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O Ano do Orangotango

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O Brasil vai sempre lembrar 2016 como um ano insólito

O Ano do Orangotango

A fuzarca assola o país. É tanta zica que só pode ser castigo cósmico.

No horóscopo chinês, 2016 é o Ano do Macaco. No Brasil, pelo tamanho da encrenca, só poderia ser o Ano do Orangotango.

Nossa atual crise, uma esculhambação jamais vista antes neste país, tem o jeito mal encarado de um Orangotango, só que bicéfalo.

Numa das cabeças temos um presidente “vintage”, que se vira com status de substituto e pose de primeiro mordomo e, no outro crânio, um recipiente agora oco, posto que descerebrado, remanesce a dita “afastada”, uma quase “ex-presidenta” desidratada, ranzinza e cada dia mais furibunda, agora que a deixaram sem avião.

Esta bizarra criatura de duas cabeças – refiro-me ao orangotango, óbvio – começou o ano atazanada e resolveu que pagaríamos todos os nossos pecados de uma só vez. A partir desta disposição, nada que tenha o dedo do coisa-ruim tem escapado da faxina ampla, geral e irrestrita.

A Lava Jato vem usando o ventilador em sua capacidade máxima.

As instituições, por seu turno, balançam sob abalos de proporções sísmicas, provocadas por gravações insólitas, que desnudam, fáticas, algumas das figuras mais herméticas da república. Figuras caricatas, toscas, fétidas, pilhadas em eventos sórdidos, assás nauseantes, reais arquétipos de corrupção explícita. (Ufa!…)

Algumas destas figuras, ademais, não escondem estar dispostas a se aventurarem em esquemas e maquinações malucas na desesperada tentativa de escaparem de Curitiba.

Suas excelências, antes bem falantes e fagueiras, agora catam desculpas gaguejantes, atarantadas, aparvalhadas. É um espetáculo patético. É triste, mas impagável, ver os digníssimos, sempre tão empertigados, demonstram temer mais o juiz Moro, em Curitiba, do que temeriam o Conde Drácula, na Transilvânia.

E ainda, o mais atroz vaticínio neste Ano do Orangotango, horrendo e insopitável, que insiste em espalhar paranoia em Brasília: eis que todas as conversas foram gravadas; eis que todos farão delações premiadas; eis que todas as trapalhadas serão reveladas; eis que todas as bandalheiras serão punidas; eis que toda a roubalheira deverá ser devolvida.

Para complicar, o exemplo de Lula e Dilma fez escola. E, dado que o mau exemplo é mais corrosivo que o ácido, o país, que já não era sério, que sempre foi amigo do jeitinho, parou de acreditar no bom senso.

Segundo o catecismo petista, bom senso é bobagem antiga. Muito antiga. De antes do Lula. É coisa do tempo de um tal Aristóteles, um cara que falava grego. Funcionava assim: para alcançarmos uma vida próspera e feliz. devemos utilizar como instrumento a frônesis (já imaginou?), que significa “justa medida”, uma combinação de comedimento e equilíbrio que resulta no tal “bom senso”.

O velhote da Grécia dizia ser esta uma sabedoria prática, acessível a todo o povo pelo uso do cérebro (uso do quê? abusado o Tóteles, hein?). Por exemplo, um guerreiro, com pouca coragem, se torna um covarde; com muita coragem, se torna temerário e pode se dar mal. Alguém que tem a obsessão de poupar dinheiro vira sovina; em contrapartida, aquele que nunca guarda nada, torna-se esbanjador e vai à falência. Assim, pregava Aristóteles, o caminho correto para uma vida boa e feliz está no equilíbrio e na ponderação.

De modo que, descartado o citado “bom senso”, devidamente xingado de neoliberal, nenhum petista queria ouvir falar em mérito e decência. Havia uma “ética” do partido: era nossa vez de “enricar”, de “meter a mão”. E nem as “zelite”, nem ninguém mais tasca.

Tanto fizeram que instalou-se a crise e a sociedade cansou. E, repetindo Rui Barbosa, “de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Por consequência, com a adoção generalizada do “gasta que eu gosto”, hoje vivemos o efeito desta onda produzir o colapso em série nos estados e municípios. São dezenas de estados e centenas de municípios que estão na bancarrota, sem dinheiro até para pagar salários.

E foi nesta toada, ao se espalhar pelo país a seita petista, avessa às boas práticas de gestão da coisa pública, que o festival de gastança tirou os calços. Por exemplo, criaram-se milhares de cargos públicos. Acontece que cada novo emprego público gera compromissos de salário, aposentadoria e pensão por TRINTA ANOS. São trinta anos de despesa engessada. Grande número comprometida em manter funções obsoletas, como os ascensoristas do congresso nacional, que recebem mais de R$ 12 mil mensais.

E com Dilma, como mãe do PAC, e Lula et caterva com a mão no PAC, para qualquer lado que se olhe, depara-se com o desperdício. Vê-se uma profusão de obras inacabadas. Muitas delas, aliás, criadas só para gerar propina. Como Lula e Dilma acreditam que dinheiro dá em árvore, bilhões foram gastos sem controle. Podemos começar pela transposição do São Francisco, ou pela Refinaria Abreu e Lima, mas a lista é tão extensa que não cabe num só post.

