulos que prometem milagres e efeitos sem causa com a ligeireza dos trombadinhas políticos que, de fato, são. Desta experiência vem o aprendizado sobre os fatos da vida. Vem a percepção de que as coisas são o que são e tudo o que é falso se desmancha no ar. Uma criança cresce quando queima o dedo na borda do fogão: ela aprende a não brincar com fogo. Uma nação cresce quando vive as angústias de uma crise econômica, social, moral e política que força todos a se unirem por um impeachment salvador: ela aprende a não brincar com o voto.

A Revolução dos Clicks: Empoderamento, Proatividade e Transparência

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A Revolução dos Clicks vai mudar o Brasil

Uma Revolução dos Clicks: novos paradigmas do Empoderamento, Proatividade e Transparência estão abrindo portas, criando oportunidades, facilitando negócios, e, neste meio tempo, vem mudando o mundo.

O mercado vem se tornando um bolo de noivas multicamadas. O mercado é um pombal de nichos onde realizamos sonhos, trocamos competências e expressamos nossas habilidades.

Aviso aos navegantes: a “Revolução dos Clicks” é mais do que uma promessa. É uma revolução que está em curso. Enquanto o mundo caminha para a Quarta Revolução Industrial, em cada recanto do Brasil existem milhares de brasileiros conectados via smartphones, tabletes, notebooks, PCs e outros menos votados, vendo, ouvindo, falando e agitando assunto na expectativa de encontrar oportunidades que existem aqui e lá fora.

E o lado auspicioso é que tem milhões de brasileiros preparados para sua inserção no mundo digital, esperando um chamado para juntarem-se numa cruzada pela inovação. As mudanças estão vindo. Mas precisam vir certo. Não adianta mudar só as moscas…

O importante é saber que logo, logo, este o trio transformacional irá conduzir o Brasil para a era digital. Quem se puser no caminho vai ser atropelado.

Afinal, a nova geração digital sabe das coisas e intui que a opção por um Brasil online – digital – é o caminho para a revolução dos clicks.

Vamos dar uma olhada neste tripé da cidadania digital para entender como cada um deles pode contribuir para mudar o Brasil e fazê-lo atravessar para o lado da luz:

1 – Empoderamento

O termo “empoderamento”, que é a tradução do termo ingês “Empowerment”, define o grau de poder nas mãos do cidadãos e seu engajamento cívico no contexto de uma comunidade.

O empoderamento é o processo de tomada do poder pelos cidadãos e a redefinição da alçada de poder dos governantes. O conceito pressupõe que os cidadãos é que são os donos das escolhas e do poder. Os cidadãos é que são os donos do país e delegam parte deste poder aos seus representantes, mas, atenção, sempre em caráter precário. Por princípio, como no parlamentarismo, o retomam quando entendem que seus representantes não estão correspondendo às expectativas ou aos seus desejos. Governou mal, cai. Meteu a mão, cai.

Os cidadãos é que decidem o que é bom. O governo precisa dialogar com a sociedade, explicar suas decisões e justificar seus motivos. Mas devem se submeter sob pena de sofrerem a repulsa e a reação social.

A cidadania empoderada é bem informada e atuante, sabendo como participar nas decisões no âmbito da comunidade. Em uma sociedade bem informada, a sociedade tem por fim alcançar o melhor diante das circunstâncias. Com equilíbrio, a sociedade deve levar em conta que o que é bom para uns pode não ser o melhor para o conjunto da sociedade. Esta tradição esquerdista de ganhar no grito precisa acabar. Assim, os cidadãos devem assumir responsabilidades com elevado grau de maturidade.

O empoderamento, assim, não significa o direito de arrogar-ser privilégios e deve levar em conta o bem comum. A amplitude do empoderamento começa com o conhecimento da realidade e com a discussão sensata das soluções.

Tem a ver, ainda, com a disposição com que os membros de uma comunidade assumem sua parcela de poder e como agem utilizando o bom senso, segundo o princípio clássico do “In medio stat virtus”, que significa que a “virtude está no meio”.

Segundo Aristóteles, a virtude é a ponderação entre os pontos positivos e negativos de uma escolha. Chegar a este ponto de equilíbrio é prova de civilização.

Alcançar o bem comum não deve ser uma batalha entre pontos de vista antagônicos, mas um compromisso em face do momento e das circunstâncias. A liberdade de uns termina onde começa a liberdade dos outros. O importante é ter em conta que um compromisso de equilíbrio não é algo estático. Qualquer compromisso pode evoluir e ser reavaliado e renegociados quando as circunstâncias mudarem. Portanto, a noção de “conquistas” e “direitos adquiridos” não podem existir contra o interesse do bem comum. Ou seja, não podem existir “privilégios adquiridos” contra o povo, que sempre ficaria com a obrigação de pagar as contas e assumir o polo perdedor.

Para poder atuar como poder moderador, os cidadãos devem legitimar-se pelo equilíbrio, desempenhando suas responsabilidades cívicas segundo o princípio da equidade, condição essencial para a paz social.

2 – A Proatividade

A Proatividade é a atitude sistemática de agir sobre as causas presentes de forma a obter, no futuro, o melhor resultado possível. Ser proativo é assumir o controle, é buscar soluções, é tomar a iniciativa. A vida é um processo e, como tal, ela não se defende. Ela se vinga.

A Proatividade é um complemento necessário do Empoderamento. Sem Proatividade, o Empoderamento nada ajuda, já que fica à reboque dos fatos.

O Empoderamento é o poder de agir. Você quer encontrar uma oportunidade de negócios? Se autoempregar? Juntar-se com colegas e amigos para empreenderem no mundo digital? A internet está de portas abertas. Milhões de pessoas hoje vendem seus serviços na internet. De fotografias a ilustrações, passando por tradução, acabamentos, projetos, diagnósticos e muitos outros. Não é raro ver-se a triangulação internacional de conhecimentos para produzir conhecimentos, aplicativos e sites.

A Proatividade é usar este poder com a atitude de buscar oportunidades, encontrar seu nicho e construir o futuro, tomando a iniciativa, agindo coletivamente e com determinação.

3 – A Transparência

A Transparência é um pré-requisito para os dois componentes citados. Sem transparência qualquer exercício de escolha e decisão significa um voo cego. A crise atual nos mostra que esconder indicadores, manipular resultados e abusar das pedaladas nos leva à voar em “nuvens com caroço”.

No Brasil, o melhor testemunho da importância da transparência veio de um fonte inesperada: do tesoureiro do PT, Delubio Soares, quando disse que “transparência assim é burrice”. Felizmente o que não é bom para o Delúbio é bom para o Brasil.

A transparência é um direito do cidadão, que precisa saber o que estão fazendo com sua vida. Segredos, sigilos e secretices estão ultrapassados. Além do que, no mundo online, o povo não é mais o marido traído da piada: os segredos afloram e o povo fica sabendo de tudo rapidinho.

O Brasil tem jeito e o jeito é digital

Ceska – O digitaleiro


 

Melhore sua empregabilidade

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Melhore seu nível de empregabilidade com a experiência e os conselhos do consultor e Professor Carlos Eduardo Stempniewski

O professor e Consultor Carlos Eduardo Stempniewski, das Faculdades Rio Branco, fala ao blog Digitaleiro sobre como você pode melhorar sua empregabilidade no atual cenário econômico brasileiro.


Ceska – O digitaleiro

A Quarta Revolução Industrial

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Klaus Schwab – Discurso de Abertura do Fórum Econômico Mundial – Dia 20 de janeiro de 2016 (Imagem capturada do vídeo do site oficial)

O tema da Quarta Revolução Industrial esteve no centro do debate do Forum Econômico Mundial, realizado de 20 a 23 de janeiro de 2016, em Davos, na Suíça.

Visando facilitar o entendimento do que vem a ser a “Quarta Revolução Industrial” (RI 4.0), segue a tradução do artigo de Klaus Schwab – Fundador e Diretor Executivo (Executive Chairman) do Fórum Econômico Mundial. (Para quem deseja ler no original, ver links no final da tradução).

(Publicado originalmente na Revista Foreign Affairs de 12 de Dezembro de 2015)


A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

O que Significa e Como Responder 

Nós estamos às vésperas de uma revolução tecnológica que vai mudar fundamentalmente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros. Em escala, escopo e complexidade, as transformações serão diferentes de qualquer coisa que a humanidade tenha experimentado antes. Nós não sabemos ainda como ela irá se desenrolar, mas uma coisa é clara: as respostas a esta nova era devem ser abrangentes e integradas, envolvendo todos os agentes interessados (“stakeholders”) das políticas globais, do público, dos setores privados à academia e a sociedade civil.

A Primeira Revolução Industrial usava água e a força do vapor para mecanizar a produção. A segunda RI usava o poder da eletricidade para criar a produção em massa. A terceira RI, a revolução digital, usava a tecnologia da informação para automatizar a produção. Agora a quarta Revolução Industrial está se desenvolvendo à partir da terceira, que vem ocorrendo desde os meados do século passado, e se caracteriza pela fusão de tecnologias que estão esmaecendo as fronteiras entre as esferas física, biológica e digital.

Existem três razões pelas quais as transformações de hoje não representam um mero prolongamento da Terceira Revolução Industrial, mas antes a chegada de uma Quarta Revolução bem diferente em aspectos como: velocidade, escopo (abrangência) e o impacto dos sistemas. A velocidade das inovações não tem precedentes. Quando comparada com as prévias revoluções industriais, a Quarta está evoluindo a passos exponenciais e não lineares. Além disso, ela está desestruturando praticamente cada campo de atividades em cada país. A amplitude e a profundidade destas mudanças prenunciam a transformação de sistemas inteiros de produção, gestão e governança.

As possibilidades sem precedentes de bilhões de pessoas conectadas por meio de dispositivos móveis, com capacidade de processamento, memória e acesso ao conhecimento, são ilimitadas. E estas possibilidades serão multiplicadas pelo surgimento de novas tecnologias em campos como o da inteligência artificial, da robótica, da “Internet das Coisas”, veículos autônomos, Impressão 3-D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia e computação em “quantum”.

A “Inteligência Artificial” (IA) já está entre nós, desde carros que se auto-dirigem e drones a assistentes virtuais, softwares de tradução e investimento. Progressos impressionantes tem sido feitos em IA nos anos recentes, conduzidos pelo crescimento exponencial em poder de processamento e pela disponibilidade de vastas quantidades de dados, de softwares usados para descobrir novas drogas a algoritmos usados para predizer nossos interesses culturais. Tecnologias de produção digitais, neste meio tempo, estão interagindo com o mundo biológico em base diária. Engenheiros, designers e arquitetos estão combinando desenho computadorizado, manufatura “aditiva” (3-D), engenharia de materiais e biologia sintética para “pioneirar” a simbiose entre microrganismos, nossos corpos, os produtos que consumimos e, mesmo, os edifícios que habitamos.

  • Desafios e Oportunidades

Assim como as revoluções que a precederam, a Quarta Revolução Industrial tem potencial para elevar o nível da renda global e melhorar a qualidade de vida para as populações ao redor do mundo. Até agora, aqueles que tem ganho mais dela tem sido consumidores capazes de pagar e acessar o mundo digital; a tecnologia tem tornado possível novos produtos e serviços que aumentam a eficiência e o prazer de nossas vidas pessoais. Chamar um carro, reservar um voo, comprar um produto, fazer um pagamento, ouvir música, assistir um filme ou jogar um jogo – cada uma destas coisas pode ser feita remotamente.

No futuro, as inovações tecnológicas vão também nos levar ao milagre da “economia de oferta”, com ganhos de longo prazo em eficiência e produtividade. O custo dos transportes e da comunicação vão cair, cadeias de suprimentos globais e a logística se tornarão mais efetivas, fazendo o custo dos negócios diminuir, tudo isto contribuindo para abrir novos mercados em estimular o crescimento econômico.

Ao mesmo tempo, como apontaram os economistas Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, a Revolução pode produzir mais diferenças, particularmente por seu potencial em desestruturar mercados de trabalho. Assim como a automação substitui trabalho ao longo de toda a economia, a dispensa líquida de trabalhadores substituídos por máquinas pode exacerbar o fosso entre o retorno do capital e do trabalho. Por outro lado, é possível que o deslocamento de trabalhadores pela tecnologia venha, no somatório, resultar em crescimento de empregos mais bem pagos e saudáveis.

Nós não podemos antever, neste ponto, qual o cenário mais provável que vai emergir e a história sugere que será alguma coisa entre os dois. Todavia, estou convencido de uma coisa: que no futuro, talento, mais que capital, representará o fator crítico da produção. Isto irá promover o crescimento de um mercado de trabalho cada vez mais segregado entre segmentos de “baixo preparo/baixos salários” e “bem preparado/altos salários”, o que, por sua vez, irá levar a um crescimento das tensões sociais.

Além de ser uma preocupação econômica, a desigualdade social representa uma preocupação associada com a Quarta Revolução Industrial. Os maiores beneficiários da inovação tendem a ser os fornecedores e o capital intelectual e físico – os inovadores, acionistas e investidores – aspecto que explica a crescente diferença de prosperidade entre aqueles detentores do capital e dos que dependem do trabalho. A tecnologia é, assim, uma das principais razões de porque a renda tem estagnado, ou mesmo decrescido, para a maioria das populações dos países de alta renda: a demanda por trabalhadores altamente preparados tem aumentado, enquanto a demanda por trabalhadores com menos educação e baixo preparo tem decrescido. O resultado é um mercado de trabalho com forte demanda pelos extremos de alto e baixo nível e formando um vazio no meio.

Isto ajuda a explicar porque tantos trabalhadores estão desiludidos e temerosos que sua renda real, e aquela de seus filhos, venha a continuar estagnada. Isto também explica porque a classes médias, ao redor do mundo, estão experimentando um pervasivo sentimento de insatisfação e de injustiça. Uma economia em que “o ganhador leva tudo” e que oferece limitado acesso à classe média, é uma receita para um abandono e um mal-estar democrático.

O descontentamento pode também ser alimentado pela penetração das tecnologias digitais e pela dinâmica do compartilhamento da informação tipificado pelas mídias sociais. Mais de 30 por cento da população global agora usa a mídia social como plataforma para conectarem-se, aprenderem e compartilharem informação. Em um mundo ideal, estas interações proporcionariam um oportunidade para o entendimento e a coesão entre culturas. Todavia, elas podem também criar e propagar expectativas irrealistas sobre o que constitui sucesso para uma pessoa ou grupo, assim como oferecer oportunidades para o espraiamento de ideias e ideologias extremadas.

  • O impacto nos negócios

Um tema subjacente de minhas conversações com os mais experientes executivos de negócios e CEOs globais é que o aceleramento da inovação e a velocidade da desestruturação (disruption), são difíceis de compreender ou antecipar e estes movimentos constituem uma fonte de constante surpresa, mesmo para os mais bem informados e conectados. De fato, passando por todos setores, existe clara evidência de que as tecnologias que respaldam a Quarta Revolução Industrial estão tendo um grande impacto nos negócios.

Do lado da oferta, muitas industrias estão vendo a introdução de novas tecnologias que criam maneiras inteiramente novas de atender necessidades de mercados existentes e que destroem a atual cadeia de valor de industrias inteiras. A desestruturação também aflui de competidores inovadores e ágeis que, graças ao acesso à plataformas para a pesquisa, desenvolvimento, marketing, vendas e distribuição, podem mais rapidamente do que nunca circunscrever empresas tradicionais bem estabelecidas, melhorando a qualidade, a velocidade ou preço, oferecendo melhor relação custo-benefício.

Grandes mudanças do lado da demanda também estão ocorrendo, à medida que maior transparência, engajamento dos consumidores e novos comportamentos de consumo (crescentemente desenvolvido por meio do acesso a redes móveis e informações) tem forçado empresas a adaptar-se a novas maneiras de desenhar, comercializar entregar produtos e serviços.

Uma nova tendência chave é o desenvolvimento de plataformas de tecnologias capacitadoras (Technology-enabled Platforms) que combinam tanto a demanda, como a oferta, para desestruturar estruturas de negócios, como podemos ver na economia do compartilhamento (colaborativa) e da economia “on demand” (sob encomenda). Estas plataformas tecnológicas, fáceis de usar por meio de smartphones, reúnem pessoas, recursos e informações – desta forma criando formas inteiramente novas de consumir bens e serviços no processo. Adicionalmente, baixam as barreiras de entrada para mais empresas e pessoas criarem riqueza, alterando o ambiente pessoal e profissional dos trabalhadores. Estas novas plataformas de negócio estão se multiplicando rapidamente em muitos novos serviços, indo de lavanderias a compras, de pequenas tarefas a estacionamentos, de massagens à viagens.

No conjunto, a Quarta Revolução Industrial produz quatro efeitos principais nos negócios: na expectativa dos consumidores, na melhoria dos produtos, na inovação colaborativa e no formato das organizações. Quer sejam consumidores ou empresas, clientes são cada vez mais o epicentro da economia, o que significa melhorar o modo como os clientes são atendidos. Produtos tangíveis e serviços, além disto, podem agora ser melhorados com funções digitais que aumentam seu valor. Novas tecnologias fazem os bens mais duráveis e resilientes, enquanto informações e análises estão transformando a forma como são mantidos. Um mundo de experiências de consumidores, dados de serviços e desempenho das estruturas, por meio de análises, neste meio tempo, requerem novas formas de colaboração, particularmente considerando a velocidade pela qual a inovação e a desestruturação vem ocorrendo. E a emergência de plataformas globais e outros modelos de negócios, finalmente, significam que talento, cultura e formas organizacionais precisarão ser repensadas.

No geral, a mudança inexorável da simples digitalização (a terceira Revolução Industrial) para a inovação baseada na combinação de tecnologias (a quarta Revolução Industrial) está forçando empresas a reexaminar a maneira como fazem negócios. O resultado final, entretanto, é o mesmo: líderes de negócios e executivos sênior precisam entender seu ambiente em mutação, questionar as certezas de suas equipes operacionais e continuamente, incansavelmente, inovar.

  • O Impacto nos Governos

À medida que os mundos físico, digital e biológico continuarem a convergir, novas tecnologias e plataformas irão crescentemente capacitar os cidadãos a engajarem-se com os governos, fazer ouvir sua voz, coordenar seus esforços e mesmo circunscreverem a supervisão das autoridades públicas. Simultaneamente, os governos ganharão novos meios tecnológicos para ampliar o controle sobre suas populações, baseados na supervisão pervasiva e na habilidade de controlar a infraestrutura digital. Na somatória, todavia, os governos irão sofrer crescente pressão para mudar sua atitude em relação à participação pública e à definição de políticas, à medida que diminui seu papel central como condutor das políticas públicas em razão das novas fontes de descentralização e distribuição de poder tornadas possíveis com as novas tecnologias e com as quais que terão que competir.

Em última análise, a capacidade dos sistemas de governo e das autoridade públicas em adaptar-se irá determinar sua sobrevivência. Se se provarem capazes de abraçar um mundo de mudanças disruptivas, submetendo suas estruturas aos níveis de transparência e eficiência que as capacitem a manter uma margem competitiva, elas permanecerão. Se não forem capazes de evoluir, elas enfrentarão problemas crescentes.

Isto será particularmente verdadeiro na questão da regulação. Os atuais Sistemas de políticas públicas e tomadas de decisão evoluíram durante a Segunda Revolução Industrial, um período durante o qual os tomadores de decisão tinham tempo para estudar as questões específicas e desenvolver o contexto apropriado para as respostas necessárias. Todo o processo foi desenvolvido para ser linear e mecanicista, seguindo uma abordagem de cima para baixo.

Mas esta abordagem não é mais viável. Dada a amplitude dos impactos e a velocidade das mudanças da Quarta Revolução Industrial, a maior parte dos legisladores e burocratas não conseguirão responder aos desafios sem precedentes que terão de enfrentar.

Como, então, eles poderão preservar o interesse da maioria dos consumidores e do público, enquanto continuam a apoiar o desenvolvimento tecnológico e a inovação? Adotando uma governança ágil, assim como o setor privado tem crescentemente adotado, ao dar respostas rápidas para o desenvolvimento de software e, de forma generalizada, para as operações de negócios. Isto significa que os reguladores devem adaptar-se continuamente a ambientes novos e em rápida mutação, reinventando a si próprios de maneira que possam, verdadeiramente, entender o que é que estão regulando. Para fazerem isto, os governos e as agências reguladoras vão precisar colaborar intimamente com as empresas e com a sociedade civil.

A Quarta Revolução Industrial também vai impactar profundamente a natureza da segurança nacional e internacional, afetando tanto a probabilidade como a natureza do conflito. A história das guerras e da segurança internacional é a história das inovações tecnológicas e hoje não será exceção. Conflitos modernos envolvendo nações estão crescentemente se tornando de natureza “híbrida”, combinando técnicas tradicionais dos campos de batalha com elementos previamente associados com atores não nacionais. A distinção entre guerra e paz, combatente e não combatente, e mesmo violência e não violência (pense em “guerra cibernética”), está se tornando cada vez mais difusa.

Assim que este processo se consolidar e nova tecnologias, tais como as armas autônomas e biológicas, se tornarem mais fáceis de usar, indivíduos e pequenos grupos vão crescentemente juntar-se a estados para se tornarem capazes de causar danos em massa. Esta nova vulnerabilidade vai conduzir a novos temores. Mas, ao mesmo tempo, avanços tecnológicos vão criar o potencial para reduzir a escala ou o impacto da violência, por meio de novos modos de proteção, por exemplo, ou maior precisão nos alvos.

  • O Impacto no povo

A Quarta Revolução Industrial, finalmente, irá mudar não só o que nós fazemos mas o que nós somos. Ele irá afetar nossa identidade e todos os aspectos a ela ligados: nosso senso de privacidade, nossa noção de propriedade, nossos padrões de consumo, o tempo que nós devotamos ao trabalho e ao lazer, como desenvolvemos nossas carreiras, cultivamos nossas habilidades, encontramos pessoas e cultivamos relacionamentos, Já está mudando nossa saúde e conduzindo a um autoconhecimento melhor “quantificado” e, mais cedo do que pensamos, pode conduzir a uma elevação humana. A lista não tem fim porque só é limitada por nossa imaginação.

Eu sou um grande entusiasta, e sou rápido na adoção de novas tecnologias, mas, as vezes, eu fico me perguntando se a inexorável integração da tecnologia em nossas vidas pode diminuir algumas de nossas capacidades humanas fundamentais, como a compaixão e a cooperação. Nosso relacionamento com nossos smartphones é um caso a considerar. Conexão constante pode nos privar de uma das coisas mais importantes da vida: o tempo para a pausa, para a reflexão e para conversas sem compromissos.

Um dos grandes desafios colocados pelas novas tecnologias de informação é a privacidade. Nós, instintivamente, entendemos porque é tão essencial, mas o rastreamento e o compartilhamento de informações a nosso respeito é uma parte crucial da nova conectividade. O debate a respeito de questões fundamentais, como em relação ao impacto sobre nossas vidas íntimas e sobre a perda de controle sobre nossos dados pessoais irá crescer de intensidade nos anos à frente. De forma similar, as revoluções que estão tendo lugar na biotecnologia e na “Inteligência Artificial”, e que estão redefinindo o que significa “ser humano” ao deslocar as fronteiras da expectativa de vida, saúde, conhecimento e capacidades, irão nos compelir a redefinir nossa moral e limites éticos.

Nem a tecnologia, nem desestruturação que vem com ela, é uma força exógena sobre a qual os humanos não tenham controle. Todos somos responsáveis por guiarmos sua evolução, nas decisões que tomamos diariamente como cidadãos, consumidores e investidores. Nós devemos, assim, agarrar a oportunidade e o poder que dispomos para dar forma à Quarta Revolução Industrial e dirigi-la no rumo de um futuro que reflita nossos valores e objetivos comuns.

Para fazer isto, contudo, precisamos desenvolver uma visão abrangente e globalmente compartilhada de como a tecnologia está afetando nossas vidas e remodelando nossa economia e os ambientes social, cultural e humano. Nunca houve um tempo mais promissor, nem um tempo com maior perigo potencial. Todavia, os tomadores de decisão contemporâneos estão muito frequentemente presos no pensamento linear, ou demasiadamente absorvidos pelas múltiplas crises que demandam sua atenção, para pensar estrategicamente sobre as forças da inovação, ou da desagregação, que estão moldando nosso futuro.

No final, tudo vai depender das pessoas e de seus valores. Nós precisamos dar forma a um futuro adequado para todos nós, colocando as pessoas primeiro e lhes dando poder. Em uma visão mais pessimista, ou desumanizada, a Quarta Revolução Industrial pode ter, de fato, potencial para “robotizar” a humanidade e, desta forma, nos despojar de nosso coração e de nossa alma. Mas como um complemento do que existe de melhor na natureza humana – criatividade, empatia e engenhosidade – ela pode também elevar a humanidade a uma nova consciência moral coletiva, baseada num senso de destino compartilhado. Cabe a todos nós fazer com que esta opção prevaleça.


Tradução: Celso Skrabe (Ceska)

Artigo de Klaus Schwab – Fundador e Diretor Executivo (Executive Chairman) do Forum Econômico Mundial.

Publicado originalmente na Revista Foreign Affairs de 12 de Dezembro de 201

 

Cadê o emprego que estava aqui?

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Cadê o emprego que estava aqui? – Apertem os cintos. O emprego sumiu.

Os empregos estão sumindo. Entrando pelo ralo. Desaparecendo.

A realidade está à vista e os números são conhecidos.

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que o desemprego ficou em 9% no trimestre encerrado em novembro de 2015. É um número preocupante, que não mostra quantos tiveram que descer um degrau em suas vidas, aceitando posições menos remuneradas ou mais precárias. Segundo dados divulgados sexta-feira, a taxa é a maior para o período desde 2012, início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

No trimestre anterior, de junho a agosto, o índice havia ficado em 8,7% e no trimestre de setembro a novembro de 2014, em 6,5%.

Entre os empregados, a indústria cortou 2,9% das vagas, a agricultura, 2,5% e o segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, 6,7%.

Houveram pequenas compensações, a construção cresceu 6,1%, os serviços domésticos, 4,7%, transporte, armazenagem e correio, 3% e na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, 2,3%.

E agora?

O emprego é o principal esteio de uma sociedade. Empregos significam renda e significam dignidade.

O Brasil está em meio a uma “decrisis”. Ou, como entendiam os gregos clássicos, uma crise de desagregação. Um tipo de crise em que o esgarçamento do tecido social e econômico vai se acentuando e, se não é revertido, cria um círculo vicioso que cai num redemoinho e vai aumentando de velocidade até chegar ao colapso. Finalmente se instala o caos, quando se dá o desarranjo completo do sistema. Neste estágio, tendem a surgir forças novas que redefinem o contexto e articulam um novo arranjo social e econômico.

A questão relevante é saber se estes empregos vão voltar no futuro.

A resposta mais provável é que grande parte deles está perdida para sempre. A razão é que as atividades do “job description” dos atuais empregos já terão desaparecido quando a crise for superada e o Brasil voltar a ter crescimento econômico. Algo distante e ainda impossível de prever com o atual governo e suas políticas autofágicas.

Para voltar a criar empregos em escala adequada para as necessidades brasileiras, o Brasil terá que mudar. O Brasil tem jeito, mas o jeito será digital. O Brasil terá que caminhar em direção ao mundo da Revolução Industrial 4.0 e, portanto, será digital. De modo que os empregos do futuro serão diferentes. Serão empregos digitais.

Segundo a pesquisa “O Futuro do Trabalho”, publicada durante o Fórum Econômico Mundial de 2016, realizado em Davos, na Suíça, os avanços tecnológicos, especialmente a automação dos processos industriais, devem cortar algo como sete milhões de empregos no mundo nos próximos cinco anos. O estudo diz, ainda, que está prevista a criação de algo como dois milhões de novos postos de trabalho no planeta, e ainda que estes novos postos de trabalho remunerem melhor, por exigirem melhor qualificação dos seus ocupantes, não compensam os postos perdidos, o que deixa um saldo negativo de 5 milhões de empregos a menos no mundo. O Brasil incluído.

O estudo, realizado em 15 países e que inclui o Brasil, envolve 65% da força mundial do trabalho.

Segundo o prefácio que inicia o estudo “O Futuro do Trabalho”, que tem a autoria do organizador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, e de Richard Samas, membro do seu Conselho Diretor, “Hoje, estamos no começo da Quarta Revolução Industrial. Os desenvolvimentos em genética, inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia, a impressão 3D, para citar apenas alguns, estão em curso e amplificando uns aos outros. Isto vai assentar as fundações para uma revolução mais completa e abrangente do que qualquer outra que já tivemos visto. Sistemas inteligentes em residências, fábricas, fazendas, regiões ou cidades vão ajudar a resolver problemas que vão da gestão das cadeias de suprimentos à mudanças climáticas. A ascensão da economia compartilhada vai permitir que as pessoas rentabilizem tudo, de suas casas desocupadas a seus carros.”

Segundo os autores, as novas tecnologias, que vem chegando de forma avassaladora, devem criar uma perturbação não somente para os atuais modelos de negócio, mas também para o mercado de trabalho e para os empregos já nos próximos cinco anos.

No centro deste ciclone destruidor de postos de trabalho está uma nova maneira de produzir, criar valor e distribuir bens e serviços.

O que podemos ter como certo é que o nosso planeta ganhou uma segunda atmosfera feita de informações digitais. Respiramos o oxigênio desta nova camada por meio da Web, da Conectividade, do Bigdata, da Internet das Coisas e de novas formas de lidar com a realidade. No mundo atual, quem não respira na nova atmosfera digital estará economicamente tão morto como quem não respira oxigênio na atmosfera gasosa que envolve o globo terrestre.

Os novos empregos, segundo o estudo, serão criados na Tecnologia de Informação e em Comunicações, seguido por Serviços Profissionais, Mídia e Entretenimento. Serão empregos de perfil tecnológico avançado. Tarefas típicas de manufatura, como operar prensas e apertar parafusos ficarão a cargo de robôs.

O problema é que um emprego só existe se ele estiver lastreado em geração de riqueza. Os novos “job descriptions”, que descrevem as tarefas, as funções, a finalidade, as responsabilidades, o alcance e as condições de atuação de uma posição de trabalho, e que incluem o rol dos conhecimentos, habilidades e competências requeridas para ocupar a posição, já vem com exigências que apenas profissionais bem preparados podem atender.

O exemplo transcrito abaixo é o “job description” para o cargo de chefe de projeto de nível intermediário para uma multinacional italiana da área de energia:

“O Chefe de Projeto, reportando-se ao Gerente de Departamento de Operações, será responsável pela gestão e coordenação dos projetos atribuídos à divisão de energia, terá a seu cargo a gestão da entrega ao cliente dos projetos contratados segundo o escopo, orçamento e tempo de execução, garantindo a satisfação do cliente.

O (a) ocupante da posição será responsável pelas seguintes atividades:

– Preparação do plano de execução do projeto para a realização de todas as atividades, garantindo o monitoramento o e o progresso das fases do projeto, de acordo com os requisitos e procedimentos operacionais da empresa cliente;

– Planejar, preparar, executar e finalizar o projeto de acordo com as demandas do cliente, segundo os termos contratados, dentro dos prazos e orçamento acordados, o que inclui trabalhar em coordenação com a equipe do projeto, bem como com quaisquer fornecedores ou consultores de terceiros envolvidos;

– Analisar o orçamento segundo as disposições contratuais (alocações de recursos, horários, ferramentas, materiais, etc.), exercer o acompanhamento dos custos estabelecidos no orçamento, identificar a necessidade e implementar ações corretivas em caso de atrasos ou custos adicionais, reportando-se ao Gerente de Operações;

– O Chefe de Projeto também é responsável por estabelecer, de forma clara, os objetivos do projeto, a sequencia de execução e fazer a gestão e o controle das restrições de custo, tempo, escopo e qualidade.

Qualificações e experiência requeridas:;

– Conhecimento de geradores, turbinas a gás e vapor, motores elétricos, caldeiras, geradores eólicos, Balance of Plants (BoP) e conhecimento de Usinas de Ciclo combinado;

– Capacidade para utilizar métodos e ferramentas para monitorar o andamento das obras;

– Confiável na realização dos objetivos atribuídos;

– Inglês fluente.

Qualificações pessoais:

– Formação em Engenharia (Preferentemente Engenharia Mecânica);

– Formação multicultural, vivência internacional e aberto a novas experiências;

– Excelente habilidade de comunicação, orientada para o cliente;

– Capacidade para identificar e se relacionar com as partes interessadas internas e externas;

– capacidade de organização, análise e resolução de problemas;

– Excelente conhecimento do MS Office; MS Project e autoCad

– Inovação e criatividade;

– Disponível para a mobilidade nacional e internacional.

E note que estes requisitos são necessários para uma posição intermediária e não para a Direção ou a Gerência Geral da empresa.

A maioria dos empregos criados na primeira e segunda revolução industrial estavam organizados pela lógica analógica. Eram empregos com tarefas repetitivas, especializadas, exercidas um tanto quanto nos moldes do filme “Tempos Modernos”. de Charlie Chaplin.

A lógica analógica é mão de obra intensiva. Existe desde os tempo bíblicos, com o mandamento de que “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto” (Gen 3,19). É a lógica do trabalho árduo, braçal, de suar a camisa, literalmente. Como não havia, nos templos bíblicos, a opção de “chamar as máquinas”, as atividades eram realizadas com ferramentas rústicas, de forma perseverante, ordenada, metódica, sistemática. Enfim, suand0 muit0 e produzindo pouco. O trabalho analógico é, por natureza, minucioso, de avanço lento, onde os erros são comuns.

Hoje a natureza do trabalho é outra. O trabalho é cérebro intensivo. O suor é do cérebro. O trabalho na Quarta Geração Industrial segue o lógica da Inteligência Artificial. Sob o comando do mundo digital paralelo, atua e produz resultados no mundo real, mas sob orientação e apoio do aparato virtual e da realidade criada no plano digital.

Para ser bem sucedido neste novo contexto, é preciso dominar as duas realidades que correm em paralelo. É preciso saber lidar com fatos reais e com o acompanhamento digital.

A retomada do crescimento virá com nova abertura ao mundo global. O Brasil não terá a opção de fechar-se sobre si mesmo e valer-se de estratégias que foram usadas no passado, como a substituição de importações. Não dispomos de meios para sustentar opções isolacionistas. E a chegada de mais empresas multinacionais significará mais exposição aos avanços de tecnologias e soluções da RI 4.0.

A conclusão é que os empregos futuros serão empregos para gente preparada para o futuro.

Os empregos que estavam aqui viraram fumaça. Fosse outro o governo, poderíamos ter feito uma transição controlada, garantindo os empregos de baixa qualificação por mais um tempo. Mas agora esta alternativa não existirá mais. Nossos postos de trabalho estão sangrando e estamos perdendo 10 mil empregos por dia. As empresas estão fechando postos de trabalho e desmontando sua infraestrutura. No dia em que voltarem, virão adaptadas às novas regras. E os novos empregos serão em menor número por valor agregado, mais exigentes sob o ponto de vista do conhecimento e mais concorridos e disputados.

Assim, para os interessados vale o aviso: Apertem os cintos. O emprego sumiu.

Ceska – O Diitaleiro


Quem quer emprego?

País rico é país com emprego
País rico é país com emprego
  • Como anda sua empregabilidade?

Empregos estão escassos como era escassa a água do Cantareira antes das chuvas do verão.

A Pnad Contínua mostrou que a população ocupada no Brasil registrou queda de 1,3% no trimestre até fevereiro sobre igual período de 2015, ou 1,172 milhão de pessoas a mais sem trabalho, o maior nível da pesquisa. O número de desempregados no trimestre móvel até fevereiro de 2016 atingiu o recorde de 10,371 milhões de pessoas, aumento de 13,8% sobre o trimestre até novembro. Na comparação com os três meses até fevereiro de 2015, houve salto de 40,1 por cento, ou quase 3 milhões de pessoas a mais procurando trabalho. É uma bomba relógio com tique-taque acelerado: o maior crescimento de desemprego já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012.

  • Mas, ainda assim, você quer um emprego, não é mesmo?

O primeiro conselho: persevere. O segundo: prepare-se. O terceiro: tome a iniciativa. O quarto: saia do lugar comum. Inove. O quinto: tenha uma atitude otimista e positiva.

Ainda que os empregos andem sumidos, o Brasil tinha 92,3 milhões de pessoas ocupadas no final de 2015. Traduzindo: a economia ainda tem muito emprego e pode ter um esperando por você. Mas, em tempos de recessão furiosa, conseguir um emprego é como uma corrida de obstáculos: você deve preparar-se para enfrentar mais competição e ter mais paciência. Perseverar deve ser, portanto, a primeira regra de quem que garimpar um emprego.

  • Só não deixe de preparar-se…

Não subestime a importância da preparação. Entrevistei milhares de candidatos em minha carreira e asseguro ser possível ver em segundos quem se preparou e quem vem para a entrevista sem um plano e sem noção.

É importante lembrar que o emprego é uma manifestação da atividade econômica. Buscar um emprego é uma atividade de venda do produto “você”. A qualidade de seu desempenho é fundamental para que o seu potencial empregador decida apostar em você. Lembre-se que estamos despencando em uma recessão de profundidade abissal, em um mergulho nunca antes visto neste país, e que ainda não chegou ao fundo do poço. Então seu possível empregador também sofre a angústia de conjeturar sobre o tamanho do buraco e sobre o desfecho da crise, algo que ninguém sabe qual será e nem quando vai chegar.

Depois, mesmo quando o país voltar ao normal, a economia vai ressurgir à meia-luz, bruxuleante: o país não vem investindo e nem está se preparando para uma retomada. Veja o que acontece nos Estados Unidos: depois de ter amargado 18 meses de recessão, entre dezembro de 2007 e junho de 2009, o país votou a crescer, mas mesmo agora, após sete anos, os salários não chegaram ao mesmo patamar de antes. Se isto acontece lá, imagine o que nos espera cá…

De toda forma, vamos ser otimistas: se você souber lidar com os efeitos da crise, além de perseverar, suas chances de empregabilidade crescem de maneira exponencial. Vamos dar uma olhada em algumas coisas que você pode fazer para melhorar suas chances de achar aquele emprego feito para você, ou encontrar algum que tenha escapado do cutelo da crise.

  • Entendendo o Contexto

Sabe aquela brincadeira das cadeiras em que, a cada volta, se tira uma cadeira e alguém fica de fora?

A crise é uma situação assim. Para sobreviver ou encontrar uma cadeira vaga é preciso ser mais ágil do que alguém outro e pensar na frente.

No mundo moderno os empregos existem quando a roda da economia gira para atender as demandas de produtos e serviços da sociedade. Uma economia que anda de marcha a ré é uma economia que reduz a produção e reduz as atividades. Resultado: funciona com menos gente operando máquinas, com menos gente prestando serviços, com menos gente ocupada. Analogamente ao que acontece com a queda da temperatura da atmosfera, que quando cai o ponto de orvalho as nuvens expelem a água que não conseguem mais reter, a economia mais fria expele os empregos ociosos e desemprega.

  • As estratégias para conseguir um emprego

De início, uma distinção a ser feita antes de sair à cata deste espécime raro é que existem duas classes de empregos: os das grandes organizações e os das pequenas empresas.

Minha sugestão é que você escolha antecipadamente qual o tipo de empresa você vai prospectar. A estratégia para cada grupo é diferente e, portanto, exige um preparo diferente. Também o tempo para conseguir um empregos nos dois grupos é diferente: as posições nas grandes empresas costumam exigir um ciclo bem mais longo até a contratação. Assim se o tempo é um fator, o melhor é focar em empresas médias e pequenas.

Os empregos oferecidos pela grandes organizações são os mais fáceis de encontrar, quando os há, claro. Na maioria delas é possível encontrar as vagas publicada no site corporativo. Se você prefere um emprego em uma destas, faça uma lista daquelas que são suas preferidas e relacione as que você acredita oferecerem mais chances. E fique de olho. Estabeleça uma curva ABC para sua monitoração. Dado que as chances são maiores em exportadoras e naquelas que tem produtos que substituam importados, este seria o grupo das empresas “A”, que seriam acompanhadas diariamente. Esta escolha se justifica na medida em que as exportadoras, agora favorecidas pelo dólar mais alto, tendem a ampliar suas exportações. Algo semelhante acontece com as fabricantes de produtos que substituem importados. Estas empresas ficam mais competitivas frente aos importados de custo mais alto, de maneira que ambos os grupos tendem a criar empregos mesmo na atual conjuntura.

Outra providência é estudar bem estas empresas que estão no seu foco. Evite a tentação de espalhar currículos à granel. Currículos genéricos costumam tomar seu tempo e desperdiçar seus esforços com baixo retorno. Em tempos de muito emprego, a estratégia de enviar currículos para todo mundo costuma ser eficaz para conseguir boas entrevistas. Em tempos bicudos, no entanto, é preferível uma estratégia de verticalização de seus esforços. É melhor centrar seus esforços em um grupo pequeno de empresas e estudá-las em maior profundidade para redigir e encaminhar currículos bem centrados no que possa interessar para aquela empresa especificamente. Carnegie, o magnata do aço nos Estados Unidos recomendaria: “a melhor estratégia deixou de ser não por todos os ovos num só cesto; no atual momento, é melhor por todos os ovos num só cesto…e vigiar o cesto!

Assim, recapitulando, depois de identificar a posição que lhe interessa, e para a qual você se sente preparado, o próximo passo é ficar de olho no site corporativo da empresa ou onde o RH da empresa costuma divulgar as oportunidades que surgem. Também vale manter contato com o RH da empresa para saber onde são divulgadas suas vagas. Fique atento, já que, nas grande corporações sempre aparecem oportunidades isoladas. Pessoas que saem, que se aposentam, que mudam de cargo ou posição. Embora o número de vagas possa ser limitado, elas existem. É verdade que, por serem mais visíveis, são mais disputadas do que as das pequenas empresas, mas, felizmente, conseguir a vaga não é loteria, é competência. Portanto, prepare-se.

  • Os empregos nas pequenas empresas

As pequenas e médias empresas são as maiores empregadoras no país. É verdade que um grande número delas está passado por dificuldades e milhares estão fechando as portas. Mais de cem mil lojas fecharam no Brasil ano passado. Mas a vida continua. Novos negócios nascem pelo efeito da “destruição criativa” de Schumpeter. Então, se você está buscando seu primeiro emprego, tem um currículo modesto ou pressa, vale a pena buscar um emprego em uma empresa .

Existentes em muito maior número, os empregos nas pequenas empresas tendem a ser menos atraentes à primeira vista, já que tendem a pagar menos, mas, na hora presente, podem ser uma tábua de salvação. Em compensação, são mais fáceis de obter e menos exigentes em seus requisitos iniciais.

  • Prepare-se para as oportunidades

Sêneca dizia que “sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”.

No tempo das vacas gordas, como aqueles em que o Brasil viveu até recentemente, haviam empregos em penca. Bastava um nível razoável de preparação para encontrar um lugar na engrenagem da economia. Como havia muita oferta de empregos, as empresas baixavam o nível das exigências.

As empresas empregam pessoas porque dependem delas para realizar sua missão corporativa, produzindo e colocando no mercado seus produtos e serviços.

Em uma empresa existem as atividades fim, que são as diretamente ligadas ao negócio da empresa, e as atividades meio, que são as atividades auxiliares. Em um hospital, por exemplo, uma enfermeira que atende os pacientes exerce uma atividade fim, enquanto o chefe do departamento de pessoal exerce uma atividade meio.

Cada emprego é como uma engrenagem que atua no mecanismo da empresa. Assim, cada emprego tem um “job description”, que vem a ser uma lista das tarefas e deveres, do objetivo da atividade, das responsabilidades e das condições gerais do trabalho. Do ponto de vista da operação da empresa, cada pessoa empregada tem um custo na forma do salário, encargos, benefícios sociais e, ainda, custos indiretos, como o impacto sobre o custo da luz, do consumo de água, do ar condicionado e outros.

Em princípio, a contrapartida destes custos é o quanto cada empregado contribui com sua atividade para se pagar. Mas a equação é muito mais complexa. Uma empresa sempre vai levar em conta, também, o potencial combinado das competências do empregado. Um técnico que saiba escrever um e-mail vale mais do que um que não saiba. Portanto, esqueça o superado conceito da “mais valia” marxista. Na versão original, a “mais valia” seria o valor do trabalho a mais que o operário realizava após se pagar e que formaria o “lucro do patrão”. A coisa já não era tão simples nos tempos de Marx, embora pusesse fazer algum sentido nas velhas linhas de montagem, mas hoje é uma bobagem completa. Basta perguntar qual a “mais valia” de um robô?

De modo que o que importa saber é que, hoje, qualquer empresa contabilmente organizada sabe quais são os empregados mais valiosos, e qual o “valor” da contribuição de cada um, tanto para a formação da receita como em relação a seu potencial. Isto significa que a tarefa de escolher quem deve ficar e quem deve sair, por ocasião de um corte, é uma equação processada pelo computador com base em um perfil pessoal de idade, escolaridade, desempenho e competências, associada a avaliações, ao histórico, etc. Os critérios de cada empresa costumam ser guardados a sete chaves para evitar questionamentos, mas uma empresa de primeira linha não dispensa ou demite de forma linear, salvo em caso de absoluta necessidade. Recrutar gente boa é difícil e treinar custa caro.

É verdade, em uma situação de crise como a que atravessamos, um grande número de empresas entra em um processo de hibernação, como os ursos. Reduz seu metabolismo e sua atividade ao mínimo para sobreviver durante o “inverno”, mas, ainda assim, procura conservar seus talentos da melhor maneira possível para quando a primavera voltar.

  • Mas o que isto tem a ver com a busca de um emprego?

Criar emprego é sempre uma aposta de uma empresa visando gerar valor e obter lucro. Afinal, ao contratar alguém a empresa assume um risco calculado: se compromete com uma despesa na expectativa de obter uma receita maior do que os custos e, na sequencia, obter um lucro. Sem ter uma possibilidade concreta de fazer girar esta ciclo completo, ninguém contrata.

