A Escolha do Predador

O selvagem de Montesquieu derrubava a macieira para comer uma maçã, exatamente como muitos dos nossos políticos.
O selvagem de Montesquieu derrubava a macieira para comer uma maçã, exatamente como muitos dos nossos políticos.

A oportunidade do 45o Fórum Econômico Mundial, que atrai as mais importantes lideranças governamentais, dos negócios e da sociedade civil do planeta para debater as questões mais importantes da atualidade, oferece um bom momento para refletirmos as razões que levam o Brasil a navegar na contramão da história.

Cada vez mais a humanidade se divide entre os super-ricos e os super-pobres. Cada vez mais as nações se alinham entre as ganhadoras e perdedoras. E, infelizmente, o Brasil vem solidamente se firmando entre as perdedoras. Estamos um queda livre, com a recessão dizimando empregos e empurrando o país de volta para uma pobreza que, para muitos, parecia ter sido deixada para trás.

O que está tão errado com o Brasil? Por que não conseguimos sair deste sobe e desce no campo econômico, por que vivemos de crise em crise?

A resposta talvez se encontre em nossa cultura de predadores. Neste país valorizamos mais os predadores do que os empreendedores.

Desde a colônia, sempre temos preferido fazer a escolha do predador: ao invés de criar ou produzir, queremos pegar sem esforço. Nossa ética sempre foi elástica. Predar parecia tão legítimo como produzir. Para muitos, até tem mais charme. Até o processo do Lava-Jato, o “pixuleco” era invejado. E de malandragem em malandragem, de propina em propina, nossa gente se acostumou a agir como os selvagens de Montesquieu, que os definia como aqueles que derrubam a macieira para comer uma maçã.

Aqui não acreditamos em empreender, nem em fazer. O empresário no Brasil é visto como o tonto a ser tosquiado. É a história da Geni: todos contra ele, todos atirando nele, ainda que todos devam tudo a ele. Patético.

Nossa história como predadores começou quando acabamos com o Pau-Brasil, quase extinguimos a Mata Atlântica, estamos dilapidando a Amazônia e agora vemos os estertores da Petrobrás. Nestes trópicos inconsequentes sempre acreditamos que a abundância nos protegeria de nosso comportamento de predadores insaciáveis e irresponsáveis.

Mas, assim como a aparente riqueza inesgotável da Petrobrás se mostrou finita, nossos recursos escasseiam e nos vemos próximos da bancarrota. Nem é preciso citar estatísticas ou indicadores. Todos os números apontam para o fundo do poço e indicam que mais crise está por vir.

O governo de Da. Dilma está completamente aturdido.

Dias atrás, o FMI divulgou que a queda da economia brasileira em 2016 vai superar os três por cento e informou que não vê mais retomada do crescimento em 2017 – como a entidade acreditava ainda em outubro. O desastre da economia brasileira vai pesar sobre a economia mundial como um todo, afirma o fundo.

Da. Dilma, a permanente estarrecida, mostrou-se indignada:

“Eu fiquei recentemente estarrecida com uma frase que li no relatório do FMI. Nós sabemos que o FMI fala muita coisa. No último relatório dele, avaliando a economia internacional, ele diz que três fatores são muito relevantes no atual cenário e explica as dificuldades que o mundo enfrenta: a diminuição do crescimento da China, instabilidade no Oriente Médio, e o terceiro era a continuidade da situação crítica no Brasil”, afirmou a “presidenta”.

Em seguida, Da. Dilma comentou o trecho em que o relatório atribui a situação crítica do país não à economia, mas à instabilidade política e às investigações da Operação Lava Jato:

“Ao que ele – (FMI) – atribuía a situação crítica do Brasil? Não era da economia, eram duas coisas. Instabilidade política e o fato de as investigações quanto à Petrobras terem prazo de duração maior e mais profundo do que eles esperavam e que “isso” (sic) seriam os dois principais fatores responsáveis pelo fato de eles terem de rever posição do FMI em relação ao crescimento da economia no Brasil”.

Nesse ponto do discurso, a “presidenta” afirmou, com a ligeireza com vem falando ao vento, que “tem certeza que o Brasil vai alcançar a estabilidade política e terá tranquilidade para retomar o crescimento econômico”.

“Na democracia, é absolutamente normal que a oposição critique, que qualquer um critique, se manifeste, divirja do que está acontecendo. Isso é normal, mas nós não podemos aceitar que as questões essenciais para o país não sejam objeto de ação conjunta para voltarmos a gerar emprego e renda. Faremos nossa parte”, disse.

Dá medo. Ela já vem fazendo a parte dela pelos últimos doze anos. Se fizer mais um pouco, o país vira sucata. Que Deus se compadeça de nós.

E agora, o que podemos fazer?

A era do predador acabou. Nem no erário sobrou alguma coisa. Agora, precisamos criar riquezas, gerar valor, produzir. A saída é nos unirmos. Não adianta acharmos que ajudar o governo vai funcionar. Empurrar o carro deste governo na direção do despenhadeiro só vai apressar sua queda no precipício.

A alternativa positiva ao nosso alcance é iniciarmos um amplo debate sobre a saída digital. O que podemos aprender com o que se debate em Davos é que a Quarta Revolução Industrial está deslocando o poder para as pessoas. As novas tecnologias nos capacitam a deixar o governo falando sozinho. O exemplo do Uber é didático: enquanto os cães ladram, a caravana passa…

As coisas estão mudando. Online, somos nós e nossos amigos por nós mesmos. Na Internet, somos os novos mosqueteiros esgrimindo mouses: “um por todos e todos por um”. Temos que ser criativos e buscar alternativas. Elas existem. A economia cooperativa, os bitcoins, o e-commerce, atividades online, apenas para citar algumas.

A propósito, se você já não sabe, trate de aprender inglês. (Dizia um amigo americano: Português é um “código secreto”). Olhe para a internet e para as oportunidades que oferece aqui e lá fora. São zilhões.

E para mudar o Brasil, precisamos criar grupos de ação, reunir amigos e estruturar um projeto digital para o novo Brasil digital: o “Brasil 4.0”. E é “4.0” porque precisa estar em sintonia com a Quarta Revolução Industrial.

Esquece a Da. Dilma e seu bando de panacas aloprados. Do atual governo não vai vir nada. Como dizia o “Barão de Itararé”: de onde menos se espera, de lá é que não vem nada mesmo”

Moral da História: O Brasil tem jeito e o jeito é digital.

Ceska – O digitaleiro


 

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