Nestor Cerveró, um dos delatores “premiados”, contou que muitos políticos reclamavam do “pequeno” percentual destinado à propina nos contratos da Petrobras. “Tem muito político que pensa… Isso funciona muito em obra estadual, aí a comissão é 10%. Tinha político ali (na Petrobras) que ficava revoltado: ‘Porra, só isso que vc pode pagar? Fiz uma estradinha e levei 20%'”…

A propósito, Cerveró acusou Dilma de ferrá-lo. E deu o troco. Pelo que disse, Lula e Dilma sabiam de tudo desde o princípio. E apontou a responsabilidade de Dilma na compra da Refinaria de Pasadena, com 700 milhões de dólares pagos a mais.

O fato é que, sendo 2016 o Ano do Orangotango, tudo pode acontecer. Inclusive a volta da Dilma. Mas parece pouco provável. E por uma razão muito simples: político vende a mãe, mas não vende o cargo. Convencer senadores a escolherem o suicídio político é uma verdadeira missão impossível.

Dilma, ainda na cadeira, não conseguiu nem mudar os votos dos deputados, sendo que um deputado, eleito por voto proporcional, ainda poderia pensar em se reeleger com o que sobra de votos petistas. Ainda os haverá em pequena escala.

Já um senador, votando contra o impeachment e, assim, traindo a maioria dos seus eleitores, teria que enfrentar a fúria do eleitorado em uma eleição majoritária. Moral da história: não se reelegeria nem a pau.

Outras manobras de concepção sibilina, como esta proposta matreira que propõe a volta da Dilma com base numa promessa de renúncia e na convocação imediata de eleições diretas, simplesmente afrontam a inteligência da sociedade. Fazer um plebiscito para, depois, se for o caso, convocar eleições gerais, é enrolação da boa. Sem falar que promessa da Dilma tem credibilidade zero. Ninguém acredita.

Em todo o caso, só para ver o tamanho da bobagem, vamos imaginar a sequência destas tais “eleições gerais”: isso exigiria reformar a Constituição de uma hora para outra, com um rito complicado e maioria de dois terços. Mesmo que houvesse apoio de dois terços de ambas as casas e Dilma voltasse ao cargo à bordo desta “promessa”, isto só ocorreria em fins de agosto.

Em seguida, seria preciso começar a votar o projeto em meio às eleições municipais: o primeiro turno das eleições municipais de 2016, que elegerão em todo o país prefeitos e  vereadores, será realizado em 2 de outubro, primeiro domingo do mês. O segundo turno, em cidades com mais de 200 mil eleitores, está marcado para 30 de outubro, último domingo do mês. No congresso, durante a campanha, não se obterá nem quórum simples, quanto mais qualificado.

Passado o pleito, estaríamos no final do ano. Mesmo que as discussões iniciassem em novembro, as decisões pulariam as festas e as férias e seria retomadas depois do carnaval de 2017, que será em 28 de fevereiro. Com todas as chicanas e manobras protelatórias, uma eventual aprovação só ocorreria em meados de abril, na melhor das hipóteses. Então, a menos de dois anos do término do mandato, a eleição não seria por meio do voto popular, seria no plenário da Câmara dos Deputados. Sempre lembrando, claro, que, antes, seria preciso combinar com os russos: o Temer deveria concordar em renunciar junto.

E agora, José?

O Ano do Orangotango tem sido cruel de muitas formas. A roubalheira perene e os eflúvios etéreos estão nos dando uma surra merecida. Para a sociedade, não existe punição mais sádica do que assistir os noticiários. Milhões para cá, milhões para lá, milhões em profusão, milhões de contribuição, milhões no exterior, milhões em grana viva, milhões em espécie, milhões em maletas, em mochilas, em sacolas. São milhões, muitos milhões, mas nenhum, nenhunzinho, na sua mão. (São mais de 60 milhões de brasileiros inadimplentes, somando dívidas superiores a 250 bilhões)

Estamos vendo, de modo palpável, que no governo a irresponsabilidade é mais contagiosa que o sarampo. Que é mais fácil roubar do que ganhar. Que é mais fácil destruir do que construir.

O momento é de suspense. Dilma afastada é um alento. Mas é pouco. Tudo em nossa volta ainda segue se desmanchando. Estamos vendo as coisas continuando a  se complicar. Temos a cada dia uma nova agonia.

Mas, por outro lado, a catarse antipetista, antisafadeza, e anticorrupção está transformando o ano de 2016 em um ano que será lembrado séculos afora. Enquanto houver Brasil, enquanto houverem brasileiros, 2016 será lembrado como o ano insólito, o ano da grande faxina, como o ano da inflexão, como o mais cabal e Orangotango de todos os anos.

Ceska – o digitaleiro


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A Petrobrás e o diabo

Dilma, a sopa de pedra e o sapo

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Dilma fez uma sopa indigesta. Misturou pedra com sapo e lula. Temperou com PT ao gosto. Deu no que deu. Eca….

Dilma, a mulher sapiens, fez uma sopa de restos. Entrou pedra, sapo, lula, um ministério “fim de feira” e muita mandioca, que, em sopa de Dilma, aipim é que não pode faltar. Foi uma pajelança.

Tem quem pense que um governo é uma sopa: uma mistura de ingredientes que devem ser fervidos juntos para produzir um caldo.