Quando a empresa vem obtendo resultados positivos e tem um fluxo de negócios estável e constante tende a ser menos exigente. Mas em épocas de crise, as empresas se dispõe a arriscar menos. Assim, a precaução que as empresas tem em relação ao perfil dos empregados que dispensam aparecem em dobro como cuidado nas eventuais contratações em tempos conturbados. O que não quer dizer que cessem de contratar: cortar empregos produtivos é uma coisa. Abrir mão do futuro da empresa é outra.

Se você deseja encontrar uma vaga em período de crise, deve posicionar-se como alguém que pode contribuir para fazer o futuro de uma empresa, e não apenas para produzir em períodos normais.

As empresas bem posicionadas e organizadas tendem a reduzir suas atividades produtivas para compatibilizar suas operações com a demanda, mas não abandonam seus mercados. As melhores vêm as crises como oportunidades. Enquanto os concorrentes se retraem, as mais inteligentes se lançam para ocupar espaços. Agora mesmo vemos o exemplo da Ultrafarma, que não só lançou sua nova linha de complementos e vitaminas como está anunciando maciçamente, com um custo do espaço publicitário negociado a valores irrisórios dado o momento da economia.

Buscar um emprego em época de crise significa que a estratégia deve ser abordada como uma oportunidade de contribuir com uma empresa e fazer bem feita a sua parte. Independentemente de sua posição, você deve ser um membro da equipe e ajudar a empresa a ser melhor e a encontrar novos caminhos. Ser mais do mesmo não ajuda na medida em que “o mesmo” já deixou de ser o mesmo…

  • Dez coisas que você deve fazer para melhorar sua empregabilidade:

1 – Capriche no Currículo

Seu currículo é a peça mais importante para começar a busca de um emprego. Por isso deve receber a máxima atenção. Deve ser impecável, tanto em conteúdo como em sua apresentação. Muitos recrutadores simplesmente aceitam ou eliminam currículos baseados em sua apresentação.

Outra coisa, prepare seu currículo sob medida para o cargo e a empresa que você tem em vista.

Se você tem um currículo apenas passável, procure enriquecer seu currículo adquirindo habilidades que podem fazê-lo diferente e especial. Independentemente de seu nível de escolaridade e experiência, a competição pelas vagas existentes faz qualquer oportunidade anunciada ser um imã que atrai centenas e até milhares de currículos. Portanto a seleção muitas vezes se dá em volta de detalhes. No curto prazo é difícil agregar cursos de graduação ou pós graduação, mas sempre é possível ganhar conhecimento de línguas, usar planilhas ou dominar as mídias sociais. E tudo isto pode ser feito pela internet a custo zero. Mas atenção: escolha apenas uma ou duas destas disciplinas e procure aprofundar-se. Ficar na superficialidade de muitos temas acaba não ajudando muito.

2 – Prepare-se para a entrevista.

Redija uma apresentação pessoal objetiva, com um histórico de sua vida, sua escolaridade, suas conquistas e realizações. Decore e repita a lista até que ela se impregne em seu inconsciente. Este relato poderá ser sua tábua de salvação em entrevistas mais complexas.

3 – Simule a entrevista e treine seu papel

Treine entrevistas fazendo uma simulação ou teatro com uma pessoa de seu relacionamento. A simulação ajuda sua mente a acostumar-se com o “papel” que você vai desempenhar frente ao seu entrevistador. A propósito, seu entrevistador também estará desempenhando um “papel”.

4 – Tenha as respostas na ponta da língua

Estude respostas para as perguntas mais prováveis. Por exemplo:

  1. Descreva quem é você
  2. Porque devemos empregar você?
  3. Quais são seus pontos fortes?
  4. Quais são suas fraquezas?
  5. Você é responsável?
  6. Porque você quer trabalhar para nossa empresa?
  7. Porque você saiu de seu ultimo emprego?
  8. Porque existe este intervalo entre a saída do emprego “x” e a entrada no emprego “y”?
  9. Você concorda em viajar?
  10. Você teria disposição para mudar de cidade?
  11. Fale sobre sua formação escolar
  12. Como você soube desta vaga?
  13. O que o motiva?
  14. O que você espera para o futuro?
  15. O que você espera conseguir nos primeiros 30/60/90 dias no emprego?
  16. Você aceita trabalhar em fins de semana e feriados?
  17. Você é um líder ou seguidor?
  18. Qual o último livro que você leu?
  19. Quais são seus hobbies?
  20. Qual seu site favorito?

5 – O Networking não é tudo, mas é 100%

Organize o seu “networking”. Liste seus familiares, amigos e pessoas de seu relacionamento que possam saber de oportunidades. Faça um contato via mídia social, e-mail ou telefone falando de sua busca por uma posição.

6 – As mídias sociais são sua janela para o mundo

Crie sua página em mídias sociais. Use o LinkedIn, que é uma ferramenta poderosa para gerar bons contatos. Mas seja criterioso sobre o conteúdo. Escolha uma foto que seja atraente. É bem provável que seu potencial empregador dê uma passada por elas. E lembre-se que tudo o que você faz online deixa rastro.

7 – Circule

Frequente eventos, especialmente feiras, mas também reuniões sociais e outras em que você possa encontrar pessoas. Não esqueça de levar seus cartões de visitas. Faça cartões com seu nome em tipos de bom tamanho e com o telefone bem visível, de modo que possam ser lidos sem óculos. Se eles puderem indicar seus interesses ou afiliações, melhor.

8 – Dê uma chance para a sorte: cadastre-se nas agências de emprego

Faça seu cadastro em agências de emprego. Cadastre-se nos sites e em bancos de empregos. Se você busca posições de gerência ou diretoria, contate Headhunters. Selecione bem, mas não vá a mais de quatro ou cinco, para evitar que sua ficha seja enviada por mais de um deles para cada empregador.

9 – Faça seu dever de casa

Sempre que tiver uma entrevista agendada procure saber tudo sobre a empresa e seus concorrentes. (Se a entrevista for marcada por uma agência ou headhunter e este não quiser dizer qual a empresa, tente saber ao menos qual seu campo de atividades.)

10 – Cause boa impressão

Você já deve ter ouvido dizer que não dá para recriar uma primeira boa impressão. Compareça para a entrevista na hora combinada, ou melhor, cinco minutos antes. Vá de banho tomado. Se for homem, vá com a barba feita ou aparada. Vista-se de fora adequada. Para posições de gerência ou direção, vá com terno e gravata. Para mulheres, o traje deve ser discreto, maquiagem leve e cabelos presos. Chegue ao local ao menos meia hora antes, para se acostumar com o entorno e não correr o risco de chegar atrasado, esbaforido ou suado, porém aguarde para se apresentar no máximo dez minutos antes do horário. Se precisar esperar, tenha paciência e encare com bom humor. Muitas vezes a espera já faz parte do teste…

Boa Sorte.

Ceska – O digitaleiro


Dez razões para acreditar que a Dilma cai logo

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Chega de sofrer. Aqui estão 10 razões que indicam que o impeachment vem logo.

O arte de prever o futuro é sempre incerta. Tanto que a previsão que mais acerta parece ser aquela que prevê que as previsões do futuro se mostrarão erradas. Ainda assim, a melhor maneira de prever o futuro é examinar os fatos e analisar as tendências.

Os médicos falam em “prognóstico” para definir a evolução e o eventual termo de uma doença ou quadro clínico.

Para definir um prognóstico, os médicos fazem o diagnóstico do estado do paciente, de suas condições gerais e levam em conta o desfecho de casos semelhantes.

No caso dos males que afligem o Brasil, que além do zika tem a Dilma, podemos adaptar o slogan do governo: tira a Dilma que a zika acaba.

Eis dez razões que sugerem sua queda iminente:

  1. Dilma é a enxaqueca do país. A crise profunda em que o país está mergulhado afeta todos os setores e vem atingindo a todos, indistintamente. E existe consenso sobre a causa maior, a incompetência da presidente Dilma. Dilma se tornou a enxaqueca do país. E ninguém aguenta mais suportar esta enxaqueca. Só em imaginar mais três anos com a cabeça latejando vem levando os brasileiros ao desespero. Portanto, a primeira causa para o impeachment é o desejo unanime da sociedade de livrar-se de uma enxaqueca alucinante que só irá embora quando for eliminada sua causa.
  2. Economia em marcha a ré. Dilma é uma “barbeira” na condução da economia. Nunca antes, neste malfadado país, a economia andou para trás tão rápido. Hoje, dia 07 de março, o site G1, da Globo, informou que o mercado prevê mais inflação em 2016 e ‘encolhimento’ de 3,5% para o PIB. A expectativa de inflação para este ano subiu de 7,57% para 7,59%. Já para o PIB, a previsão de contração passou de menos 3,45% para menos 3,50%. Francamente, os números são “golpistas”. Deve ser coisa de algum tinhoso tucano. Estas estimativas foram divulgadas pelo Banco Central, por meio do relatório de mercado, também conhecido como “FOCUS”. O levantamento ouviu mais de 100 instituições financeiras. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB brasileiro teve um tombo de 3,8% em 2015 – o maior em 25 anos. Se a previsão de um novo “encolhimento” se confirmar em 2016, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.
  3. O fim da era do PT e do lulopetismo deixa Dilma no sereno. O PT acabou. Só um grupo velho e ranzinza ainda acredita que o partido possa voltar como a Phoenix. Mas as chances são de que se esvaia como zumbi trôpego. No início da era lulopetista, o partido tinia de novo. Havia entusiasmo, sonhos e esperanças, ainda que soltas no ar. Para um liberal, como eu, os petistas viviam a ilusão do almoço grátis e apostavam num milagre de Santo Expedito, o santo das causas impossíveis. Mas. diante de uma oposição meia-boca, suas juras de honestidade e suas generosas promessas de abrir as portas da prosperidade para os milhões de brasileiros deserdados formaram o caldo do discurso da esperança que vencia o medo. Num primeiro momento, parecia que iria dar certo. Lula teve o bom senso de manter a política econômica herdada de Fernando Henrique e, com dinheiro jorrando de um mundo demandando as comodities brasileiras, foi possível ao PT se apossar de programas sociais criados FHC, como o bolsa escola, e alargar o caminho das políticas sociais. Gastando sem controle, contando com um marketing competente e um líder carismático bom de discurso, o lulopetismo criou um sólido suporte junto às classes C, D e E. Classes que, de repente, viam suas vidas melhorarem. E foi aí, com a ambição do poder eterno, que o lulopetismo resolveu vender a alma ao diabo. O plano de perpetuar-se no poder dependia de acertar o esquema com os “russos”. E estes, os políticos da tal “base partidária”, topavam, mas queriam rios de dinheiro. Para gente inescrupulosa como José Dirceu, Lula e sua troupe de salteadores, a solução parecia óbvia: dinheiro o país tinha. A Petrobrás era um Amazonas de dinheiro. Na estatal havia dinheiro saindo pelo ladrão. Era só montar um propinoduto e canalizar bilhões para as contas dos novos aliados da base para assegurar que o poder estaria “dominado” até o fim dos tempos. Deu tudo errado. Como sabemos, o esquema começou a fazer água. E bota água nisso. Com revelações de corrupção pipocando de todo lado, o PT começou a ser desfalcado de seus principais “operadores”. José Dirceu e outros da gang começaram a ser presos e a desfalcar a gestão. E aí veio a lava-jato. A ética do sul, de origem europeia, aflorou por meio de uma Polícia Federal, um Ministério Público e um Judiciário que acreditam no império da lei e são avessos às acomodações de matriz patrimonialista dos tempos coloniais. Em meio à esbórnia, a Petrobrás bateu num Moro. Degringolando e com as entranhas da patifaria à mostra, os ratos começaram pular fora. Com o propinoduto cortado e com o risco da cadeia à vista, a base aliada vem se esfacelando. O clima, agora, o do salve-se quem puder. Desmoralizado, sem povo e sem voto, o ciclo do PT chega ao fim.
  4. Navegar é preciso. Mas prolongar a agonia não é preciso. O modelo presidencialista dá poder demais ao presidente e o voto proporcional distancia o povo de seus “representantes”. O modelo foi criado para ser uma usina de corrupção e não se mostra mais funcional. O impeachment de Dilma é uma oportunidade para um novo recomeço. Quem sabe agora, com o povo cansado de ser trouxa, possamos ir no rumo do regime dos estados mais avançados e adotar o parlamentarismo com voto distrital.
  5. Crise de março. A história brasileira mostra que as grandes crises acontecem em Março ou Agosto. Como tudo no Brasil, o mundo da política volta de férias depois do carnaval. Os políticos delineiam suas decisões baseados no feedback que recebem de suas bases e, quando voltam, começam a articular-se conforme o sentimento de seus eleitores. Em um ano eleitoral, a urgência e a pressão são maiores. O futuro dos políticos é decidido nas eleições. Nas disputas municipais os políticos precisam formar suas bases locais. Delas é que devem vir o apoio e os votos para as eleições nacionais. Esse ano, para azar da Dilma, o carnaval foi no começo de fevereiro, em ano bissexto. Não só março começou mais cedo como ficou maior. O processo de deterioração vai ter mais tempo para mostrar seus efeitos. Aí vem a manifestação geral contra o impeachment, dia 13. E novos desdobramentos no Lava Jato vão ampliar o buraco em que se enfiou o governo.
  6. Olimpíadas da Zika. As Olimpíadas se aproximam e o país vai sentir a necessidade de se apresentar em ordem perante o mundo. Marcar a copa e as Olimpíadas foi de uma temeridade que só a inconsequência lulopetista poderia justificar. Mas como o evento está às portas, é preciso um mínimo de bom senso. Chegar com uma presidente em processo de impeachment, com a corrupção fazendo escândalos diários, com o país encurralado por um mosquito e outras coisas mais, realmente é dose.
  7. Que enfiem no c#.” As ameaças de exacerbação da ordem por parte dos lulopetistas vem deixando claro que o país se encaminha para o confronto, a confusão e o caos. O quadro político pode se deteriorar de forma a escapar do controle e os políticos podem ser levados de roldão. Lula não deixa barato: “Que enfiem no c… todo o processo!”, foi o que disse Lula a Dilma em vídeo feito por sua aliada Jandira Feghali e gravado na sede do PT após a condição coercitiva do ex-presidente e postado no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=HcIjceETqiU) Diante destes fatos, os políticos vão por as barbas de molho e preferir perder os anéis para salvar os dedos.
  8. Dilma está pendurada no pincel. Até o empresariado e os banqueiros, forças que vinham tentando segurar a escada de Dilma, já estão desistindo. A tese era “ruim com ela, pior sem ela”. Agora, concluem que não adianta querer ajudar quem não que ser ajudada. A combinação de arrogância, ignorância e incompetência tem um poder destrutivo ilimitado e pode levar o país a um retrocesso desastroso.
  9. As ruas estão falando. Os panelaços estão cada vez mais estridentes. É melhor ouvir.
  10. O Impeachment é legal. Os embasamentos legais apresentados no processo de impeachment, por parte dos juristas Miguel Reale Junior, Hélio Bicudo e Janaína Conceição Paschoal, adicionados à delação premiada do Senador Delcídio do Amaral, são inescapáveis.

Por tudo isto, prever que a Dilma cai logo é como prever vitória do Corinthians. Você pode errar em um ou outro jogo, mas no final, vais acertar mais do que errar.

Ceska – O digitaleiro


 

Tabela de empregos futuros nos Estados Unidos

Doctors in a research station with digital screens and keyboard
Os bons empregos do futuro serão digitais (imagem dollarphoto)

Tabela de empregos atuais (2014) e projetados para até 2024 nos Estados Unidos

(Bureau of Labor Statistics – United States Department of Labor)

Importante – A versão para o português é de autoria do blogueiro. Os títulos são tão aproximados quanto possível. Os interessados em consultar as tabelas originais podem acessar através do link http://www.bls.gov/emp/ep_table_102.htm