O primeiro governo do PT tinha boa proteína na sopa do Lula: Meirelles no Banco Central. Era como um naco de músculo de pescoço que teimava em resistir à fervura do fogo que a esquerda botava para queimar por baixo. O cozinheiro Lula, ainda pouco afeito às lides de forno e fogão, preferia ir com jeito, seguindo a receita econômica do mundo que dava certo – o mundo mal amado dos gringos de “olhos azuis”. Lula xingava os gringos, sem lembrar que os orientais do Japão, China, Coréia, Singapura e outros, de olhos amendoados, também vinham se dando bem à luz do bom senso na economia, aliás, seguindo o mesmo cânone prometido na hoje esquecida “Carta ao povo brasileiro”, dos idos de 2002. De toda forma, bafejado pela herança bendita que recebeu de FHC, que começava a produzir frutos, tudo parecia estar indo bem na sopa, ainda que nela já estivem cozinhando os sapos do mensalão.

O segundo governo do Lula foi o despertar dos embrulhões. Parecia chegado o momento de adotar a feitiçaria heterodoxa, que a ortodoxia era blasfêmia dos neoliberais. Com a saída de Palocci, vieram os aprendizes de feiticeiro. Com pompa e circunstância, começaram as bruxarias na  economia. Abriu-se a caverna da Abra-cadabra: sucediam-se mágicas bestas à torto e à direito. Com dinheiro correndo farto para irrigar a corruptaiada, mesmo o escândalo do Mensalão acabou sendo absorvido, sob regozijo de Lula, que viu seu rival Zé Dirceu ir parar nas masmorras. Para o governo, tudo transcorria em clima de quermesse. O mundo vivia a festa das commodities. Os dólares jorravam da cornucópia das exportações e muita gente, no país do Macunaíma, imaginava que se haviam aberto as portas do jardim do éden. Sob a frouxidão de um presidente que, a aquela altura, saracoteava mais que um Baco de arrabalde em meio a uma balada rap, os rigores burgueses foram lançados ao mar. A Petrobrás virou a casa da mãe Joana. Bilhões eram roubados e o caixa saqueado com a desenvoltura de dona de bordel. Como tudo parecia lindo e maravilhoso, todos os aliados meteram a mão sem “pudô” e a farra do liberou geral saiu do controle.

Era uma folia de reis no planalto. O “pudê” tava uma delícia. E tudo nos conforme: se as “zelite” gostam, deve ser bom. Agora é nóis na fita.  E dado que, para o projeto de poder do PT, os fins justificavam os meios, nada havia a temer.

Para o PT e aliados, após oito anos gulosos aprendendo a gostar do bom e do melhor, com Lula voando solto no salto alto, de repente surge a ameaça que podia acabar com a brincadeira: uma nova eleição se avizinhava. Era preciso pensar o futuro. Largar o osso, nem pensar. O “sapo barbudo”, definição preferida de Brizola para o molusco, gostou de ser presidente. Queria mais. Por ele, bem que tentaria ficar para sempre passeando de AeroLula, sendo bajulado por todos os basbaques bolivarianos da Sul América, e, que beleza, recebendo títulos honoris causa mundo afora. Digno do Guiness: foram 55 títulos de universidades deslumbradas e que não se deram ao respeito!. Só na Argentina foram 11. Mas o Brasil não é a Venezuela. Aqui não dava para engatar uma mudança constitucional que permitisse uma nova reeleição. A salvação é que Lula, o sapo sábio, havia aprendido com o Chapolim Colorado a suspeitar desde o princípio. E, sem querer querendo, plantou a candidatura de um poste. Dilma parecia o poste ideal. Para começar, era um poste sem luz. Não era muito inteligente, arrogante no trato, era péssima em política e ruim até no arremesso de grampeador. Daí que, pensou o molusco de Garanhuns com suas ventosas: o poste (a “posta”??) seria submissa, faria pose, mas seria ele, Lula, que continuaria a mandar nos bastidores. Seria um maestro sem batuta, um Rasputin do sertão. E assim decidiu e ficou feliz. Ele era esperto, muito esperto.

Para ganhar, fizeram o diabo. Abriram os dutos do tesouro. Prometeram enormidades e, o povo, nosso ingênuo e crédulo povo, acreditou. Só que, como diz o ditado, a esperteza, quando é muita, vira bicho e come o esperto. Como as contas não fechavam, as coisas começaram a dar errado. Dilma só fazia o que lhe dava na telha, quer dizer, coisa pouca e atabalhoada. Depois de dar lições de economia à Angela Merkel (e levar um pito equivalente ao 7 x 1), assumiu a nova “matriz econômica”. Desdenhosa, quis mostrar-se acima da matemática, esta ciência que dá nojo em petista que se preza, esta invenção satânica da burguesia de direita para oprimir os pobres e os humildes. Foi uma derrocada anunciada que provou, uma vez mais, que quem não aprende com o passado está condenado a revivê-lo como farsa.

Em um governo cheio de empáfia e distante da realidade, a lei de causa e efeito foi revogada e deixou de valer. Erros sucessivos e incompetência obsessiva solapavam diariamente as bases em que se assentava a economia do país. Dilma, a mulher sapiens, esqueceu que a economia, como a natureza, não se defende: ela se vinga. O crescimento não vinha. O valor das commodities despencou. A Petrobrás não aguentou tanto desaforo. As pedaladas começaram. Quatro anos de deterioração enferrujavam a estrutura do país. A entropia auto induzida emperrava tudo. Para disfarçar seus efeitos e esconder a ferrugem, os taifeiros do PT passaram uma mão de tinta. O Brasil virou uma alegoria que fantasiava uma prosperidade que não lhe pertencia mais. Os 39 ministérios só faziam maquiagem. Neste clima veio a nova eleição.

O que se diz é que Lula tinha decidido ser candidato, como, acreditava-se, era o planejado. Acontece que Dilma o chamou para um canto e teria dito alguma coisa que fez o medo vencer a esperança. Era chato, mas Lula resolveu esperar mais quatro anos. Foi um erro fatal. Livre de escrúpulos, sem eias nem peias, Dilma se lançou em uma campanha despudorada, jogando bilhões na parada, sempre devidamente aconselhada por ministros igualmente aloprados, como Aloísio Mercadante e José Eduardo Cardoso. A candidata jogou para o alto o que restava de decência. Se valendo da mais refinada malandragem de que se ufana este país, aplicando competentes golpes de marketing charlatão, sob a batuta do atual presidiário João Santana, arrancou uma escassa vitória nos grotões. Lá, na beirada pobre do país, os votos foram escandalosamente comprados com o dinheiro do bolsa família. De positivo, só ficou provado que nada acaba mais depressa com um mau produto do que um bom marketing.

Reeleita, reassume a nova Dilma. Agora, ciclista na melhor acepção da palavra, sai para as pedaladas. Na cozinha, assume o panelão. O segundo mandato da mulher sapiens começou com uma sopa de pedra. O Ministro Levy era a pedra. Estava na sopa, mas não tinha nem sabor nem cheiro. A Dilma, mais imperial, arrogante e prepotente do que nunca, fazia questão de humilhar seu ministro. Um ministro, aliás, nomeado “pour épater le bourgeois”  e que era exibido para fazer o contraste e deixar claro quem mandava. A mensagem imperial era clara e tonitruante: “vocês vão ter que me engolir”. “Vocês”, no caso, éramos nós, o povo.

Após um ano patético, Levy foi tirado da sopa. Saiu como entrou. E, com a dignidade intacta, Joaquim Levy, o engenheiro naval com doutorado em economia, foi ser Diretor Financeiro do Banco Mundial (BIRD). Sem a pedra, a sopa ficava cada vez mais à imagem da ex-guerrilheira: uma poção mal cheirosa. No caldeirão da bruxa, a “presidenta” ia jogando todo o lixo que aparecia pela frente. Jogou dentro até um ministério arrebanhado nos restos da feira livre em que virou o congresso. Tentou fazer um acordo com o Eduardo Cunha, mas era tarde. Nas ruas, as multidões eram muitas e o dinheiro era pouco. Como última esperança, a feiticeira aloprada colocou o sapo na sopa. Não funcionou: eis que a sopa de sapo ninguém quis.

E agora, o fim melancólico da era lulopetista está escrito nas estrelas. (Refiro-me às verde e amarelas, aquelas que brilham no firmamento e no coração dos brasileiros.)

A Lava Jato continua moendo petista e vem escancarando as entranhas malignas dos governos de Lula , de Dilma e do PT. O lance final da mulher sapiens, chamar o Chapolim barbudo para o ministério, foi a cereja do bolo: o Sérgio Moro foi mais esperto e soltou a gravação que citava o tal “Bessias”. Fim. Cheque mate.

Agora, na desmontagem do mais estapafúrdio e estrambólico governo de nossa história, ainda se observa um esperneio aqui e outro ali. É a petezada querendo osso. Mas nem mortadela tem mais. Só sobrou mandioca. E sem acesso ao dinheiro público, a empáfia se esvazia, a ilusão acaba, as cortinas se fecham. Tchau, querida

Ceska – o digitaleiro.

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Onda de crescimento represado pode ser a grande surpresa

Prepare-se para uma grande surpresa: um tsunami de crescimento pode vir tomar conta do Brasil já ao longo dos próximos 180 dias. Conversando com diversos empresários nos últimos dias fui surpreendido por um contexto inteiramente inesperado: a existência de um represamento de projetos que estão no gatilho para serem disparados assim que se consolidarem os primeiros sinais de uma mudança nos rumos da economia. Tudo indica que a existência de crescimento represado e projetos prontos para implementação imediata pode disparar uma onda de crescimento por empresas que pretendem “sair correndo” para evitar que eventuais concorrentes cheguem antes e ocupem lugar no mercado. Se esta tendência se confirmar de fato, pode ser que venhamos a assistir a uma autêntica “corrida de ouro” dos tempos do velho oeste.

Ceska – o digitaleiro


 

Dicas de empregabilidade 2

Este blog tem como foco o debate das perspectivas brasileiras na Quarta Revolução Industrial. Mas antes do país se posicionar diante dos desafios que as novas tecnologias como a Inteligência Artificial nos reservam, precisamos arrumar a casa.

Este vídeo apresenta ideias que podem ajudar você a melhorar sua empregabilidade no momento que o país atravessa e preparar-se para encontrar seu espaço no futuro do mercado de trabalho.

Obrigado por sua atenção.

Ceska – o digitaleiro

A Revolução dos Clicks: Empoderamento, Proatividade e Transparência

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A Revolução dos Clicks vai mudar o Brasil

Uma Revolução dos Clicks: novos paradigmas do Empoderamento, Proatividade e Transparência estão abrindo portas, criando oportunidades, facilitando negócios, e, neste meio tempo, vem mudando o mundo.

O mercado vem se tornando um bolo de noivas multicamadas. O mercado é um pombal de nichos onde realizamos sonhos, trocamos competências e expressamos nossas habilidades.