Tabela 1.2 Empregos por tipo de atividade, números de 2014 projetados para 2024
(Números em milhares – acrescer três zeros)
2014 Matriz nacional de empregos com título e código Empregos Variação no período Vagas abertas pelo crescimento e reposição entre 2014-24
Número de empregos % do total
2014 2024 2014 2024 Número %
Total dos empregos 00-0000 150.539,9 160.328,8 100,0 100,0 9.788,9 6,5 46.506,9
Cargos de Direção e gerência 11-0000 9.157,5 9.662,9 6,1 6,0 505,4 5,5 2.586,8
Altos dirigentes 11-1000 2.525,9 2.672,5 1,7 1,7 146,6 5,8 760,0
Altos executivos 11-1011 343,4 339,4 0,2 0,2 -4,1 -1,2 58,4
Gerentes e gestores operacionais 11-1021 2.124,1 2.275,2 1,4 1,4 151,1 7,1 688,8
Legisladores (senadores, deputados, vereadores) 11-1031 58,3 57,9 0,0 0,0 -0,4 -0,7 12,9
Propaganda, marketing, promoção, relações públicas e gerentes de venda 11-2000 667,3 710,7 0,4 0,4 43,4 6,5 210,7
Gerentes de propaganda, merchandising e de promoção 11-2011 31,0 32,4 0,0 0,0 1,5 4,7 11,4
Gerentes de marketing e vendas 11-2020 570,6 607,8 0,4 0,4 37,3 6,5 172,2
Gerentes de marketing 11-2021 194,3 212,5 0,1 0,1 18,2 9,4 64,2
Gerentes de vendas 11-2022 376,3 395,3 0,2 0,2 19,0 5,1 108,0
Gerentes de relações públicas e gerentes de captação de doações 11-2031 65,8 70,5 0,0 0,0 4,7 7,1 27,1
Gerentes especializados e de operações especiais 11-3000 1.721,9 1.847,7 1,1 1,2 125,9 7,3 499,9
Gerentes de serviços administrativos 11-3011 287,3 310,8 0,2 0,2 23,5 8,2 77,2
Gerentes de computação e de sistemas de informação (TI) 11-3021 348,5 402,2 0,2 0,3 53,7 15,4 94,8
Gerentes financeiros 11-3031 555,9 593,5 0,4 0,4 37,7 6,8 169,3
Gerentes de produção 11-3051 173,4 167,0 0,1 0,1 -6,3 -3,7 49,1
Gerentes de compras 11-3061 73,0 73,7 0,0 0,0 0,7 1,0 17,9
Gerentes de logística, transportes, distribuição e armazenagem 11-3071 111,6 114,1 0,1 0,1 2,5 2,2 27,1
Gerentes de benefícios, compensações e gratificações 11-3111 16,9 18,0 0,0 0,0 1,1 6,5 6,0
Gerentes de recursos humanos 11-3121 122,5 133,3 0,1 0,1 10,8 8,8 46,6
Gerentes de treinamento e desenvolvimento 11-3131 32,9 35,2 0,0 0,0 2,3 7,0 11,9
Outros cargos gerenciais 11-9000 4.242,5 4.431,9 2,8 2,8 189,5 4,5 1.116,2
Gerentes agrícolas, de agronegócio e administradores de fazendas 11-9013 929,8 911,7 0,6 0,6 -18,1 -1,9 158,4
Gerentes de construção 11-9021 373,2 391,1 0,2 0,2 17,8 4,8 70,1
Gestores em educação 11-9030 516,9 551,8 0,3 0,3 34,9 6,8 185,2
Gestores de creches, pré-escola e centros infantis 11-9031 64,0 68,2 0,0 0,0 4,2 6,6 22,9
Gestores escolares 11-9032 240,0 254,0 0,2 0,2 14,0 5,8 83,8
Gestores educacionais 11-9033 175,1 190,3 0,1 0,1 15,2 8,7 66,1
Gestores em areas ligadas à formação 11-9039 37,8 39,3 0,0 0,0 1,5 4,0 12,5
Gerentes em arquitetura e engenharia 11-9041 182,1 185,8 0,1 0,1 3,7 2,0 59,5
Gerentes de serviços de alimentação 11-9051 305,0 320,7 0,2 0,2 15,7 5,1 77,1
Gerentes de serviços funerários 11-9061 29,3 30,3 0,0 0,0 1,0 3,3 7,4
Gerentes de cassinos 11-9071 3,8 3,8 0,0 0,0 0,0 -0,6 0,8
Gerentes de hotelaria 11-9081 48,4 52,1 0,0 0,0 3,7 7,6 13,0
Gerentes de serviços médicos e de saúde 11-9111 333,0 389,3 0,2 0,2 56,3 16,9 140,5
Gerentes científicos e de pesquisa 11-9121 55,1 56,9 0,0 0,0 1,8 3,3 13,3
Gerentes de correios 11-9131 17,3 12,8 0,0 0,0 -4,6 -26,2 3,8
Gerentes de imobiliárias e administração predial 11-9141 313,8 339,1 0,2 0,2 25,3 8,1 79,9
Gerentes de serviços sociais e comunitários 11-9151 138,5 151,7 0,1 0,1 13,2 9,5 49,8
Gerentes de Operações de Emergência 11-9161 10,5 11,2 0,0 0,0 0,7 6,2 1,9
Outras funções gerenciais 11-9199 985,6 1.023,6 0,7 0,6 38,0 3,9 255,4
Cargos nas áreas financeiras e de negócios 13-0000 7.565,3 8.197,8 5,0 5,1 632,4 8,4 2.191,7
Especialista em compras e agenciamentos 13-1000 4.708,8 5.054,2 3,1 3,2 345,5 7,3 1.204,5
Agentes de artistas, atores e atletas 13-1011 19,7 20,2 0,0 0,0 0,5 2,5 6,8
Compradores, corretores e encarregados de compras 13-1020 443,2 450,3 0,3 0,3 7,2 1,6 135,1
Compradores e corretores de produtos agrícolas 13-1021 12,9 13,5 0,0 0,0 0,6 4,6 3,3
Compradores de atacado e varejo (exceto produtos agrícolas) 13-1022 129,5 137,5 0,1 0,1 8,1 6,2 49,1
Outros compradores 13-1023 300,8 299,3 0,2 0,2 -1,5 -0,5 82,7
Peritos avaliadores, inspetores de riscos e de seguros 13-1030 315,3 324,9 0,2 0,2 9,6 3,1 87,9
Peritos avaliadores 13-1031 299,7 309,5 0,2 0,2 9,8 3,3 84,0
Avaliadores e peritos de seguros e sinistros 13-1032 15,5 15,4 0,0 0,0 -0,2 -1,2 3,8
Peritagem e laudos periciais 13-1041 260,3 269,0 0,2 0,2 8,7 3,3 45,3
Estimadores de custos e formação de preços 13-1051 213,5 232,3 0,1 0,1 18,7 8,8 79,5
Profissionais de Recursos Humanos 13-1070 564,1 579,6 0,4 0,4 15,6 2,8 159,3
Especialistas em recursos humanos 13-1071 482,0 503,9 0,3 0,3 22,0 4,6 139,3
Recrutador de mão de obra 13-1074 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0 -8,9 0,0
Especialista em relações trabalhistas 13-1075 82,1 75,6 0,1 0,0 -6,4 -7,8 20,0
Profissionais de logística 13-1081 130,4 132,9 0,1 0,1 2,5 1,9 20,6
Analistas de gestão 13-1111 758,0 861,4 0,5 0,5 103,4 13,6 208,5
Organizadores de eventos corporativos, convenções, etc. 13-1121 100,0 109,9 0,1 0,1 9,9 9,9 21,8
Captadores de patrocínios, doações e recursos 13-1131 73,4 80,3 0,0 0,1 6,9 9,3 17,1
Analistas de cargos e salários 13-1141 84,7 88,1 0,1 0,1 3,4 4,0 24,0
Especialistas em treinamento e desenvolvimento 13-1151 252,6 271,5 0,2 0,2 18,9 7,5 80,4
Analistas de marketing e especialistas em pesquisas de mercado 13-1161 495,5 587,8 0,3 0,4 92,3 18,6 151,4
Outros especialistas em análises de mercado e consumo 13-1199 998,0 1.046,0 0,7 0,7 48,0 4,8 166,9
Especialistas Financeiros 13-2000 2.856,6 3.143,5 1,9 2,0 287,0 10,0 987,2
Contadores e auditores 13-2011 1.332,7 1.475,1 0,9 0,9 142,4 10,7 498,0
Avaliadores e consultores imobiliários 13-2021 85,8 92,5 0,1 0,1 6,8 7,9 20,5
Analistas de orçamento (budget) 13-2031 60,8 62,3 0,0 0,0 1,5 2,5 16,7
Analistas de crédito 13-2041 69,4 73,6 0,0 0,0 4,2 6,1 34,3
Analistas e assessores financeiros 13-2050 630,4 724,8 0,4 0,5 94,5 15,0 245,4
Analistas financeiros 13-2051 277,6 310,0 0,2 0,2 32,3 11,7 89,4
Consultores de investimento 13-2052 249,4 323,2 0,2 0,2 73,9 29,6 136,4
Corretores de seguros 13-2053 103,4 91,6 0,1 0,1 -11,7 -11,4 19,5
Auditores Financeiros 13-2061 38,2 42,0 0,0 0,0 3,7 9,7 13,1
Consultores e analistas de Credito 13-2070 335,8 365,3 0,2 0,2 29,6 8,8 85,4
Analistas de crédito 13-2071 32,6 37,6 0,0 0,0 5,0 15,5 10,5
Gerentes de conta 13-2072 303,2 327,7 0,2 0,2 24,5 8,1 75,0
Consultores e revisores de impostos e taxas 13-2080 158,4 155,6 0,1 0,1 -2,8 -1,7 51,9
Revisores e especialistas de impostos e taxas 13-2081 67,9 63,7 0,0 0,0 -4,2 -6,2 27,8
Especiaistas e despachantes de dcumentação tributária 13-2082 90,4 91,8 0,1 0,1 1,4 1,6 24,1
Outros especialistas financeiros 13-2099 145,2 152,3 0,1 0,1 7,1 4,9 21,9
Funções em matemática e Computação 15-0000 4.068,3 4.599,7 2,7 2,9 531,4 13,1 1.156,8
Cargos em computação 15-1100 3.916,1 4.404,6 2,6 2,7 488,5 12,5 1.083,8
Pesquisadores em computação e informação 15-1111 25,6 28,3 0,0 0,0 2,7 10,7 6,0
Analistas em computação e informação 15-1120 650,7 784,1 0,4 0,5 133,4 20,5 217,1
Analistas de sistemas 15-1121 567,8 686,3 0,4 0,4 118,6 20,9 191,6
Analistas de segurança de informação 15-1122 82,9 97,7 0,1 0,1 14,8 17,9 25,5
Desenvolvedores de software e programas 15-1130 1.591,1 1.790,8 1,1 1,1 199,7 12,5 485,4
Programadores de computador 15-1131 328,6 302,2 0,2 0,2 -26,5 -8,0 81,0
Desenvolvedores de Software e aplicações 15-1132 718,4 853,7 0,5 0,5 135,3 18,8 238,0
Desenvolvedores de sistemas 15-1133 395,6 447,0 0,3 0,3 51,3 13,0 107,9
Desenvolvedores de websites (webmasters) 15-1134 148,5 188,0 0,1 0,1 39,5 26,6 58,6
Administradores de banco de dados e sistemas 15-1140 648,8 705,0 0,4 0,4 56,2 8,7 150,1
Administrador de banco de dados 15-1141 120,0 133,4 0,1 0,1 13,4 11,1 39,2
Engenheiro de sistemas 15-1142 382,6 412,8 0,3 0,3 30,2 7,9 79,4
Chefe de programação de sistemas 15-1143 146,2 158,9 0,1 0,1 12,7 8,7 31,5
Especialistas em suporte a computadores 15-1150 766,9 855,7 0,5 0,5 88,8 11,6 187,4
Gerente de suporte técnico 15-1151 585,9 661,0 0,4 0,4 75,1 12,8 150,5
Chefe de suporte técnico 15-1152 181,0 194,6 0,1 0,1 13,6 7,5 36,9
Outras ocupações da área de computação 15-1199 233,0 240,8 0,2 0,2 7,7 3,3 37,7
Ocupações da área da matemática 15-2000 152,2 195,1 0,1 0,1 42,9 28,2 73,0
Atuários 15-2011 24,6 29,0 0,0 0,0 4,4 18,1 11,7
Matemáticos 15-2021 3,5 4,2 0,0 0,0 0,7 21,4 1,3
Analistas de pesquisa 15-2031 91,3 118,9 0,1 0,1 27,6 30,2 43,9
Estatísticos 15-2041 30,0 40,1 0,0 0,0 10,1 33,8 15,4
Outras ocupações no campo da matemática 15-2090 3,0 2,9 0,0 0,0 -0,1 -1,8 0,6
Técnicos em matemática 15-2091 1,2 1,1 0,0 0,0 -0,2 -12,6 0,2
Especialistas em aplicações de matemática 15-2099 1,8 1,9 0,0 0,0 0,1 5,7 0,4
Arquitetos e Engenheiros 17-0000 2.532,7 2.599,9 1,7 1,6 67,2 2,7 710,9
Arquitetos, agrimensores e cartógrafos 17-1000 191,7 203,5 0,1 0,1 11,8 6,1 52,5
Arquitetos, exceto navais 17-1010 135,1 144,2 0,1 0,1 9,0 6,7 31,3
Arquitetos, exceto paisagistas e navais 17-1011 112,6 120,4 0,1 0,1 7,8 6,9 26,3
Arquitetos paisagistas 17-1012 22,5 23,7 0,0 0,0 1,2 5,5 4,9
Agrimensores, cartógrafos e fotogrametristas 17-1020 56,6 59,3 0,0 0,0 2,7 4,8 21,2
Cartógrafos e fotogrametristas 17-1021 12,3 15,9 0,0 0,0 3,6 29,3 7,4
Agrimensores 17-1022 44,3 43,4 0,0 0,0 -0,9 -2,0 13,7
Engenheiros 17-2000 1.636,2 1.701,2 1,1 1,1 65,0 4,0 510,9
Engenheiros espaciais 17-2011 72,5 70,8 0,0 0,0 -1,6 -2,3 20,7
Agrônomos 17-2021 2,9 3,0 0,0 0,0 0,1 4,4 0,7
Engenheiros biomédicos 17-2031 22,1 27,2 0,0 0,0 5,1 23,1 10,9
Engenheiros químicos 17-2041 34,3 34,9 0,0 0,0 0,6 1,8 10,0
Engenheiros civis 17-2051 281,4 305,0 0,2 0,2 23,6 8,4 106,7
Engenheiroa de computação 17-2061 77,7 80,1 0,1 0,0 2,4 3,1 18,4
Engenheiros elétricos e eletrônicos 17-2070 315,9 315,7 0,2 0,2 -0,1 0,0 71,4
Engenheiros elétricos 17-2071 178,4 180,2 0,1 0,1 1,8 1,0 41,1
Engenheiros eletrônicos, exceto engenheiros de computação 17-2072 137,4 135,5 0,1 0,1 -1,9 -1,4 30,3
Engenheiros ambientais 17-2081 55,1 62,0 0,0 0,0 6,8 12,4 22,4
Engenheiros industriais, inclusive engenheiros de segurança do trabalho 17-2110 266,3 270,0 0,2 0,2 3,7 1,4 81,8
Engenheiro de segurança do trabalho 17-2111 25,2 26,8 0,0 0,0 1,6 6,2 9,0
Engenheiros industriais 17-2112 241,1 243,2 0,2 0,2 2,1 0,9 72,8
Engenheiros navais 17-2121 8,3 9,0 0,0 0,0 0,7 8,9 2,9
Engenheiros de materiais 17-2131 25,3 25,6 0,0 0,0 0,3 1,3 9,2
Engenheiros mecânicos 17-2141 277,5 292,1 0,2 0,2 14,6 5,3 102,5
Geólogos e engenheiros de minas 17-2151 8,3 8,8 0,0 0,0 0,5 6,4 2,7
Engenheiros nucleares 17-2161 16,8 16,2 0,0 0,0 -0,7 -4,0 4,4
Engenheiros de Petróleo 17-2171 35,1 38,5 0,0 0,0 3,4 9,8 13,0
Outros engenheiros 17-2199 136,9 142,3 0,1 0,1 5,5 4,0 33,0
Projetistas, desenhistas, técnicos de engenharia e de processos 17-3000 704,7 695,1 0,5 0,4 -9,6 -1,4 147,5
Desenhistas 17-3010 204,4 198,3 0,1 0,1 -6,2 -3,0 25,8
Desenhistas em arquitetura civil 17-3011 94,0 91,2 0,1 0,1 -2,8 -3,0 11,1
Desenhistas em eletricidade e eletrônica 17-3012 30,1 31,7 0,0 0,0 1,6 5,4 5,2
Desenhistas mecânicos 17-3013 65,7 61,2 0,0 0,0 -4,5 -6,8 7,8
Outros desenhistas 17-3019 14,7 14,2 0,0 0,0 -0,5 -3,4 1,7
Técnicos em engenharia, exceto desenhistas 17-3020 443,0 443,9 0,3 0,3 0,9 0,2 115,2
Técnicos em engenharia e operação espacial 17-3021 11,4 11,8 0,0 0,0 0,4 3,6 3,2
Técnicos em engenharia civil 17-3022 74,0 77,6 0,0 0,0 3,5 4,8 21,6
Técnicos em engenharia elétrica e eletrônica 17-3023 139,4 136,6 0,1 0,1 -2,8 -2,0 34,1
Técnicos em eletromecânica 17-3024 14,7 14,8 0,0 0,0 0,1 0,7 3,7
Técnicos em engenharia ambiental 17-3025 18,6 20,4 0,0 0,0 1,9 10,0 6,4
Técnicos em engenharia Industrial 17-3026 66,5 63,5 0,0 0,0 -3,0 -4,5 16,3
Técnicos em engenharia mecânica 17-3027 48,4 49,3 0,0 0,0 0,9 2,0 12,8
Outros técnicos do campo da engenharia 17-3029 70,1 69,9 0,0 0,0 -0,2 -0,2 17,1
Agrimensores e técnicos de mapeamento 17-3031 57,3 52,9 0,0 0,0 -4,3 -7,6 6,5
Biologia 19-0000 1.310,4 1.408,0 0,9 0,9 97,6 7,4 472,6
Biólogos 19-1000 310,9 330,0 0,2 0,2 19,1 6,1 116,6
Cientistas de agricultura e alimentação 19-1010 36,1 38,0 0,0 0,0 1,9 5,4 14,5
Cientistas em biologia animal 19-1011 2,9 3,2 0,0 0,0 0,2 7,3 1,2
Cientistas em alimentação 19-1012 15,4 16,0 0,0 0,0 0,5 3,5 5,9
Cientistas em agronomia, solo e alimentação 19-1013 17,7 18,9 0,0 0,0 1,2 6,7 7,3
Cientistas em biologia 19-1020 114,1 118,4 0,1 0,1 4,3 3,7 35,0
Biquímicos e biofísicos 19-1021 34,1 36,9 0,0 0,0 2,8 8,2 11,9
Microbiologistas 19-1022 22,4 23,2 0,0 0,0 0,8 3,5 6,8
Zoologistas e biologistas da vida selvagem 19-1023 21,3 22,2 0,0 0,0 0,8 4,0 6,6
Outros cientistas da área da biologia 19-1029 36,4 36,2 0,0 0,0 -0,2 -0,4 9,7
Cientistas e silvicultores 19-1030 36,5 39,3 0,0 0,0 2,7 7,5 18,7
Cientistas de conservação ambiental 19-1031 21,1 22,5 0,0 0,0 1,4 6,9 10,6
Silvicultores 19-1032 15,5 16,8 0,0 0,0 1,3 8,3 8,0
Cientistas médicos 19-1040 113,6 123,0 0,1 0,1 9,3 8,2 44,5
Epidemiologistas 19-1041 5,8 6,1 0,0 0,0 0,4 6,3 2,2
Cientistas médicos, exceto epidemiologistas 19-1042 107,9 116,8 0,1 0,1 9,0 8,3 42,4
Outros cientistas da area da vida e de biologia 19-1099 10,6 11,3 0,0 0,0 0,8 7,2 4,0
Cientistas da área da física 19-2000 296,8 316,6 0,2 0,2 19,9 6,7 92,7
Físicos e astrônomos 19-2010 20,0 21,4 0,0 0,0 1,5 7,4 5,3
Astrônomos 19-2011 1,9 1,9 0,0 0,0 0,1 2,8 0,4
Físicos 19-2012 18,1 19,5 0,0 0,0 1,4 7,9 4,9
Cientistas da atmosfera e do espaço 19-2021 11,8 12,9 0,0 0,0 1,1 9,2 3,3
Cientistas químicos e de materiais 19-2030 98,4 101,0 0,1 0,1 2,6 2,6 24,2
Químicos 19-2031 91,1 93,5 0,1 0,1 2,4 2,6 22,4
Cientistas de materiais 19-2032 7,3 7,5 0,0 0,0 0,2 2,7 1,8
Cientistas ambientais e geocientistas 19-2040 138,0 152,5 0,1 0,1 14,5 10,5 56,9
Cientistas e especialistas ambientais, inclusive da saúde do meio ambiente 19-2041 94,6 104,8 0,1 0,1 10,2 10,7 39,3
Geocientistas, exceto hidrologistas e geógrafos 19-2042 36,4 40,2 0,0 0,0 3,8 10,5 15,0
Hidrologistas 19-2043 7,0 7,5 0,0 0,0 0,5 6,9 2,6
Outro cientistas da área da física 19-2099 28,5 28,8 0,0 0,0 0,3 1,0 3,0
Cientistas sociais e correlatos 19-3000 307,1 344,7 0,2 0,2 37,5 12,2 97,2
Economistas 19-3011 21,5 22,7 0,0 0,0 1,2 5,7 7,0
Pesquisadores de mercado 19-3022 16,7 18,7 0,0 0,0 1,9 11,6 3,9
Psicólogos 19-3030 173,9 206,4 0,1 0,1 32,5 18,7 69,8
Psicólogos clínicos, de aconselhamento e escolares 19-3031 155,3 185,9 0,1 0,1 30,5 19,6 63,8
Psicólogos organizadores industriais 19-3032 2,0 2,3 0,0 0,0 0,4 19,1 0,8
Demais psicólogos 19-3039 16,6 18,3 0,0 0,0 1,6 9,8 5,2
Sociólogos 19-3041 2,6 2,5 0,0 0,0 0,0 -0,7 0,3
Planejadores urbanos 19-3051 38,0 40,4 0,0 0,0 2,4 6,3 9,4
Diversos cientistas sociais e correlatos 19-3090 54,4 53,9 0,0 0,0 -0,5 -1,0 6,8
Antropólogos e arqueólogos 19-3091 7,7 8,0 0,0 0,0 0,3 3,8 1,2
Geógrafos 19-3092 1,4 1,4 0,0 0,0 0,0 -1,6 0,2
Historiadores 19-3093 3,5 3,5 0,0 0,0 0,1 1,7 0,5
Cientistas políticos 19-3094 6,2 6,0 0,0 0,0 -0,1 -2,3 0,7
Demais cientistas sociais 19-3099 35,6 34,9 0,0 0,0 -0,7 -2,0 4,2
Técnicos em biologia, física e ciências sociais 19-4000 395,6 416,7 0,3 0,3 21,1 5,3 166,1
Técnicos em ciências de agricultura e alimentação 19-4011 33,0 34,7 0,0 0,0 1,6 4,9 12,4
Técnicos em biologia 19-4021 79,3 83,5 0,1 0,1 4,1 5,2 26,3
Técnicos em química 19-4031 66,5 67,7 0,0 0,0 1,2 1,9 21,1
Técnicos em geologia e petróleo 19-4041 16,5 18,5 0,0 0,0 1,9 11,8 8,0
Técnicos nucleares 19-4051 6,8 6,4 0,0 0,0 -0,3 -5,1 2,8
Assistentes de pesquisas sociais 19-4061 32,0 33,8 0,0 0,0 1,8 5,6 15,2
Diversas especialidades em biologia, físiologia e ciências 19-4090 161,4 172,2 0,1 0,1 10,7 6,6 80,2
Técnicos em ecologia e proteção à saúde 19-4091 36,2 39,6 0,0 0,0 3,4 9,5 18,6
Técnicos forenses 19-4092 14,4 18,2 0,0 0,0 3,8 26,6 9,9
Técnicos florestais e de conservação ambiental 19-4093 32,6 30,8 0,0 0,0 -1,9 -5,7 13,7
Outros técnicos das áreas de biologia, fisiologia e ciências 19-4099 78,2 83,5 0,1 0,1 5,3 6,8 38,1
Assistentes sociais e serviços comunitários 21-0000 2.465,7 2.723,4 1,6 1,7 257,7 10,5 792,6
Conselheiros, assistentes sociais apoio social 21-1000 2.033,7 2.269,4 1,4 1,4 235,7 11,6 672,6
Conselheiros 21-1010 687,6 777,0 0,5 0,5 89,3 13,0 233,2
Conselheiros de prevenção ao uso de drogas e desvios de comportamento 21-1011 94,9 116,2 0,1 0,1 21,2 22,3 41,1
Conselheiros escolares e vocacionais 21-1012 273,4 295,9 0,2 0,2 22,5 8,2 79,7
Conselheiros matrimoniais 21-1013 33,7 38,7 0,0 0,0 5,0 14,8 12,1
Conselheiros de saúde mental 21-1014 134,5 160,9 0,1 0,1 26,4 19,6 54,5
Conselheiros de reabilitação 21-1015 120,1 130,9 0,1 0,1 10,8 9,0 36,0
Outros conselheiros 21-1019 31,0 34,4 0,0 0,0 3,4 11,0 9,9
Profissionais de atividades sociais 21-1020 649,3 724,1 0,4 0,5 74,8 11,5 231,2
Atividades sociais com crianças, famílias e escolas 21-1021 305,2 324,2 0,2 0,2 19,0 6,2 92,5
Atividades sociais ligadas à saúde 21-1022 160,1 191,0 0,1 0,1 30,9 19,3 69,5
Atividades sociais ligadas à saúde mental e uso de drogas 21-1023 117,8 140,0 0,1 0,1 22,3 18,9 50,7
Outros trabalhadores sociais 21-1029 66,4 68,9 0,0 0,0 2,5 3,8 18,5
Outras atividades ligadas à comunidade e serviços sociais 21-1090 696,8 768,3 0,5 0,5 71,6 10,3 208,2
Educadores em saúde 21-1091 61,4 68,9 0,0 0,0 7,5 12,2 19,5
Especialistas em reinserção de egressos do sistema penitenciário 21-1092 91,7 95,0 0,1 0,1 3,3 3,6 21,3
Assistentes em serviços sociais e humanos 21-1093 386,6 430,8 0,3 0,3 44,2 11,4 120,0
Assistentes de saúde da comunidade 21-1094 54,3 62,4 0,0 0,0 8,1 14,9 18,8
Outros especialsitas em serviços sociais 21-1099 102,7 111,1 0,1 0,1 8,4 8,2 28,6
Clérigos e Religiosos 21-2000 432,0 454,0 0,3 0,3 22,0 5,1 120,0
Clérigos 21-2011 244,2 258,0 0,2 0,2 13,8 5,6 66,3
Dirigentes de atividades e de educação religiosa 21-2021 131,9 137,5 0,1 0,1 5,7 4,3 41,2
Religiosos 21-2099 55,9 58,5 0,0 0,0 2,6 4,7 12,5
Atividades da área do direito 23-0000 1.268,2 1.332,8 0,8 0,8 64,6 5,1 283,8
Advogados e juízes 23-1000 844,2 887,7 0,6 0,6 43,5 5,1 169,1
Servidores da área do direito 23-1010 791,1 834,1 0,5 0,5 43,1 5,4 160,4
Advogados 23-1011 778,7 822,5 0,5 0,5 43,8 5,6 157,7
Servidores de justiça 23-1012 12,4 11,6 0,0 0,0 -0,8 -6,3 2,7
Juízes, magistrados e outros profissionais do judiciário 23-1020 53,2 53,6 0,0 0,0 0,4 0,7 8,7
Juízes administrativos, adjudicadores e conselheiros 23-1021 15,0 14,5 0,0 0,0 -0,5 -3,6 2,2
Árbitros, mediadores e conciliadores 23-1022 8,4 9,2 0,0 0,0 0,8 9,2 2,0
Juízes e magistrados 23-1023 29,7 29,9 0,0 0,0 0,2 0,6 4,5
Especialistas da área legal 23-2000 424,0 445,1 0,3 0,3 21,1 5,0 114,7
Assistentes paralegais e legais 23-2011 279,5 300,8 0,2 0,2 21,2 7,6 82,7
Diversas atividades de apoio da área legal 23-2090 144,4 144,3 0,1 0,1 -0,1 -0,1 32,1
Estenógrafos 23-2091 20,8 21,1 0,0 0,0 0,3 1,5 4,9
Escrivães 23-2093 71,1 70,8 0,0 0,0 -0,2 -0,3 15,6
Outras atividades de apoio ao judiciário 23-2099 52,6 52,4 0,0 0,0 -0,2 -0,4 11,6
Ocupações em educação, treinamento e bibliotecas 25-0000 9.216,1 9.913,7 6,1 6,2 697,6 7,6 2.661,1
Professores de cursos superiores 25-1000 1.869,4 2.088,8 1,2 1,3 219,4 11,7 550,6
Professores universitários da área de negócios 25-1011 106,8 116,2 0,1 0,1 9,4 8,8 28,3
Professores universitários de matemática e computação 25-1020 106,9 121,1 0,1 0,1 14,2 13,3 33,1
Professores de ciências da computação 25-1021 43,4 47,2 0,0 0,0 3,8 8,7 11,5
Professores de ciências matemáticas 25-1022 63,5 73,9 0,0 0,0 10,4 16,4 21,7
Professores de cursos superiores em engenharia e arquitetura 25-1030 55,0 61,9 0,0 0,0 6,9 12,5 16,6
Professores de arquitetura 25-1031 9,1 9,9 0,0 0,0 0,8 9,4 2,5
Professores de engenharia 25-1032 46,0 52,0 0,0 0,0 6,0 13,2 14,2
Professores de cursos superiores das áreas biológicas 25-1040 78,7 90,0 0,1 0,1 11,3 14,4 25,3
Professores de agronomia 25-1041 12,1 12,8 0,0 0,0 0,7 6,0 2,9
Professores de ciências biológicas 25-1042 64,3 74,8 0,0 0,0 10,4 16,2 21,8
Professores de ciências florestais 25-1043 2,3 2,4 0,0 0,0 0,2 6,8 0,6
Professores de cursos superiores de física 25-1050 64,2 72,7 0,0 0,0 8,5 13,2 19,8
Professores de ciências da atmosfera, terra, mar e espaço 25-1051 13,2 14,3 0,0 0,0 1,1 8,7 3,5
Professores de química 25-1052 26,6 30,7 0,0 0,0 4,1 15,4 8,8
Professores de ciências do meio ambiente 25-1053 6,7 7,3 0,0 0,0 0,6 8,6 1,8
Professores de física 25-1054 17,7 20,4 0,0 0,0 2,7 15,0 5,8
Professores de cursos superiores em ciências sociais 25-1060 144,2 163,7 0,1 0,1 19,5 13,5 45,0
Professores em antropologia e arqueologia 25-1061 7,5 8,2 0,0 0,0 0,7 9,3 2,0
Professores de eletricidade 25-1062 11,6 13,3 0,0 0,0 1,7 15,1 3,8
Professores de economia 25-1063 17,3 18,9 0,0 0,0 1,7 9,7 4,7
Professores de geografia 25-1064 5,4 5,9 0,0 0,0 0,4 7,9 1,4
Professores de ciências políticas 25-1065 21,6 23,7 0,0 0,0 2,1 9,7 5,9
Professore de psicologia 25-1066 47,3 54,7 0,0 0,0 7,5 15,8 15,8
Professores de sociologia 25-1067 20,7 23,9 0,0 0,0 3,2 15,3 6,8
Outras especialidades das áreas sociais 25-1069 12,9 15,1 0,0 0,0 2,2 17,0 4,5
Professores de cursos superiores da área da saúde 25-1070 279,0 332,2 0,2 0,2 53,2 19,1 102,6
Professor de cursos da área da saúde 25-1071 210,4 250,4 0,1 0,2 40,0 19,0 77,2
Instrutores da área de enfermagem 25-1072 68,6 81,8 0,0 0,1 13,2 19,3 25,4
Professores em cursos superiores de pedagogia e biblioteconomia 25-1080 81,3 88,6 0,1 0,1 7,3 9,0 21,7
Professores de pedagogia 25-1081 75,7 82,5 0,1 0,1 6,9 9,1 20,3
Professores de biblioteconomia 25-1082 5,6 6,0 0,0 0,0 0,4 8,0 1,4
Professores em cursos superiores em direito e das áreas da justiça 25-1110 52,2 62,4 0,0 0,0 10,2 19,5 19,4
Professores de justiça criminal e aplicação da lei 25-1111 17,4 21,1 0,0 0,0 3,7 21,4 6,8
Professores de direito 25-1112 21,1 25,7 0,0 0,0 4,6 21,7 8,3
Professores de atividades sociais 25-1113 13,7 15,6 0,0 0,0 1,9 13,9 4,3
Professores em curso superiores de humanas, arte e comunicações 25-1120 344,6 381,0 0,2 0,2 36,5 10,6 97,4
Professores de artes, teatro e música 25-1121 120,7 133,7 0,1 0,1 13,0 10,8 34,4
Professores de comunicação 25-1122 36,0 39,5 0,0 0,0 3,5 9,7 9,9
Professores de linguagem e literatura inglesa 25-1123 90,8 100,2 0,1 0,1 9,4 10,4 25,5
Professores de linguagem e literatura estrangeiras 25-1124 37,2 41,3 0,0 0,0 4,1 10,9 10,7
Professores de história 25-1125 29,2 32,1 0,0 0,0 2,9 10,0 8,1
Professores de religião e filosofia 25-1126 30,7 34,2 0,0 0,0 3,6 11,6 9,0
Diversos professores de cursos superiores 25-1190 556,4 598,8 0,4 0,4 42,4 7,6 141,3
Professores assistentes de cursos de graduação 25-1191 159,2 169,1 0,1 0,1 9,9 6,2 38,0
Professores de economia doméstica 25-1192 4,3 3,8 0,0 0,0 -0,5 -11,6 0,8
Professores de educação física e recreação 25-1193 22,1 24,3 0,0 0,0 2,2 10,1 6,1
Professores de educação vocacional 25-1194 138,5 147,6 0,1 0,1 9,1 6,6 33,6
Outros professores de cursos superiores 25-1199 232,3 254,0 0,2 0,2 21,7 9,3 62,8
Professores de pré-escola, cursos primário, secundário e para excepcionais 25-2000 4.131,9 4.374,1 2,7 2,7 242,2 5,9 1.199,6
Professores de pré-primário e jardim de infância 25-2010 600,4 639,5 0,4 0,4 39,1 6,5 214,8
Professores de pré-escola 25-2011 441,0 470,6 0,3 0,3 29,6 6,7 158,7
Professores de jardim de infância 25-2012 159,4 168,9 0,1 0,1 9,5 5,9 56,1
Professores de escolas elementares e nível médio 25-2020 1.999,2 2.115,1 1,3 1,3 115,9 5,8 558,1
Professores de escolas elementares, exceto professores de excepcionais 25-2021 1.358,0 1.436,3 0,9 0,9 78,3 5,8 378,7
Professore de nível médio, exceto de áreas técnicas e excepcionais 25-2022 627,5 664,2 0,4 0,4 36,8 5,9 175,5
Professores de cursos técnicos 25-2023 13,7 14,6 0,0 0,0 0,8 5,9 3,9
Professores de cursos secundários 25-2030 1.041,2 1.097,4 0,7 0,7 56,2 5,4 303,2
Professores secundários, exceto de cursos técnicos e de excepcionais 25-2031 961,6 1.017,5 0,6 0,6 55,9 5,8 284,0
Professores de cursos técnicos 25-2032 79,6 79,9 0,1 0,0 0,3 0,4 19,2
Professores de excepcionais 25-2050 491,1 522,0 0,3 0,3 31,0 6,3 123,5
Professores de excepcionais, pré-escola 25-2051 25,5 27,8 0,0 0,0 2,3 9,0 7,1
Professores de excepcionais, jardim de infância e nível elementar 25-2052 198,1 210,6 0,1 0,1 12,5 6,3 49,8
Professores de excepcionais, nível médio 25-2053 93,0 98,5 0,1 0,1 5,5 5,9 23,0
Professores de excepcionais, nível secundário 25-2054 134,0 141,9 0,1 0,1 7,9 5,9 33,1
Outros professores de excepcionais 25-2059 40,4 43,3 0,0 0,0 2,9 7,2 10,5
Outros professores e instrutores 25-3000 1.408,7 1.534,2 0,9 1,0 125,6 8,9 391,0
Professores de alfabetização de adultos 25-3011 77,5 83,0 0,1 0,1 5,5 7,1 20,1
Professores de auto-enriquecimento 25-3021 348,7 402,2 0,2 0,3 53,5 15,4 119,2
Outros professores e instrutores 25-3099 982,5 1.049,0 0,7 0,7 66,5 6,8 251,7
Bibliotecários, curadores, arquivistas 25-4000 276,2 286,2 0,2 0,2 10,1 3,6 95,2
Arquivistas, curadores e técnicos de museu 25-4010 31,3 33,4 0,0 0,0 2,1 6,7 11,8
Arquivistas 25-4011 6,9 7,4 0,0 0,0 0,5 6,8 2,6
Curadores 25-4012 13,1 14,1 0,0 0,0 1,0 8,0 5,1
Técnicos e restauradores de museus 25-4013 11,3 11,9 0,0 0,0 0,6 5,2 4,1
Bibliotecários 25-4021 143,1 145,7 0,1 0,1 2,7 1,9 29,5
Técnicos de livraria 25-4031 101,8 107,1 0,1 0,1 5,3 5,2 53,9
Outras ocupações em biblioteconomia 25-9000 1.530,0 1.630,3 1,0 1,0 100,3 6,6 424,7
Especialistas em áudiovisual e multimídia 25-9011 10,0 10,8 0,0 0,0 0,8 7,9 1,8
Orientadores de administração doméstica e de pequenas propriedades rurais 25-9021 10,8 11,9 0,0 0,0 1,2 10,9 2,2
Coordenadores de instrução 25-9031 151,1 161,6 0,1 0,1 10,5 7,0 25,1
Assistentes de professores 25-9041 1.234,1 1.312,8 0,8 0,8 78,6 6,4 374,5
Outras ocupações de bibliotecários, curadores e arquivistas 25-9099 124,0 133,1 0,1 0,1 9,1 7,4 21,1
Ocupações em artes, design, entretenimento, esportes e media 27-0000 2.624,2 2.731,7 1,7 1,7 107,5 4,1 771,9
Trabalhadores em arte e design 27-1000 773,1 789,7 0,5 0,5 16,7 2,2 192,9
Artistas e profissionais correlatos 27-1010 189,3 195,9 0,1 0,1 6,6 3,5 42,0
Diretores de arte 27-1011 74,6 76,4 0,0 0,0 1,8 2,4 15,8
Artesãos 27-1012 10,6 10,6 0,0 0,0 0,1 0,6 2,0
Artistas plásticos, inclusive pintores, escultores e ilustradores 27-1013 26,3 27,1 0,0 0,0 0,8 3,1 5,7
Artistas de multimídia e animadores 27-1014 64,4 68,3 0,0 0,0 3,9 6,0 15,9
Outras atividades artísticas 27-1019 13,4 13,5 0,0 0,0 0,1 0,4 2,6
Designers 27-1020 583,8 593,9 0,4 0,4 10,0 1,7 150,9
Designers comerciais e industriais 27-1021 38,4 39,2 0,0 0,0 0,8 2,0 9,9
Designers de moda 27-1022 23,1 23,8 0,0 0,0 0,7 2,9 6,2
Designers florais 27-1023 58,7 56,7 0,0 0,0 -2,0 -3,4 14,0
Designers gráficos 27-1024 261,6 265,2 0,2 0,2 3,6 1,4 65,8
Designers de interior 27-1025 58,9 61,1 0,0 0,0 2,2 3,8 16,2
Vitrinistas e profissionais de merchandising 27-1026 120,8 124,1 0,1 0,1 3,3 2,8 32,1
Designers de cenários e estandes para exposições e feiras 27-1027 13,3 14,2 0,0 0,0 0,9 6,8 4,1
Outros designers 27-1029 8,9 9,5 0,0 0,0 0,6 6,2 2,7
Atores e performers, atletas e correlatos 27-2000 781,7 827,7 0,5 0,5 46,0 5,9 298,7
Atores, produtores e diretores 27-2010 192,1 209,8 0,1 0,1 17,7 9,2 84,5
Atores 27-2011 69,4 76,1 0,0 0,0 6,6 9,6 34,0
Produtores e diretores 27-2012 122,6 133,8 0,1 0,1 11,1 9,1 50,5
Atletas, técnicos. Árbitros e pessoal relacionado 27-2020 284,1 300,6 0,2 0,2 16,5 5,8 112,4
Atletas profissionais 27-2021 13,7 14,5 0,0 0,0 0,8 5,6 5,4
Técnicos e observadores 27-2022 250,6 265,4 0,2 0,2 14,8 5,9 99,4
Árbitros, juízes e outros profissionais esportivos 27-2023 19,8 20,7 0,0 0,0 1,0 4,8 7,6
Dançarinos e coreográficos 27-2030 20,1 21,1 0,0 0,0 1,1 5,3 7,5
Dançarinos 27-2031 13,0 13,6 0,0 0,0 0,6 4,8 4,8
Coreógrafos 27-2032 7,1 7,5 0,0 0,0 0,4 6,3 2,7
Músicos, cantores e profissionais correlacionados 27-2040 255,4 264,0 0,2 0,2 8,6 3,4 82,7
Diretores musicais e compositores 27-2041 82,1 84,7 0,1 0,1 2,6 3,2 26,4
Músicos e cantores 27-2042 173,3 179,3 0,1 0,1 6,0 3,5 56,3
Artistas, apresentadores e narradores de esportes 27-2099 30,0 32,1 0,0 0,0 2,1 6,8 11,5
Apresentadores e comunicadores 27-3000 747,9 775,3 0,5 0,5 27,4 3,7 198,2
Apresentadores 27-3010 52,5 46,7 0,0 0,0 -5,8 -11,0 15,5
Apresentadores de rádio e televisão 27-3011 42,3 36,3 0,0 0,0 -6,1 -14,3 12,2
Locutores de comunicação local e outros locutores 27-3012 10,2 10,5 0,0 0,0 0,3 2,9 3,2
Analistas de notícias, repórteres e correspondentes 27-3020 54,4 49,6 0,0 0,0 -4,8 -8,9 17,5
Analistas de rádio e TV 27-3021 5,1 4,5 0,0 0,0 -0,6 -12,6 1,6
Repórteres e correspondentes 27-3022 49,3 45,1 0,0 0,0 -4,2 -8,5 15,9
Especialistas em relações públicas 27-3031 240,7 255,6 0,2 0,2 14,9 6,2 43,6
Escritores e editores 27-3040 305,8 308,0 0,2 0,2 2,2 0,7 85,7
Editores 27-3041 117,2 111,0 0,1 0,1 -6,2 -5,3 42,5
Redatores técnicos 27-3042 52,0 57,3 0,0 0,0 5,3 10,2 17,2
Escritores e autores 27-3043 136,5 139,7 0,1 0,1 3,1 2,3 26,1
Diversos profissionais de media e comunicação 27-3090 94,5 115,4 0,1 0,1 21,0 22,2 36,0
Intérpretes e tradutores 27-3091 61,0 78,5 0,0 0,0 17,5 28,7 27,2
Outros profissionais de mídia e comunicação 27-3099 33,5 37,0 0,0 0,0 3,5 10,3 8,8
Trabalhadores em equipamentos de mídia e comunicação 27-4000 321,6 338,9 0,2 0,2 17,4 5,4 82,0
Técnicos de transmissores, engenharia de som e rádio operadores 27-4010 118,4 126,1 0,1 0,1 7,7 6,5 32,2
Técnicos em áudio e vídeo 27-4011 70,9 79,4 0,0 0,0 8,4 11,9 21,9
Técnicos e transmissores 27-4012 30,1 28,2 0,0 0,0 -2,0 -6,5 5,7
Operadores de rádio 27-4013 1,2 1,2 0,0 0,0 0,0 -0,6 0,2
Técnicos em engenharia de som 27-4014 16,1 17,4 0,0 0,0 1,2 7,6 4,3
Fotógrafos 27-4021 124,9 128,8 0,1 0,1 3,9 3,1 34,5
Editores e operadores de câmaras de televisão, vídeo e cinema 27-4030 58,9 65,3 0,0 0,0 6,4 10,8 11,7
Operadores de câmeras, televisão, vídeo e cinema 27-4031 25,4 25,9 0,0 0,0 0,5 2,0 2,8
Editores de cinema e vídeo 27-4032 33,5 39,4 0,0 0,0 5,9 17,6 8,9
Operadores de equipamentos de media e comunicação 27-4099 19,4 18,7 0,0 0,0 -0,6 -3,3 3,7
Profissionais de Saúde e de áreas correlatas 29-0000 8.236,5 9.584,6 5,5 6,0 1.348,1 16,4 3.161,6
Profissionais de diagnóstico e tratamento de pacientes 29-1000 5.132,4 5.994,7 3,4 3,7 862,3 16,8 2.073,4
Quiropráticos 29-1011 45,2 53,1 0,0 0,0 7,9 17,5 16,0
Dentistas 29-1020 151,5 178,2 0,1 0,1 26,7 17,6 57,6
Dentistas e cirurgiões dentistas 29-1021 129,0 152,3 0,1 0,1 23,3 18,0 49,6
Cirurgiões orais e maxilofaciais 29-1022 6,8 8,0 0,0 0,0 1,2 17,9 2,6
Ortodontistas 29-1023 8,2 9,7 0,0 0,0 1,5 18,3 3,2
Protéticos 29-1024 0,8 1,0 0,0 0,0 0,1 17,8 0,3
Outras especialidades da odontologia 29-1029 6,7 7,3 0,0 0,0 0,6 8,5 1,9
Nutricionistas e dietistas 29-1031 66,7 77,6 0,0 0,0 11,0 16,4 16,0
Optometristas 29-1041 40,6 51,6 0,0 0,0 11,0 27,0 25,5
Farmacêuticos 29-1051 297,1 306,2 0,2 0,2 9,1 3,1 78,4
Médicos e Cirurgiões 29-1060 708,3 807,6 0,5 0,5 99,3 14,0 290,0
Anestesistas 29-1061 33,7 40,8 0,0 0,0 7,1 21,0 16,1
Médicos de família e clínicos gerais 29-1062 139,8 154,1 0,1 0,1 14,3 10,2 51,9
Médicos Internistas 29-1063 54,3 59,4 0,0 0,0 5,1 9,4 19,7
Ginecologistas e obstetras 29-1064 24,4 28,7 0,0 0,0 4,3 17,6 10,8
Pediatras 29-1065 34,8 38,4 0,0 0,0 3,6 10,3 12,9
Psiquiatras 29-1066 28,2 32,4 0,0 0,0 4,2 14,9 11,8
Cirurgiões 29-1067 46,0 55,1 0,0 0,0 9,1 19,8 21,5
Demais especialidades médicas 29-1069 347,2 398,8 0,2 0,2 51,7 14,9 145,1
Profissionais de saúde 29-1071 94,4 123,2 0,1 0,1 28,7 30,4 50,0
Podólogos 29-1081 9,6 11,0 0,0 0,0 1,4 14,1 3,3
Terapeutas 29-1120 655,9 813,8 0,4 0,5 157,9 24,1 311,2
Terapeutas ocupacionais 29-1122 114,6 145,1 0,1 0,1 30,4 26,5 52,6
Fisioterapeutas 29-1123 210,9 282,7 0,1 0,2 71,8 34,0 128,3
Terapeutas de radiação 29-1124 16,6 18,9 0,0 0,0 2,3 14,0 6,2
Terapeutas recreacionais 29-1125 18,6 20,9 0,0 0,0 2,2 12,0 6,6
Terapeutas respiratórios 29-1126 120,7 135,5 0,1 0,1 14,9 12,3 43,3
Fonoaudiólogos 29-1127 135,4 164,3 0,1 0,1 28,9 21,3 63,1
Fisiologistas 29-1128 14,5 16,0 0,0 0,0 1,5 10,6 3,0
Outros terapeutas 29-1129 24,7 30,5 0,0 0,0 5,8 23,6 8,3
Veterinários 29-1131 78,3 85,2 0,1 0,1 6,9 8,9 19,0
Enfermeiros/as – nível superior 29-1141 2.751,0 3.190,3 1,8 2,0 439,3 16,0 1.088,4
Enfermeiros/as de anestesia 29-1151 38,2 45,6 0,0 0,0 7,4 19,3 16,4
Enfermeiras obstetras 29-1161 5,3 6,6 0,0 0,0 1,3 24,6 2,5
Profissionais de enfermagem em estabelecimentos de saúde 29-1171 126,9 171,7 0,1 0,1 44,7 35,2 74,7
Audiologistas 29-1181 13,2 16,9 0,0 0,0 3,8 28,6 6,8
Cuidadores e outros profissionais de enfermagem 29-1199 50,1 56,1 0,0 0,0 6,0 12,0 17,7
Tecnólogos e técnicos em saúde 29-2000 2.946,6 3.416,1 2,0 2,1 469,5 15,9 1.040,4
Técnicos e tecnólogos de laboratórios clínicos e centros diagnósticos 29-2010 328,2 380,3 0,2 0,2 52,1 15,9 130,5
Técnicos e tecnólogos de laboratórios clínicos 29-2011 164,8 187,9 0,1 0,1 23,1 14,0 62,5
Técnicos de laboratórios de patologia e especilidades médicas 29-2012 163,4 192,4 0,1 0,1 29,0 17,8 68,1
Higienistas dentais 29-2021 200,5 237,9 0,1 0,1 37,4 18,6 70,3
Técnicos e tecnólogos de especialidades diagnósticas 29-2030 363,9 412,4 0,2 0,3 48,5 13,3 117,3
Técnicos e tecnólogos cardiovasculares 29-2031 52,0 63,5 0,0 0,0 11,5 22,2 21,4
Técnicos de ultrassom 29-2032 60,7 76,7 0,0 0,0 16,0 26,4 27,5
Técnicos de medicina nuclear 29-2033 20,7 21,0 0,0 0,0 0,3 1,5 4,2
Técnicos em radiologia 29-2034 197,0 214,2 0,1 0,1 17,2 8,7 54,4
Técnicos em ressonância magnética 29-2035 33,6 37,1 0,0 0,0 3,5 10,3 9,8
Paramédicos e socorristas 29-2041 241,2 299,6 0,2 0,2 58,5 24,2 98,0
Profissionais de especialidades de suporte na área de saúde 29-2050 712,8 794,7 0,5 0,5 81,8 11,5 154,5
Nutricionistas 29-2051 29,3 33,2 0,0 0,0 3,9 13,3 6,8
Farmacêuticos 29-2052 372,5 407,2 0,2 0,3 34,7 9,3 71,6
Técnicos em psiquiatria 29-2053 67,9 71,4 0,0 0,0 3,5 5,2 10,2
Fisioterapeutas respiratórios 29-2054 10,7 8,7 0,0 0,0 -2,1 -19,2 1,1
Técnicos em instrumentação cirúrgica 29-2055 99,8 114,5 0,1 0,1 14,7 14,8 24,6
Técnicos e tecnólogos no campo veterinário 29-2056 95,6 113,6 0,1 0,1 17,9 18,7 27,4
Técnicos em oftalmologia 29-2057 37,0 46,1 0,0 0,0 9,1 24,7 12,8
Técnicos e auxiliares de enfermagem 29-2061 719,9 837,2 0,5 0,5 117,3 16,3 322,2
Técnicos de informações médicas 29-2071 188,6 217,6 0,1 0,1 29,0 15,4 71,2
Óticos 29-2081 75,2 93,0 0,0 0,1 17,8 23,7 37,9
Diversas especialidades em tecnólogos e técnicos do campo da saúde 29-2090 116,4 143,5 0,1 0,1 27,1 23,3 38,6
Ortesistas e protesistas 29-2091 8,3 10,1 0,0 0,0 1,9 22,6 2,7
Audiofonologistas 29-2092 5,9 7,5 0,0 0,0 1,6 27,2 2,2
Demais técnicos e profissionais das áreas de saúde 29-2099 102,2 125,9 0,1 0,1 23,6 23,1 33,8
Outros profissionais ligados a fisicultura, ao treinamento e ao condicionamento 29-9000 157,4 173,8 0,1 0,1 16,3 10,4 47,8
Profissionais e especialistas em segurança ocupacional 29-9010 85,5 89,6 0,1 0,1 4,2 4,9 21,3
Especialistas em segurança ocupacional 29-9011 70,3 73,1 0,0 0,0 2,8 4,0 16,9
Técnicos em segurança ocupacional 29-9012 15,1 16,5 0,0 0,0 1,4 9,1 4,4
Profissionais de outras áreas do campo da saúde e do condicionamento 29-9090 72,0 84,1 0,0 0,1 12,1 16,9 26,5
Treinadores de atletas 29-9091 25,4 30,8 0,0 0,0 5,4 21,1 10,4
Conselheiros genéticos 29-9092 2,4 3,1 0,0 0,0 0,7 28,8 1,2
Outras ocupações ligadas ao campo da saúde 29-9099 44,2 50,3 0,0 0,0 6,1 13,8 14,9
Profissionais de suporte à terapias e tratamentos 31-0000 4.238,0 5.212,2 2,8 3,3 974,2 23,0 1.907,6
Enfermeiras e profissionais de homecare 31-1000 2.536,0 3.156,3 1,7 2,0 620,3 24,5 1.193,1
Auxiliares de homecare 31-1011 913,5 1.261,9 0,6 0,8 348,4 38,1 554,8
Auxiliares de psiquiatria 31-1013 77,3 81,4 0,1 0,1 4,1 5,3 21,6
Enfermeiras assistentes 31-1014 1.492,1 1.754,1 1,0 1,1 262,0 17,6 599,0
Cuidadores de idosos 31-1015 53,0 58,8 0,0 0,0 5,8 10,9 17,8
Assistentes e auxiliares de terapia ocupacional e fisioterapia 31-2000 170,6 238,8 0,1 0,1 68,2 40,0 117,6
Assistentes e auxiliares de terapia ocupacional e fisioterapia 31-2010 41,9 58,7 0,0 0,0 16,8 40,1 28,9
Assistentes de terapia ocupacional 31-2011 33,0 47,1 0,0 0,0 14,1 42,7 23,6
Auxiliares de terapia ocupacional 31-2012 8,8 11,6 0,0 0,0 2,7 30,6 5,3
Assistentes e auxiliares de fisioterapia 31-2020 128,7 180,2 0,1 0,1 51,4 39,9 88,7
Assistentes de fisioterapia 31-2021 78,7 110,7 0,1 0,1 31,9 40,6 54,7
Auxiliares de fisioterapia 31-2022 50,0 69,5 0,0 0,0 19,5 39,0 34,0
Outras ocupações de apoio a saúde 31-9000 1.531,4 1.817,1 1,0 1,1 285,7 18,7 596,9
Massagistas 31-9011 168,8 205,2 0,1 0,1 36,5 21,6 49,0
Outras ocupações de auxilio e apoio à saúde 31-9090 1.362,6 1.611,8 0,9 1,0 249,3 18,3 547,9
Assistentes de odontologia 31-9091 318,8 377,4 0,2 0,2 58,6 18,4 137,5
Assistentes médicos 31-9092 591,3 730,2 0,4 0,5 138,9 23,5 262,1
Instrumentadores 31-9093 52,0 59,3 0,0 0,0 7,3 14,0 18,1
Transcritores médicos (Transcrevem gravações orais em prontuários) 31-9094 70,0 67,8 0,0 0,0 -2,2 -3,1 14,6
Ajudantes de farmácia 31-9095 41,5 41,6 0,0 0,0 0,1 0,3 8,8
Ajudantes de veterinária e de cuidados com animais de laboratório 31-9096 73,4 80,0 0,0 0,0 6,6 9,0 21,9
Técnicos de coleta de amostras de sangue e materiais humanos 31-9097 112,7 140,8 0,1 0,1 28,1 24,9 51,6
Outros profissionais de apoio a laboratórios e atividades clínicas 31-9099 102,7 114,7 0,1 0,1 12,0 11,7 33,4
Policiais e serviços de vigilância 33-0000 3.443,8 3.597,7 2,3 2,2 153,9 4,5 972,5
Supervisores de atividades policiais e de vigilância 33-1000 288,0 300,5 0,2 0,2 12,5 4,3 112,4
Supervisores da linha de frente de equipes policiais 33-1010 155,7 161,7 0,1 0,1 6,0 3,9 58,3
Supervisores da linha de frente de agentes penitenciários 33-1011 47,6 49,1 0,0 0,0 1,5 3,1 15,3
Supervisores de linha de frente de investigadores e detetives 33-1012 108,1 112,7 0,1 0,1 4,5 4,2 43,0
Supervisores da linha de frente de bombeiros e defesa civil 33-1021 63,5 66,8 0,0 0,0 3,3 5,2 33,4
Outras funções de chefia e supervisão de defesa civil e prevenção 33-1099 68,7 71,9 0,0 0,0 3,2 4,6 20,7
Bombeiros, defesa civil e prevenção 33-2000 341,4 359,7 0,2 0,2 18,3 5,4 117,3
Bombeiros 33-2011 327,3 344,7 0,2 0,2 17,4 5,3 112,3
Inspetores de bombeiros e especialistas de prevenção 33-2020 14,1 15,0 0,0 0,0 0,9 6,4 5,0
Inspetores de bombeiros e investigadores de incêndios 33-2021 12,4 13,1 0,0 0,0 0,7 5,5 4,3
Bombeiros florestais 33-2022 1,7 2,0 0,0 0,0 0,2 13,1 0,7
Oficiais de justiça, escrivães 33-3000 1.290,6 1.339,7 0,9 0,8 49,1 3,8 441,3
Oficiais de justiça, agentes penitenciários e carcereiros 33-3010 474,8 492,8 0,3 0,3 17,9 3,8 148,5
Oficiais de justiça 33-3011 17,3 18,1 0,0 0,0 0,8 4,7 5,6
Agentes penitenciários e carcereiros 33-3012 457,6 474,7 0,3 0,3 17,1 3,7 143,0
Detetives e investigadores criminais 33-3021 116,7 115,3 0,1 0,1 -1,4 -1,2 28,3
Guardas florestais e fiscais ambientais 33-3031 6,2 6,3 0,0 0,0 0,1 1,9 2,0
Agentes de estacionamento 33-3041 9,4 7,4 0,0 0,0 -2,0 -20,8 2,8
Delegados e Policiais 33-3050 683,5 717,9 0,5 0,4 34,4 5,0 259,7
Policiais de patrulhamento 33-3051 680,0 714,2 0,5 0,4 34,2 5,0 258,4
Policiais rodoviários 33-3052 3,6 3,7 0,0 0,0 0,1 3,5 1,3
Outros profissionais de segurança 33-9000 1.523,8 1.597,9 1,0 1,0 74,1 4,9 301,4
Agentes de controle de animais 33-9011 15,0 15,9 0,0 0,0 0,9 5,8 4,3
Detetives e investigadores particulares 33-9021 34,9 36,7 0,0 0,0 1,8 5,2 11,0
Vigilantes e guardas de segurança 33-9030 1.102,5 1.157,5 0,7 0,7 55,0 5,0 210,6
Guardas de segurança 33-9031 7,0 6,6 0,0 0,0 -0,5 -7,0 1,0
Vigilantes 33-9032 1.095,4 1.150,9 0,7 0,7 55,5 5,1 209,6
Diversos serviços de guarda e proteção pessoal 33-9090 371,5 387,9 0,2 0,2 16,4 4,4 75,5
Guardas de trânsito 33-9091 69,8 74,2 0,0 0,0 4,5 6,4 17,0
Salva vidas e guardas civis 33-9092 141,3 150,8 0,1 0,1 9,5 6,7 29,4
Agentes de segurança de portos e aeroportos 33-9093 46,6 42,4 0,0 0,0 -4,2 -9,0 6,6
Demais atividades ligadas a segurança pessoal 33-9099 113,8 120,4 0,1 0,1 6,6 5,8 22,6
Processadores de alimentos, cozinheiros e pessoal de restaurantes 35-0000 12.467,6 13.280,4 8,3 8,3 812,9 6,5 5.549,0
Supervisores do preparo de alimentos e serviços de refeitório 35-1000 1.017,6 1.117,4 0,7 0,7 99,8 9,8 383,3
Chefs e chefes de cozinha 35-1011 127,5 138,8 0,1 0,1 11,3 8,9 30,4
Supervisores do preparo de alimentos e dos refeitórios 35-1012 890,1 978,6 0,6 0,6 88,5 9,9 352,9
Profissionais de cozinha e do preparo de alimentos 35-2000 3.164,7 3.316,6 2,1 2,1 151,8 4,8 1.091,1
Cozinheiros 35-2010 2.290,8 2.387,8 1,5 1,5 97,0 4,2 792,8
Cozinheiros de fast food 35-2011 524,4 444,0 0,3 0,3 -80,4 -15,3 138,7
Cozinheiros de cafeterias e instituições 35-2012 417,6 443,9 0,3 0,3 26,3 6,3 136,8
Cozinheiros domésticos 35-2013 35,9 36,2 0,0 0,0 0,2 0,6 9,7
Cozinheiros de restaurantes 35-2014 1.109,7 1.268,7 0,7 0,8 158,9 14,3 452,5
Cozinheiros de refeições rápidas 35-2015 181,6 172,3 0,1 0,1 -9,3 -5,1 48,0
Outros tipos de cozinheiros 35-2019 21,5 22,8 0,0 0,0 1,3 6,0 7,0
Trabalhadores do preparo de alimentos 35-2021 873,9 928,8 0,6 0,6 54,8 6,3 298,3
Profissionais do serviço de alimentos e bebidas 35-3000 6.940,0 7.475,1 4,6 4,7 535,1 7,7 3.312,1
Atendentes de bar 35-3011 580,9 640,9 0,4 0,4 60,1 10,3 278,3
Atendentes de restaurantes de fast food 35-3020 3.640,9 4.013,2 2,4 2,5 372,3 10,2 1.682,7
Atendentes balcão e preparo de refeições rápidas 35-3021 3.159,7 3.503,2 2,1 2,2 343,5 10,9 1.364,6
Atendentes de balcão em bares, cafeterias e restaurantes fast food 35-3022 481,2 510,0 0,3 0,3 28,9 6,0 318,1
Garçons e garçonetes 35-3031 2.465,1 2.534,0 1,6 1,6 68,9 2,8 1.255,0
Atendentes de serviços alternativos de alimentação 35-3041 253,1 287,0 0,2 0,2 33,8 13,4 96,0
Outros trabalhadores ligados à preparação e distribuição de alimentos 35-9000 1.345,3 1.371,4 0,9 0,9 26,1 1,9 762,6
Atendentes e ajudantes de atendimento em Restaurantes e cafeterias 35-9011 415,3 440,7 0,3 0,3 25,4 6,1 233,0
Lavadores de pratos 35-9021 507,4 487,9 0,3 0,3 -19,5 -3,9 219,3
Recepcionistas de restaurantes, cafés e salões 35-9031 376,4 393,2 0,3 0,2 16,7 4,4 283,8
Outros trabalhadores do serviços de preparação de alimentos 35-9099 46,1 49,6 0,0 0,0 3,5 7,7 26,6
Serviços de limpeza, arrumação, jardinagem e manutenção predial 37-0000 5.617,2 5.967,0 3,7 3,7 349,8 6,2 1.489,2
Supervisores de manutenção e limpeza predial 37-1000 425,9 450,2 0,3 0,3 24,3 5,7 93,1
Supervisores de serviços de higienização e zeladoria predial 37-1011 247,9 262,8 0,2 0,2 14,9 6,0 54,0
Supervisores de serviços de corte de grama, jardinagem e paisagismo 37-1012 178,0 187,4 0,1 0,1 9,4 5,3 39,0
Trabalhadores de limpeza predial e controle de vetores e pragas 37-2000 3.909,2 4.157,2 2,6 2,6 247,9 6,3 1.087,3
Trabalhadores de limpeza predial 37-2010 3.835,1 4.084,0 2,5 2,5 248,8 6,5 1.068,7
Faxineiros e arrumadores 37-2011 2.360,6 2.496,9 1,6 1,6 136,3 5,8 605,2
Empregados e faxineiros domésticos 37-2012 1.457,7 1.569,4 1,0 1,0 111,7 7,7 459,4
Outros trabalhadores da conservação e limpeza predial 37-2019 16,9 17,7 0,0 0,0 0,8 4,8 4,2
Trabalhadores do controle de vetores e pragas 37-2021 74,1 73,2 0,0 0,0 -0,9 -1,2 18,6
Trabalhadores de manutenção de áreas prediais 37-3000 1.282,0 1.359,6 0,9 0,8 77,6 6,1 308,8
Trabalhadores de paisagismo e jardinagem 37-3011 1.167,8 1.239,6 0,8 0,8 71,7 6,1 282,3
Aplicadores de pesticidas 37-3012 36,4 37,8 0,0 0,0 1,4 3,8 7,9
Aparadores de árvores e jardins 37-3013 53,2 56,2 0,0 0,0 3,0 5,6 12,6
Outros trabalhadores de manutenção de áreas externas 37-3019 24,5 26,1 0,0 0,0 1,6 6,4 6,0
Ocupações de cuidados pessoais 39-0000 6.006,1 6.798,2 4,0 4,2 792,1 13,2 2.065,8
Supervisores de cuidados pessoais 39-1000 290,7 318,7 0,2 0,2 27,9 9,6 88,1
Supervisores de trabalhadores de salas de jogos 39-1010 34,9 34,9 0,0 0,0 0,0 -0,1 11,7
Supervisores de jogos 39-1011 27,8 28,0 0,0 0,0 0,2 0,7 9,4
Supervisores de caça-níqueis 39-1012 7,1 6,9 0,0 0,0 -0,2 -3,2 2,4
Supervisores de serviços pessoais 39-1021 255,8 283,8 0,2 0,2 28,0 10,9 76,4
Cuidados com animais 39-2000 241,6 267,3 0,2 0,2 25,7 10,6 81,3
Treinadores de animais 39-2011 36,8 40,9 0,0 0,0 4,1 11,1 17,4