Aviso aos navegantes: a “Revolução dos Clicks” é mais do que uma promessa. É uma revolução que está em curso. Enquanto o mundo caminha para a Quarta Revolução Industrial, em cada recanto do Brasil existem milhares de brasileiros conectados via smartphones, tabletes, notebooks, PCs e outros menos votados, vendo, ouvindo, falando e agitando assunto na expectativa de encontrar oportunidades que existem aqui e lá fora.

E o lado auspicioso é que tem milhões de brasileiros preparados para sua inserção no mundo digital, esperando um chamado para juntarem-se numa cruzada pela inovação. As mudanças estão vindo. Mas precisam vir certo. Não adianta mudar só as moscas…

O importante é saber que logo, logo, este o trio transformacional irá conduzir o Brasil para a era digital. Quem se puser no caminho vai ser atropelado.

Afinal, a nova geração digital sabe das coisas e intui que a opção por um Brasil online – digital – é o caminho para a revolução dos clicks.

Vamos dar uma olhada neste tripé da cidadania digital para entender como cada um deles pode contribuir para mudar o Brasil e fazê-lo atravessar para o lado da luz:

1 – Empoderamento

O termo “empoderamento”, que é a tradução do termo ingês “Empowerment”, define o grau de poder nas mãos do cidadãos e seu engajamento cívico no contexto de uma comunidade.

O empoderamento é o processo de tomada do poder pelos cidadãos e a redefinição da alçada de poder dos governantes. O conceito pressupõe que os cidadãos é que são os donos das escolhas e do poder. Os cidadãos é que são os donos do país e delegam parte deste poder aos seus representantes, mas, atenção, sempre em caráter precário. Por princípio, como no parlamentarismo, o retomam quando entendem que seus representantes não estão correspondendo às expectativas ou aos seus desejos. Governou mal, cai. Meteu a mão, cai.

Os cidadãos é que decidem o que é bom. O governo precisa dialogar com a sociedade, explicar suas decisões e justificar seus motivos. Mas devem se submeter sob pena de sofrerem a repulsa e a reação social.

A cidadania empoderada é bem informada e atuante, sabendo como participar nas decisões no âmbito da comunidade. Em uma sociedade bem informada, a sociedade tem por fim alcançar o melhor diante das circunstâncias. Com equilíbrio, a sociedade deve levar em conta que o que é bom para uns pode não ser o melhor para o conjunto da sociedade. Esta tradição esquerdista de ganhar no grito precisa acabar. Assim, os cidadãos devem assumir responsabilidades com elevado grau de maturidade.

O empoderamento, assim, não significa o direito de arrogar-ser privilégios e deve levar em conta o bem comum. A amplitude do empoderamento começa com o conhecimento da realidade e com a discussão sensata das soluções.

Tem a ver, ainda, com a disposição com que os membros de uma comunidade assumem sua parcela de poder e como agem utilizando o bom senso, segundo o princípio clássico do “In medio stat virtus”, que significa que a “virtude está no meio”.

Segundo Aristóteles, a virtude é a ponderação entre os pontos positivos e negativos de uma escolha. Chegar a este ponto de equilíbrio é prova de civilização.

Alcançar o bem comum não deve ser uma batalha entre pontos de vista antagônicos, mas um compromisso em face do momento e das circunstâncias. A liberdade de uns termina onde começa a liberdade dos outros. O importante é ter em conta que um compromisso de equilíbrio não é algo estático. Qualquer compromisso pode evoluir e ser reavaliado e renegociados quando as circunstâncias mudarem. Portanto, a noção de “conquistas” e “direitos adquiridos” não podem existir contra o interesse do bem comum. Ou seja, não podem existir “privilégios adquiridos” contra o povo, que sempre ficaria com a obrigação de pagar as contas e assumir o polo perdedor.

Para poder atuar como poder moderador, os cidadãos devem legitimar-se pelo equilíbrio, desempenhando suas responsabilidades cívicas segundo o princípio da equidade, condição essencial para a paz social.

2 – A Proatividade

A Proatividade é a atitude sistemática de agir sobre as causas presentes de forma a obter, no futuro, o melhor resultado possível. Ser proativo é assumir o controle, é buscar soluções, é tomar a iniciativa. A vida é um processo e, como tal, ela não se defende. Ela se vinga.

A Proatividade é um complemento necessário do Empoderamento. Sem Proatividade, o Empoderamento nada ajuda, já que fica à reboque dos fatos.

O Empoderamento é o poder de agir. Você quer encontrar uma oportunidade de negócios? Se autoempregar? Juntar-se com colegas e amigos para empreenderem no mundo digital? A internet está de portas abertas. Milhões de pessoas hoje vendem seus serviços na internet. De fotografias a ilustrações, passando por tradução, acabamentos, projetos, diagnósticos e muitos outros. Não é raro ver-se a triangulação internacional de conhecimentos para produzir conhecimentos, aplicativos e sites.

A Proatividade é usar este poder com a atitude de buscar oportunidades, encontrar seu nicho e construir o futuro, tomando a iniciativa, agindo coletivamente e com determinação.

3 – A Transparência

A Transparência é um pré-requisito para os dois componentes citados. Sem transparência qualquer exercício de escolha e decisão significa um voo cego. A crise atual nos mostra que esconder indicadores, manipular resultados e abusar das pedaladas nos leva à voar em “nuvens com caroço”.

No Brasil, o melhor testemunho da importância da transparência veio de um fonte inesperada: do tesoureiro do PT, Delubio Soares, quando disse que “transparência assim é burrice”. Felizmente o que não é bom para o Delúbio é bom para o Brasil.

A transparência é um direito do cidadão, que precisa saber o que estão fazendo com sua vida. Segredos, sigilos e secretices estão ultrapassados. Além do que, no mundo online, o povo não é mais o marido traído da piada: os segredos afloram e o povo fica sabendo de tudo rapidinho.

O Brasil tem jeito e o jeito é digital

Ceska – O digitaleiro


 

A Quarta Revolução Industrial

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Klaus Schwab – Discurso de Abertura do Fórum Econômico Mundial – Dia 20 de janeiro de 2016 (Imagem capturada do vídeo do site oficial)

O tema da Quarta Revolução Industrial esteve no centro do debate do Forum Econômico Mundial, realizado de 20 a 23 de janeiro de 2016, em Davos, na Suíça.

Visando facilitar o entendimento do que vem a ser a “Quarta Revolução Industrial” (RI 4.0), segue a tradução do artigo de Klaus Schwab – Fundador e Diretor Executivo (Executive Chairman) do Fórum Econômico Mundial. (Para quem deseja ler no original, ver links no final da tradução).

(Publicado originalmente na Revista Foreign Affairs de 12 de Dezembro de 2015)


A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

O que Significa e Como Responder 

Nós estamos às vésperas de uma revolução tecnológica que vai mudar fundamentalmente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros. Em escala, escopo e complexidade, as transformações serão diferentes de qualquer coisa que a humanidade tenha experimentado antes. Nós não sabemos ainda como ela irá se desenrolar, mas uma coisa é clara: as respostas a esta nova era devem ser abrangentes e integradas, envolvendo todos os agentes interessados (“stakeholders”) das políticas globais, do público, dos setores privados à academia e a sociedade civil.

A Primeira Revolução Industrial usava água e a força do vapor para mecanizar a produção. A segunda RI usava o poder da eletricidade para criar a produção em massa. A terceira RI, a revolução digital, usava a tecnologia da informação para automatizar a produção. Agora a quarta Revolução Industrial está se desenvolvendo à partir da terceira, que vem ocorrendo desde os meados do século passado, e se caracteriza pela fusão de tecnologias que estão esmaecendo as fronteiras entre as esferas física, biológica e digital.

Existem três razões pelas quais as transformações de hoje não representam um mero prolongamento da Terceira Revolução Industrial, mas antes a chegada de uma Quarta Revolução bem diferente em aspectos como: velocidade, escopo (abrangência) e o impacto dos sistemas. A velocidade das inovações não tem precedentes. Quando comparada com as prévias revoluções industriais, a Quarta está evoluindo a passos exponenciais e não lineares. Além disso, ela está desestruturando praticamente cada campo de atividades em cada país. A amplitude e a profundidade destas mudanças prenunciam a transformação de sistemas inteiros de produção, gestão e governança.

As possibilidades sem precedentes de bilhões de pessoas conectadas por meio de dispositivos móveis, com capacidade de processamento, memória e acesso ao conhecimento, são ilimitadas. E estas possibilidades serão multiplicadas pelo surgimento de novas tecnologias em campos como o da inteligência artificial, da robótica, da “Internet das Coisas”, veículos autônomos, Impressão 3-D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia e computação em “quantum”.

A “Inteligência Artificial” (IA) já está entre nós, desde carros que se auto-dirigem e drones a assistentes virtuais, softwares de tradução e investimento. Progressos impressionantes tem sido feitos em IA nos anos recentes, conduzidos pelo crescimento exponencial em poder de processamento e pela disponibilidade de vastas quantidades de dados, de softwares usados para descobrir novas drogas a algoritmos usados para predizer nossos interesses culturais. Tecnologias de produção digitais, neste meio tempo, estão interagindo com o mundo biológico em base diária. Engenheiros, designers e arquitetos estão combinando desenho computadorizado, manufatura “aditiva” (3-D), engenharia de materiais e biologia sintética para “pioneirar” a simbiose entre microrganismos, nossos corpos, os produtos que consumimos e, mesmo, os edifícios que habitamos.

  • Desafios e Oportunidades

Assim como as revoluções que a precederam, a Quarta Revolução Industrial tem potencial para elevar o nível da renda global e melhorar a qualidade de vida para as populações ao redor do mundo. Até agora, aqueles que tem ganho mais dela tem sido consumidores capazes de pagar e acessar o mundo digital; a tecnologia tem tornado possível novos produtos e serviços que aumentam a eficiência e o prazer de nossas vidas pessoais. Chamar um carro, reservar um voo, comprar um produto, fazer um pagamento, ouvir música, assistir um filme ou jogar um jogo – cada uma destas coisas pode ser feita remotamente.

No futuro, as inovações tecnológicas vão também nos levar ao milagre da “economia de oferta”, com ganhos de longo prazo em eficiência e produtividade. O custo dos transportes e da comunicação vão cair, cadeias de suprimentos globais e a logística se tornarão mais efetivas, fazendo o custo dos negócios diminuir, tudo isto contribuindo para abrir novos mercados em estimular o crescimento econômico.

Ao mesmo tempo, como apontaram os economistas Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, a Revolução pode produzir mais diferenças, particularmente por seu potencial em desestruturar mercados de trabalho. Assim como a automação substitui trabalho ao longo de toda a economia, a dispensa líquida de trabalhadores substituídos por máquinas pode exacerbar o fosso entre o retorno do capital e do trabalho. Por outro lado, é possível que o deslocamento de trabalhadores pela tecnologia venha, no somatório, resultar em crescimento de empregos mais bem pagos e saudáveis.