Cuidadores de animais 39-2021 204,8 226,4 0,1 0,1 21,6 10,6 63,8
Atendentes de eventos e atividades relacionadas 39-3000 543,9 576,4 0,4 0,4 32,5 6,0 271,4
Trabalhadores em eventos esportivos 39-3010 93,1 94,2 0,1 0,1 1,0 1,1 26,0
Promotores esportivos 39-3011 68,5 68,9 0,0 0,0 0,4 0,6 18,8
Agentes de apostas e jogos 39-3012 11,5 11,9 0,0 0,0 0,4 3,4 3,5
Outras atividades ligadas à apostas e jogos 39-3019 13,2 13,4 0,0 0,0 0,2 1,6 3,7
Maquinistas de cinema e vídeo 39-3021 6,7 5,5 0,0 0,0 -1,2 -18,2 2,7
Lanterninhas, atendentes de salão e bilheteiros de cinema 39-3031 113,9 120,0 0,1 0,1 6,1 5,3 77,9
Diversos profissionais de eventos esportivos, entretenimento, teatro e cinema 39-3090 330,2 356,8 0,2 0,2 26,6 8,1 164,9
Atendentes de eventos 39-3091 288,6 310,9 0,2 0,2 22,3 7,7 143,2
Arrumadores 39-3092 6,2 6,7 0,0 0,0 0,5 8,8 3,1
Contraregras, sonoplastas e apoio à produção 39-3093 18,6 19,4 0,0 0,0 0,9 4,7 8,6
Outros profissionais ligados ao entretenimento 39-3099 16,9 19,8 0,0 0,0 2,9 17,1 10,0
Profissionais de serviços funerários 39-4000 71,0 72,4 0,0 0,0 1,4 2,0 17,7
Embalsamadores 39-4011 3,8 3,6 0,0 0,0 -0,2 -6,1 0,8
Arrumadores de funerais 39-4021 36,1 35,7 0,0 0,0 -0,4 -1,2 7,9
Agente funerário e organizadores de funerais 39-4031 31,1 33,2 0,0 0,0 2,1 6,7 8,9
Profissionais de aparência pessoal 39-5000 852,3 938,2 0,6 0,6 85,9 10,1 265,9
Barbeiros, cabeleireiros e maquiadores 39-5010 656,4 720,7 0,4 0,4 64,4 9,8 229,1
Barbeiros 39-5011 59,2 65,1 0,0 0,0 6,0 10,1 17,0
Cabeleireiros e maquiadores 39-5012 597,2 655,6 0,4 0,4 58,4 9,8 212,1
Outros profissionais de aparência pessoal 39-5090 195,9 217,4 0,1 0,1 21,5 11,0 36,8
Maquiadores de artistas de teatro e cinema 39-5091 3,6 4,3 0,0 0,0 0,7 19,2 1,0
Manicures e pedicures 39-5092 113,6 125,3 0,1 0,1 11,7 10,3 20,6
Cabeleireiros 39-5093 23,8 26,2 0,0 0,0 2,5 10,3 4,3
Profissionais de Cuidados com a pele 39-5094 55,0 61,6 0,0 0,0 6,6 12,1 10,9
Porteiros, carregadores de bagagem e recepcionistas 39-6000 74,8 81,5 0,0 0,1 6,8 9,0 21,9
Carregadores de bagagem e recepcionistas 39-6011 43,6 47,1 0,0 0,0 3,5 8,0 12,4
Porteiros 39-6012 31,2 34,4 0,0 0,0 3,3 10,4 9,6
Guias de viagem e turismo 39-7000 47,3 49,5 0,0 0,0 2,2 4,6 20,8
Guias turísticos e escorts 39-7011 43,5 45,7 0,0 0,0 2,2 5,1 19,3
Guias de viagem 39-7012 3,9 3,9 0,0 0,0 0,0 0,0 1,5
Outros profissionais de serviços pessoais 39-9000 3.884,4 4.494,1 2,6 2,8 609,7 15,7 1.298,7
Cuidadores de crianças 39-9011 1.260,6 1.329,9 0,8 0,8 69,3 5,5 441,3
Auxiliares de cuidados pessoais 39-9021 1.768,4 2.226,5 1,2 1,4 458,1 25,9 601,1
Profissionais de recreação e fitness 39-9030 658,4 720,8 0,4 0,4 62,3 9,5 183,7
Treinadores de fitness e exercícios aeróbicos 39-9031 279,1 302,5 0,2 0,2 23,4 8,4 74,9
Recreacionistas 39-9032 379,3 418,3 0,3 0,3 38,9 10,3 108,9
Conselheiros residenciais 39-9041 103,7 117,9 0,1 0,1 14,1 13,6 45,7
Outros profissionais em cuidados pessoais 39-9099 93,2 99,1 0,1 0,1 5,9 6,3 26,9
Ocupações de vendas e atividades correlatas 41-0000 15.423,1 16.201,1 10,2 10,1 778,0 5,0 5.357,8
Supervisoress de vendas 41-1000 1.968,5 2.056,4 1,3 1,3 87,9 4,5 481,2
Supervisores de vendas de varejo 41-1011 1.537,8 1.605,4 1,0 1,0 67,6 4,4 411,3
Supervisores de vendas de atacado 41-1012 430,7 451,0 0,3 0,3 20,3 4,7 69,9
Vendedores de varejo 41-2000 8.739,3 9.152,1 5,8 5,7 412,8 4,7 3.641,4
Caixas 41-2010 3.437,5 3.503,0 2,3 2,2 65,5 1,9 1.529,5
Caixas 41-2011 3.424,2 3.491,1 2,3 2,2 67,0 2,0 1.523,8
Apoiador de atividades do caixa 41-2012 13,3 11,9 0,0 0,0 -1,4 -10,9 5,7
Balconistas, atendentes e secretárias de serviços de locação 41-2020 676,9 710,0 0,4 0,4 33,1 4,9 194,6
Balconistas e atendentes de serviços de locação 41-2021 442,1 458,5 0,3 0,3 16,3 3,7 125,8
Vendedores de componentes 41-2022 234,7 251,5 0,2 0,2 16,8 7,2 68,9
Vendedores de varejo 41-2031 4.624,9 4.939,1 3,1 3,1 314,2 6,8 1.917,2
Representantes de vendas 41-3000 1.903,1 2.036,5 1,3 1,3 133,4 7,0 570,9
Vendedores de publicidade 41-3011 167,9 163,4 0,1 0,1 -4,5 -2,7 49,8
Vendedores de seguros 41-3021 466,1 509,5 0,3 0,3 43,5 9,3 165,8
Agentes de investimentos e corretores de mercadorias 41-3031 341,5 374,0 0,2 0,2 32,5 9,5 91,4
Agentes de viagem 41-3041 74,1 65,4 0,0 0,0 -8,7 -11,7 11,5
Outros representantes de vendas e vendedores de serviços 41-3099 853,5 924,1 0,6 0,6 70,6 8,3 252,4
Vendedores de fabricantes e atacadistas 41-4000 1.800,9 1.918,2 1,2 1,2 117,2 6,5 487,7
Vendedores de atacadistas e fabricantes de produtos técnicos e científicos 41-4011 347,8 371,7 0,2 0,2 23,8 6,9 95,4
Vendedores de atacadistas e fabricantes, exceto produtos técnicos 41-4012 1.453,1 1.546,5 1,0 1,0 93,4 6,4 392,3
Demais vendedores e atividades correlatas 41-9000 1.011,2 1.037,9 0,7 0,6 26,7 2,6 176,7
Modelos, demonstradores e promotores de produtos 41-9010 98,9 107,1 0,1 0,1 8,2 8,3 37,5
Demonstradores e promotores de produtostors and product promoters 41-9011 93,0 101,3 0,1 0,1 8,2 8,9 35,8
Modelos 41-9012 5,8 5,8 0,0 0,0 0,0 -0,2 1,7
Corretores de imóveis e vendedores de propriedades imobiliárias 41-9020 421,3 432,1 0,3 0,3 10,9 2,6 40,3
Corretores de imóveis 41-9021 83,9 85,4 0,1 0,1 1,5 1,8 7,3
Vendedores de propriedades imobiliárias 41-9022 337,4 346,8 0,2 0,2 9,4 2,8 33,0
Engenheiros de vendas 41-9031 69,9 74,9 0,0 0,0 4,9 7,0 23,0
Vendedores em Telemarketing 41-9041 237,9 230,8 0,2 0,1 -7,2 -3,0 43,9
Diversos vendedores e congêneres 41-9090 183,2 193,1 0,1 0,1 9,9 5,4 31,9
Vendedores porta-a-porta, jornaleiros, vendedores de rua e correlacionados 41-9091 80,2 79,1 0,1 0,0 -1,1 -1,4 6,6
Demais profissionais de vendas e similares 41-9099 103,0 114,0 0,1 0,1 11,0 10,7 25,4
Atividades de apoio administrativas e de escritório 43-0000 22.766,1 23.232,6 15,1 14,5 466,5 2,0 5.657,1
Supervisores de escritório e de pessoal de apoio administrativo 43-1000 1.466,1 1.587,3 1,0 1,0 121,2 8,3 342,7
Supervisores de escritório e de pessoal de apoio administrativo 43-1011 1.466,1 1.587,3 1,0 1,0 121,2 8,3 342,7
Operadores de equipamentos de comunicação 43-2000 128,8 86,4 0,1 0,1 -42,4 -32,9 17,3
Operadores de centrais telefônicas, inclusive de secretárias eletrônicas 43-2011 112,4 75,4 0,1 0,0 -37,0 -32,9 13,3
Telefonistas e Operadores de Telefone 43-2021 13,1 7,5 0,0 0,0 -5,5 -42,4 3,2
Demais operadores de equipamentos de comunicação 43-2099 3,3 3,5 0,0 0,0 0,2 5,6 0,8
Funcionários da área financeira 43-3000 3.440,4 3.290,7 2,3 2,1 -149,7 -4,4 723,7
Cobradores 43-3011 350,4 330,9 0,2 0,2 -19,6 -5,6 85,6
Caixas 43-3021 514,6 581,1 0,3 0,4 66,5 12,9 174,1
Guarda livros, contadores e auditores 43-3031 1.760,3 1.611,5 1,2 1,0 -148,7 -8,4 172,6
Caixas de loterias e apostas 43-3041 11,3 11,9 0,0 0,0 0,6 5,0 2,7
Funcionários encarregados de controle do ponto e folha de pagamento 43-3051 172,8 166,9 0,1 0,1 -5,9 -3,4 46,3
Compradores 43-3061 72,3 66,3 0,0 0,0 -6,0 -8,3 25,1
Recebedores e pagadores 43-3071 520,5 480,5 0,3 0,3 -40,0 -7,7 203,6
Demais funcionários das áreas financeiras 43-3099 38,1 41,6 0,0 0,0 3,4 9,0 13,7
Encarregados de registros e guarda de informações 43-4000 5.634,3 6.033,1 3,7 3,8 398,8 7,1 1.798,6
Funcionários de corretagem 43-4011 57,2 62,4 0,0 0,0 5,2 9,0 19,1
Encarregados de correspondência 43-4021 8,4 7,2 0,0 0,0 -1,2 -14,7 2,3
Serventuários da justiça, funcionários municipais e emissores de licenças 43-4031 140,8 147,1 0,1 0,1 6,3 4,5 14,8
Funcionários autorizadores e verificadores de crédito 43-4041 46,1 43,3 0,0 0,0 -2,8 -6,2 3,8
Representantes de serviços ao cliente 43-4051 2.581,8 2.834,8 1,7 1,8 252,9 9,8 888,7
Entrevistadores de elegibilidade para programas do governo 43-4061 129,9 132,0 0,1 0,1 2,1 1,6 16,3
Arquivistas 43-4071 159,0 150,1 0,1 0,1 -8,9 -5,6 32,0
Atendentes de hotéis 43-4081 243,2 265,1 0,2 0,2 21,9 9,0 147,7
Entrevistadores, exceto para programas de governo e empréstimos 43-4111 198,0 208,3 0,1 0,1 10,4 5,2 55,5
Assistentes de bibliotecas 43-4121 108,8 114,7 0,1 0,1 5,9 5,4 39,6
Entrevistadores para crédito e empréstimos 43-4131 213,8 232,3 0,1 0,1 18,5 8,6 51,3
Encarregados da abertura de novas contas 43-4141 52,9 48,6 0,0 0,0 -4,3 -8,2 12,9
Encarregados do recebimento de pedidos e ordens de compra 43-4151 195,9 194,3 0,1 0,1 -1,5 -0,8 53,1
Assistentes de recursos humanos, exceto folha de pagamentos 43-4161 140,6 134,8 0,1 0,1 -5,8 -4,1 15,9
Recepcionistas e atendentes de balcão de informações 43-4171 1.028,6 1.126,3 0,7 0,7 97,8 9,5 375,0
Atendentes encarregados de vender e marcar passagens e reservas 43-4181 140,8 138,8 0,1 0,1 -2,0 -1,4 17,7
Demais profissionais encarregados de prestar informações 43-4199 188,5 193,0 0,1 0,1 4,6 2,4 53,0
Trabalhadores de transportadoras e logísticas 43-5000 3.919,4 3.877,5 2,6 2,4 -41,9 -1,1 1.162,6
Agentes de fretes e cargas 43-5011 78,8 84,3 0,1 0,1 5,5 7,0 31,3
Couriers e mensageiros 43-5021 92,9 97,7 0,1 0,1 4,8 5,2 16,5
Despachantes operacionais e atendentes 43-5030 301,5 307,3 0,2 0,2 5,8 1,9 84,1
Atendentes da policia, bombeiros e ambulâncias 43-5031 102,0 99,0 0,1 0,1 -3,0 -2,9 25,5
Atendentes, exceto de polícia, bombeiros e ambulâncias 43-5032 199,5 208,2 0,1 0,1 8,8 4,4 58,6
Leitores de eletricidade, água, gás e similares 43-5041 37,4 30,6 0,0 0,0 -6,7 -18,0 6,7
Carteiros e entregadores de encomendas 43-5050 484,6 348,6 0,3 0,2 -136,0 -28,1 79,4
Funcionários dos correios 43-5051 69,6 51,3 0,0 0,0 -18,3 -26,2 8,4
Entregadores dos correios 43-5052 297,4 219,4 0,2 0,1 -78,1 -26,2 57,4
Separadores de correspondências e encomendas dos correios 43-5053 117,6 78,0 0,1 0,0 -39,7 -33,7 13,6
Funcionários de expedição 43-5061 304,6 310,9 0,2 0,2 6,3 2,1 88,9
Funcionários do envio, recebimentos e tráfego de mercadorias 43-5071 670,2 655,7 0,4 0,4 -14,5 -2,2 145,5
Repositores de mercadorias e estoquistas 43-5081 1.878,1 1.971,1 1,2 1,2 92,9 4,9 689,0
Separadores, mensuradores, conferentes e controladores 43-5111 71,3 71,2 0,0 0,0 -0,1 -0,1 21,1
Secretarias e assistentes de administração 43-6000 3.976,8 4.095,6 2,6 2,6 118,8 3,0 591,5
Secretárias executivas e assistentes de administração 43-6011 776,6 732,0 0,5 0,5 -44,6 -5,7 81,9
Secretárias legais 43-6012 215,5 206,7 0,1 0,1 -8,9 -4,1 22,7
Secretárias que atuam no setor de saúde 43-6013 527,6 635,8 0,4 0,4 108,2 20,5 163,8
Demais secretárias e assistentes administrativos, exceto legal e médica 43-6014 2.457,0 2.521,1 1,6 1,6 64,0 2,6 323,1
Outros funcionários de escritório e suporte administrativo 43-9000 4.200,3 4.262,0 2,8 2,7 61,6 1,5 1.020,6
Operadores de computador 43-9011 61,1 49,5 0,0 0,0 -11,6 -19,0 4,6
Digitadores de entrada de dados e processadores de informações 43-9020 307,5 285,4 0,2 0,2 -22,1 -7,2 30,7
Digitadores de entrada de dados 43-9021 216,8 208,9 0,1 0,1 -7,9 -3,7 27,6
Digitadores de texto 43-9022 90,7 76,5 0,1 0,0 -14,2 -15,7 3,1
Profissionais de editoração eletrônica 43-9031 14,8 11,7 0,0 0,0 -3,1 -21,0 4,0
Profissionais encarregados do recebimento de solicitações de seguro 43-9041 285,4 303,1 0,2 0,2 17,7 6,2 89,2
Operadores de maquinas de postagem, exceto funcionários dos correios 43-9051 104,9 85,1 0,1 0,1 -19,8 -18,8 21,4
Empregados de escritório em geral 43-9061 3.062,5 3.158,2 2,0 2,0 95,8 3,1 756,2
Operadores de equipamentos em escritórios, exceto computadores 43-9071 69,6 58,0 0,0 0,0 -11,5 -16,6 15,8
Revisores e xerocopistas 43-9081 13,6 13,3 0,0 0,0 -0,3 -2,4 2,6
Assistentes de estatística 43-9111 16,6 14,8 0,0 0,0 -1,8 -10,9 6,7
Demais empregados de escritório e de atividades administrativas 43-9199 264,5 282,9 0,2 0,2 18,4 7,0 89,5
Ocupações em agricultura, pesca e silvicultura 45-0000 972,1 914,9 0,6 0,6 -57,2 -5,9 253,1
Supervisores em agricultura, pesca e silvicultura 45-1000 47,1 43,3 0,0 0,0 -3,9 -8,2 11,5
Supervisores de linha de frente em agricultura, pesca e silvicultura 45-1011 47,1 43,3 0,0 0,0 -3,9 -8,2 11,5
Trabalhadores agrícolas 45-2000 828,9 777,1 0,6 0,5 -51,7 -6,2 218,0
Inspetores agrícolas 45-2011 14,2 14,1 0,0 0,0 -0,1 -0,6 3,6
Encarregados de animais 45-2021 7,0 6,9 0,0 0,0 -0,1 -1,6 1,9
Classificadores de produtos agrícolas 45-2041 53,0 48,9 0,0 0,0 -4,1 -7,8 8,5
Diversos trabalhadores agrícolas 45-2090 754,7 707,3 0,5 0,4 -47,4 -6,3 204,1
Operadores de equipamentos agrícolas 45-2091 57,8 60,9 0,0 0,0 3,1 5,4 18,5
Trabalhadores em colheita, estufas e mudas 45-2092 470,2 427,3 0,3 0,3 -42,9 -9,1 125,2
Trabalhadores em fazendas, sítios e fazendas de aquacultura 45-2093 216,1 209,1 0,1 0,1 -7,0 -3,2 57,5
Demais trabalhadores agrícolas 45-2099 10,6 10,0 0,0 0,0 -0,6 -5,7 2,8
Trabalhadores de caça e pesca 45-3000 28,4 28,2 0,0 0,0 -0,2 -0,7 7,0
Madeireiros e trabalhadores em conservação de florestas 45-4000 67,7 66,3 0,0 0,0 -1,4 -2,0 16,6
Trabalhadores em silvicultura e conservação de florestas 45-4011 14,0 14,6 0,0 0,0 0,6 4,2 3,9
Trabalhadores em silvicultura 45-4020 53,7 51,7 0,0 0,0 -2,0 -3,6 12,7
Lenhadores 45-4021 8,2 6,8 0,0 0,0 -1,4 -17,2 2,0
Registro dos operadores de equipamentos 45-4022 37,3 37,1 0,0 0,0 -0,1 -0,3 8,8
Operadores de niveladoras e medidores 45-4023 3,7 3,7 0,0 0,0 -0,1 -2,0 0,9
Demais atividades em corte de madeira 45-4029 4,5 4,1 0,0 0,0 -0,3 -7,5 1,1
Ocupações de extração e construção 47-0000 6.501,7 7.160,7 4,3 4,5 659,0 10,1 1.682,2
Supervisores de construção e extração 47-1000 578,4 636,1 0,4 0,4 57,7 10,0 103,6
Supervisores de trabalhadores em construção e extração 47-1011 578,4 636,1 0,4 0,4 57,7 10,0 103,6
Atividades ligadas à construção 47-2000 4.995,7 5.509,7 3,3 3,4 514,0 10,3 1.290,4
Caldeireiros 47-2011 17,4 19,0 0,0 0,0 1,5 8,7 4,2
Pedreiros, tijoleiros, assentadores de tijolos 47-2020 93,1 109,7 0,1 0,1 16,6 17,9 24,4
Assentadores de tijolos 47-2021 78,1 92,6 0,1 0,1 14,5 18,6 21,0
Pedreiros 47-2022 14,9 17,1 0,0 0,0 2,1 14,3 3,4
Carpinteiros 47-2031 945,4 1.005,8 0,6 0,6 60,4 6,4 169,1
Tapeceiros, instaladores de azulejos e cerâmicas 47-2040 125,4 131,3 0,1 0,1 5,9 4,7 23,7
Instaladores de carpetes 47-2041 45,3 45,1 0,0 0,0 -0,2 -0,5 6,3
Instaladores de pisos, exceto carpete, madeira e cerámica 47-2042 17,1 19,2 0,0 0,0 2,1 12,2 4,5
Lixadores de piso e finalizadores 47-2043 7,9 8,4 0,0 0,0 0,5 6,2 1,6
Aplicadores de cerâmica e revestimentos 47-2044 55,1 58,7 0,0 0,0 3,5 6,4 11,3
Concreteiros, especialistas em acabamento de concreto 47-2050 158,5 179,1 0,1 0,1 20,6 13,0 39,9
Pedreiros especializados em cimento e concreto 47-2051 155,2 175,5 0,1 0,1 20,3 13,1 39,2
Pedreiros especializados em pisos cimento simples e decorados 47-2053 3,4 3,6 0,0 0,0 0,2 7,3 0,7
Trabalhadores da construção 47-2061 1.159,1 1.306,5 0,8 0,8 147,4 12,7 378,6
Operadores de equipamentos de construção 47-2070 424,8 467,9 0,3 0,3 43,2 10,2 118,2
Operadores de equipamento de pavimentação e coloocação de trilhos 47-2071 57,7 63,0 0,0 0,0 5,3 9,2 19,1
Operadores de bate-estacas 47-2072 3,7 4,3 0,0 0,0 0,6 16,6 1,2
Engenheiros de operação e de equipamentos de construção 47-2073 363,4 400,6 0,2 0,2 37,2 10,2 97,8
Instaladores de drywall e tetos modulados 47-2080 127,0 133,6 0,1 0,1 6,6 5,2 14,4
Instaladores de drywall 47-2081 106,0 111,5 0,1 0,1 5,5 5,2 12,0
Colocadores de trilhos 47-2082 21,0 22,1 0,0 0,0 1,1 5,2 2,4
Eletricistas 47-2111 628,8 714,7 0,4 0,4 85,9 13,7 181,8
Vidraceiros 47-2121 45,3 47,2 0,0 0,0 1,9 4,1 8,4
Trabalhadores de isolamento 47-2130 55,6 63,0 0,0 0,0 7,4 13,3 26,2
Trabalhadores do isolamento de pisos, tetos e paredes 47-2131 25,6 27,1 0,0 0,0 1,5 6,1 10,2
Trabalhadores de isolamento – maquinistas 47-2132 30,1 35,9 0,0 0,0 5,8 19,4 16,0
Pintores e aplicadores de papel de parede 47-2140 367,0 393,7 0,2 0,2 26,7 7,3 85,1
Pintores de construção e manutenção 47-2141 360,5 387,1 0,2 0,2 26,5 7,4 83,9
Aplicadores de papel 47-2142 6,4 6,6 0,0 0,0 0,2 2,4 1,2
Assentador de tubos e encanadores 47-2150 470,8 525,1 0,3 0,3 54,3 11,5 116,5
Assentadores de tubos 47-2151 45,7 51,0 0,0 0,0 5,2 11,4 11,3
Encanadores e instaladores de caldeiras 47-2152 425,0 474,1 0,3 0,3 49,1 11,5 105,2
Estucadores e aplicadores de reboco 47-2161 27,0 28,9 0,0 0,0 1,9 7,1 3,1
Armadores de ferro e vergalhões 47-2171 18,7 23,1 0,0 0,0 4,4 23,4 7,2
Assentador de tetos 47-2181 123,4 139,3 0,1 0,1 15,8 12,8 34,7
Trabalhadores em chapas metálicas 47-2211 141,0 150,5 0,1 0,1 9,4 6,7 39,8
Trabalhadores em estrutura metálicas 47-2221 61,4 64,2 0,0 0,0 2,7 4,5 13,0
Instaladores de tetos solares 47-2231 5,9 7,4 0,0 0,0 1,4 24,3 2,3
Ajudantes em atividades de construção 47-3000 227,3 260,0 0,2 0,2 32,7 14,4 61,3
Ajudantes de pedreiro 47-3011 23,5 28,8 0,0 0,0 5,3 22,4 8,2
Ajudantes de carpinteiro 47-3012 39,7 42,7 0,0 0,0 3,0 7,5 8,0
Ajudantes de eletricista 47-3013 69,0 81,5 0,0 0,1 12,5 18,0 21,1
Ajudantes de pintor, gesseiro, estucadores e similares 47-3014 11,9 13,1 0,0 0,0 1,2 10,5 2,7
Ajudantes de encanadores, instaladores de dutos e de caldeiras 47-3015 52,4 59,4 0,0 0,0 7,0 13,4 13,6
Ajudantes de assentadores de teto 47-3016 11,3 13,0 0,0 0,0 1,7 15,3 3,1
Demais ajudantes de especialidades construtivas 47-3019 19,5 21,5 0,0 0,0 2,0 10,2 4,4
Outros trabalhadores do setor de construções 47-4000 418,2 449,5 0,3 0,3 31,3 7,5 133,0
Inspetores do setor de construções 47-4011 101,2 109,2 0,1 0,1 8,1 8,0 36,3
Instaladores e mecânicos de elevadores 47-4021 20,7 23,4 0,0 0,0 2,7 13,0 5,9
Construtores de cercas 47-4031 24,4 26,4 0,0 0,0 2,0 8,0 6,7
Removedores de materiais perigosos 47-4041 43,7 47,0 0,0 0,0 3,3 7,4 13,0
Trabalhadores de manutenção rodoviária 47-4051 151,3 158,6 0,1 0,1 7,3 4,8 47,6
Operadores de instaladores de trilhos e manutenção ferroviária 47-4061 15,6 17,0 0,0 0,0 1,5 9,3 5,3
Limpadores de tanques sépticos e de esgoto 47-4071 24,7 28,7 0,0 0,0 4,0 16,3 10,1
Diversos trabalhadores de construção e atividades similares 47-4090 36,6 39,2 0,0 0,0 2,6 7,0 8,1
Pavimentadores 47-4091 1,3 1,4 0,0 0,0 0,1 9,3 0,3
Outros profissionais do setor de construções 47-4099 35,4 37,8 0,0 0,0 2,4 6,9 7,8
Trabalhadores extrativistas 47-5000 282,2 305,4 0,2 0,2 23,2 8,2 94,0
Operadores de gruas, perfuradoras, e equipamentos de mineração 47-5010 114,3 125,5 0,1 0,1 11,1 9,7 50,2
Operadores de gruas e perfuradoras 47-5011 21,7 24,6 0,0 0,0 2,9 13,3 10,3
Operadores de perfuradores rotativos 47-5012 27,7 31,2 0,0 0,0 3,5 12,7 13,0
Operadores de serviços de manutenção em perfuradores 47-5013 64,9 69,6 0,0 0,0 4,7 7,3 26,9
Operadores de perfuradoras de solo, exceto óleo e gás 47-5021 20,0 22,7 0,0 0,0 2,7 13,6 7,2
Peritos em explosivos, manuseio de munições e dinamitadores 47-5031 8,1 8,4 0,0 0,0 0,3 3,9 1,9
Operadores de equipamentos de mineração 47-5040 22,3 21,5 0,0 0,0 -0,8 -3,5 4,3
Operadores de equipamentos de mineração contínua 47-5041 12,3 11,6 0,0 0,0 -0,6 -5,3 2,4
Operadores de máquinas de Mine corte e canalização em mineração 47-5042 7,4 7,3 0,0 0,0 -0,1 -1,8 1,4
Operadores de máquinas de mineração 47-5049 2,6 2,6 0,0 0,0 0,0 0,3 0,5
Trabalhadores em minas e pedreiras 47-5051 3,7 3,9 0,0 0,0 0,3 6,9 0,7
Mineiros chumbadores de ancoras 47-5061 6,0 5,3 0,0 0,0 -0,6 -10,8 0,7
Trabalhadores em plataformas e campos de extração de petróleo e gás 47-5071 76,4 82,7 0,1 0,1 6,3 8,3 21,3
Ajudantes de extração 47-5081 25,8 29,0 0,0 0,0 3,2 12,6 6,2
Outros trabalhadores de extração mineral 47-5099 5,7 6,3 0,0 0,0 0,7 11,9 1,3
Ocupações em instalação, manutenção e reparos 49-0000 5.680,5 6.046,0 3,8 3,8 365,5 6,4 1.708,9
Supervisores de trabalhadores em instalação, manutenção e reparos 49-1000 447,1 471,4 0,3 0,3 24,3 5,4 113,5
Supervisores de linha de frente de mecânicos, instaladores e reparadores 49-1011 447,1 471,4 0,3 0,3 24,3 5,4 113,5
Mecânicos, instaladores e reparadores de equipamentos elétricos e eletrônicos 49-2000 610,9 610,7 0,4 0,4 -0,2 0,0 109,4
Mecânicos de computadores, caixas eletrônicos e máquinas de escritório 49-2011 131,6 134,8 0,1 0,1 3,2 2,4 28,6
Instaladores e reparadores de equipamentos de rádio e telecomunicações 49-2020 232,2 225,2 0,2 0,1 -7,0 -3,0 21,8
Instaladores e reparadores de torres de rádio e telefonia 49-2021 13,6 14,4 0,0 0,0 0,8 6,0 2,1
Instaladores e reparadores de equipamentos de telecomunicações 49-2022 218,6 210,8 0,1 0,1 -7,8 -3,6 19,7
Diversos mecânicos, instaladores e reparadores de equipamentos eletrônicos 49-2090 247,1 250,7 0,2 0,2 3,6 1,5 59,0
Técnicos em aviônica 49-2091 17,4 17,5 0,0 0,0 0,1 0,4 3,1
Reparadores de motores, ferramentas elétricas e similares 49-2092 19,3 20,0 0,0 0,0 0,7 3,6 6,0
Instaladores e reparadores de equipamento de equipamentos de transporte 49-2093 14,8 15,4 0,0 0,0 0,7 4,4 3,2
Reparadores de equipamentos elétricos industriais e comerciais 49-2094 67,8 67,8 0,0 0,0 0,1 0,1 11,8
Reparadores de casas de força, subestações e retransmissores elétricos 49-2095 22,7 21,7 0,0 0,0 -1,0 -4,5 3,9
Mecânicos de parte elétrica de veículos automotores 49-2096 11,5 5,8 0,0 0,0 -5,8 -50,0 2,0
Instaladores e reparadores de equipamentos eletrônicos domésticos 49-2097 29,6 30,3 0,0 0,0 0,7 2,4 4,9
Instaladores de sistemas de segurança e alarme de incêndio 49-2098 64,0 72,3 0,0 0,0 8,2 12,9 24,1
Mecânicos, reparadores e instaladores de veículos e equipamentos móveis 49-3000 1.678,8 1.786,5 1,1 1,1 107,8 6,4 518,7
Mecânicos de aeronaves 49-3011 119,9 121,5 0,1 0,1 1,6 1,3 30,1
Técnicos e mecânicos de automóveis 49-3020 909,0 963,3 0,6 0,6 54,3 6,0 289,4
Funileiros e chapeadores reparadores da lataria de automóveis 49-3021 149,7 163,5 0,1 0,1 13,7 9,2 48,1
Instaladores e reparadores de vidros de automóveis 49-3022 19,3 20,8 0,0 0,0 1,5 7,8 4,1
Mecânicos de automóveis 49-3023 739,9 779,0 0,5 0,5 39,1 5,3 237,2
Mecânicos de ônibus e caminhões e especialistas em motores diesel 49-3031 263,9 295,5 0,2 0,2 31,6 12,0 76,9
Técnicos e mecânicos de veículos e equipamento móvel pesado 49-3040 186,5 196,5 0,1 0,1 10,1 5,4 54,1
Mecânicos e técnicos de equipamentos agrícolas 49-3041 40,3 43,2 0,0 0,0 2,9 7,2 12,4
Mecânicos de equipamentos pesados, exceto motores 49-3042 124,7 131,3 0,1 0,1 6,6 5,3 36,0
Mecânicos de trens, vagões e equipamentos ferroviários 49-3043 21,5 22,0 0,0 0,0 0,6 2,7 5,7
Mecânicos de motores pequenos 49-3050 71,7 74,9 0,0 0,0 3,2 4,4 17,6
Mecânicos e técnicos de motores marítimos 49-3051 22,5 23,1 0,0 0,0 0,6 2,7 5,1
Mecânicos de motocicletas 49-3052 17,0 18,0 0,0 0,0 1,0 6,0 4,4
Mecânicos de equipamentos de jardinagem motorizados 49-3053 32,3 33,8 0,0 0,0 1,5 4,8 8,1
Diversos mecânicos e instaladores de veículos e equipamentos 49-3090 127,8 134,9 0,1 0,1 7,1 5,5 50,6
Mecânicos de bicicleta 49-3091 10,8 13,2 0,0 0,0 2,3 21,7 6,0
Mecânicos de veículos de recreação 49-3092 11,4 11,8 0,0 0,0 0,4 3,3 4,3
Borracheiros 49-3093 105,5 109,9 0,1 0,1 4,3 4,1 40,3
Oura ocupações de instalação, manutenção e reparo 49-9000 2.943,7 3.177,3 2,0 2,0 233,6 7,9 967,4
Instaladores e reparadores de válvulas e controle 49-9010 59,8 61,9 0,0 0,0 2,1 3,4 25,7
Reparadores de portas automáticas 49-9011 17,4 19,3 0,0 0,0 1,9 10,7 8,7
Instaladores e mecânicos de válvulas de controle, exceto de portas 49-9012 42,4 42,6 0,0 0,0 0,2 0,5 16,9
Instaladores e mecânicos de aquecedores e ar condicionado 49-9021 292,0 331,6 0,2 0,2 39,6 13,6 84,2
Reparadores de eletrodomésticos 49-9031 46,4 44,8 0,0 0,0 -1,6 -3,4 12,5
Mecânicos de manutenção de equipamentos e maquinaria Industrial 49-9040 466,2 539,6 0,3 0,3 73,4 15,7 182,9
Mecânicos de maquinaria Industrial 49-9041 332,2 391,9 0,2 0,2 59,7 18,0 145,9
Trabalhadores de manutenção em equipamentos e maquinaria 49-9043 91,2 98,7 0,1 0,1 7,4 8,2 22,1
Construtor e mantenedor de moinhos 49-9044 40,9 47,1 0,0 0,0 6,2 15,2 14,5
Reparador de materiais refratários, exceto assentador de tijolos 49-9045 1,8 1,8 0,0 0,0 0,0 0,7 0,5
Instaladores de reparadores de cabeamento 49-9050 236,6 250,3 0,2 0,2 13,7 5,8 82,5
Instaladores e reparadores de fiação elétrica 49-9051 118,6 131,6 0,1 0,1 13,0 11,0 60,3
Instaladores e reparadores de linhas de telecomunicações 49-9052 118,0 118,7 0,1 0,1 0,7 0,6 22,2
Reparadores de equipamentos e instrumentos de precisão 49-9060 75,8 78,7 0,1 0,0 2,9 3,9 17,2
Reparadores de câmeras e equipamentos fotográficos 49-9061 3,7 3,8 0,0 0,0 0,2 4,7 0,8
Reparadores de equipamentos médicos 49-9062 48,0 50,9 0,0 0,0 2,9 6,1 11,5
Reparadores e afinadores de instrumentos musicais 49-9063 8,6 8,9 0,0 0,0 0,4 4,2 1,9
Relojoeiros 49-9064 2,7 2,0 0,0 0,0 -0,7 -25,7 0,5
Outros reparadores de instrumentos e equipamentos de precisão 49-9069 12,8 13,0 0,0 0,0 0,2 1,4 2,5
Outros trabalhadores de manutenção e reparos em geral 49-9071 1.374,7 1.458,1 0,9 0,9 83,5 6,1 443,7
Técnicos de turbinas de vento 49-9081 4,4 9,2 0,0 0,0 4,8 108,0 5,5
Diversos outros trabalhadores de instalação e manutenção 49-9090 387,8 403,1 0,3 0,3 15,2 3,9 113,2
Mecânicos de máquinas caça níqueis e vendedoras automáticos 49-9091 34,9 31,9 0,0 0,0 -3,0 -8,7 4,6
Mergulhadores profissionais 49-9092 4,4 6,0 0,0 0,0 1,6 36,9 2,3
Cerzidores de tecidos, exceto vestuário 49-9093 0,8 0,7 0,0 0,0 -0,1 -12,6 0,1
Chaveiros e reparadores de cofres 49-9094 20,9 17,8 0,0 0,0 -3,1 -14,8 10,7
Instaladores e de edificações pré-fabricadas 49-9095 4,0 2,8 0,0 0,0 -1,2 -30,0 1,0
Operadores de cargas pesadas 49-9096 20,8 22,6 0,0 0,0 1,8 8,7 7,2
Reparadores de sinalização e de chaves de desvio de trilhos 49-9097 9,5 9,5 0,0 0,0 0,0 -0,1 1,5
Ajudantes e instalação, manutenção e reparo 49-9098 129,0 141,2 0,1 0,1 12,2 9,4 53,8
Outros trabalhadores em instalação, reparo e manutenção 49-9099 163,5 170,6 0,1 0,1 7,1 4,3 32,0
Ocupações na produção 51-0000 9.230,3 8.948,3 6,1 5,6 -282,1 -3,1 2.220,8
Supervisores de trabalhadores da produção 51-1000 606,9 588,2 0,4 0,4 -18,7 -3,1 95,9
Supervisores de linha-de-frente de trabalhadores e operadores de produção 51-1011 606,9 588,2 0,4 0,4 -18,7 -3,1 95,9
Montadores e fabricantes 51-2000 1.834,0 1.824,3 1,2 1,1 -9,7 -0,5 377,2
Estrutura de aeronaves, superfícies, rebitagem e sistemas 51-2011 40,6 38,6 0,0 0,0 -2,0 -4,9 8,1
Montadores de dispositivos eletromecânicos, elétricos e eletrônicos 51-2020 269,4 255,8 0,2 0,2 -13,6 -5,0 33,2
Enroladores de bobinas, reguladores e finalizadores 51-2021 14,9 14,1 0,0 0,0 -0,9 -5,7 1,8
Montadores de equipamentos elétricos e eletrônicos 51-2022 207,2 197,0 0,1 0,1 -10,2 -4,9 25,5
Montadores de equipamentos eletromecânicos 51-2023 47,2 44,7 0,0 0,0 -2,5 -5,3 5,8
Montadores de motores e outras máquinas 51-2031 39,0 39,0 0,0 0,0 0,0 0,1 7,8
Fabricantes e instaladores de estruturas mecânias 51-2041 79,2 80,8 0,1 0,1 1,6 2,0 14,6
Diversos outros montadores e manufatores 51-2090 1.405,8 1.410,1 0,9 0,9 4,3 0,3 313,4
Laminadores de fibra de vidro 51-2091 19,2 18,6 0,0 0,0 -0,6 -3,3 4,1
Equipes de montagem 51-2092 1.144,2 1.137,7 0,8 0,7 -6,5 -0,6 245,7
Instaladores e ajustadores de dispositivos de tempo 51-2093 1,7 1,6 0,0 0,0 0,0 -1,9 0,4
Outros montadores e fabricadores 51-2099 240,7 252,2 0,2 0,2 11,5 4,8 63,2
Trabalhadores e processadores de alimentos 51-3000 786,1 808,9 0,5 0,5 22,7 2,9 186,1
Padeiros 51-3011 185,3 198,3 0,1 0,1 13,0 7,0 53,6
Açougueiros e outros processadores de carne, frango e peixes 51-3020 377,9 384,2 0,3 0,2 6,3 1,7 81,6
Açougueiros e cortadores de carne 51-3021 139,0 146,0 0,1 0,1 7,0 5,0 34,4
Aparadores de carne, frango e peixes 51-3022 152,4 152,3 0,1 0,1 -0,2 -0,1 30,1
Abatedores e embaladores de carnes 51-3023 86,4 85,9 0,1 0,1 -0,5 -0,6 17,1
Diversos trabalhadores do processamento de alimentos 51-3090 223,0 226,3 0,1 0,1 3,3 1,5 51,0
Encarregados de torrar, sovar e secar tabaco e alimentos 51-3091 18,5 18,7 0,0 0,0 0,1 0,7 4,0
Processadores de alimentos 51-3092 122,5 122,0 0,1 0,1 -0,5 -0,4 26,4
Operadores de boilers, caldeiras e autoclaves da indústria de alimentos 51-3093 37,5 38,0 0,0 0,0 0,5 1,3 8,3
Demais trabalhadores em industrias de alimentos 51-3099 44,4 47,7 0,0 0,0 3,3 7,4 12,4
Trabalhadores em indústrias de metais e plásticos 51-4000 1.971,5 1.872,5 1,3 1,2 -99,0 -5,0 562,7
Programadores e operadores de computador 51-4010 173,9 204,7 0,1 0,1 30,7 17,7 83,6
Operadores de maquinas de comando numérico computadorizado 51-4011 148,8 174,8 0,1 0,1 26,0 17,5 71,2
Programadores de maquinas controladas por computador 51-4012 25,1 29,9 0,0 0,0 4,8 18,9 12,4
Encarregados de máquinas de moldagem 51-4020 128,8 101,7 0,1 0,1 -27,1 -21,0 31,7
Encarregados de máquinas de extrusão 51-4021 73,4 55,5 0,0 0,0 -17,9 -24,4 18,1
Encarregados de altos fornos de aciarias e forjarias 51-4022 21,6 17,0 0,0 0,0 -4,6 -21,5 5,3
Operadores de laminadoras de metais e plásticos 51-4023 33,7 29,1 0,0 0,0 -4,6 -13,5 8,3
Encarregados e operadores de guilhotinas de metais e plásticos 51-4030 346,7 274,6 0,2 0,2 -72,0 -20,8 71,6
Operadores de prensas, laminadoras, guilhotinas de metais e plásticos 51-4031 192,2 152,7 0,1 0,1 -39,5 -20,6 24,3
Operadores de puncionadeiras e furadeiras de metais e plásticos 51-4032 17,8 14,1 0,0 0,0 -3,7 -20,5 3,1
Operadores de politrizes, moageiras, fatiadoras, de metais e plástico 51-4033 71,4 55,8 0,0 0,0 -15,7 -21,9 29,8
Operadores de tornos e maquinas rotativas de metais e plásticos 51-4034 42,9 34,3 0,0 0,0 -8,6 -20,0 10,6
Operadores de moagem e aplainamento de metais e plásticos 51-4035 22,4 17,8 0,0 0,0 -4,6 -20,6 3,9
Maquinistas 51-4041 399,7 438,9 0,3 0,3 39,2 9,8 154,7
Operadores e encarregados de altos fornos, cadinhos e moldes 51-4050 31,0 27,4 0,0 0,0 -3,6 -11,7 9,9
Operadores e encarregados de fornalhas de refinamentos de metais 51-4051 21,2 20,2 0,0 0,0 -1,0 -4,8 6,7
Operadores de cadinhos, vazadores e moldes de metais 51-4052 9,8 7,2 0,0 0,0 -2,6 -26,6 3,1
Construtores de modelos, moldes e padrões para metais e plásticos 51-4060 10,1 7,8 0,0 0,0 -2,2 -22,2 1,8
Construtores de moldes para polímeros 51-4061 6,2 4,9 0,0 0,0 -1,3 -21,5 1,1
Desenhistas de moldes para recorte de metais e plásticos 51-4062 3,8 2,9 0,0 0,0 -0,9 -23,4 0,7
Operadores e encarregados de maquinas de moldar plásticos e metais 51-4070 141,5 105,8 0,1 0,1 -35,7 -25,2 21,0
Modeladores e produtores de modelos e moldes 51-4071 12,0 8,7 0,0 0,0 -3,3 -27,7 1,8
Operadores de modeladores, macharia e vazadores de metais e plásticos 51-4072 129,5 97,2 0,1 0,1 -32,3 -25,0 19,2
Encarregados e operadores de máquinas múltiplas para metais e plásticos 51-4081 99,8 97,3 0,1 0,1 -2,5 -2,5 17,3
Ferramenteiros e construtores de ferramentas de corte 51-4111 77,8 67,7 0,1 0,0 -10,1 -13,0 3,8
Soldadores, cortadores e desbastadores 51-4120 457,5 461,2 0,3 0,3 3,7 0,8 145,6
Soldadores, cortadores e desbastadores 51-4121 397,9 412,3 0,3 0,3 14,4 3,6 128,5
Operadores de máquinas de solda, fusão e desbaste 51-4122 59,5 48,8 0,0 0,0 -10,7 -18,0 17,1
Diversos trabalhadores de metis e plásticos 51-4190 104,7 85,4 0,1 0,1 -19,2 -18,4 21,6
Operadores de equipamentos de tratamento térmico para metais e plásticos 51-4191 21,3 17,2 0,0 0,0 -4,2 -19,6 3,7
Trabalhadores de Layout em metal e plástico 51-4192 13,4 10,7 0,0 0,0 -2,7 -20,1 2,3
Operadores de máquinas de galvanização e revestimento de metais e plásticos 51-4193 36,1 29,4 0,0 0,0 -6,7 -18,4 8,9
Afiadores de ferramentas, moedores e enchedores 51-4194 11,5 9,5 0,0 0,0 -2,0 -17,5 2,8
Outros trabalhadores em metal e plásticos 51-4199 22,4 18,7 0,0 0,0 -3,7 -16,6 3,9
Impressores e técnicos de impressão 51-5100 260,7 223,1 0,2 0,1 -37,6 -14,4 39,4
Técnicos e trabalhadores de pré-impressão 51-5111 36,5 27,5 0,0 0,0 -9,0 -24,6 5,7
Operadores de impressão 51-5112 173,0 151,4 0,1 0,1 -21,6 -12,5 26,0
Dobradores e técnicos de pós impressão 51-5113 51,2 44,2 0,0 0,0 -7,0 -13,7 7,7
Trabalhadores têxteis, vestuário e confecção 51-6000 643,4 567,4 0,4 0,4 -76,0 -11,8 102,0
Trabalhadores em lavanderias 51-6011 208,2 212,0 0,1 0,1 3,7 1,8 33,6
Passadores de têxteis, vestuários e correlatos 51-6021 51,5 48,1 0,0 0,0 -3,4 -6,6 12,1
Costureiros e costureiras 51-6031 153,9 112,2 0,1 0,1 -41,7 -27,1 9,4
Sapateiros e trabalhadores em calçados e couros 51-6040 13,3 10,7 0,0 0,0 -2,6 -19,2 2,0
Sapateiros e trabalhadores em couro, inclusive reparos 51-6041 9,7 8,2 0,0 0,0 -1,5 -15,1 1,6
Encarregados e operadores de maquinas de calçados 51-6042 3,5 2,5 0,0 0,0 -1,1 -30,5 0,4
Alfaiates, modistas, costureiras e costureiros 51-6050 52,5 47,9 0,0 0,0 -4,6 -8,8 17,5
Costureiros à mão 51-6051 12,0 10,8 0,0 0,0 -1,2 -9,8 4,0
Alfaiates, modistas e costureiras sob encomenda 51-6052 40,5 37,0 0,0 0,0 -3,4 -8,5 13,5
Operadores e encarregados de máquinas têxteis 51-6060 79,9 60,5 0,1 0,0 -19,4 -24,3 12,3
Operadores de máquinas de branqueamento e tingimento de têxteis 51-6061 11,7 8,9 0,0 0,0 -2,8 -23,9 1,2
Operadores de máquinas de corte de têxteis 51-6062 14,3 10,6 0,0 0,0 -3,7 -25,7 2,3
Operadores de máquinas de malharia e tecelagem 51-6063 27,9 20,6 0,0 0,0 -7,3 -26,2 4,6
Operadores e encarregados de máquinas de torção, enrolamento e extração 51-6064 26,0 20,3 0,0 0,0 -5,6 -21,7 4,2
Diversos trabalhadores têxteis, de vestuário e de armarinhos 51-6090 84,0 76,1 0,1 0,0 -8,0 -9,5 15,1
Operadores de extrusoras e de maquinas de moldagem de fibras sintéticas e fibra de vidro 51-6091 20,1 17,3 0,0 0,0 -2,8 -14,1 2,1
Designers de padrões para tecidos e vestuário 51-6092 5,4 4,0 0,0 0,0 -1,4 -26,0 0,6
Estofadores 51-6093 42,2 40,4 0,0 0,0 -1,8 -4,3 10,8
Demais trabalhadores têxteis, de vestuário e armarinhos 51-6099 16,2 14,3 0,0 0,0 -1,9 -11,8 1,7
Marceneiros e carpinteiros 51-7000 254,6 253,1 0,2 0,2 -1,5 -0,6 42,9
Marceneiros e carpinteiros de bancada 51-7011 98,1 99,3 0,1 0,1 1,3 1,3 9,2
Finalizadores de mobiliário 51-7021 17,1 16,7 0,0 0,0 -0,4 -2,4 3,0
Desenvolvedores de modelos e padrões em madeira 51-7030 4,4 4,4 0,0 0,0 0,0 -0,9 1,0
Desenvolvedores de modelos em madeira 51-7031 2,6 2,6 0,0 0,0 0,0 -1,4 0,6
Desenvolvedores de padrões em madeira 51-7032 1,8 1,8 0,0 0,0 0,0 -0,3 0,4
Operadores de máquinas para trabalhos em madeira 51-7040 122,0 119,8 0,1 0,1 -2,2 -1,8 26,7
Operadores de serras de madeira 51-7041 50,0 49,5 0,0 0,0 -0,5 -1,1 14,2
Operadores de máquinas para madeira, exceto serras 51-7042 72,1 70,4 0,0 0,0 -1,7 -2,4 12,5
Demais trabalhadores em madeira 51-7099 12,9 12,9 0,0 0,0 0,0 -0,3 3,0
Operadores de usinas geradoras e sistemas 51-8000 325,2 325,9 0,2 0,2 0,7 0,2 110,7
Operadores de usinas elétricas e de distribuidores de energia 51-8010 60,0 56,7 0,0 0,0 -3,3 -5,6 20,6
Operadores de usinas de eletricidade movidas a energia nuclear 51-8011 7,5 7,4 0,0 0,0 -0,1 -0,9 2,6
Distribuidores de energia elétrica 51-8012 11,4 10,8 0,0 0,0 -0,6 -5,1 3,9
Operadores de usinas geradoras de energia elétrica 51-8013 41,1 38,4 0,0 0,0 -2,7 -6,6 14,1
Engenheiros de usinas elétricas estacionárias e operadores de caldeiras 51-8021 39,1 39,7 0,0 0,0 0,6 1,4 11,2
Operadores de água e de sistemas hidráulicos 51-8031 117,0 124,0 0,1 0,1 7,0 6,0 36,7
Diversos profissionais de usinas e de sistemas de operação 51-8090 109,1 105,6 0,1 0,1 -3,5 -3,2 42,1
Operadores de usinas químicas e de sistemas conexos 51-8091 38,1 34,6 0,0 0,0 -3,5 -9,2 14,4
Operadores de usinas a gás 51-8092 16,7 16,1 0,0 0,0 -0,6 -3,4 6,3
Operadores de bombeamento de petróleo, refinarias e sistemas de mensuração 51-8093 42,4 43,4 0,0 0,0 0,9 2,2 17,0
Outros operadores de usinas e sistemas 51-8099 11,9 11,5 0,0 0,0 -0,4 -3,2 4,5
Outras ocupações de produção 51-9000 2.548,1 2.484,9 1,7 1,5 -63,2 -2,5 703,9
Operadores de máquinas de processos químicos 51-9010 110,1 104,1 0,1 0,1 -6,0 -5,5 34,7
Operadores de equipamentos químicos 51-9011 66,3 60,8 0,0 0,0 -5,5 -8,3 20,9
Operadores, separadores, filtradores, clarificadores e precipitadores 51-9012 43,8 43,3 0,0 0,0 -0,6 -1,3 13,8
Trabalhadores de esmagamento, moagem, polimento e mistura 51-9020 185,2 174,4 0,1 0,1 -10,8 -5,8 40,1
Operadores de esmagamento, moagem e polimento 51-9021 30,2 27,9 0,0 0,0 -2,3 -7,5 6,5
Trabalhadores de esmagamento e polimento manual 51-9022 29,9 27,3 0,0 0,0 -2,6 -8,8 6,5
Operadores de máquinas de mistura e blending 51-9023 125,1 119,2 0,1 0,1 -5,9 -4,7 27,1
Trabalhadores de corte 51-9030 79,4 71,5 0,1 0,0 -7,9 -10,0 15,8
Cortadores e aparadores manuais 51-9031 15,8 13,0 0,0 0,0 -2,8 -17,5 3,1
Operadores e encarregados de máquinas de corte e fatiamento 51-9032 63,6 58,4 0,0 0,0 -5,2 -8,1 12,7
Operadores e encarregados de máquinas de extrusão, injeção, pressão e compactação 51-9041 68,2 59,0 0,0 0,0 -9,2 -13,6 24,4
Operadores de Fornos, kilners, secadores e lavadoras de vapor 51-9051 20,9 18,9 0,0 0,0 -2,0 -9,7 5,5
Inspetores, testadores, classificadores, amostradores e pesadores 51-9061 496,6 495,5 0,3 0,3 -1,1 -0,2 124,8
Joalheiros e trabalhadores de joias e metais e pedras preciosas 51-9071 39,8 35,3 0,0 0,0 -4,5 -11,3 6,2
Técnicos de laboratórios médicos, dentais e oftálmicos 51-9080 83,5 92,2 0,1 0,1 8,7 10,4 28,8
Técnicos de laboratórios dentais 51-9081 38,7 42,9 0,0 0,0 4,2 10,8 13,5
Técnicos de dispositivos médico hospitalares 51-9082 14,6 16,1 0,0 0,0 1,6 10,7 5,1
Técnicos de laboratórios oftálmicos 51-9083 30,2 33,2 0,0 0,0 3,0 9,8 10,2
Operadores de maquinas e preencher e embalar 51-9111 378,4 382,2 0,3 0,2 3,8 1,0 138,7
Trabalhadores de pintura 51-9120 169,5 171,7 0,1 0,1 2,1 1,3 35,2
Operadores de maquinas de cobrir, pintar e pulverizar tinta 51-9121 97,7 97,0 0,1 0,1 -0,7 -0,7 18,4
Pintores de automóveis e equipamentos de transporte 51-9122 54,3 57,5 0,0 0,0 3,2 5,9 13,4
Trabalhadores de pintura, cobertura e decoração 51-9123 17,5 17,2 0,0 0,0 -0,3 -2,0 3,3
Profissionais de processos de semicondutores 51-9141 25,3 23,2 0,0 0,0 -2,1 -8,3 5,2
Trabalhadores de processos fotográficos e de máquinas reveladoras 51-9151 28,8 19,4 0,0 0,0 -9,5 -32,9 5,6
Diversos trabalhadores de produção 51-9190 862,2 837,6 0,6 0,5 -24,6 -2,9 238,9
Operadores de máquinas seladoras e adesivadoras 51-9191 18,4 17,1 0,0 0,0 -1,2 -6,8 4,8
Operadores e máquinas limpadoras, lavadoras e aspiradoras de pó industriais 51-9192 18,5 18,6 0,0 0,0 0,1 0,4 4,9
Operadores de equipamentos de resfriamento e congelamento 51-9193 8,8 8,7 0,0 0,0 -0,1 -0,6 1,8
Gravadores e entalhadores 51-9194 9,7 9,5 0,0 0,0 -0,3 -2,7 2,5
Moldadores, formatadores e fundidores/vazadores 51-9195 41,4 38,9 0,0 0,0 -2,5 -6,0 14,2
Operadores de maquinas de produtos de papel 51-9196 91,9 82,0 0,1 0,1 -9,9 -10,7 13,0
Fabricantes de pneus 51-9197 18,1 15,6 0,0 0,0 -2,5 -13,6 4,7
Ajudantes de produção 51-9198 419,2 403,2 0,3 0,3 -16,1 -3,8 136,8
Outros trabalhadores de produção 51-9199 236,2 244,0 0,2 0,2 7,7 3,3 56,1
Ocupações em logística, transportes e movimentação de materiais 53-0000 9.748,5 10.215,3 6,5 6,4 466,8 4,8 2.852,9
Supervisores de transportes e movimentação de materiais 53-1000 378,6 388,3 0,3 0,2 9,6 2,5 131,0
Pessoal de movimentação de cargas em aeroportos 53-1011 5,8 5,8 0,0 0,0 0,0 0,5 1,9
Supervisores de linha de frente de movimentação de materiais 53-1021 173,1 176,9 0,1 0,1 3,8 2,2 59,3
Supervisores de transportes e de veículos e máquinas de movimentação de materiais 53-1031 199,7 205,6 0,1 0,1 5,9 2,9 69,9
Aeronautas e aeroviários 53-2000 248,8 254,5 0,2 0,2 5,7 2,3 64,5
Pilotos e engenheiros de voo 53-2010 119,2 124,5 0,1 0,1 5,4 4,5 34,4
Pilotos de linha aérea, copilotos e engenheiros de voo 53-2011 75,7 76,5 0,1 0,0 0,8 1,1 19,3
Pilotos comerciais 53-2012 43,5 48,0 0,0 0,0 4,5 10,5 15,1
Controladores de tráfego aéreo e sinaleiros de pátio 53-2020 31,7 29,9 0,0 0,0 -1,8 -5,8 10,0
Controladores de tráfego aéreo 53-2021 24,5 22,4 0,0 0,0 -2,1 -8,6 7,5
Especialistas de operação de aeroportos e aeródromos 53-2022 7,2 7,5 0,0 0,0 0,3 3,9 2,5
Comissários de bordo 53-2031 97,9 100,1 0,1 0,1 2,2 2,2 20,1
Operadores de veículos motorizados 53-3000 4.108,0 4.334,7 2,7 2,7 226,7 5,5 912,6
Motoristas de ambulâncias 53-3011 19,6 26,1 0,0 0,0 6,5 33,0 9,8
Motoristas de ônibus 53-3020 665,0 702,5 0,4 0,4 37,5 5,6 124,9
Motoristas de ônibus locais e interurbanos 53-3021 167,8 177,6 0,1 0,1 9,8 5,9 31,9
Motoristas de ônibus escolares e de fretamento 53-3022 497,3 524,9 0,3 0,3 27,7 5,6 93,0
Motoristas de vendas e de caminhões 53-3030 3.127,7 3.274,5 2,1 2,0 146,8 4,7 678,9
Motoristas de vendas 53-3031 445,3 466,1 0,3 0,3 20,8 4,7 96,6
Motoristas de caminhões pesados e carretas 53-3032 1.797,7 1.896,4 1,2 1,2 98,8 5,5 404,5
Motoristas de caminhões leves e de serviços de entrga 53-3033 884,7 911,9 0,6 0,6 27,3 3,1 177,8
Motoristas de táxi e choferes 53-3041 233,7 264,4 0,2 0,2 30,6 13,1 74,8
Demais operadores de veículos motorizados 53-3099 62,0 67,3 0,0 0,0 5,3 8,6 24,3
Trabalhadores em transportes rodoviários 53-4000 129,1 126,4 0,1 0,1 -2,7 -2,1 50,7
Engenheiros e operadores de locomotivas 53-4010 46,1 44,0 0,0 0,0 -2,1 -4,5 18,3
Engenheiros de locomotivas 53-4011 40,4 39,5 0,0 0,0 -0,9 -2,3 16,0
Foguistas de locomotivas 53-4012 1,7 0,5 0,0 0,0 -1,2 -69,9 0,7
Engenheiros de pátios ferroviários, condutores de manobras e engatadores 53-4013 4,0 4,1 0,0 0,0 0,1 1,5 1,6
Operadores de freios ferroviários, sinalizadores e comutadores de linha 53-4021 22,1 21,7 0,0 0,0 -0,4 -1,8 8,4
Condutores ferroviários e pessoal de pátio 53-4031 45,1 44,3 0,0 0,0 -0,9 -1,9 17,2
Operadores de metrô e de bondes 53-4041 12,0 12,5 0,0 0,0 0,6 4,7 5,2
Todos os outros ferroviários e trabalhadores de ferrovias 53-4099 3,8 3,9 0,0 0,0 0,0 1,3 1,5
Trabalhadores de transportes marítimos 53-5000 78,5 85,7 0,1 0,1 7,2 9,2 32,8
Marinheiros e trabalhadores em plataformas 53-5011 28,3 30,9 0,0 0,0 2,6 9,1 9,9
Comandantes e oficiais de navios e embarcações 53-5020 39,8 43,7 0,0 0,0 3,9 9,7 19,4
Comandantes, oficiais e pilotos de embarcações 53-5021 35,1 38,7 0,0 0,0 3,6 10,2 17,2
Operadores de embarcações motorizadas 53-5022 4,7 5,0 0,0 0,0 0,3 6,3 2,1
Engenheiros navais 53-5031 10,3 11,1 0,0 0,0 0,8 7,5 3,5
Outros trabalhadores em transporte 53-6000 334,9 355,4 0,2 0,2 20,6 6,1 173,6
Encarregados de pontes e passagens 53-6011 3,5 3,4 0,0 0,0 0,0 -1,1 1,8
Manobristas e funcionários de estacionamentos 53-6021 135,6 141,3 0,1 0,1 5,8 4,2 81,3
Atendentes de serviços automotivos e embarcações 53-6031 105,8 117,6 0,1 0,1 11,7 11,1 53,8
Técnicos de tráfego 53-6041 6,8 7,2 0,0 0,0 0,4 6,3 3,9
Inspetores e fiscais de transportes 53-6051 26,4 26,7 0,0 0,0 0,3 1,2 7,1
Atendentes de transportes, exceto comissários de bordo 53-6061 16,5 17,6 0,0 0,0 1,0 6,4 4,1
Demais trabalhadores de transporte 53-6099 40,2 41,6 0,0 0,0 1,3 3,3 21,7
Trabalhadores de movimentação materiais 53-7000 4.470,6 4.670,3 3,0 2,9 199,7 4,5 1.487,7
Operadores de esteiras transportadoras 53-7011 39,7 39,6 0,0 0,0 -0,1 -0,2 11,5
Operados de guindastes e gruas 53-7021 45,5 49,0 0,0 0,0 3,4 7,6 19,2
Operadores de dragas, escavadoras e carregadeiras 53-7030 60,9 64,4 0,0 0,0 3,5 5,8 10,7
Operadores de dragas 53-7031 2,2 2,3 0,0 0,0 0,2 8,7 0,4
Operadores de escavadeiras, retroescavadeiras e carregadoras 53-7032 53,9 57,3 0,0 0,0 3,4 6,2 9,7
Operadores de carregadoras e maquinas de mineração subterrânea 53-7033 4,8 4,8 0,0 0,0 0,0 -0,1 0,6
Operadores de talha e guincho 53-7041 2,9 2,9 0,0 0,0 0,0 1,7 0,9
Operadores de caminhões industriais e tratores 53-7051 530,9 543,5 0,4 0,3 12,6 2,4 144,7
Trabalhadores manuais da movimentação de materiais 53-7060 3.587,8 3.753,9 2,4 2,3 166,1 4,6 1.224,9
Limpadores de veículos e equipamentos 53-7061 346,9 380,0 0,2 0,2 33,1 9,5 154,0
Trabalhadores manuais de fretamentos, estocagem e movimentação 53-7062 2.441,3 2.566,4 1,6 1,6 125,1 5,1 851,7
Alimentadores de máquinas e serviços de suporte a operação 53-7063 104,2 100,7 0,1 0,1 -3,5 -3,4 22,9
Embaladores e empacotadores manuais 53-7064 695,4 706,9 0,5 0,4 11,5 1,7 196,4
Operadores de postos de abastecimento 53-7070 32,1 35,2 0,0 0,0 3,1 9,7 19,4
Operadores de compressores e de bombeamento do gás 53-7071 5,1 5,3 0,0 0,0 0,2 3,4 2,8
Operadores de bombeamento, exceto de bombeamento de petróleo 53-7072 13,1 14,2 0,0 0,0 1,1 8,4 7,8
Operadores de bombeamento de petróleo 53-7073 13,9 15,8 0,0 0,0 1,8 13,1 8,9
Coletores de refugos e materiais recicláveis 53-7081 131,5 140,9 0,1 0,1 9,4 7,1 42,4
Operadores de carros de transporte em minas 53-7111 2,7 2,6 0,0 0,0 -0,1 -2,2 0,8
Estivadores e carregadores de tanques e caminhões, 53-7121 13,0 13,5 0,0 0,0 0,5 4,0 4,6
Demais trabalhadores em movimentação de materiais 53-7199 23,6 24,7 0,0 0,0 1,0 4,4 8,5

O Brasil, Dom Pedro II, Mr. Bell e o telefone

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Dom Pedro II teve papel vital na divulgação do telefone. Na ilustração, o imperador toma contato com o invento e exclama: “Meu Deus, isto fala”.

O avanço tecnológico necessário para o Brasil ingressar de forma efetiva na era da Quarta Revolução Industrial exige saltar por sobre etapas que outras nações levaram décadas para percorrer. Mas não obstante o tamanho do desafio, o Brasil dispõe de massa crítica material e humana para aceitar o repto.

A bem da verdade, é preciso reconhecer que o Brasil não tem um histórico de relacionamento muito amigável com as ciências, a tecnologia e a inovação. O conflito parece ser mais com as ciências exatas, a lógica e a matemática. Para a grande maioria da população brasileira, a matemática é uma ciência estranha e hermética. Há mais gente que acredita em um despacho na encruzilhada do que nas virtudes da matemática aplicada. Somos um país que ainda crê em magia, na geração espontânea e no milagre dos efeitos sem causa.

O resultado prático desta suspicácia generalizada a tudo o que sejam números, que afronta, impávida, os axiomas de Euclides, notadamente aquele da inexorável ditadura da divisão das partes,  – “o todo é maior do que as partes” – permite que o imaginário popular acredite ser possível ir aumentando as partes indefinidamente, mesmo que o todo permaneça inalterado. No caso do orçamento nacional, por exemplo, existe uma crença difusa, perdida no ar, de que o governo cria dinheiro e pode, destarte, gastar tanto quanto queira.

Podia parecer axiomático, para os gregos clássicos, que a soma das partes não pode ser maior do que o todo, mas os políticos tupiniquins de perfil demagógico, com forte representação no Congresso Brasileiro, não acreditam nisto e tem fixação por um orçamento percentualizado. E não dão importância se os percentuais, eventualmente, ultrapassam os 100%. Desfazer o nó será um problema do Ministro da Fazenda. Claro que esta jabuticaba orçamentária, além de engessar o orçamento da república, cria dificuldades de toda a ordem e é um desestímulo a melhoria do desempenho do poder público.

Uma das causas para o desapreço que temos com as exatas é que exigem um esforço de concentração intelectual pouco compatível com o ziriguidum. Nossa especialidade são as festas e alegorias. Talvez porque o trabalho no Brasil tenha sido uma atividade braçal dos escravos e nossas elites de época faziam questão de vestir ternos de branquíssimo linho 120 para demonstrar desapreço por qualquer faina.

Um fator originário terá sido também o fato de que só tivemos nossa primeira universidade em 1920. Não tínhamos uma universidade aqui porque o governo não queria e não estudávamos porque não tínhamos uma universidade. Finalmente, já na segunda década do século XX, foi criada a Universidade do Rio de Janeiro, por meio de decreto do Presidente Epitácio Pessoa. Tratava-se mais de juntar as Faculdades de Medicina, Direito e Engenharia, mas foi o começo.

Entre as poucas iniciativas anteriores do período colonial estavam a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, de 1792, e a Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB), criada em 18 de fevereiro de 1808 por Dr. João VI.

Mesmo em um ambiente de pouco estímulo intelectual, tivemos alguns avanços nas áreas científica, tecnológica e de inovação. Mas muito pouco para país tão grande e muito aquém do necessário. Para fazermos o alinhamento com a Quarta Revolução Industrial será preciso, antes, convencer a sociedade de que precisamos avançar no preparo científico e tecnológico de nossas novas gerações. Que precisamos promover e reconhecer talentos. Que devemos estimular o empreendedorismo e facilitar a vida dos que desejam transformar o país.

Alguns bons exemplos resgatam nosso histórico no campo das invenções e inovações, mas também denunciam o pouco caso de nossas elites e dos nossos governantes.

Olhando em retrospecto, talvez a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889, tenha sido um dos maus momentos de nossa história, tanto do ponto de vista político como do avanço tecnológico. A Proclamação da República no Brasil foi um levante político-militar que, como acima, teve lugar em 15 de novembro de 1889 e depôs o imperador D. Pedro II e a monarquia constitucional parlamentarista. Em seu lugar instaurou a republica federativa presidencialista no Brasil. O modelo, mal copiado do regime vigente nos Estados Unidos, nunca funcionou a contento.

Que aquele foi um movimento infeliz, articulado por um grupo reduzido de conspiradores, prova a célebre e insuspeita constatação do jornalista republicano, Aristides Lobo, paraibano que defendia a república e que foi nomeado ministro do governo republicano provisório: “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada”.(1)

A Revista Veja, em sua Edição Especial que circulou em setembro de 1989 (e que, curiosamente, tinha na capa a data de 20 de novembro de 1889) apresenta a matéria histórica com um resumo:

“República é proclamada num piscar de Olhos.

Numa sexta-feira de muita confusão, pouquíssimo sangue e praticamente nenhuma participação popular, um punhado de militares rebelados se alia a políticos da oposição para encerrar abruptamente o quase cinqüentenário reinado de D. Pedro II. Sob o comando do marechal Deodoro da Fonseca, o Brasil entra numa nova era — a da República. O novo governo obriga o imperador deposto e sua família a embarcarem de madrugada rumo ao exílio”

A matéria da Revista Veja, possivelmente o melhor estudo publicado sobre aquele período conturbado da história brasileira, tem no cabeçalho a explicação: “A anarquia militar, a abolição radical e o centralismo derrubam o Império de supetão.”

Segundo o relato, “O Brasil acordou monarquista na sexta-feira passada (a matéria é redigida como se tivesse sido publicada em 20 de novembro de 1989) e foi dormir republicano. Jamais houve na História do país uma ruptura política tão inesperada. Na véspera, ninguém poderia prever que o reinado viria abaixo. Ao cair da tarde de quinta-feira, D. Pedro lI, 63 anos, fugindo do calor carioca, estava posto em sossego no palácio de Petrópolis, onde escreveu seu habitual soneto diário. No mesmo momento, o marechal Manoel Deodoro da Fonseca, 62 anos, encontrava-se em Andaraí, na casa de seu irmão, o oficial-médico João Severiano, tentando recuperar-se de um de seus habituais ataques de falta de ar. Menos de 48 horas depois, os detalhes eram semelhantes, mas as instituições estavam de pernas para o ar. D. Pedro lI, detido no palácio imperial do Rio de Janeiro, escrevia não um poema, mas, com a ajuda do barão de Loreto, a carta em que acatava a ordem de exilar-se: “Cedendo ao império das circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a Europa amanhã”. Na mesma hora, Deodoro ia para a cama, tão fortes eram os seus achaques. Mas, com falta de ar e de cama, era o chefe do governo provisório, o homem mais poderoso do pais.”

Os depostos imperador e a princesa Isabel eram figuras respeitadas e admiradas pelo povo, especialmente pela gente humilde, que em grande parte, apenas um ano antes, havia deixado de ser escrava.

O Partido Republicano – que era ostensivamente anti-monarquista – só havia eleito dois deputados nas eleições de agosto, três meses antes do movimento militar da proclamação da república, e nas ruas, eram escassas as simpatias que conseguia angariar.

E, no entanto, o Brasil “acordou imperial e dormiu republicano”.

A matéria da Revista Veja continuava: “Como, pelo menos até agora, não há indícios em qualquer canto do país de movimentos significativos de restauração monárquica. Caiu o Império praticamente sem sangue ou apenas com o sangue do Ministro da Marinha, José da Costa Azevedo, o barão de Ladário, 63 anos, ferido com dois tiros, um deles na região glútea. Caiu porque, ao longo dos últimos anos, a monarquia se embaralhou ao jogar com três problemas que de chofre lhe desabaram sobre a cabeça na sexta-feira, fazendo com que a coroa rolasse pelo chão. Os problemas que enredaram o Império foram a Abolição da Escravatura, o centralismo econômico-administrativo e a indisciplina militar.”

O que a matéria destaca é que, além do centralismo econômica-administrativo e uma indisciplina militar, resquício da Guerra do Paraguai, o fator decisivo para a Proclamação da República foi mesmo a abolição da escravatura. Em outras palavras, o Brasil perdeu um modelo de governo que tinha apoio popular e vinha dando certo, a monarquia com parlamentarismo, simplesmente por ter tido a “ousadia” de libertar os escravos. Todos os que ganhavam com a escravatura ficaram contra o governo. O pecado da Abolição seria ter “expropriado” os donos de escravos, que teriam perdido “suas propriedades” sem receber nada em troca.

A “insatisfação” dos donos de escravos, que reclamavam não ter recebido uma indenização “justa” pelos seres humanos que escravizavam, nos legou um governo republicano de segunda classe, com um presidencialismo patrimonialista desenhado para favorecer a corrupção.

Um aspecto relevante para a compreensão da importância do apoio dos ex-donos de escravos para o sucesso do movimento contra a monarquia é que, na capital do país, além da classe aristocrática e dos abastados proprietários que tinham escravos para as tarefas de suas propriedades, existiam ainda milhares de “donos” de escravos que viviam do aluguel de seus “cativos” que, com a abolição da escravatura, perderam seus escravos de renda e seu “negócio”.

Haviam dois tipos de escravos de renda: os “escravos de ganho”, um tipo de escravo que podia reter pequena parte do que recebia por seu trabalho e os “escravos de aluguel”, que eram alugados diretamente por seus “donos” ou por meio das muitas de agencias espalhadas na cidade. O que a monarquia deixou de levar em conta era que alugar escravos era um negócio altamente lucrativo na cidade do Rio de Janeiro.

Uma das atividades mais rentáveis para os donos de escravos era o seu uso no transporte de mercadorias. O que era feito com grandes fardos levados na cabeça. Como escreveu Debret, citado por Luís Carlos Soares em seu livro O “povo de cam” na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro”:

“Embora pareça estranho que neste século das luzes se depare ainda no Rio de Janeiro com o costume de transportar enormes fardos à cabeça dos carregadores negros, é indiscutível que a totalidade da população brasileira da cidade, acostumada a esse sistema que assegura a remuneração diária dos escravos empregados nos serviços de rua, se opõe à introdução de qualquer outro meio de transporte, como seja, por exemplo, o dos carros atrelados. Com efeito, a inovação comprometeria dentro de pouco tempo não somente os interesses dos proprietários de numerosos escravos, mas ainda a própria existência da maior classe da população, a do pequeno capitalista e das viúvas indigentes, cujos negros todas as noites trazem para casa os vinténs necessários muitas vezes à compra das provisões do dia seguinte. É esse meio de transporte, geralmente empregado, que enche as ruas da capital desses enxames de negros carregadores, cujas canções importunam frequentemente o estrangeiro pacato, entregue a ocupações sérias em suas lojas”.

Obviamente, os numerosos ex-proprietários de escravos, os agentes de aluguel e todos os que perderam suas fontes de renda com a libertação dos cativos se puseram contra a monarquia. Foram os tais “republicanos tardios”: monarquistas até a véspera da proclamação, converteram-se em republicanos no dia 15 de novembro de 1889. Mas, enquanto os ex-escravos ficaram inertes, ainda sem entender toda a extensão de sua recém adquirida liberdade, seus ex-proprietários estavam furiosos e eram suficientemente numerosos e articulados para fazerem diferença. Além disso, contaram com a “solidariedade” dos clientes e de parte importante da sociedade da época que via os negros como seres inferiores.

A propósito, não se pode esquecer que a burocracia da cidade do Rio de Janeiro também lucrava com o aluguel de escravos e tinha organizado este “negócio” com o refinamento que se poderia esperar dos burocratas brasileiros.

Luís Carlos Soares, em seu já citado livro “O “povo de cam” na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro”, nos dá conta de como os cofres municipais do Rio de Janeiro lucravam com o aluguel de seres humanos: Pelas leis da época “…era terminantemente proibido aos senhores colocarem seus escravos no ganho de rua sem a autorização expressa e licença da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Esta proibição, inclusive, era estipulada por uma postura municipal que estabelecia o recolhimento dos escravos infratores ao Depósito Público e o pagamento de uma multa pelos senhores desses cativos. Os senhores encaminhavam o seu pedido de licença à Câmara Municipal e efetuavam o pagamento de 1$000 réis relativos a cada cativo que desejassem pôr ao ganho. A licença concedida vigora apenas por um ano…Ao conceder a licença, a Câmara Municipal entregava aos senhores chapas numeradas com datas de validade. Chapas que os escravos deveriam sempre portar.”

Muitos ex-donos de escravos ainda vinham pressionando o governo monárquico por indenizações. Tanto que o abolicionista e monarquista Joaquim Nabuco dizia: “O Brasil não é bastante rico para apagar o seu crime”. Ou seja, ainda que a monarquia desejasse, não dispunha de recursos para pagar indenizações aos mais de 200.000 “donos” dos 700.000 escravos libertados no ano anterior. Com isso, a monarquia perdeu sua base de apoio mais sólida, a dos fazendeiros e donos de escravos, que se sentiram roubados. Com uma clarividência notável, João Maurício Wanderley, barão de Cotegipe, presidente do Conselho de Estado até dois meses antes da abolição, afirmou, depois da assinatura da Lei Áurea, que a princesa Isabel havia “libertado uma raça, mas perdido o trono”.

O Visconde de Ouro Preto, primeiro ministro deposto em 15 de novembro, tinha convicção de que o segundo reinado, sob liderança de Dom Pedro II, um humanista e um homem de cultura invulgar, havia sido um período positivo para o país.

Em seu livro “Advento da Ditadura Militar no Brasil”, (referia-se ao novo governo republicano) o Visconde escreveu:

“O Império não foi a ruína. Foi a conservação e o progresso. Durante meio século, manteve íntegro, tranquilo e unido território colossal. O império converteu um país atrasado e pouco populoso em grande e forte nacionalidade, primeira potência sul-americana, considerada e respeitada em todo o mundo civilizado. Aos esforços do Império, principalmente, devem três povos vizinhos o desaparecimento do despotismo mais cruel e aviltante. O Império aboliu de fato a pena de morte, extinguiu a escravidão, deu ao Brasil glórias imorredouras, paz interna, ordem, segurança e, mais que tudo, liberdade individual como não houve jamais em país algum. Quais as faltas ou crimes de dom Pedro II, que em quase cinquenta anos de reinado nunca perseguiu ninguém, nunca se lembrou de uma ingratidão, nunca vingou uma injúria, pronto sempre a perdoar, esquecer e beneficiar? Quais os erros praticados que o tornaram merecedor da deposição e exílio quando, velho e enfermo, mais devia contar com o respeito e a veneração de seus concidadãos? A república brasileira, como foi proclamada, é uma obra de iniquidade. A república se levantou sobre os broquéis da soldadesca amotinada, vem de uma origem criminosa, realizou-se por meio de um atentado sem precedentes na história e terá uma existência efêmera!

Quanto ao imperador, era homem culto, poliglota, cosmopolita e um entusiasta do progresso e das inovações. Um bom exemplo de seu entusiasmo pela inovação, que nem todos conhecem, é a história de como ele, ao visitar os Estados Unidos na qualidade de convidado especial do presidente Ulysses S. Grant para as comemorações do Centenário da Independência Americana, em 1876, ao visitar à Grande Exposição do Centenário, na Filadélfia, em 1876, ficou curioso com o invento de Alexander Graham Bell, um modesto professor de surdos mudos, e, tendo sido convidado a testar o aparelho exposto, exclamou, entre incrédulo e maravilhado: “Meu Deus, isto fala!”.

A exclamação teve grande repercussão, ganhou as manchetes dos jornais e foi decisiva para chamar a atenção do mundo para o telefone e para seu inventor.

A empolgação de Dom Pedro II não ficou só em sua surpresa inicial. O imperador, tomado de entusiasmo pela invenção, foi a primeira pessoa a comprar ações da companhia criada pelo inventor, a ” Bell Telephone Company”, fundada em 9 de julho de 1877 na cidade de Boston, Massachusetts.

A companhia, que mais tarde deu origem à American Telephone & Telegraph Company (AT&T), acabou por tornar-se a maior empresa telefônica do mundo. Foi também Dom Pedro II que adquiriu alguns dos primeiros telefones, aparelhos que foram instalados na residência de verão de Dom Pedro II, no Palácio de Petrópolis, a quarenta quilômetros do Rio de Janeiro. Com esta iniciativa, o Brasil foi o segundo país do mundo a ter telefones instalados em seu território.

Além disso, outra coisa que poucos sabem é que, até a visita de Dom Pedro II ao seu estande, praticamente ninguém tinha ouvido falar de Alexander Graham Bell. Na grande mostra seu pequeno estande passava desapercebido. Ninguém parecia interessado naquela engenhoca até a exclamação de nosso imperador.

Convém acrescentar, a esta altura, que o imperador brasileiro era o principal convidado estrangeiro e figura central dos festejos do primeiro Centenário da Independência Americana, tanto que, entre outras homenagens, teve a honra de ligar o gerador a vapor que fornecia eletricidade para a exposição.

O relato do episódio, por parte do próprio inventor, dá conta da importância de Dom Pedro II para a história do telefone:

“No domingo eu fui para a exposição. Haviam muitos aparelhos elétricos para serem demonstrados…e os pobres juízes eram conduzidos da cá para lá para ver uma coisa depois da outra, até o ponto de estarem prontos para desistir. Eu seguia os juízes em suas voltas, enquanto eles olhavam aparelho após aparelho. Finalmente, eles chegaram ao estande de Elisha Gray, que tinha um aparelho para transmitir tons musicais semelhante ao meu telégrafo múltiplo. Ele fez uma apresentação muito interessante. Fiquei atento porque eu seria o próximo, mas ele continuava e continuava, até que, quando finalmente terminou, o “chairman” da comissão dos juízes resolveu que eles adiariam as demais avaliações dos equipamentos elétricos para outro dia. Isto queria dizer que eles nunca veriam o meu telefone…Em razão dos compromissos de minha escola, eu só podia permanecer naquele domingo, de modo que eu senti que toda a minha exposição seria perdida. Os juízes já começavam a dispersar quando, subitamente, o Imperador Dom Pedro me viu e me reconheceu como o jovem que ele havia encontrado em Boston, na oportunidade em que visitou a escola para surdos-mudos, onde eu havia feito uma apresentação. Ele veio ao meu encontro e disse: “Sr. Bell, como estão os surdos-mudos de Boston?” Eu disse a ele que estavam bem e que minha demonstração seria a seguinte. Ele disse que queria ver, tomou meu braço e caminhou comigo, e claro, os juízes o seguiram como um bando de ovelhas. Minha exposição estava salva.

No estande, os aparelhos estavam prontos para serem usados. Dom Pedro foi orientado a sentar-se em uma cadeira onde estava instalada a pequena caixa de ferro do receptor e foi-lhe pedido que encostasse seu ouvido no estranho aparelho. Bell sentou-se em outra sala e falou devagar e com grande clareza no tubo do transmissor. Dom Pedro, claro, não sabia o que esperar, assim como ninguém mais na sala. Subitamente, o imperador levantou sua cabeça e, com uma expressão maravilhada estampada em seu rosto, exclamou: “Isto fala”.

Então veio Sir Walter Thompson, um internacionalmente respeitado conhecedor de eletricidade: ele ouviu, e ouviu e ouviu aquele pequeno disco de ferro falar com voz humana. Então, expressando grande admiração, disse: “Isto fala mesmo. Esta é a coisa mais maravilhosa que vi na América… Esta é a coisa mais maravilhosa até hoje conseguida pelo telégrafo elétrico…Muito em breve as pessoas estarão contando seus segredos por meio de fios elétricos.”

Quando Sir William Thompson falou, o mundo acreditou.

Bell disse, na ocasião: “eu fui dormir, na véspera,, como um total desconhecido e, no dia seguinte, me descobri famoso. Eu devo isto a Sir William Thompson e, antes dele, ao Imperador Dom Pedro e, além deles, aos surdos mudos de Boston”.

Será que sem a contribuição de Dom Pedro II o mundo de hoje teria telefones? É de se supor que sim. O mundo estava pronto para o telefone. Mas, ao perceber o potencial da inovação à sua frente, o imperador ajudou o mundo a antecipar o progresso em alguns anos. Uma evidência de como o nosso imperador era um homem do mundo; um “early adopter” atualizado e aberto à inovação.

Ceska – O digitaleiro


Referências:

Artigo escrito por Aristides Lobo no dia 15 de novembro e publicado no “Diário Popular” de São Paulo em 18 de novembro de 1889.

SOARES, Luiz Carlos. Os escravos de ganho no Rio de Janeiro do século XIX. Rio de Janeiro: Revista Brasileira de História, 16 (mar/ago), 1988.

Revista Veja – Edição Especial de setembro de 1989. – http://veja.abril.com.br/historia/republica/capa_republica.html

OURO PRETO, Visconde de, Advento da Ditadura Militar no Brasil, Editora Imprimiere F. Pichon, Paris, 1891.

“Thw Empire of Brazil at the Universal Exhibition of 1876 in Philadelphia – Editado no Rio de Janeiro pela Typographia e Litographia do Imperial Instituto Artístico – 1876 – Conforme arquivo do Global Gateway – Call Number F2513.B833 – Identidade digital: gcbr 002 http://hdl.loc.gov/loc.gdc/gcbr.002

http://www.heritage-history.com/?c=read&author=bachman&book=inventors&story=bell

Manifesto Brasil 4.0 e o Brasil digital

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O Brasil está sendo chamado para a nova etapa do gênero humano que começa com a Quarta Revolução Industrial.

Manifesto de chamamento para a construção de um Brasil digital como saída para a crise política e econômica em que estamos mergulhados:

Brasileiro:

Este é o seu país. Aqui está o seu futuro. Abra sua mente e seu coração. Liberte seus sonhos.

Juntos podemos fazer o Brasil 4.0 e alinhar o país com a Quarta Revolução Industrial e com as promessas do Século XXI.

O Chamamento da Quarta Revolução Industrial ecoa por todos os quadrantes do orbe. A humanidade segue seu caminho no rumo da plenitude. Novos avanços no conhecimento e novas conquistas científicas e tecnológicas abrem novas perspectivas para todos os povos e nações.

Em um mundo cada dia mais global, a aventura do homem chega mais perto da superação das carências que o afligem desde sempre, como a miséria absoluta, a fome, a doença e a vida mesquinha dos que não tem sonhos e não tem futuro.

A Revolução Industrial 4.0 é uma nova etapa de possibilidades e promessas. Mas seus benefícios só se abrirão para os que baterem à sua porta. A roda do tempo não para e é preciso virar a página.

O que as novas gerações digitais não querem é “remediar”. Remendar o que está aí, girando em círculos, mantendo velhas estruturas de poder, obsoletas, eivadas de vícios, desmandos e privilégios. Sabemos todos que remendar o que está aí é tão inútil como enxugar gelo.

A opção é avançar para um novo paradigma. Fazer a metamorfose para o paradigma digital. O mundo digital é a nova fronteira. Lá é que está o futuro.

O mundo digital é transparente e multiforme.

A Internet, seus canais de comunicação e suas plataformas de conectividade se tornaram as portas e janelas da sociedade contemporânea.

O mundo digital é o mundo do compartilhamento. O mundo das mãos dadas.

Nunca as pessoas estiveram tão irmanadas, tão iguais. Nunca as oportunidades foram tão amplas e nem tão universais. Nunca sonhar foi tão possível. Nunca a esperança esteve tão próxima.

O mundo digital não discrimina. Não tem preconceitos, não diferencia ninguém pela cor, pelo sexo, pela classe social, pela religião e nem por qualquer outra condição que possa dividir as pessoas em castas ou grupos.

O mundo digital permite o protagonismo de todos. Tem espaço para cada sonho, para cada esperança, para cada anseio. E neste espaço cabe você. Tem um espaço para você.

Saiba que as sociedades são diálogos. Que nações são seres humanos e não estatísticas. Que a linguagem do mundo digital é transparente por natureza, e portanto, mais sincera, aberta e construtiva.

No mundo da Quarta Revolução Industrial vem surgindo novas formas de cooperação e de troca de conhecimentos. Em todas as nações abrem-se perspectivas para novas e poderosas formas de organização social.

Na nova ordem, os líderes das nações vão precisar descer de suas torres de marfim, derrubar os muros com que se protegem e dialogar com as pessoas que se propõe liderar e conduzir.

A lealdade deve ser um compromisso mútuo entre os dirigentes e a sociedade. De fato, a lealdade se torna a chave para a equidade e para a paz social.

O cidadão é criador e membro constituinte do Estado contemporâneo, que só sobreviverá se for parceiro do cidadão. O cidadão é, a um só tempo, membro, condômino e contribuinte do Estado.

O mundo digital é rápido e múltiplo. Multidões podem compartilhar ações, recursos e informações de modo a contribuir para o bem comum. O conhecimento deve ser compartilhado sem reservas.

O sentimento de participação e engajamento, a capacidade das pessoas de se conectarem livremente com outras pessoas, em qualquer lugar e em qualquer momento, com amplo acesso à informação, irá contribuir para que se sintam integradas e se disponham a participar na vida de sua comunidade e de sua nação.

Em uma democracia na era digital, a camada que importa é a da cidadania. Ela deve ter espaço legal para decidir os assuntos de sua vida pessoal sem precisar a intermediação de uma burocracia imensamente pedante e dispendiosa, que se especializa em cobrar “pedágio” de múltiplas formas.

Sinecuras e cargos públicos desnecessários drenam recursos que deveriam pagar o salário de médicos, professores e profissionais de saúde.

O pressuposto de uma democracia digital é que deve ser capaz de organizar-se como uma vasta rede de interesses descentralizados. O poder digital se desloca do centro e flui para a ponta, lá onde está o cidadão.

Os cidadãos devem poder aglutinar-se e agir como as células de um organismo, formando elos que atuam em cadeia, cada elo com autonomia e vida própria, sem amarras burocráticas, permitindo ao sistema operar com flexibilidade e rapidez.

Já o poder central deve cingir-se a atuar como facilitador, aglutinador e coordenador.

Brasileiro, o Brasil é o seu país. Aqui está o seu futuro. Rompa as correntes que o aprisionam. Abra sua mente, seu coração e seus braços.

A Quarta Revolução Industrial convoca a humanidade para uma nova era de prosperidade e bem estar sem precedentes. O novo mundo será mais inteligente, mais conectado, mais rápido, mais abrangente, mais inclusivo e mais justo.

E o Brasil pode fazer parte desta nova e fascinante etapa da história humana.

Brasileiro, o Brasil 4.0 precisa de você. Venha, vamos juntar esforços para tornarmos realidade o Brasil Digital.

Este é o caminho para pularmos etapas e chegarmos à prosperidade. Este é o caminho para melhorarmos a qualidade de vida e, especialmente, qualidade dos sonhos da nossa gente brasileira.

O que nos anima é mais do que uma esperança, é uma certeza: o Brasil tem jeito e o jeito é digital.

Brasileiro, seja bem vindo.


Ceska – O digitaleiro

 

A Escolha do Predador

O selvagem de Montesquieu derrubava a macieira para comer uma maçã, exatamente como muitos dos nossos políticos.
O selvagem de Montesquieu derrubava a macieira para comer uma maçã, exatamente como muitos dos nossos políticos.

A oportunidade do 45o Fórum Econômico Mundial, que atrai as mais importantes lideranças governamentais, dos negócios e da sociedade civil do planeta para debater as questões mais importantes da atualidade, oferece um bom momento para refletirmos as razões que levam o Brasil a navegar na contramão da história.

Cada vez mais a humanidade se divide entre os super-ricos e os super-pobres. Cada vez mais as nações se alinham entre as ganhadoras e perdedoras. E, infelizmente, o Brasil vem solidamente se firmando entre as perdedoras. Estamos um queda livre, com a recessão dizimando empregos e empurrando o país de volta para uma pobreza que, para muitos, parecia ter sido deixada para trás.

O que está tão errado com o Brasil? Por que não conseguimos sair deste sobe e desce no campo econômico, por que vivemos de crise em crise?

A resposta talvez se encontre em nossa cultura de predadores. Neste país valorizamos mais os predadores do que os empreendedores.

Desde a colônia, sempre temos preferido fazer a escolha do predador: ao invés de criar ou produzir, queremos pegar sem esforço. Nossa ética sempre foi elástica. Predar parecia tão legítimo como produzir. Para muitos, até tem mais charme. Até o processo do Lava-Jato, o “pixuleco” era invejado. E de malandragem em malandragem, de propina em propina, nossa gente se acostumou a agir como os selvagens de Montesquieu, que os definia como aqueles que derrubam a macieira para comer uma maçã.

Aqui não acreditamos em empreender, nem em fazer. O empresário no Brasil é visto como o tonto a ser tosquiado. É a história da Geni: todos contra ele, todos atirando nele, ainda que todos devam tudo a ele. Patético.

Nossa história como predadores começou quando acabamos com o Pau-Brasil, quase extinguimos a Mata Atlântica, estamos dilapidando a Amazônia e agora vemos os estertores da Petrobrás. Nestes trópicos inconsequentes sempre acreditamos que a abundância nos protegeria de nosso comportamento de predadores insaciáveis e irresponsáveis.

Mas, assim como a aparente riqueza inesgotável da Petrobrás se mostrou finita, nossos recursos escasseiam e nos vemos próximos da bancarrota. Nem é preciso citar estatísticas ou indicadores. Todos os números apontam para o fundo do poço e indicam que mais crise está por vir.

O governo de Da. Dilma está completamente aturdido.

Dias atrás, o FMI divulgou que a queda da economia brasileira em 2016 vai superar os três por cento e informou que não vê mais retomada do crescimento em 2017 – como a entidade acreditava ainda em outubro. O desastre da economia brasileira vai pesar sobre a economia mundial como um todo, afirma o fundo.

Da. Dilma, a permanente estarrecida, mostrou-se indignada:

“Eu fiquei recentemente estarrecida com uma frase que li no relatório do FMI. Nós sabemos que o FMI fala muita coisa. No último relatório dele, avaliando a economia internacional, ele diz que três fatores são muito relevantes no atual cenário e explica as dificuldades que o mundo enfrenta: a diminuição do crescimento da China, instabilidade no Oriente Médio, e o terceiro era a continuidade da situação crítica no Brasil”, afirmou a “presidenta”.

Em seguida, Da. Dilma comentou o trecho em que o relatório atribui a situação crítica do país não à economia, mas à instabilidade política e às investigações da Operação Lava Jato:

“Ao que ele – (FMI) – atribuía a situação crítica do Brasil? Não era da economia, eram duas coisas. Instabilidade política e o fato de as investigações quanto à Petrobras terem prazo de duração maior e mais profundo do que eles esperavam e que “isso” (sic) seriam os dois principais fatores responsáveis pelo fato de eles terem de rever posição do FMI em relação ao crescimento da economia no Brasil”.

Nesse ponto do discurso, a “presidenta” afirmou, com a ligeireza com vem falando ao vento, que “tem certeza que o Brasil vai alcançar a estabilidade política e terá tranquilidade para retomar o crescimento econômico”.

“Na democracia, é absolutamente normal que a oposição critique, que qualquer um critique, se manifeste, divirja do que está acontecendo. Isso é normal, mas nós não podemos aceitar que as questões essenciais para o país não sejam objeto de ação conjunta para voltarmos a gerar emprego e renda. Faremos nossa parte”, disse.

Dá medo. Ela já vem fazendo a parte dela pelos últimos doze anos. Se fizer mais um pouco, o país vira sucata. Que Deus se compadeça de nós.

E agora, o que podemos fazer?

A era do predador acabou. Nem no erário sobrou alguma coisa. Agora, precisamos criar riquezas, gerar valor, produzir. A saída é nos unirmos. Não adianta acharmos que ajudar o governo vai funcionar. Empurrar o carro deste governo na direção do despenhadeiro só vai apressar sua queda no precipício.

A alternativa positiva ao nosso alcance é iniciarmos um amplo debate sobre a saída digital. O que podemos aprender com o que se debate em Davos é que a Quarta Revolução Industrial está deslocando o poder para as pessoas. As novas tecnologias nos capacitam a deixar o governo falando sozinho. O exemplo do Uber é didático: enquanto os cães ladram, a caravana passa…

As coisas estão mudando. Online, somos nós e nossos amigos por nós mesmos. Na Internet, somos os novos mosqueteiros esgrimindo mouses: “um por todos e todos por um”. Temos que ser criativos e buscar alternativas. Elas existem. A economia cooperativa, os bitcoins, o e-commerce, atividades online, apenas para citar algumas.

A propósito, se você já não sabe, trate de aprender inglês. (Dizia um amigo americano: Português é um “código secreto”). Olhe para a internet e para as oportunidades que oferece aqui e lá fora. São zilhões.

E para mudar o Brasil, precisamos criar grupos de ação, reunir amigos e estruturar um projeto digital para o novo Brasil digital: o “Brasil 4.0”. E é “4.0” porque precisa estar em sintonia com a Quarta Revolução Industrial.

Esquece a Da. Dilma e seu bando de panacas aloprados. Do atual governo não vai vir nada. Como dizia o “Barão de Itararé”: de onde menos se espera, de lá é que não vem nada mesmo”

Moral da História: O Brasil tem jeito e o jeito é digital.

Ceska – O digitaleiro


 

Brasil 4.0, Davos e a Revolução Industrial 4.0

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O Brasil 4.0 estará em sintonia com a Revolução Industrial 4.0 e alinhado com o mundo contemporâneo do Século XXI

 

 

 

 

 

 

 

Agora é oficial: vem aí a Revolução Industrial 4.0.

O Fórum Econômico Mundial, em seu encontro de Davos, na Suíça, colocou em sua pauta para 2016 a chegada da Quarta Revolução Industrial, esta nova onda de transformações que vão, segundo os organizadores da Conferência, “alterar de modo fundamental a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros.”

O Brasil ainda não acordou, mas vai precisar sair do torpor e da bruma da obtusidade em que se debate. A luz amarela está piscando. Precisamos rever tudo. Ou evoluímos direto para o Brasil 4.0 – pulando etapas – ou, logo, seremos um país irrelevante, empurrado para os cafundós do planeta.

O mundo caminha em meio a uma nova e extraordinária onda de transformações tecnológicas. Nunca antes neste mundo tanta coisa mudou tão rápido. Precisamos saltar sobre o fosso do ignaro para darmos as boas vindas à “Quarta Revolução Industrial” ou RI 4.0 – “Revolução Industrial 4.0”. A decisão precisa ser nossa, como cidadãos, já que nossa preclara “presidenta” não vai à Davos. Que – imaginem! – ignora e não homenageia a mandioca. Talvez por insensibilidade capitalista.

O site oficial do Fórum Econômico Mundial esclarece: “Em escala, escopo e complexidade, as transformações serão diferentes de qualquer coisa que a humanidade tenha experimentado antes. Nós não sabemos ainda como ela irá se desenrolar, mas uma coisa é clara: as resposta a esta nova era deve ser abrangente e integrada, envolvendo todos os agentes interessados (“stakeholders”) das políticas globais, do público, dos setores privados à academia e a sociedade civil”

“A Primeira Revolução Industrial usava água e a força do vapor para mecanizar a produção. A segunda RI usava o poder da eletricidade para criar a produção em massa. A terceira RI, a revolução digital, usava a tecnologia da informação para automatizar a produção. Agora a quarta Revolução Industrial está se desenvolvendo à partir da terceira, que vem ocorrendo desde os meados do século passado, e se caracteriza pela fusão de tecnologias que estão esmaecendo as fronteiras entre as esferas físicas, biológicas e digitais.”

Entre outras profundas transformações que se podem prever, o site destaca o impacto desta RI 4.0 sobre os governos:

“À medida que os mundos físico, digital e biológico continuarem a convergir, novas tecnologias e plataformas irão crescentemente capacitar os cidadãos a engajarem-se com os governos, fazer ouvir sua voz, coordenar seus esforços e mesmo circunscreverem a supervisão das autoridades públicas. Simultaneamente, os governos ganharão novos meios tecnológicos para ampliar o controle sobre suas populações, baseados na supervisão pervasiva e na habilidade de controlar a infraestrutura digital. Na somatória, todavia, os governos irão sofrer crescente pressão para mudar sua atitude em relação à participação pública e à definição de políticas, à medida que diminui seu papel central como condutor das políticas públicas em razão das novas fontes de descentralização e distribuição de poder tornadas possíveis com as novas tecnologias e com as quais que terão que competir.”

Em última análise, a capacidade dos sistemas de governo e das autoridade públicas em adaptar-se irá determinar sua sobrevivência. Se se provarem capazes de abraçar um mundo de mudanças disruptivas, submetendo suas estruturas aos níveis de transprˆ´ncia e eficiência que as capacitem a manter uma margem competitiva, elas permanecerão. Se não forem capazes de evolir, elas enfrentarão problemas crescentes.”

Isto será particularmente verdadeiro na questão da regulação. Os atuais Sistemas de politicas públicas e tomadas de decisão evoluíram durante a Segunda Revolução Industrial, um período durante o qual os tomadores de decisão tinham tempo para estudar as questões específicas e desenvolver o contexto apropriado para as respostas necessárias. Todo o processo foi desenvolvido para ser linear e mecanicista, seguindo uma abordagem de cima para baixo”

Mas esta abordagem não é mais viável. Dada a amplitude dos impactos e a velocidade das mudanças da Quarta Revolução Industrial, a maior parte dos legisladores e burocratas não conseguirão responder aos desafios sem precedentes que terão de enfrentar”.