Nós não podemos antever, neste ponto, qual o cenário mais provável que vai emergir e a história sugere que será alguma coisa entre os dois. Todavia, estou convencido de uma coisa: que no futuro, talento, mais que capital, representará o fator crítico da produção. Isto irá promover o crescimento de um mercado de trabalho cada vez mais segregado entre segmentos de “baixo preparo/baixos salários” e “bem preparado/altos salários”, o que, por sua vez, irá levar a um crescimento das tensões sociais.

Além de ser uma preocupação econômica, a desigualdade social representa uma preocupação associada com a Quarta Revolução Industrial. Os maiores beneficiários da inovação tendem a ser os fornecedores e o capital intelectual e físico – os inovadores, acionistas e investidores – aspecto que explica a crescente diferença de prosperidade entre aqueles detentores do capital e dos que dependem do trabalho. A tecnologia é, assim, uma das principais razões de porque a renda tem estagnado, ou mesmo decrescido, para a maioria das populações dos países de alta renda: a demanda por trabalhadores altamente preparados tem aumentado, enquanto a demanda por trabalhadores com menos educação e baixo preparo tem decrescido. O resultado é um mercado de trabalho com forte demanda pelos extremos de alto e baixo nível e formando um vazio no meio.

Isto ajuda a explicar porque tantos trabalhadores estão desiludidos e temerosos que sua renda real, e aquela de seus filhos, venha a continuar estagnada. Isto também explica porque a classes médias, ao redor do mundo, estão experimentando um pervasivo sentimento de insatisfação e de injustiça. Uma economia em que “o ganhador leva tudo” e que oferece limitado acesso à classe média, é uma receita para um abandono e um mal-estar democrático.

O descontentamento pode também ser alimentado pela penetração das tecnologias digitais e pela dinâmica do compartilhamento da informação tipificado pelas mídias sociais. Mais de 30 por cento da população global agora usa a mídia social como plataforma para conectarem-se, aprenderem e compartilharem informação. Em um mundo ideal, estas interações proporcionariam um oportunidade para o entendimento e a coesão entre culturas. Todavia, elas podem também criar e propagar expectativas irrealistas sobre o que constitui sucesso para uma pessoa ou grupo, assim como oferecer oportunidades para o espraiamento de ideias e ideologias extremadas.

  • O impacto nos negócios

Um tema subjacente de minhas conversações com os mais experientes executivos de negócios e CEOs globais é que o aceleramento da inovação e a velocidade da desestruturação (disruption), são difíceis de compreender ou antecipar e estes movimentos constituem uma fonte de constante surpresa, mesmo para os mais bem informados e conectados. De fato, passando por todos setores, existe clara evidência de que as tecnologias que respaldam a Quarta Revolução Industrial estão tendo um grande impacto nos negócios.

Do lado da oferta, muitas industrias estão vendo a introdução de novas tecnologias que criam maneiras inteiramente novas de atender necessidades de mercados existentes e que destroem a atual cadeia de valor de industrias inteiras. A desestruturação também aflui de competidores inovadores e ágeis que, graças ao acesso à plataformas para a pesquisa, desenvolvimento, marketing, vendas e distribuição, podem mais rapidamente do que nunca circunscrever empresas tradicionais bem estabelecidas, melhorando a qualidade, a velocidade ou preço, oferecendo melhor relação custo-benefício.

Grandes mudanças do lado da demanda também estão ocorrendo, à medida que maior transparência, engajamento dos consumidores e novos comportamentos de consumo (crescentemente desenvolvido por meio do acesso a redes móveis e informações) tem forçado empresas a adaptar-se a novas maneiras de desenhar, comercializar entregar produtos e serviços.

Uma nova tendência chave é o desenvolvimento de plataformas de tecnologias capacitadoras (Technology-enabled Platforms) que combinam tanto a demanda, como a oferta, para desestruturar estruturas de negócios, como podemos ver na economia do compartilhamento (colaborativa) e da economia “on demand” (sob encomenda). Estas plataformas tecnológicas, fáceis de usar por meio de smartphones, reúnem pessoas, recursos e informações – desta forma criando formas inteiramente novas de consumir bens e serviços no processo. Adicionalmente, baixam as barreiras de entrada para mais empresas e pessoas criarem riqueza, alterando o ambiente pessoal e profissional dos trabalhadores. Estas novas plataformas de negócio estão se multiplicando rapidamente em muitos novos serviços, indo de lavanderias a compras, de pequenas tarefas a estacionamentos, de massagens à viagens.

No conjunto, a Quarta Revolução Industrial produz quatro efeitos principais nos negócios: na expectativa dos consumidores, na melhoria dos produtos, na inovação colaborativa e no formato das organizações. Quer sejam consumidores ou empresas, clientes são cada vez mais o epicentro da economia, o que significa melhorar o modo como os clientes são atendidos. Produtos tangíveis e serviços, além disto, podem agora ser melhorados com funções digitais que aumentam seu valor. Novas tecnologias fazem os bens mais duráveis e resilientes, enquanto informações e análises estão transformando a forma como são mantidos. Um mundo de experiências de consumidores, dados de serviços e desempenho das estruturas, por meio de análises, neste meio tempo, requerem novas formas de colaboração, particularmente considerando a velocidade pela qual a inovação e a desestruturação vem ocorrendo. E a emergência de plataformas globais e outros modelos de negócios, finalmente, significam que talento, cultura e formas organizacionais precisarão ser repensadas.