Este é o mundo que vem sendo construído lá fora. E com o qual teremos que conviver. Gostemos ou não.

Então, o que queremos? Sermos um país em sintonia com o século XXI, digital e conectado, ou continuarmos um Brasil 0.0, a Republica da Mandioca do Lula e da Dilma?

Queremos participar da Quarta Revolução Industrial ou vamos viver nos cafundós do mundo, fazendo a “Revolução da Tapioca”?

Mas que ninguém se engane: ou assumimos nosso papel na Revolução Industrial 4.0 ou vamos todos viver de mandioca. De minha parte, não quero ser pelanca. E acho que as novas gerações digitais também não. Cansamos de ser de segunda classe. E também de um governo de segunda classe. Queremos mudar esta sina feita de mediocridade, atraso, empulhação e bazófia. Da mais cruel corrupção e incompetência.

Temos que pegar o touro à unha ou garrar um lenço para ir chorar na varanda, vendo a banda passar.

Suponho, e bota suponho nisto, que não sejamos um povo de imbecis. Está bem, nossos grotões elegeram um governo de fancaria, liderado por charlatões políticos, mas nossas ilhas de excelência mostram que nem tudo está perdido. Temos criatividade, talento, capacidade. Basta citar exemplos como a Embraer, a Rede Globo, a Editora Abril, o Grupo Gerdau, a Tramontina, o Hospital Albert Einstein, o Sírio Libnês, o INCOR, o agronegócio, as rodovias paulistas para ilustrar nossa vocação para a excelência. Se multiplicarmos estes exemplos Brasil afora vamos dar certo. E desembarcar rapidinho no primeiro mundo.

O problema é nosso atual governo lulopetista: ele é a pedra no meio do caminho. Hoje, graças ao petismo obtuso, somos um país sem noção. Sem um projeto e sem um horizonte. Vivemos sob a ética das pedaladas.

O lastimável governo petista que temos é que nos encarapuça como povo zicado, mandioqueiro, microcéfalo. Que me valha São Benedito, mas o fato é que esta política mentecapta tem que acabar. Precisamos reciclar nosso complexo de vira-latas. Afastar de nosso caminho o “sapo barbudo” e a “mulher sapiens”, e desenterrar os sapos da burrice, da pretensão e da fanfarronice cheia de empáfia.

Vamos encarar a realidade: ou nos livramos desta zica ou nosso destino será um mergulho na babaquice. E aí, além do Zika, da Dengue e do Chikungunya, ainda vamos ter que aguentar o vírus do “pestistismo”.

  • O Brasil 4.0 é o futuro em nossas mãos

Com a chegada da RI 4.0, as novas gerações do Brasil estão sendo convidadas à assumir sua missão de reformar o país. De criar e formatar o Brasil 4.0.

O Brasil 4.0 é mais do que um mote. É um projeto de país. Uma nova maneira de interagirmos com nossos concidadãos e com nossos poderes contituídos.

É também uma marca. Um objetivo. Um referencial, que, além de significado, tem visão, projeto, contornos, relevo e contexto. Associada à ideia da “Quarta Revolução Industrial” é uma marca com a solidez do aço. Seu sentido, o de um compromisso com o realinhamento com as tecnologias e oportunidades da RI 4.0, é também um brado libertador. Uma primavera tecnológica para o Brasil, para as almas deste país possível que anseiam pelo futuro e fluem livres para realizar seu sonho de prosperidade. Num sentido mais amplo, é tanto um rompimento com o passado opressor como uma promessa para o futuro, sem amarras e sem pedras no caminho.

A Revolução Industrial 4.0 é revolução no sentido mais vasto do termo. É de tirar o fôlego o que está ocorrendo no mundo digital. Nem nosso “metamorfose ambulante”, o genial Raul Seixas, iria entender. Tudo está sendo repensado e revisto. Nenhum dos mais diferentes quadrantes da vida, da humanidade, da sociedade, das coisas mensuráveis, da indústria, do mercado, da “internet das coisas”, da comunicação entre dispositivos, equipamentos, máquinas e “coisas” é como foi.

Objetos, coisas, vestuário, móveis, edifícios, eletrodomésticos, tralhas e tudo aquilo que usamos cotidianamente começa a ter vida. Como nas histórias de fadas, agora espelhos falam. Nas habitações as geladeiras informam o que tem e o que é preciso comprar. O espelho do banheiro avalia seu estado de saúde examinando sua pupila enquanto você faz a barba (ou a maquiagem…). Carros andam, estacionam (e se congestionam) sozinhos. O céu vai ter mais drones carregando encomendas do que motoboys circulando em São Paulo. O mundo real e o virtual passam a interagir. Modernas tecnologias de conectividade estão sendo combinadas com processos industriais automatizados. Aplicativos “agnósticos” se entendem com tudo e todos. É um novo composto tecnológico para servir ao gênero humano. Algo técno-antropológico. Para não perderem a objetividade prática, os especialistas classificam estes desenvolvimentos sob o nome de “Revolução Industrial 4.0”.

A Revolução 4.0 nasceu, na Alemanha, como um projeto no âmbito da estratégia de alta tecnologia voltada para a manufatura inteligente. Sendo originário da Alemanha, o conceito tinha que ser assentado em coisas objetivas. Práticas.

Sua base tecnológica é composta por um “sistema nervoso” embebido nas coisas. Novas gerações de sistemas, atuadores, sensores e dispositivos conectados e online, uns falando com os outros, sem particioação humana, via “Internet das Coisas”.

A nova Revolução virou a grande estrela da Conferência de Davos de 2016. Hoje, sob a liderança da Alemanha e dos Estados Unidos, já está em desenvolvimento um programa de cooperação por meio da Smart Manufacturing Leadership Coalition – SMLC, que vem a ser uma “Coalisão de Lideranças para Manufatura Inteligente”.

A SMLC reúne os interessados de todas as áreas, produtores, fornecedores, fabricantes, universidades, empresas de tecnologia e governos. O objetivo deste esforço cooperado é levar as partes interessadas a atuar em conjunto no desenvolvimento das novas abordagens, plataformas, infraestrutura e do arcabouço legal e normativo para a adoção de novas soluções e de um novo paradigma. Regras e protocolos compartilhados significam compatibilidade e funcionalidade. O mundo vem aprendendo a fazer certo. As novas tecnologias vem “plug and play”. Ligou, funciona,

E as novas tecnologias vem com uma nova e crescente consciência ambiental. No novo meio-ambiente dos espaços, cidades e habitações inteligentes que vem no bojo da Revolução 4.0, onde tudo estará ligado e conectado, a consciência ambiental vai ajudar a mudar a atitude em relação ao planeta. A mudança tende a ser espetacular. Como em uma nova dimensão da Hipótese Gaia, a conexão entre os organismos vivos e os elementos inorgânicos da terra poderá ser melhor compreendida e implementada. Sensores, câmaras e dispositivos se comunicarão entre si. Esta integração perfeita dos mundos físico – analógico – e o mundo virtual – digital – só é possível porque tudo o que existe no mundo real é reproduzido virtualmente no mundo digital. Como tudo o que é real tem uma dimensão no mundo virtual que existe no computador, é possível usar o processamento de hipóteses e a simulação para chegar ao melhor conjunto de opções. Trata-se da “inteligência artificial” ajudando a organizar e otimizar o do que existe, do que está disponível e de cada um dos entes existentes no mundo real.

Então, vamos migrar para o mundo da “Revolução Industrial 4.0” ?

Vamos juntar forças para pular etapas e fazer o “Brasil 4.0” ?

Agora o futuro está em nossas mãos. E esteja certo, o Brasil tem jeito. E o jeito é digital.

Ceska – O digitaleiro


 

A banda de Brasília está cacofonando

 

Banda de Brasília
A Banda da “Mãe do PAC” está cacofonando. Tocando fora do tom e do compasso, quem dança o rebolado é o povo. (Imagem “Master Clips”)

O verso do refrão da Banda da Presidenta Dilma é “Vocês vão ter que me engolir”

Em seu recente encontro com jornalistas, em Brasília, para seu tradicional café com bobagem, Dilma assumiu uma atitude de desafio, no melhor estilo “vocês vão ter de me engolir”.

Enquanto toca para o Impeachment passar, desfila argumentos com indiferença olímpica. No citado café com os jornalistas, disse estar preocupada em assegurar o equilíbrio fiscal, o crescimento e em combater a inflação. Mas nada disse sobre que iniciativas tomaria para promover o equilíbrio fiscal, o crescimento e o combate a inflação. O fato é que, além de ter fritado o Joaquim Levy, a citada presidenta nada fez no campo econômico. Sua postura explícita é a de deixar como está para ver como é que fica. Sua sinalização é que vai continuar a fazer o que quer, sem cortar nada, e deixar a sociedade se lixar. O seu ministro da fazenda já disse que “precisa” a CPMF para ajudar a equilibrar as contas e não tem plano “B”…

Portanto, não adianta buscar algum alento em Brasília. O som que vem do planalto é pura cacofonia política. O Executivo, da dupla Dilma e Lula, o Senado, de Renan Calheiros, a Câmara, de Eduardo Cunha, o Supremo, do Lavandowski parecem uma banda desafinada tocando ziriguidum. Enquanto o país se debate sem horizontes precisa ouvir este mix do “Samba do Crioulo Doido”, do Stanislaw Ponte Preta, combinado com o “Coração de Luto”, do Teixerinha, um clássico gaúcho que muitos chamam, malvadamente, de “Churrasquinho de Mãe”.

Ante este quadro de cerco ao bom senso, a sociedade precisa tomar a iniciativa. Precisamos deixar de lado os “canais competentes” e criar novas alternativas com base nos caminhos digitais.

Uma forma da sociedade e da cidadania tomar a iniciativa é a criação de “Grupos de Ação”. Algo como uma sociedade de “irmãos digitais” para trocar ideias e formatar novas plataformas para o exercício do governo.

Se deixarmos correr solto, o governo vai tratar de empurrar a conta para a sociedade. Portanto, só juntando forças e partindo para o protagonismo é que vamos encontrar saídas.

Fundar seu “Grupo de Ação” é fácil. Certamente, seus colegas, parceiros e amigos também vêm o tsunami se aproximando do país. Trocar ideias e buscas soluções de forma compartilhada vai ajudar a encontrar saídas.

Criar uma plataforma de economia compartilhada, ou colaborativa, pode ser um dos objetivos. Por exemplo, criar um espaço para o compartilhamento de recursos e materiais. Do ponto de vista prático, pode-se criar uma conta corrente de serviços e empréstimos. (Tomando o cuidado de fazer isto entre amigos/parceiros para evitar surpresas).

Os grupos podem, também, ser organizados para atuar em tarefas práticas. Para desenvolver inovações em sua área, para permutar ou compartilhar aparelhos e equipamentos, para combinar compras coletivas e similares. O uso das mídias sociais, da internet e de planilhas do Google, por exemplo, podem facilitar a organização dos grupos.

Então é o seguinte: vamos nos dar as mãos e buscar uma saída por nossa própria iniciativa. Saindo da inércia, podemos achar uma solução para nossos problemas.

Agora, de uma coisa podemos ter certeza: se queremos uma saída, precisamos achar uma.

Organize seu “Grupo de Ação”. Vamos tocar a nossa música que a banda de Brasília está uma uma cacofonia só.

Venha para o lado da luz e que a força esteja com você.

Cesk – O digitaleiro


 

Nada mais funciona como funcionava

Tecnologia
No mundo digital a tecnologia é que faz a destruição criativa

A crise brasileira foi fabricada pela esquerda petista e pelos governos Lula e Dilma. Parafuso por parafuso. Engrenagem por engrenagem. Este monumento de incompetência foi um trabalho de respeito. Uma meticulosa construção de atraso. Mas além de equívocos em série. que nem é preciso enumerar para quem lê jornais, acessa à internet ou assiste televisão, existe o total desconhecimento do mundo real e do que vem acontecendo no planeta.

As tecnologias digitais vem chegando tão avassaladora como a lama que desceu da represa em Mariana. As novas soluções estão destruindo tudo em seu caminho. As novas tecnologias são as agentes da atual onda de destruição criativa.

A inovação é o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos, novos mercados e, implacavelmente, sobrepondo-se aos antigos métodos, menos eficientes e mais caros.

Isto tudo já dizia Joseph Alois Schumpeter (1883 – 1950). Em qualquer mercado, as regras da competição definem quem ganha e quem perde. Esta é uma verdade que se aplica tanto para as nações, no comercio internacional, como para as organizações e empresas que transacionam no âmbito do mercado de saúde brasileiro.

Os cursos de economia ensinam que, no tempo da agricultura, tudo era muito mais simples. A posse da terra e dos recursos determinava o ganhador. O advento da era industrial elevou a complexidade, mas o mundo ainda funcionava de forma linear. Neste tempo, que durou do início da revolução industrial até algo como dois decênios atrás, a pole position era daquele que detivesse controle sobre a cadeia de suprimentos.

Mas a era digital finalmente chegou para reordenar o planeta. A reformulação total das regras que predominaram por muito tempo está dizimando o mercado. Tanto no Business-to-Consumer como no Business-to-Business, a falta de adaptação aos novos tempos está fazendo sucumbir empresas que estiveram no panorama do setor por décadas. Infelizmente, como muitos estão descobrindo, não foi só a máquina de escrever que foi mandada para o museu. O problema, para os que não conseguirem adaptar-se aos novos tempos, é que mudarão os atores. Saem os velhos, entram os inovadores.

Com o que já se pode observar nem é preciso bola de cristal para se antever o que vai acontecer no mercado. Com empresas altamente digitalizadas e sofisticadas, haverá menos players. Para sobreviver as empresas precisarão ser de porte maior e mais competitivas. Uma tendência que deve levar grande parte da industria nacional a ser vendida ou virar sucata.

Para quem examina as transformações mais de perto, está claro que as bases da competição se apóiam cada vez mais em verdadeiros ecosistemas, onde uns dependem dos outros e nenhum elo da cadeia vai sobreviver no isolamento e na autosuficiênica. Gostando ou não gostando, o novo modelo de negócios se expressa num paradigma de cooperação e parcerias. Neste novo cenário, as decisões isoladas e pontuais, que predominavam no antigo modelo de fazer negócios, vão forçosamente ceder lugar a um modelo de encadeamento de interesses que vai, por sua vez, requer um grau de proximidade muito maior entre os parceiros de negócios. Não há dúvida de que só um bem azeitando relacionamento entre as partes e a capacidade de gerar valor para o cliente vão garantir uma posição de destaque no mercado.

Na prática, acabou o tempo em que dava para vender e passar o problema para o cliente. O cliente agora só quer comprar resultados. Quem resolve o problema a custo competitivo vai sobreviver. Quem não resolve está fora. Potando está decretado o fim da era romântica dos caixeiros viajantes e dos negócios entre compadres. No novo eco-sistema, pode ser que alguns antigos relacionamentos e fidelidades ainda sirvam para abrir algumas portas. Mas sem um novo conteúdo tecnológico e sem um novo grau de compromisso e envolvimento, tudo o que ainda conseguirão será criar a oportunidade para o abraço de despedidas.

Tudo isto, evidentemente, está mexendo com o mercado. Alguns sequer conseguem entender com clareza o que está acontecendo. As vendas caem, pedidos prometidos não vem, os pregões presencias e eletrônicos surgem por todo lado e desmontam esquemas de venda cuidadosamente armados e cultivados por decênios. Nem a resposta aos anúncios corresponde ao esperado. De repente, para a perplexidade geral do mercado, nada mais é como era e nem funciona mais como funcionava.

Do ponto de vista do Business-to-Business, A velha máxima que recomendava não colocar todos os ovos num só cesto deverá ceder lugar à máxima preconizada por Andrew Carnegie: “Agora é colocar todos os ovos num só cesto…e vigiar o cesto!.”

O avanço no caminho deste novo paradigma de concentração começou de forma gradativa, mas nos últimos anos tomou grande impulso e vem ganhando crescente velocidade. O motor destas mudanças é a tecnologia digital. Especialmente o computador e a Internet. A Internet está em toda parte e vem ditando um acelerado processo de mudança. Desde uns dez anos atrás, vivemos o processo romântico dos Portais. Havia propostas para todos os gostos e nem todos sobreviveram, mas entre os que passaram à fase adulta estão sólidos portais dedicados ao chamado e-procurement e à intermediação de compras.

E o Brasil?

Como sempre, estamos atrasados e à reboque dos fatos. Mas quem anda perdido é o governo, sãos os políticos, os burocratas. Multidões de membros da geração digital brasileira correm por fora e sabem o que devem fazer. É só tirar do caminho o entulho analógico e abrir espaço para as soluções digitais que faremos a destruição criativa trabalhar à favor do Brasil

Ceska – O digitaleiro


 

A “Mão Invisível Social” do Ministro Tharman

Ministro das Finanças e Vice-Pimeiro Ministro de Singapura Tharman.
O Ministro das Finanças e Vice-Primeiro Ministro de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, acredita que as mídias sociais e a Internet estão criando uma “Mão Invisível Social” que equivale à “Mão Invisível da Economia” de Adam Smith. ( REUTERS/Edgar Su (Singapura)

Viver é fazer história. Somos agentes, protagonistas e testemunhas da grande mudança da história humana que vem migrando da era da Terceira Revolução Industrial para a Revolução Digital em direção à Quarta Revolução Industrial.

Vivemos em um tempo revolucionário. Uma era de ruptura, transformacional.

Esta era se caracteriza pelo conhecimento e pela tecnologia. Seu eixo tecnológico é o processador eletrônico de dados, o coração da era digital e o motor da era disruptiva. E toda a organização da atividade humana vem sendo impactada pela Inteligência Artificial, uma nova superesfera, criada graças às novas tecnologias e, claro, aos processadores. Todas as tarefas realizadas pelo homem, do uso da força bruta a complexos cálculos eletrônicos, da armazenagem de dados na nuvem a procedimentos médicos com robôs cirúrgicos, de comunicação instantânea em nível global a decisões na gestão da administração pública, pode ser facilitada com o uso adequado de softwares e hardwares, de aplicativos e dispositivos.

A era digital está ainda em seu início. E aponta para possibilidades infinitas.

O mundo que está surgindo será inteiramente diferente deste em que vivemos. O desafio, para o Brasil, é não deixar escapar a oportunidade que temos de sair na frente. Neste sentido, a crise é uma benção. Eis porque precisamos nos mobilizar, fazermos o debate online, criarmos o grande projeto do Brasil Digital e envolvermos a nação, lembrando de Geraldo Vandré: Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vamos imaginar que façamos a transição da era analógica para a era digital. Suponhamos, ainda, que esta nova era nos propicie um elevado grau de competitividade no mundo moderno e que esta posição de destaque nos traga progresso e prosperidade como nunca tivemos antes.

Ainda assim, se não tomarmos cuidado, corremos o risco de recair nos vícios da demagogia e das promessas do paraíso grátis.

E o caminho para garantirmos a prosperidade de modo sustentável está em cultivarmos uma cultura que valorize e proteja os valores condicionantes do progresso. Precisaremos “blindar” nossa prosperidade com uma sólida cultura liberal.

A cultura, na definição do antropólogo Edward B. Tylor, é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”[i].

A “cultura social”, em complemento, pode ser definida como o conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais valorizadas pelos membros da sociedade. Vem a ser o conjunto de “valores”, as crenças fundamentais, que norteiam o comportamento.

Dentro do contexto da filosofia, a cultura está a serviço das necessidades, aspirações e desejos humanos. A cultura, vista pela ótica da civilização, reúne a maneira como o homem foi resolvendo seus problemas ao longo da história. Cultura, assim, algo que o homem criou ao longo de gerações. Como somos “animais sociais” – e nenhum homem é uma ilha – o “Homo-sapiens” só se torna homem porque vive em meio a um grupo cultural. Dentro deste grupo cultural predominam as ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais que estabelecem o que é aceitável e o que não é. Ou seja, o que é bom e o que não é, que estabelece a noção do bem e do mal para aquele grupo social.

A “cultura social” é, em consequência, um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que confere sentido à vida de seus membros. Representa, portanto, uma força poderosa que permeia todo o tecido social. Dela deriva uma matriz de estímulos e condicionamentos que influenciam o comportamento dos membros do grupo e os recompensam na medida que adotam os comportamentos alinhados com os valores do grupo.

Reconhecendo a força da “cultura social” como indutora de comportamentos e, em consequência, como âncora da prosperidade, Tharman Shanmugaratnam, Vice-Primeiro Ministro e Ministro da Fazenda de Singapura, explica sua importância comparando seus efeitos sobre o comportamento da sociedade com a “Mão Invisível do Mercado” de Adam Smith e a define como a “Mão Invisível da Cultura Social”.

“Mão invisível” foi, como se sabe, uma expressão introduzida por Adam Smith em “A Riqueza das Nações”, para descrever o processo virtuoso que ocorre em uma economia de mercado, onde, apesar de não ser visível uma coordenação dos interesses individuais, estes tendem convergir de modo a produzir o “bem comum”. É como se houvesse uma “mão invisível” dirigindo a tomada de decisões dos investimentos e negócios. A “mão invisível”, a que o filósofo iluminista se refere, explicava algo similar ao que hoje chamamos de lei da “oferta e procura”.

O Ministro Tharman, ao reconhecer a força da “Mão Invisível da Cultura Social” no comportamento das sociedades, afirma que a construção de “uma boa sociedade” se firma sobre um conjunto salutar de bons valores e condutas, especialmente quando a sociedade valoriza o desejo das pessoas de tomar responsabilidade sobre si mesmas e suas famílias, bem como contribuir para o êxito dos demais.

Para o Ministro Tharman, uma vez que se entenda e aceite o conceito da “Mão Invisível da Cultura Social” se pode usá-lo de forma a estimular os valores que vão moldar uma cultura social propícia à prosperidade. Em uma relação de causa e efeito, quando a Cultura Social muda, muda o comportamento da sociedade. A boa nova, segundo Tharman, é que a cultura social não é imutável. Ela muda em resposta às políticas adotadas.

O Ministro Tharman usa a expressão “Compacto Social” para definir o “acordo” que deve ser estabelecido entre os membros de uma sociedade organizada, ou entre os governados e o governo comprometido com a prosperidade, definindo e limitando os direitos e deveres de cada um.

Ele exemplifica mostrando que as pessoas tendem a agir segundo regras do contexto politico, social e econômico em que vivem. E o sucesso destas sociedades é ditado pela maior ou menor excelência das regras e conceitos adotados neste “Compacto Social”.

Quando o “Compacto” reúne políticas saudáveis e conta com a adesão da sociedade, a “Mão Invisível” se encarrega de promover o desenvolvimento e distribuir prosperidade entre os membros da sociedade. É pelo resultado obtido que se pode avaliar a qualidade dos “Compactos”, ou “combos de valores”. Tharmam sugere a comparação do resultado em sistemas como o comunismo, a social democracia ou capitalismo de livre-mercado.

Para Tharman. políticas redistributivas no contexto do “Compacto” podem apenas obter sucesso se forem desenhadas para encorajar uma cultura de responsabilidade pessoal e se promoverem a responsabilidade coletiva entre todos.

Ainda na opinião do Vice-Primeiro Ministro, a quatro áreas que concernem à Cultura Social e devem estar no eixo das politicas do governo são: 1) A mobilidade social sustentada; 2) Acordo claro entre a responsabilidade individual e a responsabilidade coletiva; 3) Cultivar uma cultura de inovação e de aceitar riscos; 4) Crescimento do bem publico e o papel dos espaços públicos e da sociedade civil.

A autoridade do Ministro Tharman Shanmugaratnam vem do êxito desta estratégia em um dos países mais bem sucedidos da atualidade, Singapura. E também pela trajetória pessoal deste líder nascido na Índia, com formação na London School of Economics, University of Cambridge, e na Harvard University e que ocupa posição de proeminência no governo de Singapura desde novembro de 2001.

Então dispomos de um caminho. Podemos transformar o Brasil em um país digital. E podemos juntar nossos corações e mentes para forjar uma cultura de prosperidade autossustentada, que contenha em seu DNA os valores liberais e seja protegida por um sistema imunológico contra as patologias da esquerda.

Se juntarmos a mão invisível de Adam Smith com a mão invisível da cultura social e nos darmos as mãos como cidadãos livres, digitais e de coração verde e amarelo, seremos invencíveis.

Ceska – O digitaleiro


[i] (LARAIA, Roque de Barros. Cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006)

Cabeças da idade média tem ideias medievais

figuras
Figuras da Idade Média ainda perambulam pela política brasileira. São seres que acreditam no poder mágico do que está escrito: palavras fazem surgir do nada os meios que precisamos para viver bem: o trabalho enobrece, mas a palavra enriquece. (Imagem Master Clip)

Cabeças que vivem na idade média tem ideias medievais. (A propósito, cabeças da idade da pedra lascada tem ideias socialistas). A noção de que o mundo ainda vive mergulhado num contexto de soma zero – para alguém ter alguma coisa é preciso tomar de alguém outro – podia até fazer sentido na idade média. Mas hoje, no mundo dos robots, com capacidade de produção virtualmente ilimitada, muito acima da demanda, esse jogo de soma zero só pode ainda perdurar em cabeças que continuam impermeáveis à lógica da criação de riquezas que veio com a revolução industrial. Acontece que muitas destas ideias, e outras de mesmo tipo, ainda vivem no imaginário politico socialista e frequentam as arengas populistas latino-americanas. Com resultados trágicos, como podemos constatar de primeira mão no nosso caso brasileiro.

O que ocorre é que a revolução industrial ainda não existe para a grande parte da nossa população e, portanto, ainda não impactou o pensamento nacional. Muita gente, aqui nos trópicos, ainda não entende uma coisa simples: as máquinas automáticas produzem muito mais que trabalhadores humanos, fazendo produtos de melhor qualidade e muito mais baratos. Uma realidade que se pode observar em uma simples visita a uma loja de 1,99, onde se vendem produtos que viajam metade do mundo por preços que não se conseguiria fabricar na esquina.

As máquinas automatizam a produção, criam produtos e produzem riqueza. Este fato simples e elementar jogou no lixo toda a lógica mercantilista. Como em um passe de mágica, com um simples “abracadabra” o mundo passava a ter os meios de produzir quantidades ilimitadas de mercadorias e de gerar riquezas sem limites. Mas com uma condição: é preciso ter gente que saiba operar as máquinas, que saiba fazer funcionar os portos, que saiba gerir a complexidade das fábricas e empresas. Este o tipo de pessoas que precisamos aqui. E não mais burocratas insensíveis, arrogantes e prepotentes.

E como precisamos ter a fábricas, máquinas, matéria prima e infraestrutura antes de começar a produzir e a vender, precisamos de dinheiro na frente: o “capital”.

E foi para fazer muitas fábricas, ter muitas máquinas, ter muita matéria prima, treinar os operários e criar a infraestrutura que nasceu o tal “capitalismo”. Quer dizer, o “capitalismo” surgiu para que se pudesse produzir mais.

Mas esta sequência de passos “capitalista” é muito complexa para a cabeça latino-americana. Assim como para grande parte da esquerda e dos burocratas brasileiros. Um bando de mentecaptos iletrados que nada entendem de produzir. Apenas são bons em pilhar. Em tomar dos que produzem.

O fato é que a revolução industrial mudou as referências do mundo civilizado. Técnicas de produzir já estão dominadas. O que faltam são populações que saibam como se organizar para produzir e para fazer a distribuição desta produção. A própria ideia da “mais valia” comunista virou piada: qual a “mais valia” de um robot de produção?

A revolução industrial, ao permitir produzir em grande escala, gerar empregos e baixar o custo dos produtos, havia sido o evento mais importante da história da humanidade desde a domesticação dos animais até aquela data.

Com a organização da produção em larga escala, graças ao capitalismo, e com a prosperidade que veio com os ganhos de produtividade e com o investimento em novas tecnologias, a humanidade alcançou um patamar de bem estar jamais imaginado.

Mas, como o mundo continuou girando, avançamos em nossa jornada evolutiva até chegarmos na era digital. E nesta era de potenciais sem limites, a promessa da tecnologia é a de que temos todas as condições para sermos uma nação rica. Muito rica. No Brasil só continuaremos pobres por culpa dos pobres de espírito. Livremo-nos deles.

Ceska – O digitaleiro

O chamamento do Manifesto “Cluetrain”

Capa da edição comemorativa dos 10 anos do Manifesto "Cluetrain"
Capa da edição comemorativa dos 10 anos do Manifesto “Cluetrain”

O Brasil ainda não descobriu sua fonte de inspiração no rumo da modernidade, ainda não teve seu momento de encontro com o futuro.

Talvez a história da internet possa inspirar as gerações nativas da era digital e as leve a descobrir sua vocação no universo em transformação que vivemos.

Nos Estados Unidos o momento de “heureca” em relação à internet ocorreu em 1999, ano em que um grupo de visionários do Vale do Silício consolidou a compreensão do papel revolucionário deste instrumento capaz de transformar o mundo.

Vislumbrando novos horizontes e entusiasmados com as perspectivas que viam no horizonte lançaram o chamado “Manifesto Cluetrain”. Trata-se de um documento de fé e de certeza de que o mundo não seria mais o mesmo depois da internet. Uma nova realidade viria para conquistar os corações e mentes da humanidade. Novos sonhos seriam possíveis, novos negócios criariam mais prosperidade, uma nova fronteira de entendimento entre os homens de todos os quadrantes estava sendo conquistada. E, o mais importante, as pessoas passavam a ter um novo poder de protagonismo na sociedade e no mundo. Os signatários do manifesto, enfim, entenderam que a Internet mudaria o mundo e moldaria o mercado e a sociedade do futuro.

De modo que, fascinados com as possibilidades que antecipavam, o grupo convocou algumas das mais brilhantes cabeças ligadas às novas tecnologias e convidou-as a que estudassem em profundidade as diferentes maneiras de como a Internet impactaria a vida das pessoas, consumidores, mercados, empresas, a sociedade e a civilização.

O resultado deste esforço coletivo foi um conjunto de 95 teses reunidas no manifesto, que recebeu o sugestivo título de “Cluetrain Manifesto” (em português, “O Trem das Evidências”). Havia um sentido de alerta no título: As evidências (“clue”) estavam diante dos olhos de todos e, como um trem, passava diariamente carregado com seus vagões de oportunidades. E muitos ainda não se apercebiam que eram oportunidades abertas a todos. E que todos poderiam aproveitá-las em proveito próprio, de seu negócio, de sua comunidade, de seu país.

O Manifesto teve enorme impacto na comunidade de tecnologia dos Estados Unidos, repercutiu no mundo das tecnologias ligadas à internet e influenciou toda uma geração de visionários.

O mais relevante é que o Manifesto se mostrou profético em praticamente todas as suas previsões, especialmente em relação à premissa de que a Internet proporcionaria uma nova plataforma de relacionamento humano, inaugurando um novo fórum para a conversação e o intercâmbio de ideias e opiniões.

Aquele momento era de incontido entusiasmo e grande esperança em relação ao papel futuro da internet e das novas tecnologias digitais. A internet se apresentava como parceira para aproximar pessoas e abrir as portas do mundo. Os recursos online eliminavam distancias, desconheciam fronteiras e diferenças, estimulavam o rompimento das barreiras corporativas, ignoravam raça, sexo, religião e permitiam a inauguração de um novo pacto social.

No contexto dos mercados, o surgimento de novos canais de comunicação envolvendo os públicos interno e externo das corporações, propiciavam as condições de um novo diálogo e lançavam na obsolescência o monólogo unidirecional sobre políticas, produtos e serviços.

Nos 17 anos que se seguiram, entre o lançamento do Manifesto e os dias atuais, as mudanças previstas pelo Manifesto ocorreram e continuam a ocorrer. A cada dia, mais e mais a internet se torna pervasiva, mais e mais influencia os comportamentos, mais e mais abre oportunidades, mais valoriza as pessoas e mais as aproxima.

O entusiasmo dos visionários inspirou uma poderosa mensagem de abertura que ainda hoje vibra de emoção e soa como um chamamento para o futuro:


 

Pessoas da Terra:

O céu está aberto para as estrelas. Nuvens cruzam sobre nós dia e noite. Oceanos sobem e descem.

Não Importa o que você̂ possa ter ouvido, este é o nosso mundo, o nosso lugar.

Não importa o que quer que lhe tenham dito, nossas bandeiras tremulam livres. (Online) nosso coração bate para sempre.

Pessoas da Terra, lembrem-se…


 

O Manifesto esclarecia que “Uma poderosa conversação global começou. Através da Internet, pessoas estão descobrindo e inventando novas maneiras de compartilhar rapidamente conhecimento relevante. Como efeito direto, mercados estão ficando mais inteligentes — e mais inteligentes que a maioria das empresas.”

A lista abaixo, com as 95 teses, permite entender a amplitude da transformação do mundo que o Manifesto antecipou. Um bom exercício para a nossa realidade e para o papel potencial da internet no Brasil Digital é ler o título das teses trocando “mercados” por “sociedades” e “empresas” por “governo”.


 

  1. Mercados são diálogos.
  2. Mercados consistem em seres humanos, não setores demográficos.
  3. Conversações entre seres humanos tem características humanas. Elas são conduzidas em uma linguagem humana.
  4. Quer seja transmitindo informações, opiniões, perspectivas, argumentos ou apartes, a linguagem humana é tipicamente aberta, natural, sincera.
  5. As pessoas se reconhecem como tal pelo som de sua voz.
  6. A Internet está permitindo conversações entre seres humanos que simplesmente não eram possíveis na era da mídia de massa.
  7. Hyperlinks subvertem a hierarquia.
  8. Tanto nos mercados interconectados como entre funcionários intraconectados, as pessoas estão falando umas com as outras de uma forma nova e poderosa.
  9. As conversações em rede estão permitindo formas novas e poderosas de organização social e de troca de conhecimento.
  10. Como resultado do diálogo em rede, os mercados estão ficando mais inteligentes, mais informados, mais organizados.
  11. A participação em um mercado em rede muda as pessoas fundamentalmente. As pessoas nos mercados em rede percebem que elas tem melhor informação e suporte online do que recebem dos fornecedores. Já basta de retórica corporativa sobre “agregar valor” aos produtos de consumo.
  12. Não existem segredos. O mercado em rede sabe mais sobre os produtos e serviços do que as próprias empresas fornecedoras. E tanto faz se a informação é boa ou má, eles, os internautas a divulgam para todo mundo.
  13. O que está acontecendo no mercado também está acontecendo entre os colaboradores e funcionários. Um ente metafísico chamado “A Empresa” é a única coisa entre os dois.
  14. As corporações não falam na mesma linguagem dos novos diálogos conversações na internet. Para suas audiências online, as empresas parecem ocas, lisas, literalmente não humanas.
  15. Em apenas alguns anos, a atual “linguagem” do negócio – o discurso homogeneizado das missões corporativas e da publicidade – parecerá tão rebuscada e artificial quanto a linguagem da corte francesa do século 18.
  16. Atualmente, empresas que falam na linguagem dos charlatões não estão falando para ninguém.
  17. As empresas que assumem que os mercados online são os mesmos mercados que costumavam assistir seus anúncios na televisão enganam a si mesmas.
  18. As empresas que não perceberam que seus mercados agora são redes pessoa-a-pessoa, e como resultado, ficaram mais inteligentes e mais envolvidos no diálogo, estão perdendo sua melhor oportunidade.
  19. As empresas podem, agora, comunicar-se diretamente com seus mercados. Se queimarem esta oportunidade, esta pode ser sua última chance.
  20. As empresas precisam perceber que seus mercados estão rindo. Delas!
  21. As empresas precisam ser mais leves e encarar-se menos seriamente. Elas precisam ter senso de humor.
  22. Ter senso de humor não significa colocar piadas no site corporativo. Ao contrário, isto requer boa dose de integridade, um pouco de humildade, honestidade, e autenticidade.
  23. As empresas que tentam “posicionar-se” devem assumir uma posição. Idealmente, devem assumir compromisso com algo que realmente seja importante para seu mercado.
  24. Declarações bombásticas – “Nós pretendemos ser o principal fornecedor de XYZ” – não constituem um posicionamento.
  25. As empresas necessitam descer de suas torres de marfim e falar com as pessoas com as quais esperam criar relacionamentos.
  26. Relações Públicas não tem relação com o público. As empresas estão com um profundo temor de seus mercados.
  27. Falando em uma linguagem que é distante, pouco atrativa, arrogante, elas criam muros para manter seus afastados.
  28. A maioria dos planos de marketing são baseados no medo de que o mercado possa ver o que realmente está acontecendo dentro da empresa.
  29. Elvis disse com perfeição: “Nós não podemos seguir juntos com mentes desconfiadas.”
  30. A lealdade à marca é a versão corporativa do que seria um relacionamento duradouro, mas a separação é inevitável – e está vindo rápido. Porque estão online, os mercados inteligentes estão prontos para renegociar relacionamentos na velocidade da luz.
  31. Mercados em rede podem mudar de fornecedores da noite para o dia. Os trabalhadores em rede podem mudar de emprego durante o almoço. Suas próprias (das empresas) “iniciativas de downsizing” nos obrigaram a fazer a pergunta: “Lealdade? O que é isto?”
  32. Mercados inteligentes vão achar fornecedores que falam sua própria língua.
  33. Aprender a falar na linguagem humana não é um truque de magica. Esta habilidade não pode ser “aprendida” em algum rápido seminário.
  34. Para falar em linguagem humana as empresas precisam compartilhar das preocupações das suas comunidades.
  35. Mas antes, elas devem pertencer a uma comunidade.
  36. As empresas devem perguntar a si mesmas onde as suas culturas corporativas terminam.
  37. Se suas culturas terminam antes de onde começam as da sua comunidade, então elas não tem mercado.
  38. Comunidades humanas são baseadas em crenças – em considerações humanas sobre preocupações humanas.
  39. A comunidade do diálogo é o mercado.
  40. Empresas que não pertencem a uma comunidade de diálogo vão desaparecer.
  41. Empresas fazem de sua segurança uma religião, mas isto não serve de nada. A maioria esta se protegendo menos contra os concorrentes do que contra seu próprio mercado e seus colaboradores.
  42. Como nos mercados online, as pessoas estão conversando também entre si dentro da empresa – e não apenas sobre regras e regulamentos, diretivas corporativas, resultados e lucros.
  43. Estas troca de ideias estão acontecendo online e nas Intranets corporativas. Mas apenas ocorrem quando as condições são favoráveis.
  44. As empresas tipicamente instalam intranets de cima para baixo com o objetivo de distribuir políticas de RH e outras informações corporativas que os colaboradores fazem o possível para ignorar.
  45. Intranets tendem a ser chatas. As melhores são feitas de baixo para cima por indivíduos participativos cooperando para construir alguma coisa muito mais valiosa: um diálogo corporativo construtivo.
  46. Uma Intranet sadia organiza os colaboradores de muitas maneiras. Seu efeito é mais relevante do que diretivas de qualquer sindicato.
  47. Enquanto este diálogo (entre as pessoas) assusta as empresas, estas também dependem enormemente de intranets abertas para gerar e compartilhar conhecimento crítico. Elas precisam resistir a tentação de “melhorar” ou controlar estas conversações em rede.
  48. Quando intranets corporativas não são limitadas pelo medo e regras corporativas, o tipo de conversação que elas encorajam parece como conversações de mercados em rede.
  49. Os organogramas funcionaram no tempo em que havia uma economia velha onde os planos podiam ser completamente entendidos desde o topo das empinadas pirâmides administrativas e se podiam passar ordens detalhadas à partir do topo.
  50. Hoje, o organograma é hyperlinkado, não hierárquico. A conexão é baseada no conhecimento prático, que é mais importante que o respeito por alguma autoridade abstrata.
  51. Os estilos de gerenciamento “comandar-e-controlar” derivam e reforçam a burocracia pelo poder e cultura da paranóia.
  52. A paranóia mata a conversação. Este é o ponto. Mas a falta de conversação aberta mata as empresas.
  53. Existem duas conversações acontecendo. Uma dentro da empresa. Outra com o mercado.
  54. Na maioria dos casos, nenhuma destas conversações vai muito bem. Quase invariavelmente, a causa do problema pode ser encontrada nas noções obsoletas de comando e controle.
  55. Comando e controle são noções venenosas. Como ferramentas de gestão, elas estão superadas (quebradas). Tentativas de Comando e Controle são recebidas com hostilidade pelos profissionais conectados via Intranet e geram desconfiança nos mercados conectados online.
  56. Estas duas conversações (a interna e a da empresa com o mercado) querem dialogar entre sí. Elas estão falando a mesma língua e desejam se reconhecer mutuamente.
  57. Empresas inteligentes abrem caminho e contribuem para que a mudança inevitável aconteça o quanto antes.
  58. Se a disposição de sair do caminho (para facilitar as mudanças) for encarada como uma medida de inteligência (QI), então muito poucas empresas passam no teste.
  59. Embora subliminarmente no momento, milhões de pessoas agora online percebem as empresas como pouco mais que curiosas ficções legais que estão ativamente impedindo que estas conversações (a interna e a da empresa com o mercado) se realizem.
  60. Isto é suicídio. Os mercados querem falar com as empresas.
  61. Infelizmente, a parte da empresa com que o mercado quer falar é normalmente escondida atrás de uma cortina por meio de uma linguagem que soa falsa – e muitas vezes é.
  62. Os mercados não querem conversar com vendedores despreparados e enrolões. Eles (consumidores) querem participar das decisões que estão acontecendo atrás do firewall corporativo.
  63. Traga o diálogo para o um nível pessoal: nós somos o mercado. Nós queremos falar com você.
  64. Nós queremos acesso às suas informações corporativas, aos seus planos e estratégias, seus melhores pensamentos, seu conhecimento genuíno. Nós não vamos nos satisfazer com um panfleto impresso a quatro cores, ou com websites cheio de efeitos visuais mas sem nenhum conteúdo informativo.
  65. Nós também somos profissionais que fazemos sua empresa caminhar. Nós queremos falar diretamente com os consumidores ao vivo, não por meio de frases escritas em um roteiro.
  66. Como mercados, como profissionais, ambos estamos cheios de obter nossa informação por controle remoto. Porque precisamos de relatórios impessoais e estudos de mercado de terceira-mão para nos apresentarmos uns aos outros?
  67. Como mercados, como profissionais nós perguntamos por que você não está ouvindo. Você parece estar falando uma língua diferente.
  68. O jargão inflado e pomposo que você utiliza por aí – na imprensa, nas suas conferências – o que isto tem a ver conosco?
  69. Talvez você impressione seus investidores. Talvez você impressione o pessoal da bolsa. Mas a nós você não está impressionando.
  70. Se você não nos impressiona, logo seus investidores começarão a pular fora. Será que eles não entendem isto? Por que se entendessem, eles não deixariam você agir desta forma.
  71. Suas noções antigas sobre “o mercado” nos dão sono. Nós não nos reconhecemos em seus planos – talvez porque nós sabemos que já estamos em outro lugar.
  72. Nós estamos gostando muito do novo mercado online. De fato, nós o estamos criando.
  73. Você está convidado, mas este (a internet) é o nosso mundo. Deixe seus sapatos na porta. Se você quiser participar conosco, desça do pedestal.
  74. Nós somos imunes a publicidade. Esqueça.
  75. Se você quiser que falamos com você, fale alguma coisa. Que seja interessante para variar.
  76. Nós temos algumas ideias para você também: algumas novas ferramentas que precisamos, alguns serviços melhores. Coisas pelas quais estamos dispostos a pagar. Você tem um minuto?
  77. Você está tão ocupado “fazendo negócios” para responder nosso e-mail? Oh, desculpe, nós voltaremos mais tarde. Talvez.
  78. Você quer nosso dinheiro? Nós queremos sua atenção.
  79. Nós queremos que você largue seus devaneios, desembarque de sua neurose, e junte-se à festa.
  80. Não se preocupe, você ainda pode ganhar dinheiro. Isto é, desde que isto não seja a única coisa em sua mente.
  81. Você percebeu que, por si só, o dinheiro é unidimensional e chato? Sobre o que mais podemos conversar?
  82. Seu produto quebrou. Por que? Nós gostaríamos de perguntar isto ao cara que o fez. Sua estratégia corporativa não faz sentido. Nós gostaríamos de falar com o seu CEO. Como, assim, ele não está?
  83. Nós queremos que você trate os 50 milhões de nós (hoje, em 2015, seriam 4,5 bilhões…) tão seriamente quanto você trata um repórter do Wall Street Journal.
  84. Nós conhecemos algumas pessoas da sua empresa. Eles são legais online. Você tem mais pessoas deste tipo escondidos por aí? Elas podem sair e jogar?
  85. Quando nós temos perguntas, nós nos apoiamos em nós mesmos para obter respostas. Se você não tivesse um controle tão restrito sobre o “seu pessoal” talvez eles poderiam estar entre as pessoas em que nós nos apoiaríamos.
  86. Quando nós não estamos ocupados sendo seu “target de mercado”, muitos de nós somos seu pessoal. Nós preferiríamos falar com amigos online do que olhar o relógio. Isto poderia promover seu nome melhor que o seu web site de um milhão de dólares. Mas você diz para nós que falar com o mercado é trabalho do Marketing.
  87. Nós gostaríamos de saber o que está acontecendo. Isto seria muito bom. Mas seria um grande erro você pensar que estamos esperando de braços cruzados.
  88. Nós temos coisas melhores para fazer do que esperar até você mudar para, então, ter chances de fazer negócios conosco. Negócio é apenas uma parte de nossas vidas. Parece ser tudo na sua. Pense nisto: quem precisa de quem?
  89. Nós temos o poder real e sabemos disto. Se você não consegue ver a luz, algum outro verá e será mais atencioso, mais interessante, mais divertido para jogar.
  90. Na pior das hipóteses, nossa nova conversação é mais interessante que aquelas feiras comerciais, mais engraçada que qualquer sitcom da TV, e certamente mais realista que os web sites corporativos que estávamos vendo.
  91. Nossa lealdade é para com nós mesmos – nossos amigos, nossos novos aliados e conhecidos, mesmo nossos companheiros de batalha. As empresas que não tomam um partido neste mundo, também não tem futuro.
  92. As empresas estão gastando bilhões de dólares no Y2K (risco de mudança por ocasião do milênio, no ano 2000). Como é que eles não podem ouvir o tic-tac desta bomba-relógio do mercado? Algo mais importante está em risco.(Esta tese se referia ao risco de problemas com sites na virada do milênio, quando os dois últimos dígitos, “99”, de “1999” mudariam para “00”, de 2000.)
  93. Ambos estamos dentro das empresas e fora delas. Os limites que separam nossas conversações parecem o Muro de Berlim hoje, mas eles realmente são apenas uma inconveniência. Nós sabemos que eles cairão. Nós iremos trabalhar de ambos os lados para derrubá-los.
  94. Para as corporações tradicionais, conversações em rede podem parecer confusas, podem soar confusas. Mas nós estamos nos organizando mais rápido que eles. Nós temos ferramentas melhores, novas ideias, e contornamos as regras para nos tornar mais lentos.
  95. Nós estamos acordando e nos conectando. Nós estamos observando. Mas não vamos ficar esperando.

(Tradução do autor)

Redigidas nas vésperas da entrada no novo milênio, estas teses ajudaram as empresas e o mercado a decifrar o futuro que passou a ser balizado pela Internet.

Então, não seria o caso de aplicarmos esta abordagem e convidarmos a sociedade para apresentar suas teses? E então, partindo delas, desenvolvermos uma visão de como reorganizar o contrato social para criarmos o Brasil digital?

Se desejarmos um Manifesto do Brasil Digital poderemos ter centenas, eventualmente, milhares de teses. Ideias, percepções, soluções, sugestões que poderão abrir caminhos inesperados e surpreendentes.

Além disto, abrir a participação para a sociedade é iniciativa altamente democrática. Em praticamente todo o Brasil, existe facilidade de acesso à internet. O acesso se dá por computadores de mesas, por laptops, tablets, telefones celulares inteligentes e uma infinidade de outros dispositivos.

Mais e mais bens e serviços, inclusive serviços governamentais, são fornecidos on-line ou através de dispositivos móveis. Nossa vida real, off-line e on-line, e nossa vida virtual estão cada vez mais interligadas.

Além disso, são cada vez mais comuns sensores incorporados à produtos, equipamentos e ao meio ambiente, permitindo um acompanhamento online através da “internet das coisas” (Internet of things – IoT). Essa internet que conecta objetos físicos (“coisas”) já está presente em uma miríade de medidores automáticos de eletricidade, água e gás, equipamentos e monitores médicos, alarmes, rastreamento de objetos, carros, encomendas e entregas e uma infinidade de outros.

As câmaras de segurança estão em toda parte. Sensores nos novos ambientes – câmeras de vigilância e sistema de acesso – cada vez mais usam a biometria não apenas para ver e ouvir, mas também identificar: câmeras de segurança agora nos podem ouvir e entender, assim como podem identificar as pessoas pelo rosto, pelo caminhar, ou mesmo pela íris.

As portas são abertas não por uma chave ou por digitação de um código que é compartilhado por todos os funcionários, mas por uma varredura ou escaneamento da face que mostra exatamente quem entrou e quando.

A operação Lava-Jato mostra constantemente imagens que foram gravadas e guardadas para referência futura e que servem como evidências. O mesmo acontece com as ocorrências policiais. A proliferação de câmaras de vigilância tem ajudado a coibir a criminalidade e a descobrir os criminosos.

Praticamente tudo o que fazemos gera dados que são armazenados nochamado Big Data. Estes dados podem ser trabalhados e permitem filtragens e análises que os transformam em informações (Smart Data) de diversos tipos, assim como correlações estatísticas.

Os perfis individuais, como nas mídias sociais, permitem saber o que as pessoas gostam e preferem. Eventualmente, permitem saber o que as pessoas pensam. De posse destas informações, é possível melhorar o planejamento e o uso dos recursos. É possível ganhar qualidade de vida.

Neste novo ambiente do mundo digital, não faz mais sentido um governo analógico. Em países onde tudo funciona bem, onde a população é mais homogênea que a brasileira, a digitalização completa do governo pode ainda esperar.

Mas no Brasil, que precisa desesperadamente se reinventar, e que precisa vencer males crônicos como a corrupção, o parasitismo e o patrimonialismo, a melhor solução é mudar já.

É dar o salto digital completo, saindo do círculo de giz analógico onde o país fica rodando e correndo atrás do próprio rabo.

Ceska – O digitaleiro


 

A roda do tempo

A roda do tempo não para e é preciso virar a página.

O que as novas gerações digitais não querem é “remendar” o que está aí, mantendo a atual estrutura de poder, obsoleta, eivada de vícios, desmandos e privilégios. Um arranjo institucional poroso para a corrupção como um queijo suíço. Remendar o que está aí é tão inútil como enxugar gelo. Por mais que se mudem os móveis de lugar, a casa seria a mesma.

Voltar ao passado, ao período militar, não é a melhor opção.

A opção é avançar para um novo paradigma. Para o paradigma digital. O mundo digital é a nova fronteira. Lá é que está o futuro. Portanto, é a opção mais inteligente.

Aqui está a realidade: no passado, os políticos podiam se dar ao luxo de dizer a seus eleitores uma coisa e fazer outra coisa inteiramente diferente, quando no poder. Sempre foi assim que fizeram. E é assim que os petistas e seus aliados vem fazendo.

O que há de novo, então?

Os políticos mentirem não é nada novo. Prometer e não entregar, também não é nada original. O que é diferente agora é que os políticos não podem mais esconder o que fazem. A internet é mais penetrante que os olhos de raio x do Super Homem.

Há simplesmente muita informação, muitos caminhos para a verdade aparecer.

Há muita tecnologia. Há muito acesso aos fatos. Os políticos não conseguem mais esconder o que se passa nos gabinetes, atrás de portas fechadas. Por debaixo dos panos. A verdade acaba sendo conhecida, por um meio ou outro. É tudo revelado.

Durante muito tempo os eleitores petistas realmente acreditaram que o governo petista estava genuinamente desejando mudar “tudo o que está aí”. Mas ludibriar as pessoas não funciona mais na era digital. Você pode tentar, mas não pode convencê-las de algo diferente do que elas mesmas estão vendo acontecer.

O mundo digital é transparente e multifonte. Ele permite que as pessoas saibam das coisas sem passar pelos canais da mídia tradicional. Os “filtros” que fazem a seleção do que será ou não publicado, não enganam mais ninguém.

A Internet e os seus canais de comunicação, suas plataformas de troca de informações, se tornaram as portas e janelas da sociedade contemporânea.

O mundo digital é o mundo do compartilhamento. O mundo das mãos dadas. Nunca as pessoas estiveram tão conectadas, tão irmanadas, tão iguais.

A internet não discrimina. Não faz diferença nem em cor, sexo, classe social, religião nem qualquer outra condição que possa dividir as pessoas em grupos ou castas.

Alguns grupos ou sites podem até fazer distinção entre as pessoas, mas eles ficam restritos ao seu universo. E não interferem com os demais. A Internet, como meio, é neutra e aberta a quem quiser participar. Assim como permite um protagonismo sem preconceitos e discriminações.

Ceska – O digitaleiro


 

Da perplexidade às carrancas do velho Chico

No primeiro mundo as pessoas olham o Brasil com perplexidade. Como é que um país com tantos potenciais se permite crises como esta que enfrentamos?

Mas perplexidade à parte, é conveniente compreendermos melhor o que nos trouxe a esta encruzilhada do impensável. Como um governo estulto, arrogante e despreparado foi capaz de tantas trapalhadas, tantos equívocos a ponto de fazer o impossível: quebrar o Brasil?

A bem da verdade, o governo petista teve a ajuda de uma constituição irrealista e irresponsável, que deveria ser um farol para o país, mas se revela parte do problema.

Olhando em volta, nos deparamos com um país que se sente exaurido, enganado, traído, sem um projeto, enredado em contas que não fecham, em problemas insolúveis, prisioneiro de si mesmo, de suas contradições, confuso e com uma visão nublada do futuro.

A convicção de que é preciso recomeçar do começo se adensa. Repensar o modelo do Brasil ressoa também na Internet. Nas mídias sociais, e onde quer que o jovens se encontrem, irrompe a participação de jovens em sua disposição para lutar por seus sonhos, por uma nova percepção do mundo e por um Brasil que os acolha.

O fato é que esta nova geração sabe que não está só, tem consciência de seu poder e confia que a solução virá por meio do compartilhamento de esperanças e pelo consenso. Seu mote é o clássico: unidos, nós podemos; unidos nós faremos.

O mais importante, contudo, é que o modelo político predominante se esgotou. Mal ou bem, foi o modelo que tivemos e que, por atribulada que tenha sido nossa história, cumpriu sua missão. Tivemos oportunidades que desperdiçamos. Estadistas que desperdiçamos. Sonhos que desperdiçamos. Vidas que desperdiçamos, mas o tempo é a mãe das oportunidades. E as crises são encruzilhadas do futuro e do destino.

E do governo não temos muito o que esperar. Como dizia Milton Friedman: “As soluções que os governos propõe são, quase sempre, tão ruins como o problema”.

A crise que estamos atravessando nos coloca frente ao desafio de Ortega y Gasset, quando define “vida” em seu livro “Temas de Viaje” (1922): “vida é o que fazemos com nossas circunstâncias”.

As circunstâncias que temos são estas que conhecemos. Podemos tirar partido destas circunstâncias, ou ficar pensando na vida. Podemos fazer as transformações para abrir a janela do mundo digital ou podemos sentar na sarjeta, lamentar nossa sorte, tirar um lenço e chorar.

As circunstâncias são a matéria prima. Com elas podemos fazer hoje o molde do país de amanhã. Um país conectado à realidade do povo, em que o povo se reconheça em seu país.

Olhando de frente para a realidade da crise econômica e social e das oportunidades inexploradas e não mais nos deixarmos entreter pelo cipoal feérico de leis e normas que estão penduradas na ilusão fácil de que basta escrever leis para mudar a realidade.

Está mais do que na hora de agirmos como nação adulta. Precisamos nos desapegar da ficção mirabolante de que podemos fazer a realidade curvar-se com simples voluntarismo. Nós nos afeiçoamos a balagandãs jurídicos que prometem os céus, mas entregam o inferno. Acreditamos demais no poder místico do legalês barroco, do recitar das normas.

Somos um tanto descrentes da mão na massa. Preferimos retórica. Escrevemos textos rebuscados de rococó e esperamos que eles afugentem os maus espíritos como as carrancas na proa dos barcos do Velho Chico. E, assim como esperamos que as carrancas mais feias afugentem mais os tinhosos, gastamos toneladas de papel e galões de tinta para fazer montanhas de leis carrancudas. Uma coisa doida. Fazemos leis para tudo. Mas num país que tem mais de 100 mil leis em vigor, tem até lei federal que agrava a pena dos crimes ambientais se feitos aos “domingos ou feriados”. Então tem as tais leis que pegam e leis que não pegam.

A postura do legislador destes trópicos modorrentos é: nós fazemos as leis. Os outros que tratem de viabilizá-las. Que se virem para fazê-las funcionar. Quanto ao povo, que as engula e as aguente.

Esta postura de rarefeito e esvoaçante compromisso com a realidade vem dos tempos coloniais. A sociedade brasileira sempre entendeu a linguagem legal dos trópicos: Existem leis para valer e Leis para “Inglês ver”, como comentou o Regente Feijó, referindo-se a uma lei de 1831 que, por exigência dos ingleses, declarava livres os africanos desembarcados em portos brasileiros desde aquele ano.

Entre os hábitos que temos de mudar está o de entulharmos o caminho com este cipoal de leis. Ao identificarmos nossas dificuldades precisamos revisar todo o arcabouço de leis inúteis, contraproducentes e idiotas. A forma de revisar é simples: cria-se uma lei revogando todas as que não forem revalidadas. Um bom mutirão pode ajudar na faxina.

Outra herança daqueles tempos de aristocratas, imperadores, reis e rainhas, foi a máxima de que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Os aristocratas, especialmente os de tradição ibérica, membros da aristocracia rural, funcionários públicos urbanos acostumados ao ócio, à nada fazer e a tudo ordenar, achavam que fazia parte da ordem natural das coisas existirem senhores e existirem servos. Todo o período colonial foi assim.

E como acreditavam que esta era a ordem natural das coisas, era assim que achavam que devia continuar a ser. E não seria só porque acabou a escravatura que a ordem das coisas haveria de mudar. A escravidão poderia ter terminado de papel passado, mas para a velha elite aristocrática, para a maioria dos políticos e dignitários, para os coronéis e manda-chuvas, a servidão continuava. Assim como o preconceito e a discriminação.

Em sua ótica, a casta dos senhores tinha poderes e nasceu para mandar. À casta do povo, dos vassalos, dos subalternos, o que restava era aceitar e obedecer. E os vassalos, o povo, não tinha que ter vontades. O poder precisava ficar na mão dos senhores.

O curioso é que o Lulopetismo cresceu e elegeu Lula prometendo lutar contra este estado de coisas. Contra este “eles-e-nós”. Contra estas “zelites” feitas dos privilegiados. O que se viu, no entanto, foi uma surpreendente transformação. Ao invés de Lula e seus “companheiros” trabalharem para nivelar a sociedade, abrindo oportunidades e democratizando as chances de acesso – de forma real e não apenas demagógica, claro – os petistas adotaram as mesmas práticas que condenavam. Pior, como são iletrados em sua maioria, não tinham noção de medida. Escalaram o parasitismo e a roubalheira para muito além do que já se tinha visto. E para muito além das possibilidades do Estado. Os petistas, e os aliados que juntaram para desfrutar o poder, passaram a também se “pendurar” no estado e a gozarem as benesses da corrupção.

Ficou evidente que, tirando a retórica de engodo, a intenção dos petistas nunca foi mudar o modelo de organização social. Ainda menos promover a igualdade entre todos os brasileiros.

O PT sempre viveu neste arranjo social prevalente e não conhece outro. Assim, também acha que esse é o jeito “normal”.

Apenas queria seu lugar ao sol: substituir os mandantes e também virar “elite”, mantendo o resto como está. Com a grande massa do povo afastada de reais possibilidades de progresso. A bolsa família, um pequeno paliativo, nunca se constituiu num programa de redenção da pobreza. Seu propósito tem sido o de manter os pobres vivos, na base do pão e água, de eleição em eleição, quando os petistas esperam que sejam “agradecidos” e votem em seus “benfeitores”.

O que os lulopetistas esperam, na verdade, é que o povo continue de espinha curvada, sem voz, sem vez e sem opção, pagando impostos escorchantes e mantendo uma estrutura de país colonial.

Só que as novas gerações estão descobrindo que não são mais escravos. Fruto dos novos tempos e da ampliação dos conhecimentos e experiências em nossa sociedade, com a tecnologia execrendo papel fundamental na descoberta destas novas possibilidades.

Demorou, mas as novas gerações vieram para as ruas para fazerem ouvir o seu grito de independência. Elas querem entrar no jogo da prosperidade. E estão determinadas a encontra o seu espaço.

Elas, eventualmente, ainda não elaboraram um projeto comum para o país, nem tem ainda clareza para expressar o que querem, mas sabem com total lucidez o que não querem. E o que não querem é serem amarradas ou subjugadas por governos que só sabem taxar, restringir e proibir, como se o Brasil fosse um imenso campo de suplício.

O que os brasileiros, especialmente os jovens, esperam é um chamamento para erigir o futuro. E querem fazer no Brasil um futuro para chamar de seu!

Ceska – O digitaleiro


 

Brasil digital: qualidade de sonho

Confúcio dizia: estude o passado se você quiser antecipar o futuro. Estudar para conhecer e saber o que deu certo e o que deu errado, obviamente, e não para ficar no passado. Conhecer para saber o que mudar. E, por outro lado, para saber que as mudanças, como as marés, vem e vão.

Uma lição importante a aprender do passado é saber que os tempos se movem e colidem como as placas tectônicas, provocando erupções, terremotos, maremotos e transformações. As vezes produzindo tragédias, outras simples acomodação entre os perdedores e ganhadores, mas sempre trazendo mudanças.

Os efeitos da evolução do tempo nas sociedades raramente é linear. O comum é as gerações diferirem em sua forma de pensar e ver o mundo. O hiato entre a atual geração e anterior, no Brasil, é profundo e bem marcado. Mais frequentemente, o hiato geracional ocorre pela chegada de novos conhecimentos e novas tecnologias, pelo esgotamento de conceitos e crenças, por procedimentos e práticas que se obsoletizam e se anacronizam.

Todavia, o que se observa agora é que as novas gerações digitais vem com algo realmente inovador e surpreendente: uma nova ética social e política.

Esta nova ética deixou as velhas gerações perplexas. O que mais assusta os seguidores das velhas práticas é que os jovens se mostram agressivamente indignados com o patrimonialismo e a corrupção. E não se mostram dispostos a contemporizar, como sempre se fez no país.

De certa forma houve grande indignação contra a corrupção em episódios de mobilização anteriores, como na eleição de Jânio Quadros e na revolução militar de 1964, mas foram movimentos predominantemente da classe média e da pequena burguesia e não contavam com a ancoragem que os jovens tem nas mídias sociais.

O processo de mudança que ocorre por sob a superfície vem pressionando o quadro político e social e esta pressão está destinada a continuar crescendo e deverá extravasar em algum momento futuro. A única hipótese da pressão refluir seria uma mudança completa dos quadros político, econômico e social. Hipótese remotíssima no atual contexto de desarranjo econômico e político.

A transformação em gestação tende a acontecer por meio de uma “mudança de pele”, ou “ecdise”, com a mudança do exoesqueleto institucional e social do Brasil atual.

Dá-se que este panorama ainda vigente permite entrever pelas pregas de seu esgarçamento quão magníficas são as possibilidades à nossa espera se conseguirmos nos livrar do entulho embolorado que obsta nossa caminhada.

O mundo mudou, os tempos mudaram, mas o desenho de nossas instituições segue os modelos do passado. São circunstâncias a lamentar, mas existem aspectos positivos.

No século XIX, uma carta levava meses para chegar à coroa. Hoje, uma mensagem de texto chega ao seu destinatário em segundos. E é daquele tempo modorrento que herdamos muito de nossos hábitos e costumes. Muito dos nossos vícios e de nossas idiossincrasias.

Deriva também desta evidente obsolescência de nossa estruturação social a convicção de que a oportunidade de mudar é agora. Enfim, como dizia Bertolt Brecht, “porque as coisas são como são, elas não vão ficar da maneira como eram”.

Para a geração digital, o momento mágico de colocar sua marca no mundo chegou.

A história nos oferece de bandeja a oportunidade de unirmos esforços para promovermos uma revolução tecnológica no Brasil.

Para chegar a este objetivo não basta passar a limpo a craca que se acumulou em nossa legislação arcaica e defasada. Seria apenas preparar o terreno. O há a fazer é escancarar as aspirações e as vontades e alinhá-las com os anseios dos brasileiros

O grande mutirão digital terá o condão de promover a catarse purificadora e, no seu desenrolar, atrair apoio amplo, lúcido e abrangente para passar o Brasil à limpo. Antes de consertar é preciso assear com solvente cívico este desvergonhado sistema de castas e privilégios que hoje discrimina e trata desigualmente os brasileiros.

Uma vez tomada a decisão de seguir o caminho para onde aponta o futuro, o passo seguinte é arregaçar as mangas.

Mudar a nação, convenhamos, não é tarefa para alguns poucos. Menos ainda, Deus nos livre, para uma “elite” política profissional – e para utilizar o jargão da moda, “operadores” políticos – acostumada a misturar o público com o privado. E que entende mudança como mais mordomias e mais privilégios.

Afinal, a mudança desejada pela sociedade brasileira, pela parcela que está nas ruas e na internet, é aquela que olha para o futuro. Deve buscar soluções que funcionem. Que sejam transparentes e fiscalizáveis pela sociedade.

Obviamente, não interessa à sociedade cair no debate estéril de formalismos caducos, no engodo da conversa fácil, na cortina de fumaça que quer cristalizar privilégios e facilitar o domínio político, em benefício dos espertalhões de colarinho branco e parasitas travestidos de pais da pátria.

A saída digital é, assim, tarefa para engajar todos. A tecnologia é apenas o meio, mas ela é que capacita os avanços. A tecnologia digital representa para a humanidade do século XXI o mesmo que a pedra lascada, o fogo, e a roda representaram para nossos ancestrais, em seu tempo. O mesmo que a invenção da escrita e da imprensa representaram no avanço da comunicação e do entendimento entre os homens.

Aquelas tecnologias guiaram os avanços do homem no rumo que nos trouxe à civilização e ao desenvolvimento. Foram tecnologias disruptivas, que abriram possibilidades antes inexistentes.

Reconhecer o que a tecnologia digital pode fazer para colocar o Brasil em um novo patamar civilizatório é a mais preciosa contribuição que as novas gerações brasileiras podem oferecer ao seu país.

Mas, como tudo o que é um dia fica grande, o começo é necessariamente pequeno. A ideia de um grande mutirão cívico, da conscientização digital, é hoje uma semente. Mas o DNA da grande transformação digital já estará nela.

De fato, a forma ideal de mobilizar a nação para a empreitada da reforma é fazer um chamamento à um mutirão nacional amplo e irrestrito. Abrir espaço para que nossa inteligência e nossa ação coletiva, para nossa decantada capacidade de imaginação, criatividade e aglutinação social criar as condições para que possamos desenhar a nação que queremos.

O povo que veste verde e amarelo, que se orgulha das cores de seu país nas ruas, é fenômeno que não refluirá enquanto o país institucional não se configurar segundo as expectativas e demandas do país real.

A sociedade que está nas ruas quer mais que mudanças. Quer futuro. As novas gerações sabem que seu destino, que suas vidas, serão decididas neste embate.

Ao longo de suas existências dificilmente terão outra chance. Esta certeza as mobiliza. É a vez de sua geração, é a vez delas.

Sabem que o preço das mudanças é o esforço da mobilização. Se não se mobilizarem, se não se empenharem, enfim, se não tomarem partido, estarão fadados a gastar seus anos futuros em vidas mesquinhas. Estarão reduzidos à horizontes medíocres, à uma perspectiva tacanha, de sobrevivência restrita.

O governo petista é incapaz de juntar as peças para criar um plano de país viável. Hoje o que sobrou é discurso ôco. Tentam disfarçar a crise culpando até os elfos e os faunos. Tudo o que ainda tem em seu saco de maldades vazio é mais crise, tudo o que tem a oferecer são mais anos de frustração, sufoco e decadência.

O Brasil está estiolado, sem espírito, frustrado. Nosso país não se sente bem consigo mesmo. E a primeira razão é que esta crise vem na contramão das promessas e esperanças. O doloroso é saber que, se não tivermos logo lideranças competentes, tudo o que podemos esperar serão décadas perdidas. É doído demais para tolerar. A bazófia, a fanfarronice, a mentira fazendo um cortina de fumaça para manter intocados privilégios indecentes, desperdício perdulário, equívocos, corrupção, parasitas e projetos políticos demagógicos, patrimonialistas, tolos, fúteis.

O que é certo é que as gerações digitais tem poder para mudar este destino encomendado pelo bruxo do pixuleco. O poder de fazer aqui e agora o mundo que sabem que existe em outras terras. Um mundo que pode ser nosso sem migrarmos para outros países, sem precisarmos deixar família, amigos, sonhos, amores, nosso recanto natal.

Nossas novas gerações se tornaram uma diáspora do esbulho à brasileira. Milhares de brasileiros foram e, ainda são, forçados à migrar pela miopia de governos dilapidadores, pela maior obtusidade córnea, pela mais indigente ignorância.

É realmente um crime de lesa-pátria roubar o futuro da juventude brasileira e obriga-la a migrar para ter um futuro em outro país ou continente. Assim, ainda que fosse só por isso, é preciso mobilizar o país. É hora de dizer um basta às alianças espúrias entre as velhas oligarquias e os piratas de inspiração ideológica cubano-bolivariana.

É preciso desmascarar os políticos oportunistas, corruptos e malandros que buscam encurralar o povo com estratégias desavergonhadas de atemorização e mentiras. Alguns até ressuscitando vozes buscadas nas criptas para lançarem seu bafo pútrefo contra o futuro do Brasil.

As novas gerações querem o Brasil no primeiro mundo. Querem qualidade de vida e, sobretudo, qualidade de sonho. Querem ver aqui o progresso que os inspira nos Estados Unidos, na Europa, na Oceania ou no Japão.

A geração digital está cansada de esperar que os paquidermes analógicos se emendem, se movam ou saiam do caminho. Então é bom que se apressem. O que está claro como o sol do meio dia é que as ruas estão tomando o futuro em suas mãos.

Portanto, gostem ou não os parasitas do Estado brasileiro, os tecnocratas, os burocratas, os roliços sátrapas e marajás: a mudança vem se acercando com a celeridade online, impulsionada pela energia dos fótons que viajam na velocidade da luz.

Breve, aqui, um novo país, com qualidade de sonho.

Ceska – O digitaleir0


 

Estado de Direito não é Estado de Proveito

O que podemos ter como certo é que retomar dos burocratas e do governo a autonomia para escolherem os caminhos que lhes convém sem intermediários vai requerer muita disposição de luta. Grupos de interesse vão espernear.

Burocratas que perderão poder tentarão retaliar. Será a grita geral do balcões de venda de facilidades, agentes de propinas, fiscais marotos, corruptos de todos os tipos. Todos os atingidos juntarão forças. Haverá de existir, portanto, aquela pedra no meio do caminho. Mais que uma pedra, uma pedreira.Seria impensável não haver. Ou, então, o que poderia dizer o poeta? Que os caminhos da vida no Brasil são sendas planas, alamedas sombreadas, passagens livres? Definitivamente, não. No Brasil real, cada burocrata é uma pedra no meio do caminho. Daí que, para remodelar o país, será preciso disposição para quebrar pedras e enfrentar pedreiras.

O Brasil tem demasiados privilégios penduricados no Estado. O instinto burocrata está sempre vivo e sempre alerta. Os profissionais do parasitismo mantem-se vigilantes. Qualquer descuido, qualquer “bobeada”, e já os espertos espetam mais um benefício, mais um privilégio, mais um custo. O sonho do petismo socialista é todo membro do partido com direito a emprego público. A dificuldade é que não cabem todos no Estado. E tem um agravante: cada emprego público criado gera, em média, uma despesa mensal compromissada por mais de cinquenta anos.

Sejamos realistas: Custear um Estado é inescapável. Um povo, uma nação, precisa de um território e de uma organização social, e portanto, deve se organizar como um Estado. O Estado deve contar com instituições destinadas a prover sua defesa e proporcionar serviços ao povo do Estado. As instituições do Estado devem prover estes serviços pesando o mínimo possível ao povo da nação. Não tem cabimento o povo brasileiro precisar trabalhar cinco meses só para pagar impostos. Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), o brasileiro gasta uma média de 150 dias por ano trabalhando só para pagar impostos. Em 2013, os tributos comprometeram cerca de 41% da renda do trabalhador. Tudo isto precisa ser revisto. Os governos, nas três esferas, precisam entender que existem para servir à nação e não servir-se dela.

Agora, uma coisa é o ideal e outra o mundo real. Dado que os impostos são impostos, os burocratas tratam de dividi-los entre si e se organizam de modo a se assenhorarem do maior quinhão possível.

Criam e incham as “Instituições”, apregoadas como sacrossantas. E, nos países de tradição ibérica, as equipam com palácios suntuosos e as cercam de pompa litúrgica.

Conselhos, academias e congêneres reúnem-se corporativamente. Guardiões de privilégios postam-se em defesa dos grupos que não querem largar o osso. Muitos pateticamente aferradas a regras de privilégios por eles mesmos criadas, segundo as quais “privilégios são intocáveis”. Normal. Não dá para esperar nada diferente.

Seria mais sensato se eles pudessem entender que existem limites para o razoável. Que privilégios fora de propósito são um acinte para uma sociedade que precisa recursos para alocar na saúde e educação.

Mas a história mostra que não adianta perder tempo com os predadores. As mudanças impõe rearranjos e os cidadãos tem o direito de decidir os limites. Não se pode confundir Estado de Direito com Estado de proveito.

O melhor a fazer é fazer o que deve ser feito. É deixar que os sátrapas esperneiem. Quando se derem conta, estarão isolados e alienados pela dinâmica do processo de mudança.

O novo mata o velho. O superado vira passado. É assim desde que o mundo é mundo. Sempre foi assim e continuará a ser. Trágico, mas inevitável.

A questão central, é preciso insistir, não está só na corrupção destampada pela Operação Lava Jato e que detonou a “crise pixuleco” e nem nos erros da condução econômica. A situação da crise e, pior, de seu aprofundamento, é um reflexo das opções políticas tomadas pelo Brasil nas últimas décadas e que vem desde a Constituição de 1988. Temos um Orçamento 90% engessado. Quem pode mudar isto – que pressupõe uma aliança entre Executivo e Legislativo, já deixou claro que não quer. E não quer porque implica perda de poder e de influência. Nenhum político, neste Brasil fisiológico, vai abrir mão do poder sem espernear.

A mudança, no entanto, vai acontecer por imposição da realidade. A água já está entrando no barco.

Contudo, convém lembrar que o Brasil é muito grande, com muita inércia, e sua reação tende a ser lenta. Mesmo contando com toda a infraestrutura de telecomunicações e tendo milhões de jovens das gerações digitais antenadas com o mundo, boa parte do país ainda não despertou para a gravidade e complexidade da crise.

E, por isto, ainda não está atenta para as alternativas fantásticas do futuro digital que nos aguarda, e que pode ser melhor, muito melhor do presente analógico que nos limita. Se quisermos.

Ceska – O digitaleiro


 

Se esperarmos pelo governo, vamos voltar à idade da pedra.

Homem_idade da pedra
Homem de Neandertal no museu de Mettmann, na Alemanha.

(AP Photo/Heinz Ducklau, File)

Na idade da pedra, o homem era um predador. Um selvagem que, como definia Montesquieu, é o homem que derruba a macieira para comer uma maçã.

Quando o governo é desacoplado da sociedade sua presença é selvagem e predadora. Ao invés de ser parte da solução, acaba virando parte do problema.

Um exemplo desta distorção burra do governo analógico brasileiro é o caso do agronegócio. Como sabe qualquer pessoa medianamente informada, o agronegócio está salvando o país. Deveria ser louvado, celebrado, reconhecido.  Mas é tratado pelo governo petista com como se fosse arte do Belzebú.

O setor do agronegócio tem adotado tecnologias avançadas e investido na busca de alta produtividade. Para crescer, o setor se desenvolveu ao largo do Estado. O governo e suas “tropas” do MST tem feito o possível para criar obstáculos e só não impediram a modernização do campo porque não conseguiram. Tentar, bem que tentaram, mas a modernização do agronegócio se tornou um fato consumado antes do governo se dar conta.

Dado que os burocratas e seus aliados da esquerda predadora são, em sua maioria, pragas urbanas, sair das cidades para enveredar pelo interior para ver o que acontece no campo é coisa que não fazem. Com isto, o agronegócio tem conseguido ficar sempre abaixo da linha de radar dos burocratas de Brasília.

O MST tem feito incursões em áreas produtivas e agido com o discernimento do Homem de Neandertal. Suas pretenções são de tal modo estapafúrdias que derrubam as macieiras e nem conseguem comer a maçã. No melhor estilo “gentalha, gentalha, gentalha…”

As evidências comprovam que o Brasil possui o melhor conjunto de recursos do planeta para incrementar a produção agrícola: terra agriculturável abundante, água, luz, calor, tecnologia e empreendedores capacitados. E o setor é um dos mais conscientes das possibilidades digitais.

A história da Soja no Brasil é um exemplo.

Hoje soja é a cultura agrícola brasileira que mais cresceu nas últimas três décadas e corresponde a cêrca de 49% da área plantada em grãos do país.

O aumento da produtividade está associado aos avanços tecnológicos, com participação decisiva da tecnologia digital, mas a mola mestra é a eficiência dos produtores.

No cerrado, o cultivo da soja tornou-se possível graças aos resultados obtidos pelas pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com produtores, industriais e centros privados de pesquisa. Os avanços nessa área possibilitaram também o incremento da produtividade média por hectare, atingindo os maiores índices mundiais.

Além disto, o cultivo do soja no Brasil se orienta por um padrão ambientalmente responsável, com práticas de agricultura sustentável, à exemplo do sistema integração-lavoura-pecuária e da utilização do plantio direto.

São técnicas inteligentes que permitem o uso intensivo da terra e reduzem o impacto ambiental, o que significa menor pressão pela abertura de novas áreas de cultivo e contribui para a preservação do meio ambiente.

Mas esta cultura é uma sobrevivente dos maus governos e dos burocratas.

Durante decênios a soja era apenas uma curiosidade agrícola. Existem registros de que algumas sementes teriam vindo dos Estados Unidos para à Escola de Agronomia da Bahia em 1882. Também se sabe que foram realizados estudos com a planta em 1891, no Instituto Agronômico de Campinas, no Estado de São Paulo. Ao que consta, a entidade, distribuiu sementes a alguns produtores. Mas nada de prático resultou destas iniciativas.

A primeira região em que a cultura perdurou fica no Estado do Rio Grande do Sul. Foi em 1914 que as sementes chegaram à região da cidade de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul.

O pastor luterano de origem norte-americana, Albert Lehenbauer, que viveu na região, trouxe sementes de soja dos Estados Unidos e as distribuiu a meia dúzia de famílias da comunidade luterana. Cada agricultor tinha de fazer o mesmo com os vizinhos. Três anos depois, a cultura da soja havia se alastrado, e não houve mais volta.

O grão ajudou no combate à pobreza e a impulsionar a suinocultura na região, uma vez que galinhas e porcos engordavam bem mais com a forrageira do que os alimentados com abóbora ou mandioca.

Ainda assim, durante muito tempo a expansão da soja ficou restrita à região. Foi só a partir de 1960 que se criou um mercado para o produto e a cultura expandiu.

Um episódio interessante desta história é relatado pelo site da Corretora Granos – especializada em commodities agrícolas, e tem como personagem o ex-ministro Delfim Neto:

“A ditadura militar ainda estava em seu início quando o então presidente do Banco do Brasil, Nestor Jost, apresentou ao ministro Delfim Netto uma “espécie” de feijão que começava a ganhar terreno no Rio Grande do Sul. Era um tal de “o soja”, cuja colheita somava menos de 1 milhão de toneladas em meados da década de 1960.

Naqueles idos, o café era o carro-chefe da agricultura brasileira e um dos principais responsáveis por trazer divisas externas para a economia nacional. Em 1965, as exportações de café renderam ao país US$ 706,5 milhões, o equivalente a 44,6% de todas as exportações do Brasil, conforme os dados da publicação “Estatísticas do Século XX”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Um dia, o doutor Nestor Jost chegou e disse: Delfim, lá no Rio Grande do Sul apareceu um tal de o soja. Temos sucesso e já produzimos 300 mil toneladas”, conta Delfim. Começava ali uma revolução na agricultura nacional que faria do café mero coadjuvante.

A partir da criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1973, houve um salto tecnológico que adaptou a produção de soja ao Centro-Oeste do país. “Partindo do nada, o Brasil descobriu a soja e produziu, em cinco ou seis anos, seis milhões de toneladas”, afirma o ex-ministro.

De fato, a colheita nacional de soja teve um expressivo aumento, passando de 1,056 milhão de toneladas em 1969 para 7,8 milhões de toneladas em 1974, conforme os dados do IBGE. Com o avanço da colonização agrícola do Centro-Oeste esse número só fez aumentar, chegando a 15,1 milhões de toneladas em 1980.

“Era um outro momento, um outro instante. O país estava investindo para burro, construindo portos, estradas, permitindo que as pessoas invadissem, vendessem um pedaço de terra no Rio Grande do Sul e fossem comprar um grande pedaço de terra em Mato Grosso. O país estava ‘importando’ a gauchada para produzir”, lembra Delfim.

A bem-sucedida incursão da agricultura no Centro-Oeste brasileiro ajudou a soja a ‘desbancar’ o café do posto de carro-chefe do agronegócio. Conforme a mais recente estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a soja será responsável por R$ 83,2 bilhões, ou quase 20% dos R$ 422,7 bilhões do Valor Bruto da Produção Agropecuária em 2013.

Dos anos 1960 para cá, a produção de soja cresceu mais de 80 vezes. Na safra 2012/13, cuja colheita se encerrou oficialmente em junho, a produção totalizou 81,4 milhões de toneladas, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).”

Mas todas as vezes que pode, o governo tem feito tudo ao seu alcance para atrapalhar.

Esta sanha vem nas vísceras de qualquer governo que pense só em engordar o erário. Tanto na direita como na esquerda.

Este episódio da história da soja no Brasil aconteceu em 1980. Já que os agricultores estavam ganhando dinheiro com a soja, o governo encheu os olhos.

E no Brasil, arrecadar é sempre prioridade. No afã de, como sempre, arrancar tudo o que podia, o então ministro Delfim Neto criou um “confisco cambial” de 30% sobre a exportação de soja em grão.

Mas não combinou com o Russos, no caso com os gaúchos. O fato é que a revolta foi imediata. Os gaúchos tem um ponto fraco: não gostam de ser tomados com tolos e não gostam de ser passados para trás. Em poucos dias, mais de 700 mil produtores de soja saíram às ruas e paralisaram o sul do país.

A ameaça foi a paralização, pura e simples, da colheita da soja. E para provar que a ameaça era para valer, os tratores e colheitadeiras foram para as praças públicas das cidades da região produtora. A mensagem era óbvia: colheitadeira na praça era igual a colheitadeira parada. E colheitadeira parada era soja deixada no campo para apodrecer.

O governo levou um susto. Não estava acostumado a ver povo trabalhador disposto à brigar. Era comum, na época, arruaceiros da esquerda irem para a rua criar confusão, mas agricultores em época de colheita, não.

O próprio ministro Delfim foi a Porto Alegre, tentar algum acordo, mas não teve boa acolhida e chegou a ser hostilizado. Moral da história: o governo engoliu em seco e recuou. Isto durante o regime militar, convem lembrar.

Um outro exemplo, mais recente, que também tem a ver com o soja, mas inclui outros cultivares, é o dos transgênicos.

O Brasil ocupa hoje o segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades geneticamente modificadas de grãos e fibras do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Isto conforme o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA, na sigla em inglês).

Em 2013, os produtores brasileiros cultivaram 40,3 milhões de hectares com soja, milho e algodão transgênicos, enquanto os Estados Unidos, país líder no plantio de transgênicos, semearam 70,2 milhões de hectares.

O começo da história dos transgênicos no Brasil, no entanto, foi tumultuado. No começo dos anos 90, produtores do sul do País iniciaram o cultivo de soja geneticamente modificada vinda da Argentina. Era uma opção de cultivo mais competitiva e ninguém ainda havia visto propriedades, digamos, mefistofélicas, nestas sementes.

Também ninguém ainda tinha se dado conta do alto potencial ongístico (bandeira de alta visibilidade e rentabilidade para ONGs) dos transgênicos. Todavia, isto não demorou nadinha, já que nossos concorrentes internacionais da oleaginosa trataram de arregimentar “especialistas” e ONGs “especializadas” em um esforço para bloquear a elevação da produção brasileira pelo uso de sementes mais produtivas e resistentes.

O ataque aos transgênicos era um objetivo estratégico das esquerdas, notadamente dos lulopetistas anti empresas multinacionais, bem como de outros interessados em atrasar o Brasil. Assim, não parecia ser uma tarefa complicada, já que o Brasil sempre teve um multidão de ambientalistas e agrobiólogos de bar prontos a opinar, entre um chope e outro, em questões ligadas a biocatástrofes e ao fim dos tempos de modo geral.

De toda forma, como o assunto demorou para no radar da imprensa e do governo, a produção se expandiu. Quando, finalmente, a gritaria patrocinada dos anti-transgênicos, encontrou eco, em 1998, a venda dos transgênicos foi proibida por uma ação judicial.

Por pouco o Brasil não perdeu sua competitividade no mercado internacional do soja. Até que, em 2003, com a edição de uma MP (Medida Provisória), foi para autorizada a comercialização.

Finalmente a Lei da Biosegurança, de 2005, criou regras que disciplinaram a pesquisa e o uso das sementes transgênicas. Como resultado, houve significativo incremento da produtividade, ajudando a competitividade do agronegócio brasileiro.

Estes exemplos mostram duas coisas:

  • É perigoso deixar os políticos soltos quando o interesse nacional está em jogo. Político solto é perigo em dobro. A sociedade brasileira, para obter o espaço e a liberdade que precisa para se desenvolver, vai precisar recuperar a capacidade de decidir sem intermediários. Vai precisar desenvolver e estabelecer os meios para participar diretamente da definição de seus interesses. E a saída digital vai nesta direção.
  • Se formos esperar pelo governo, vamos voltar à idade da pedra.

Ceska – O digitaleiro


 

Abrindo caminho a golpes de mouse

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O grande trunfo desta geração digital é que sabe abrir caminho a golpes de mouse.

Felizmente, são mais hábeis, rápidos, mais criativos e mais ágeis no manejo da internet e da rede mundial do que os burocratas profissionais e oportunistas de plantão. Estes se esforçam, mas não conseguem criar obstáculos e dificuldades na mesma velocidade. Os criadores de dificuldades profissionais tem ampliado sua performance no disparo de normas, restrições e exigências. O testemunho é dos Diários Oficiais, que tem engrossado com o ritmo das metralhadoras normatedeiras. Contudo, o mundo digital é mais ágil. Quando os burocratas chegam com suas garras, o alvo já não está mais lá. O jogo de esconde-esconde seria hilário se não fosse tão caro.

Mas como é que estes coveiros do progresso iriam acompanhar e deter os avanços do mundo virtual se seus tridentes ficam enredados em suas capas de vampiros analógicos?

A força do Século Digital está na velocidade, na resolubilidade, na capacidade de armazenar e consultar informações, na capacidade de simular cenários e fazer escolhas, enfim, na capacidade de pular na frente. As soluções, sistemas e aplicativos vem de todos os lugares e voam em volta dos políticos e burocratas com a precisão de morcegos em sua caverna. Os políticos e burocratas ficam zonzos, atordoados, aparvalhados. Os vultos digitais zunem velozes e os circundam e os envolvem e eles vão ficando cada vez mais ilhados, cada vez mais presos nas teias digitais, cada vez mais tontos e patéticos.

As coisas acontecem em velocidade alucinante. Todo dia novos dispositivos, novos aplicativos, novos espaços, novas soluções se apresentam ao mundo.

A automação, o big data, a computação em nuvem, as mídias sociais, a conectividade, a “internet das coisas”. A lista não tem fim. E cresce sem parar. Em todos os campos, uma miríade de novas tecnologias vem mudando o mundo de modo implacável. E estas tecnologias vem em avalanche e com força avassaladora. Quem ficar em seu caminho será atropelado.

O mais importante, para o Brasil, é que este futuro está pronto para ser usado. Novos modos de entender e lidar com a realidade estão ao alcance e à disposição das mentes mais iluminadas e mais capazes para sua adoção.

Tecnologias que podem ajudar o homem a inspirar-se, a viver melhor, a ganhar qualidade de vida, a se livrar da pobreza, da escassez e das carências que o acompanham desde sempre. E, particularmente importante no caso do Brasil, a se livrar dos burocratas, parasitas e criadores de dificuldades interessados em vender facilidades.

E a vantagem relativa do Brasil, fator que favorece a saída da “crise pixuleco” pela porta da tecnologia digital, é que o Brasil reúne uma das maiores, mais criativas e mais ativas comunidades com know-how das tecnologias digitais do planeta.

Seis em cada dez brasileiros se conectam diariamente à internet. E o fazem para cortar etapas. Os smartphones, os tablets, os notebook e dispositivos móveis dispensam a infraestrutura mais dispendiosa das redes baseadas em cabos. Esta facilidade de conexão, que em princípio seria uma desvantagem dado nosso extenso território e nossas limitações econômicas, acaba se revelando um benefício ao criar condições ideais para a adoção da estratégia digital como caminho para a recuperação do país.

Ao invés de lamentarmos as mazelas que nos trouxeram a esta crise sem precedentes, podemos transformar o limão em uma limonada e converter nossa atitude de lamentação e crítica em um vigoroso impulso para o ressurgimento. Sobretudo porque estamos preparados.

Outro ponto a favor da saída pela tecnologia digital é que a nova geração tem pressa. Os jovens, nativos da era digital, sabem que as soluções do mundo digital são rápidas e podem apresentar resultados “para ontem”.

Enquanto os burocratas pensam em termos de “amarrar seu burro na sombra”, os jovens da geração digital pensam em termos de alcançar as nuvens. Sua aspiração está centrada em objetivos que possam ser alcançados em um mundo mais amplo, que conhecem pela janela online. Todos buscam o sentimento de realização pessoal que vêm em seus contemporâneos de outros lugares do mundo; desejam viver de modo saudável, obter sucesso, alcançar a prosperidade e ter segurança, como eles. Desejam fazer amigos entre as pessoas com que convivem, mas também cultivar amigos com quem possam compartilhar sonhos e interesses pelas mídias sociais. Desejam, ainda, dedicar esforços na realização de seus projetos, viver em harmonia com sua família e sua comunidade e desejam um futuro melhor. É isto o que querem. É por isto que lutam. São desejos simples, mas que só podem ser alcançados em um contexto pleno de liberdade.

Para as novas gerações, focadas em seus objetivos, bem preparadas e ambiciosas, protelar, enrolar e empurrar com a barriga não faz parte de seu dicionário.

Para elas o momento é agora. Reconhecer que o Brasil foi colocado pelo destino diante de uma encruzilhada que permite decidir e avançar é um estímulo para a união de esforços e de empenho criativo. Horácio, o poeta Romano, o dizia: “A adversidade tem o efeito de despertar talentos que em circunstâncias mais prósperas ficariam dormentes”.

Assim, se o Brasil souber mobilizar suas forças criativas e inovadores, tomando o rumo certo, irá não apenas dar a volta por cima. Poderá revelar seus potenciais ocultos e transformar-se na nação líder na adoção de um novo jeito de fazer um país.

Com a coragem e o descortino de sua gente mobilizada, o Brasil pode tornar-se a primeira nação digital do mundo. As condições materiais e humanas existem. O conhecimento existe. A vontade política já maturou em grande parte da sociedade brasileira e, pelo que indicam as tendências, o futuro virá no bojo de um debate franco e aberto por todo o país.

A ideia é que o debate sobre o Brasil Digital aborde os problemas do mundo real com objetividade. O debate deve se propor a identificar os equívocos, os abusos, os desvirtuamentos, as dificuldades criadas para vender facilidades e os desvios de conduta com o intuito de apontar as falhas e tirar do caminho o entulho burocrático e o lixo parasita que “está aí”.

De fato, para esta geração da mudança chega de o país dar tiro no pé e depois reclamar que está difícil caminhar. E chega do Estado tratar o cidadão com suspicácia e desrespeito.

A era digital chegou e o Brasil vai mudar a golpes de mouse. Rapidinho. Antes que muita gente imagina.

Ceska – O digitaleiro


 

A metamorfose do Brasil

Lao Tzu, o grande estrategista chinês, dizia: “Se você não mudar de direção, vai acabar lá para onde você está indo.”

Esta é uma ameaça arrepiante quando se vê para onde levam os caminhos que este governo corrupto e incompetente que temos no Brasil tem escolhido.

A questão é que não adianta fingir que não é conosco. Não adianta olhar para o outro lado. Antes que seja tarde demais, mudar de rumo é preciso. Portanto, pode-se dar como certo que a mudança é necessária, está acontecendo e vai continuar seu curso inexorável.

Neste sentido, a crise cria um momento propício para ampliar o escopo da mudança. aproveitando o vento que sopra a favor.

Aliás, esta crise extrapola tudo o que país já viveu neste terreno, que é fértil em farsas, comédias e operas bufas. Basta lembrar do Baile da Ilha Fiscal, a maior festa da monarquia brasileira e que tinha, como um dos objetivos, reforçar a posição do império. Reforçou tanto que seis dias depois se dava a Proclamação da República. Depois, na Revolução de 1930, tivemos a Batalha de Itararé, que acabou entrando para a história como a “Batalha Que Não Houve”. (Deste episódio nasceu a figura do “Barão de Itararé”, personagem de Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, um dos grandes humoristas políticos brasileiros, que se elegeu vereador no Rio, em 1947, com o slogan: “mais leite, mais água e menos água no leite”). Também Torelly foi autor de outra memorável exortação ao povo brasileiro: “Nunca desista de seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra”.

Outro episódio das lendas revolucionárias foi a fuga de Leonel Brizola – o novo “herói do povo brasileiro” da esquerda brasileira – vestido de mulher.

O que vemos hoje, com personagens como Dilma, Lula, Eduardo Cunha e Renan Calheiros é mais do que uma crise; é uma autêntica opera bufa ambientada nos trópicos.

Dilma, no papel da Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas, que quer decapitar todo mundo; Lula, que se imagina um Hércules tropical, mas está mais para o Quasimodo, Eduardo Cunha o bufão da república, Renan Calheiros, o chupa-cabras da Dilma. E mais um elenco de coadjuvantes trapalhões.

Mas nem por assistirmos um governo em frangalhos, caindo de maduro, autor de uma crise no melhor estilo esquerdista, podemos imaginar que mudar seja tarefa simples. A resistência dos parasita e potentados que desfrutam dos privilégios do Estado será tremenda.

Ainda assim, a mudança virá. O casulo pode não gostar, mas a borboleta o deixará para trás ao metamorfosear-se para cumprir o curso de seu destino. Chegou a hora da metamorfose do Brasil.

Muitas mudanças morrem na praia porque chegaram cedo demais, ou por terem sido mal encaminhadas. Mas mudanças institucionais se assemelham à revoluções: as que morrem o fazem por chegarem fora do tempo certo. Ou por estarem no rumo errado e não contarem com a adesão popular, especialmente da classe média e dos jovens.

A questão chave, assim, nem é saber se vai mudar. A mudança vai ocorrer por força dos fatos. O governo não cabe no orçamento e está falido. Existe um déficit fora do controle. A presidente está perdida, aturdida, entontecida, atuando na base da raiva e do revanche. Então mudar vai, de qualquer jeito. Ou muda ou muda!.

A questão é saber o quanto vai mudar, quando vai mudar e como vai mudar. Se será uma mudança apenas para manter a cabeça fora d’agua ou se será profunda o suficiente para mudar a direção para a qual estamos indo por inércia. O mais relevante é saber se vamos sair vivos desta mudança.

O problema é que, na medida em que adotamos soluções paliativas, tipo “meia boca”, o grande problema de fundo não se resolve. Nossa história econômica é uma gangorra feita de crise sim, crise não. Ora ficamos sóbrios e adotamos políticas econômicas consistentes, como em parte do governo militar e no governo Fernando Henrique Cardoso, ora caímos no porre e vamos para a sarjeta econômica, como nos governos petistas de Lula e Dilma.

Agora, nesta “crise pixuleco”, estamos no vale e ainda afundando. Nossa moral está ao nível do rés do chão.

Em algum ponto, no futuro, vamos chegar ao fundo do poço. Até lá, se não tomarmos cuidado, a tendência nacional de acreditar em soluções mágicas pode se manifestar e parte do povo pode se encantar com algum novo menestrel de feira livre. Neste caso existe o risco de se deixar engabelar pelos especialistas no “conto da felicidade”.

E, sendo que temos uma inesgotável abundância de demagogos, tudo o que é construído com esforço pode voltar a ser destruído pelo primeiro pilantra que sai à cata de votos fáceis.

Na sequência, podemos entrar em um novo ciclo recorrente da miséria.

E seguirmos mais uma vez pela conhecida trilha do desgoverno. Saques ao Estado, privilégios sem medida e descontrole no ritmo do samba do “Crioulo Doido”.

Sem governo, as estradas voltam a ser sucateadas, hidroelétricas ficam pela metade, a transposição do São Francisco continua incompleta, a Ferrovia Norte-sul, paralisada. É paralisia passando pelo “Minha Casa Minha Vida”. É menos atendimentos no “Mais Médicos”. É a “Pátria Corruptora” substituindo o “Pátria Educadora”.

Diante do descalabro, se parecemos um país em guerra é porque, de fato, estamos em guerra. Em guerra contra o bom senso. Em guerra contra o futuro. E perdendo.

A questão da desvalorização da vida também faz parte desta equação. O noticiário policial mostra uma guerra civil não declarada. Uma guerra que vem sendo travada no dia a dia e que leva angústia à periferia abandonada de nossas cidades. Uma guerra que, antes de ser do tráfico e das milícias, é da falta de oportunidades e de perspectivas. Mas nem por isto menos mortal ou destrutiva. As baixas se contam aos milhares. O fato de ocorrerem nas franjas da sociedade não as tornam menos brutais ou menos cruéis.

As mortes no cotidiano das periferias do Brasil tem histórico diferente das mortes em combate no Oriente Médio, na África e outras regiões de conflito armado. Mas são mortes também.

Neste sentido deveriam preocupar a sociedade. O desperdício de vidas ocorre pela ausência do Estado, pelos equívocos de políticas que se pretendem “sociais”, pela falta de líderes verdadeiramente preocupados em buscar soluções baseadas em evidências, que comprovadamente funcionam, e não naquelas mais falaciosas, enganadoras e falsas.

O estrago é grande. Mas tudo pode mudar da noite para o dia. O Brasil tem  jeito, e o jeito é digital. Crie seu Grupo de Ação Online e ajude a fazer a metamorfose do Brasil. Com inovação e colaboração chegaremos lá.

Ceska – O digitaleiro


 

Big Data: arma do cidadão

Big Data quer significar “os grandes dados” e se refere a captura e interpretação das informações digitais obtidas por meio da rede mundial de computadores à partir dos cadastros de redes sociais, e-commerce, pesquisa em sites, buscadores como o Google e outras fontes que contenham dados pessoais, preferências, interesses, hábitos de consumo, etc.

Esta nova fronteira do processamento massivo permite saber em tempo real o que se passa no âmbito da sociedade e do mercado. Reunindo e organizando bilhões de dados que circulam online, os computadores que processam o Big Data permitem identificar quais os temas que atraem a atenção do grande público, quais as opiniões e tendências que predominam sobre os mais variados assuntos e, até rastrear interesses pessoais como modelo de carro, destinos turísticos de interesse e outros. Também é possível usar o Big Data para rastrear problemas de saúde pública como epidemias ou surtos localizados de doenças, por exemplo.

O uso do Big Data permite que empresas e instituições conheçam o mercado com grande intimidade e possam tomar decisões estratégicas mais acertadas. Isso pode significar mais rapidez na tomada de decisões, melhor eficiência no uso dos recursos, menores riscos e custos e melhor desempenho da organização, seja uma empresa ou um governo. No caso do governo, saber o que desejam os cidadãos pode permitir melhorar a gestão, antever necessidades, atender expectativas.

A crítica mais comum ao uso do Big Data é o de invasão da privacidade. O problema é que hoje a privacidade já virou ficção para o usuário convencional da internet. Existem maneiras de criar espaços razoavelmente protegidos e que podem ser gerenciados pelo usuário, mas que não oferecem segurança absoluta. E, depois, uma invisibilidade para o Big Data pode ser mais perigosa do que a presença administrada por uma boa arquitetura de gestão dos dados. Por exemplo, câmaras de vigilância podem identificar ameaças potenciais. Imaginemos o caso de uma mulher sob ameaça de feminicídio por um ex marido ou namorado. – O Mapa da Violência Contra a Mulher apontou que, em 2013, 13 mulheres foram assassinadas POR DIA no Brasil – Sob autorização de um juiz, câmaras de vigilância públicas, ou localizadas em seu edifício ou local de trabalho, podem ser programadas para o reconhecimento da pessoa em risco e identificar se o antigo parceiro se encontra nas proximidades em atitude suspeita. Em caso positivo o aplicativo pode emitir um alarme via celular. Ou, ainda, via “Internet das Coisas”, bloquear acessos para o suspeito e ativar a segurança.

O fato é que o Big Data já é um realidade. Trata-se de uma arma poderosa. E perigosa em mãos inescrupulosas. Se utilizada de forma inteligente, pode servir aos cidadãos e contribuir para melhorar a gestão pública e a qualidade de vida. Se o governo não se preparar para reconhecer seus riscos, pode se transformar num instrumento de intromissão e de uso inescrupuloso.

O ponto chave é que a sociedade precisa compreender o Big Data e usá-lo a seu favor. Grupos de Ação Online, como propostos por este blog para a participação da cidadania na governança online, poderiam atuar de modo a aproveitar seu potencial modernizador.

O Brasil tem jeito. E o jeito é digital.

Ceska – O digitaleiro

Qualidade de vida é tudo de bom

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Montagem de fotos de dois momentos tecnológicos: Posse do Papa Benedito XVI, em 2005, e Papa Francisco I, 2013. O mar de celulares é eloquente por si mesmo. (Fotos: Luca Bruno/AP e Michael Sohn/AP, CNN)

O objetivo da tecnologia é oferecer melhor qualidade de vida. Para os nativos da era digital isto está meridianamente claro. A tecnologia digital é o seu mundo. A internet é a sua realidade. O jeito digital é o seu jeito.

Muitas pessoas das gerações anteriores, do tempo das missivas formais, do telegrama, do telex, do fax, da foto de papel, presumem que os nativos da era digital sejam obcecados por tecnologia pela própria tecnologia. Aos mais velhos, o mar de celulares que existe em qualquer espaço público parece quase alienígena. (A montagem da foto acima é ilustrativa desta diferença abissal que ocorreu em oito anos e que separa os dois flagrantes).

Estudos realizados nos Estados Unidos, pelo MIT e pela Delloite, entretanto, demonstram que os usuários de tecnologia tem perfeitamente clara a noção de que a tecnologia permite “reimaginar digitalmente” a maneira como as coisas são feitas.

Segundo estes estudos sugerem, é uma combinação de estratégia, cultura, talento e liderança que promovem o avanço das oportunidades digitais. E existe boa compreensão do processo entre os membros das gerações jovens. O pressuposto é que exista uma sociedade motivada, bem como os meios materiais e econômicos, bem como um clima de liberdade, que leve à uma aspiração coletiva pela melhoria.

No caso brasileiro, um tanto intuitivamente, é verdade, já existe a percepção do desdobramento de uma inovação. A geração digital adquire experiência diária sobre o rito de passagem de um modo analógico para sua contraparte digital. E sabe comparar os dois estágios da civilização, que é disto que se trata. Daí a impaciência com as limitações e a rigidez do modo analógico.

As gerações mais jovens não vêm razões para engolir o anacronismo. Não importa quanta conversa mole venha embalada no pacote. Preferem deixar o passado mofando no olvido e abraçar o futuro, que é onde vão viver suas vidas. Biblicamente: à esar o que é de Cesar e ao sarcófago o que é do sarcófago.

Se queremos qualidade de vida, vamos empurrar o passado para seu lugar na história. E vamos construir o futuro, que quem sabe faz a hora e não espera acontecer, certo?

O Brasil com qualidade de vida será tudo de bom.

Ceska – O digitaleiro


 

Quer mudar o Brasil para valer? Então mude!

A praga se chama “maldição do petróleo”. Países com abundância de recursos naturais, hoje predominantemente petróleo e gás, tendem a achar que a riqueza não vai terminar nunca. Não se previnem e nem se preparam. O dinheiro vem fácil e parece não ter fim. Governos populistas e inescrupulosos criam sistemas de “distribuição de riquezas” que tem o rótulo de “sociais”, mas são sistemas de compra de votos e de apoio político disfarçados.

O Brasil achou que tinha ganho o bilhete premiado com o pré-sal. Mas hoje vemos que esta riqueza não passou de ilusão.

Nosso período colonial foi cheio de ilusões desta “riqueza inesgotável”: o Pau Brasil, o ciclo do açúcar, o ciclo da borracha. O “Pré-sal” foi apenas mais um destes momentos de “felicidade geral”.

O progresso sustentável, no entanto, é feito de esforço continuado e de luta diária.

Delmiro Gouveia, o industrial nordestino que criou suas indústrias no sertão de Alagoas, já dizia que o nordestino que morava na praia não servia para a dura rotina de suas fábricas: acostumado à indolência, vivia de um peixinho que pegava na rede e do coco que caia na areia. Era o sertanejo acostumado à dureza de um ambiente inóspito que se dispunha ao labor duro e ficava feliz ao vencer as dificuldades e ver frutificar seu trabalho.

Embalados na quimera da abundância sem fim e da riqueza sem esforço, os atuais governantes do país iludem-se com o dinheiro fácil e usam os recursos públicos com a liberalidade irresponsável dos néscios. Sobretudo em politicas sociais paliativas e fins eleitorais.

Nas últimas seis décadas todos os governos que tivemos, exceto os do PT, sempre se pautaram pela crise. Ora a enfrentando com golpes de loucura, como Juscelino, Jânio ou Collor, ora com a ortodoxia dolorosa – mas eficaz – como Castelo Branco ou Fernando Henrique Cardoso, ora jogando a toalha com impotência sem ambições, como Itamar e Sarney. Todos, de alguma forma, mostravam-se conscientes da crise e do desafio que representava.

O ciclo do PT, com Lula e Dilma, foi diferente – para pior – desde o começo. Lula e Dilma são delirantes. Vindos da escola dos aloprados, voluntariosos, despreparados e pretenciosos, acreditam ambos na geração espontânea da riqueza. Na crença infame do “faz que o dinheiro pinta”.

O pior é que se acham acima das limitações humanas e dotados de poderes paranormais. Lula, que herdou de FHC um país razoavelmente em ordem e foi abençoado por uma conjuntura internacional favorável, se mostrou uma espécie de Rasputim de Garanhuns: um bruxo da demagogia capaz de dar nó em pingo d’agua com o gogó. Dilma, por seu lado, a rainha da macacheira, criou sua própria realidade paralela e vive alucinada no mundo das pedaladas. O problema é que os cidadãos do país vivem dificuldades que a realidade impõe. Parece cenário de filme de terror, mas a crise que enfrentamos não é outra coisa senão a briga com os fatos.

Cabe aos brasileiros que vivem as agruras desta realidade, tão cruel quanto desnecessária, dizerem um “basta”. Assim não é mais possível continuar.

É hora de começarmos a discutir nosso futuro de forma séria. Não apenas jogando os erros para debaixo do tapete, mas criando um alternativa real de mudança. Uma mudança feita pela sociedade, a seu jeito de ser e para seu futuro.

Não precisamos – e não QUEREMOS – mais de tutela dos políticos e burocratas. Sabemos o que queremos e como queremos. Sabemos que o futuro será digital. Que será diferente deste arranjo social feito para servir aos poderosos.

Quer mudar o Brasil para valer? Então mude!

Ceska – O digitaleiro


 

Crie seu Grupo de Ação Online. Seja atuante.

Grupos de Ação e Comunidades Anticrise

Criar um “Grupo de Ação” é uma das melhores maneiras de enfrentar a crise. Do jeito que as coisas estão, e do jeito como estão evoluindo, só juntando forças e reunindo pessoas decididas a agir é que vamos encontrar saídas. Quem ficar à espera do governo está morto. Então cada um deve ser protagonista de sua própria solução e buscar saída para as dificuldades que enfrenta.

Para fundar seu “Grupo de Ação” o ponto de partida é definir o seu escopo, seu espaço de atuação. Certamente, seus colegas, parceiros e amigos compartilham sua visão do problema e os aspectos da crise que afetam a todos. Debater sua realidade, o contexto em que você atua e o que você e cada um pode fazer para ajudarem-se mutuamente é o caminho.

Os grupos podem ser organizados para tarefas práticas. Para desenvolver inovações em sua área, para permutar ou compartilhar aparelhos e equipamentos, para combinar compras coletivas e similares. O uso das mídias sociais, da internet e de planilhas do Google, por exemplo, podem facilitar a organização dos grupos. E eventualmente, de Comunidades de Ação que reúnam diversos grupos em Comunidades.

Então é o seguinte: a saída está em suas mãos. Reclamar não adianta. O que precisamos fazer é nos organizarmos para acharmos uma solução para nossos problemas e para, no segundo momento, termos uma plataforma de atuação na instância institucional, isto é, social, política, etc.

Tudo indica que a sociedade do futuro será formada por uma complexa constelação de comunidades, cada uma articulando seus interesses com as demais por meio do mecanismos de entendimento compartilhado. E que irão operar por meio de plataformas de compartilhamento, como o Google, por exemplo

De uma coisa podemos ter certeza: a saída é digital. Para darmos um mínimo de racionalidade ao futuro, precisamos botar abaixo esta estrutura de poder analógico, com seus condicionantes arcaicos e suas estruturas abarrotadas de burocratas e repartições jurássicas, e substitui-la por uma estrutura digital, baseada nas novas tecnologias e nos novos formatos de cooperação.

Partir para a ação é o único jeito. Ainda vemos, por aí, muita gente imaginando que a crise vai passar por mandinga. Que este governo corrupto e incompetente vai ser capaz de reagir. Que alguém vai resolver nosso problema. Ou, areditem, que o problema vai se resolver por si só. Não vai. Infelizmente, não vai. E a questão é que não podemos esperar mais.

Organize seu “Grupo de Ação”. Venha para o lado da luz. Que a força esteja com você.

Ceska – O digitaleiro


 

Eleição não é “terceirização” do poder

Vivemos em uma era em que as pessoas aspiram ter um papel relevante no dia-a-dia do mundo em que vivem. Especialmente, querem participar democraticamente das decisões que afetam suas vidas.

A definição mais aceita de “Democracia” é a do discurso de Gettysburg, proferido pelo presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, segundo a qual “Democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. É importante notar que Lincoln fala em “governo” e não em mera “eleição”.

A “eleição” não é uma “carta branca”, uma procuração irrevogável que dá “Plenos Poderes”. Uma “terceirização” do poder. A eleição é um mandato para o cumprimento de uma proposta, de um plano, de um projeto que foi apresentado na campanha eleitoral. O entendimento de que “eleição” seja sinônimo de “democracia” vem dos regimes comunistas, que sempre usaram e abusaram da palavra para encobrir eleições manipuladas e regimes de partido único.

No caso brasileiro, que conta com uma sociedade diversificada e uma classe média poderosa, os esforços da esquerda de instalar no país um governo de partido único nunca deu certo. A ultima tentativa, a que estamos vivendo, com o esquema de cooptação lulopetista, vem esboroando por suas própria incongruências.

A prática da “Democracia”, no Brasil, com governo presidencialista e voto proporcional, se constitui em uma democracia de faz-de-conta. A eleição acaba sendo uma “democracia enganosa”, em que os candidatos vendem sonhos e entregam pesadelos. No Brasil, o que se pretende seja “democracia”, é pouco mais do que ir votar a cada dois anos: para prefeitos e vereadores em um dado ano e, dois anos depois, para os demais cargos eletivos, presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

Este processo é vicioso por favorecer o balcão de negócios e por servir aos interesses corporativos de grupos econômicos. Poderia até se justificar quando as comunicações eram precárias e não se dispunha das facilidade e tecnologias digitais de hoje. Atualmente, porém, não faz mais qualquer sentido.

Enquanto a economia estava à todo vapor, a sociedade se mantinha relativamente desinteressada de um participação efetiva no cotidiano da política. Ainda que houvessem avisos e indicadores alarmantes, ainda que muitos observassem o cenário com preocupação, não havia massa crítica para uma ação coletiva mais concreta.

Nesse meio tempo, a cultura digital se tornou mais acessível e se popularizou. Milhões de jovens e outros nem tanto, juntaram-se na utilização massiva da internet e das mídias sociais. A tecnologia digital, pervasiva e conveniente, foi se espalhando e se tornando onipresente, moldando os mais diversos campos da vida brasileira contemporânea. Desde coisas simples, como trocar mensagens, estabelecer contatos sociais, comprar online , pagar contas, enviar vídeos e imagens ou juntar-se na mobilizando milhões de pessoas para saírem para a rua para protestar.

Mas naquilo que é fundamental, que decide sobre coisas públicas, sobre a estrutura e a organização social, o tamanho do Estado, o futuro do país e de seus cidadãos, as pessoas ainda enfrentam barreias e bloqueios. Quando o cidadão encontra algum espaço, mesmo quando supostamente democrático, mesmo nas eventuais “consultas públicas”, quase sempre a participação tem se revelado mera mistificação.

Acresce que, a democracia brasileira, com o calendário rígido do presidencialismo e do voto proporcional, nunca se mostrou um bom sistema. Copiado dos Estados Unidos, por imitação populista latino americana, o sistema não funciona adequadamente nem mesmo no país de origem. La, ao menos, as eleições para a câmara são distritais e ocorrem a cada dois anos. Se poderia até desconfiar que sua adoção, ao sul do equador, se deu precisamente por ser o mais conveniente à entranhada cultura da corrupção.

Portanto, se o presidencialismo, que reúne na mesma pessoa o chefe do Estado e o Chefe do Governo, já não era o melhor modelo de governo num tempo de comunicações precárias e difíceis, hoje não há mais razão nenhuma para o Brasil manter vigente o regime de perfil barroco que temos.

De maneira que, como a nação só pode sair desta enrascada com o esforço de todos, nada mais natural que os cidadãos estabeleçam suas condições para se engajar. Em que condições se disporiam a participar com sua parte.

Ceska – O digitaleiro


 

Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos.

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Charge: Latuff 2012 (100 anos de Nelson Rodrigues) “Subdesenvolvimento não se improvisa: é obra de séculos!” – Nelson Rodrigues

As novas gerações, todavia, se mostram dispostas a enfrentar o desafio e desmontar o complexo emaranhado de interesses que dão sustentação a esta praga que absorve e dissipa os recursos do país e não permitem que o Brasil alce voo e alcance seu destino como nação.

Entranhada no contexto cultural e onipresente ao longo de toda a história brasileira, a corrupção é aceita com complacência por parcela importante da população.

Resignadamente, muitos a têm como uma manifestação inescapável da brasilidade e do caráter nacional. Faria parte do panorama social amoral, assim como a malandragem carioca ou o Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, do paulista Mário de Andrade.

Entre as causas para a transigência coletiva com a corrupção está a pouca percepção pelo povo de que o dinheiro desviado dos cofres – ou empresas públicas – é dinheiro que pertence ao povo. Dado o baixo nível de educação geral e o virtual analfabetismo cívico, com um olhar aborrecido sobre as contas públicas, é muito comum as pessoas pensarem que o dinheiro do governo seria ilimitado. Que nasce por geração espontânea. Seria um dinheiro que o governo “cria”, ou dado o pendor para o pensamento mágico de muitos brasileiros, um dinheiro que “pinta”. (Faz que o dinheiro “pinta”…)

A propósito, atribui-se a Nelson Rodrigues, o agudo observador da cultura social brasileira, o desabafo, “toda vez que vejo um brasileiro ligar causa a efeito, tenho um orgasmo…”

Nelson Rodrigues, porém, acreditava no Brasil. O jornalista, dramaturgo, escritor e mordaz crítico da sociedade brasileira de sua época e um dos intelectuais brasileiros mais lúcidos dos meados do século XX, achava que faltavam ao Brasil lideranças que o compreendessem e o amalgamassem. Uma de suas frases deixava claro este ponto de vista: “O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte”.

Esse líder ainda não se apresentou até hoje. De todos os que passaram, após o tempo de Nelson Rodrigues, dois líderes se destacaram no perfil preconizado por ele: Juscelino Kubistchek – o construtor de Brasília – e Fernando Henrique Cardoso, que domou a inflação e provou ser possível colocar o Brasil nos eixos sem necessidade de um governo de força. Mas a obra permanece inacabada. O Brasil continua um elefante geográfico e continua sem um líder para montá-lo.

Nelson Rodrigues, por sua parte, não considerava essa uma tarefa fácil. Compreendia a dificuldade de circunscrever os traços culturais que produziam o subdesenvolvimento: “Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.

O subdesenvolvimento brasileiro sempre se sustentou na aceitação, por parte da sociedade, de desempenhos medíocres disfarçados por retórica ufanista e bombástica. Promessas irrealizáveis e arroubos insuflados por mentira e ignorância foram a marca do governo lulopetista.

A explicação pode ser encontrada no “complexo de vira-lata”, a que aludia Nelson Rodrigues. Inicialmente se referia ao trauma sofrido pelos brasileiros com a derrota da Seleção Canarinho para a Seleção Uruguaia de Futebol em 1950, na final da Copa do Mundo e em pleno Maracanã. Mas acabou incorporada à cultura do subdesenvolvimento.

Para Rodrigues, o complexo não se limitava somente ao futebol. Segundo explicava ele o “complexo de vira-lata” seria a inferioridade que grande parte dos brasileiros sentem em relação ao resto do mundo.

Ainda segundo Rodrigues, “o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”.

Sempre se menciona que Pero Vaz de Caminha fez o primeiro pedido ao Rei de Portugal, dom Manuel I, já na ”Carta do Achamento do Brasil” , a primeira carta escrita nesta Terra de Santa Cruz.

A cultura, na definição do antropólogo Edward B. Tylor, é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”[i].

A “cultura social”, em complemento, pode ser definida como o conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais aprendidos de geração em geração por meio da vida em sociedade. Mais sutil é o conjunto de “valores”, as crenças fundamentais, que norteiam o comportamento.

Dentro do contexto da filosofia, a cultura está a serviço das necessidades, aspirações e desejos humanos. A cultura, vista pela ótica da civilização, reúne a maneira como o homem foi resolvendo seus problemas ao longo da história. Cultura, assim, algo que o homem criou ao longo de gerações. Como somos “animais sociais” – e nenhum homem é uma ilha – o “Homo-sapiens” só se torna homem porque vive em meio a um grupo cultural. Dentro deste grupo cultural predominam as ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais que estabelecem o que é aceitável e o que não é. Ou seja, o que é bom e o que não é, que estabelece a noção do bem e do mal para aquele grupo social.

A “cultura social” é, em consequência, um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que confere sentido à vida de seus membros. Representa, portanto, uma força poderosa que permeia todo o tecido social. Dela deriva uma matriz de estímulos e condicionamentos que influenciam o comportamento dos membros do grupo e os recompensam na medida que adotam os comportamentos alinhados com os valores do grupo.

Reconhecendo a força da “cultura social” como indutora de comportamentos, o Vice-Primeiro Ministro e Ministro da Fazenda de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, a definiu como a “Mão Invisível da Cultura Social”. Com esta definição, o Ministro Tharmam estabelece uma comparação com a “Mão Invisível do Mercado” de Adam Smith.

“Mão invisível” foi, como se sabe, uma expressão introduzida por Adam Smith em “A Riqueza das Nações”, para descrever o processo virtuoso que ocorre em uma economia de mercado, onde, apesar de não ser visível uma entidade coordenadora do interesse coletivo, a interação econômica dos indivíduos que buscam seus interesses pessoais tende a resultar no “bem comum”. É como se houvesse uma “mão invisível” dirigindo a tomada de decisões dos investimentos e negócios. A “mão invisível”, a que o filósofo iluminista se refere, explicava o que hoje chamamos de lei da “oferta e procura”.

Ainda que o conceito original da “Mão Invisível” de Adam Smith tenha sido questionado em muitas ocasiões, a verdade é que sua lógica intrínseca sobreviveu aos seus críticos pela simples razão de que ela apenas dá nome aos fatores ocultos que intervêm na tomada de decisão dos indivíduos. E que são, estes sim, inteiramente visíveis.

O Ministro Tharman, ao reconhecer a força da “Mão Invisível da Cultura Social” no comportamento das nações, afirma que a construção de “uma boa sociedade” se firma sobre os valores e condutas, especialmente o desejo das pessoas de tomar responsabilidade sobre si mesmas e suas famílias, bem como contribuir para o êxito dos demais.

Para o Ministro Tharman, uma vez que se entenda e aceite o conceito da “Mão Invisível da Cultura Social” se pode usa-lo para mudar a sociedade. Em uma relação de causa e efeito, quando a Cultura Social muda, muda o comportamento da sociedade. A boa notícia é que a cultura social não é imutável. Ela muda em resposta às políticas adotadas.

O Ministro Tharman usa a expressão “Compacto Social” para definir o “acordo” que deve ser estabelecido entre os membros de uma sociedade organizada, ou entre os governados e o governo definindo e limitando os direitos e deveres de cada um.

Ele exemplifica mostrando que as pessoas tendem a agir segundo regras do contexto politico, social e econômico em que vivem. E o sucesso destas sociedades é ditado pela maior ou menor excelência das regras e conceitos adotados neste “Compacto Social”. Quando o “Compacto” reúne políticas saudáveis e adesão da sociedade, a “Mão Invisível” se encarrega de promover o desenvolvimento e distribuir prosperidade. É pelo resultado obtido que se pode avaliar a qualidade dos “Compactos”, a exemplo do resultado em sistemas como o comunismo, a social democracia ou capitalismo de livre-mercado. Para Tharman políticas redistributivas no contexto do “Compacto” podem apenas obter sucesso se forem desenhadas para encorajar uma cultura de responsabilidade pessoal e se promoverem a responsabilidade coletiva entre todos.

Na opinião do Vice-Primeiro Ministro, a quatro áreas que concernem à Cultura Social e devem estar no eixo das politicas do governo são: 1) A mobilidade social sustentada; 2) Acordo claro entre a responsabilidade individual e a responsabilidade coletiva; 3) Cultivar uma cultura de inovação e de aceitar riscos; 4) Crescimento do bem publico e o papel dos espaços públicos e da sociedade civil.

A noção de que a “Cultura Social” tende a moldar o comportamento das pessoas que vivem em um determinado ambiente social não é nova.

A noção de que a “mão invisível” da “Cultura Social” tem efeitos sobre o comportamento social das pessoas equivalente aos efeitos que a “mão invisível” de Adam Smith tem sobre a economia. Para mudar o Brasil, a mão invisível da “Cultura

Social” virá somar-se com a “Cultura Digital”.

“Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar”. (Pe. Vieira)

Ceska – O digitaleiro


[i] (LARAIA, Roque de Barros. Cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006)

Se queixar não é uma estratégia

Queixar
“O que devemos fazer é sempre nos inclinarmos para o futuro. Quando o mundo muda ao seu redor ou quando muda contra você o que costumava ser um vento de cauda – à seu favor – passa a ser um vento de proa. Então você precisa reconhecer isso e descobrir o que fazer, porque se queixar não é uma estratégia.”
Jeff Bezos – Fundador da Amazon.com

Existem dois tipos fundamentais de “Inovação”

  1. Evolucionária e
  2. Disruptiva

Tipo Um – Evolucionária

Esta é uma inovação que adiciona algum atributo ou característica a algo pré-existente.

  • Evolutiva – Melhora algum aspecto de algo existente. Por exemplo, aperfeiçoa um dado dispositivo constitucional ou modifica para melhor uma lei, uma norma, um procedimento.

Exemplo: A Lei Complementar 131/2009 – a chamada lei da Transparência, que altera a redação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O texto inova e determina que sejam disponíveis, em tempo real, informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É um bom passo, mas não tem o condão de mudar a natureza do Estado.

– Revolucionária – Inovação radical ou inesperada. Muda muitos aspectos dos processos em uso, mas que não afeta o contexto existente.

Exemplo: Lei da Ficha Limpa ou Lei Complementar nº. 135 de 2010, que torna inelegível por oito anos candidato que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou tenha sido condenado por decisão de órgão colegiado, que seja composto por mais de um juiz, mesmo que ainda exista a possibilidade de recurso. Esta lei foi pensada para “depurar” o processo eleitoral, mas ainda altera muito pouco sistema atual.

Tipo Dois – Inovação disruptiva

Este conceito foi proposto inicialmente por Clayton Christensen, Professor na Harvard Business School, em seu livro “O Inovador Disruptivo”.

O que Christensen trouxe como novidade é a consciência de que existem maneiras diferentes de se trocar de tecnologia. Alguns avanços tecnooógicos são passos em um mesmo caminho, enquanto outros são como saltos para outro mundo: rompem com todas as noções e regras pré-existentes.

Sendo o homem o ser inquieto, perscrutador e ambicioso que é, novos conhecimentos são incorporados a cada dia e novas soluções permitem uma evolução constante. Um aspecto relevante é que o conhecimento nos diversos campos evoluem em paralelo, mas recebem influências cruzadas todo o tempo.

Quando estes conhecimentos cruzados maturam, novas combinações permitem saltos evolutivos radicais, que “rompem” com modelos baseados em crenças do passado.

Assim, possibilidades que eram limitadas pelo nível de conhecimentos anteriormente disponíveis subitamente se transformam em “invenções” ou “descobertas” transformadoras, ou seja, “disruptivas”.

Embora pudéssemos listar milhares de exemplos contemporâneos, é óbvio que a evolução do conhecimento e os saltos disruptivos ocorrem desde que o homem aprendeu a aprender.

E a inovação disruptiva é uma conquista no campo do saber que se incorpora ao repertório de conhecimentos humanos disponíveis para mudar a vida e o destino do homem. Exemplos clássicos são o uso do fogo e a descoberta da roda.

Outro exemplo de inovação disruptiva, neste caso uma que teve impacto decisivo em nossa história, foi a descoberta da chamada “vela latina” e sua adoção no velame das caravelas portuguesas.

Embora a “vela latina” já fosse conhecida desde os gregos, foi sua adoção nas caravelas e, mas tarde nas naus portugueses, que possibilitou os grande descobrimentos.

Os navios à vela anteriores às grandes descobertas usavam velames retangulares que aproveitavam com eficiência a força dos ventos. Mas que só funcionavam bem na navegação “empopada”, quando o vento sopra da popa para a proa, ou seja, alinhado com a rota do destino.

Cerca de 1420 da nossa era, então, as “velas latinas” foram introduzidas nas caravelas. A vela latina, que apareceu no mundo árabe cerca de 200 a.C., era uma vela triangular que permitia “navegar à bolina”, ou seja, navegar contra o vento. O avanço se dava em um tipo de zig-zag, com a vela posicionada em um ângulo de 45º com o mastro. Mudando de lado, em intervalos regulares, possibilitava o aproveitamento dos ventos laterais e de popa. Este tipo de vela possibilitou ao homem, pela primeira vez, navegar com precisão para um destino pré-estabelecido.

contituiçõ da caravela
A “vela latina” permitiu à Portugal uma vantagem estratégica na descoberta e exploração do novo mundo.

O uso crescente da vela latina permitiu a exploração na costa africana, seguida de trajetos mais longos, como é o caso das viagens para a Índia. Sem a vela latina os navegadores portugueses estariam condenados à imobilidade e à amargura da irrelevância. Um destino que será o nosso se não rompermos com a mediocridade que nos envolve e imobiliza.

Esta mesma situação se apresenta ao Brasil do século XXI: precisamos navegar contra o vento para superar a crise e as dificuldades que temos pela frente.

Neste contexto que enfrentamos, a tecnologia digital pode ser nossa vela latina. A vela que nos vai permitir navegar à bolina contra a crise. Que vai permitir Introduzir um novo conjunto de soluções e remodelar o sistema organizacional do país.

Ceska – O digitaleiro


 

Só a revolução digital poderá nos socorrer

 

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O povo unido jamais será vencido, o povo conectado jamais será derrotado!

O poder do povo pode resolver: o Brasil precisa de uma mudança libertadora. E só a revolução digital poderá nos socorrer.

Remendos não vão resolver. Já somos uma espécie de “Patch work” institucional.

Em uma frase: Precisamos nos converter em nossos próprios libertadores. Vivemos em um país colonizado. Esta crise e seus desdobramentos mostram que estamos aprisionados. Somos servos de nossa própria casta dirigente.

De tanto termos sido colônia, de tanto termos sido servis, de tanto termos sido escravos, de tanto termos sido roubados, de tanto termos apanhado no lombo, pegamos o cacoete. Como cavalos de tração, não sabemos viver sem os arreios. Condicionados a nossa condição de servos e subalternos, aceitamos como natural a divisão do país em duas esferas: a dos senhores e a de nós, o povo.

Essas reminiscências estão de tal modo entranhadas em nossa cultura que aceitamos como normal.

E antes de buscarmos uma nova trilha para mudarmos nosso destino, vale a pena fazermos uma pequena viagem pela nossa história. Podemos, deste modo, tomar consciência de como somos cordeiros, de como nos fizeram submissos, de como foi grande o estrago causado pela dominação colonial. Podemos nos olhar no espelho e perceber as marcas do patrimonialismo que ainda perduram, provocando inequidades centenárias e impondo limites ao nosso potencial.

Podemos examinar, com espírito crítico, eventos, fatos e episódios do país que temos sido e dos costumes prevalentes nos quinhentos anos de nossa história.

O fato é que precisamos entender melhor os nossos “demônios”, os “porquês” de nosso atraso, nossos medos e aflições, para podermos enxergar melhor a profundidade da reforma a ser feita. E para nos darmos conta da urgência da reconstrução.

Esta visita aos fantasmas de nosso passado permitirá um olhar em perspectiva e nos dará mais confiança ao enfrentarmos os desafios da reconstrução.

De início, o mais importante, ao partirmos para esta jornada rumo ao nosso destino digital, é mantermos alta a nossa autoestima.

Estamos com problemas. Muitos são grandes, outros esdrúxulos, outros são pequenos, mas ardidos. Problemas não nos faltam, posto que nosso governo atrai problemas como o imã atrai limalhas. A variedade é grande e são numerosos. Mas o que faz da vida brasileira um inferno é o enredado de problemas-cipó que parece ter vindo direto das profundezas. O que dificulta a caminhada numa floresta, como se sabe, não é a altura das árvores, mas o cipós que nos prendem os pés.

O mais trágico paradoxo de nossa geração é que o Brasil tem tudo – tamanho, clima, áreas agriculturáveis, população – para estar entre os melhores do mundo. Já teve momentos de crescimento em torno de 10% ao ano, mas hoje se encontra imobilizado na areia movediça de suas próprias escolhas e equívocos.

Identificar – sem preconceitos ou paixões – os erros e equívocos e atacar as causas deve estar no centro de qualquer esforço de reconstrução.

O sentimento de frustração que vem de nossa impotência histórica, de nossa incapacidade de superarmos nossos erros, impacta particularmente os jovens, que se vêm perplexos diante de um futuro opaco, que parece não apontar saídas.

Mas o Brasil é veterano em enfrentar crises. No geral, a população brasileira é formada por gente capaz, inteligente e razoavelmente informada. Seu maior pecado é a ingenuidade. É sua propensão em acreditar na retórica e nos demagogos. E dar crédito demasiado aos poderosos, quaisquer que sejam. Figuras que ainda vê aureoladas de atributos que antes eram próprios da realeza.

De uma forma ou outra, entra crise, sai crise, sempre nos safamos. Portanto, essa não é a dúvida. A dúvida é como vamos nos safar desta vez. O preço que vamos pagar e que tipo de novo ciclo estaremos abrindo. Vamos avançar e sair da areia movediça ou, depois de sacrifícios ingentes, vamos voltar a correr atrás do próprio rabo e patinar no mesmo lugar?

Se desejarmos sair deste entra e sai de crises, temos que escolher uma saída que altere o contexto em que o país funciona. Entre as saídas possíveis, como vimos, temos, de um lado, as tradicionais: cortes perfunctórios e superficiais, já que ninguém vai largar o osso sem estrilar, em tandem com aumento da carga de impostos e de outro, para onde seremos empurrados pelas circunstIancias, o salto para o futuro, para o Brasil Digital.

A primeira opção sempre nos tem levado a uma montanha russa de crises recorrentes. Assim que se arruma a casa, voltam os parasitas, penduram-se no Estado e tudo começa de novo. A segunda, a saída digital, é o rumo natural. É um caminho diferente e cheio de promessas. Para muitos dos velhos políticos e atuais detentores do poder, poderá ser uma alternativa assustadora. Como nada conhecem do novo mundo, preferem ficar no velho. Mas para as novas gerações, que se sentem à vontade no mundo digital, o velho é o velho.

Por outro lado, se vamos pensar em uma saída verdadeiramente inovadora, precisamos ter clara a noção de que a “inovação” vem a ser uma nova ideia, um novo conceito ou uma nova solução destinada a atender uma necessidade específica de modo melhorado, novo ou original. De modo melhor.

Ceska – O digitaleiro


 

 

A tornozeleira socialista que nos acorrenta

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Acorrentados com passado. A gente não merece.

Luís XIV, o Rei-Sol, (1638 – 1715), dizia: “L’État c’est moi”. (O Estado sou eu). Mais ou menos como seu xará contemporâneo, o Luís Inácio Lula da Silva.

A visão de Luís XIV era compartilhada, em maior ou menor grau, pelos demais reis da era medieval. O Rei era o Estado. Por direito divino. E porque suas ordens decidiam os ganhadores e perdedores.

Os imperadores, reis, monarcas e similares estabeleciam as regras, ditavam as ordens, cobravam os impostos, faziam guerras para aumentar seus domínios e quem não gostasse corria o risco de ser enviado para as masmorras, quando não queimado vivo ou enforcado, como foi Tiradentes.

Vale ressalvar, entretanto, que mesmo o Rei detentor de poder absoluto, podia muito, mas não podia tudo. No meio desta equação sempre havia o imponderável: o homem.

O homem sonha e busca seu destino. A história é uma sucessão de lutas de conquista e de heróis que se sacrificam em defesa de sua liberdade.

Por poderoso que fosse o Rei, contudo, ele não tinha como evitar que no reino surgissem conflitos, desavenças e revoltas. E, o mais perigoso: ambições. O fato é que sempre existiam disputas por poder, territórios, recursos, etc.

E os reis tinham concorrência. Por rivalidade, por cobiça ou outras razões, o mundo sempre viu guerras de conquista, invasões e pilhagens. Nós tivemos a guerra do Paraguai, para ilustrar a história.

O benefício para a humanidade deste processo foi que os reis melhores e mais competentes acabavam sobrepujando os reis piores e mais incompetentes. E na base do sucesso de um rei estavam seus súditos. Sua disposição para o trabalho, criatividade, lealdade.

Nesta tarefa de assegurar a lealdade dos súditos é que a Religião tinha um papel fundamental. Os reis se apresentavam como ungidos por Deus. O Imperador do Japão é, ele próprio, uma divindade.

A mensagem das religiões sempre foi baseada em prometer aos seus membros uma vida melhor após a morte, condicionada a que as pessoas se submetessem às regras de seus líderes durante a vida.

Pela importância do papel das religiões junto ao povo, elas sempre foram aliadas e sempre fizeram parte da estratégia dos reis e governantes. Isto quando este não eram “dublês” de chefes religiosos e governantes. O exemplo mais moderno do poder das religiões está no Islamismo e no “jihad”, a guerra santa dos muçulmanos.

Do ponto de vista dos indivíduos, sobreviver no ambiente de conflagração permanente que foi a história, sempre foi muito difícil. Viver era muito perigoso. Não apenas as pessoas do povo viviam praticamente sem direitos, como dependiam da boa vontade do Rei ou de seus prepostos, como, na Idade Média, do senhor feudal para quase tudo.

Com poder sobre a vida e a morte, déspotas de todos os tempos tratavam as pessoas comuns como sua propriedade. Servos podiam ser destituídos de seus bens a qualquer tempo e serem mortos a qualquer pretexto.

Sem quaisquer garantias, podiam ser envolvidos em guerras, aprisionados e transformados em escravos. Portanto, para as pessoas da idade média, pertencer a um reino bem governado e protegido era, de certa forma, uma benção.

Felizmente evoluímos. A civilização avançou. Veio o renascimento. A Revolução Francesa. A Constituição Americana. Os ventos da mudança arejaram as mentes, veio a Revolução Industrial e, em nosso tempo, a Revolução Digital. Mas a modernidade não chegou a todo o  o planeta, infelizmente. E entre as partes do mundo civilizado ainda existem redutos de arraigada estupidez. Boa parte do Brasil vive ainda imerso na idade do arco e flecha. Em uma pajelança ideológica canibal. Estamos melhor do que a África. Mas a tornozeleira socialista que nos aacorrenta nos mantém distantes do país de ponta que podemos – e estamos destinados – a ser.

Ceska – O digitaleiro