No geral, a mudança inexorável da simples digitalização (a terceira Revolução Industrial) para a inovação baseada na combinação de tecnologias (a quarta Revolução Industrial) está forçando empresas a reexaminar a maneira como fazem negócios. O resultado final, entretanto, é o mesmo: líderes de negócios e executivos sênior precisam entender seu ambiente em mutação, questionar as certezas de suas equipes operacionais e continuamente, incansavelmente, inovar.

  • O Impacto nos Governos

À medida que os mundos físico, digital e biológico continuarem a convergir, novas tecnologias e plataformas irão crescentemente capacitar os cidadãos a engajarem-se com os governos, fazer ouvir sua voz, coordenar seus esforços e mesmo circunscreverem a supervisão das autoridades públicas. Simultaneamente, os governos ganharão novos meios tecnológicos para ampliar o controle sobre suas populações, baseados na supervisão pervasiva e na habilidade de controlar a infraestrutura digital. Na somatória, todavia, os governos irão sofrer crescente pressão para mudar sua atitude em relação à participação pública e à definição de políticas, à medida que diminui seu papel central como condutor das políticas públicas em razão das novas fontes de descentralização e distribuição de poder tornadas possíveis com as novas tecnologias e com as quais que terão que competir.

Em última análise, a capacidade dos sistemas de governo e das autoridade públicas em adaptar-se irá determinar sua sobrevivência. Se se provarem capazes de abraçar um mundo de mudanças disruptivas, submetendo suas estruturas aos níveis de transparência e eficiência que as capacitem a manter uma margem competitiva, elas permanecerão. Se não forem capazes de evoluir, elas enfrentarão problemas crescentes.

Isto será particularmente verdadeiro na questão da regulação. Os atuais Sistemas de políticas públicas e tomadas de decisão evoluíram durante a Segunda Revolução Industrial, um período durante o qual os tomadores de decisão tinham tempo para estudar as questões específicas e desenvolver o contexto apropriado para as respostas necessárias. Todo o processo foi desenvolvido para ser linear e mecanicista, seguindo uma abordagem de cima para baixo.

Mas esta abordagem não é mais viável. Dada a amplitude dos impactos e a velocidade das mudanças da Quarta Revolução Industrial, a maior parte dos legisladores e burocratas não conseguirão responder aos desafios sem precedentes que terão de enfrentar.

Como, então, eles poderão preservar o interesse da maioria dos consumidores e do público, enquanto continuam a apoiar o desenvolvimento tecnológico e a inovação? Adotando uma governança ágil, assim como o setor privado tem crescentemente adotado, ao dar respostas rápidas para o desenvolvimento de software e, de forma generalizada, para as operações de negócios. Isto significa que os reguladores devem adaptar-se continuamente a ambientes novos e em rápida mutação, reinventando a si próprios de maneira que possam, verdadeiramente, entender o que é que estão regulando. Para fazerem isto, os governos e as agências reguladoras vão precisar colaborar intimamente com as empresas e com a sociedade civil.

A Quarta Revolução Industrial também vai impactar profundamente a natureza da segurança nacional e internacional, afetando tanto a probabilidade como a natureza do conflito. A história das guerras e da segurança internacional é a história das inovações tecnológicas e hoje não será exceção. Conflitos modernos envolvendo nações estão crescentemente se tornando de natureza “híbrida”, combinando técnicas tradicionais dos campos de batalha com elementos previamente associados com atores não nacionais. A distinção entre guerra e paz, combatente e não combatente, e mesmo violência e não violência (pense em “guerra cibernética”), está se tornando cada vez mais difusa.

Assim que este processo se consolidar e nova tecnologias, tais como as armas autônomas e biológicas, se tornarem mais fáceis de usar, indivíduos e pequenos grupos vão crescentemente juntar-se a estados para se tornarem capazes de causar danos em massa. Esta nova vulnerabilidade vai conduzir a novos temores. Mas, ao mesmo tempo, avanços tecnológicos vão criar o potencial para reduzir a escala ou o impacto da violência, por meio de novos modos de proteção, por exemplo, ou maior precisão nos alvos.

  • O Impacto no povo

A Quarta Revolução Industrial, finalmente, irá mudar não só o que nós fazemos mas o que nós somos. Ele irá afetar nossa identidade e todos os aspectos a ela ligados: nosso senso de privacidade, nossa noção de propriedade, nossos padrões de consumo, o tempo que nós devotamos ao trabalho e ao lazer, como desenvolvemos nossas carreiras, cultivamos nossas habilidades, encontramos pessoas e cultivamos relacionamentos, Já está mudando nossa saúde e conduzindo a um autoconhecimento melhor “quantificado” e, mais cedo do que pensamos, pode conduzir a uma elevação humana. A lista não tem fim porque só é limitada por nossa imaginação.

Eu sou um grande entusiasta, e sou rápido na adoção de novas tecnologias, mas, as vezes, eu fico me perguntando se a inexorável integração da tecnologia em nossas vidas pode diminuir algumas de nossas capacidades humanas fundamentais, como a compaixão e a cooperação. Nosso relacionamento com nossos smartphones é um caso a considerar. Conexão constante pode nos privar de uma das coisas mais importantes da vida: o tempo para a pausa, para a reflexão e para conversas sem compromissos.

Um dos grandes desafios colocados pelas novas tecnologias de informação é a privacidade. Nós, instintivamente, entendemos porque é tão essencial, mas o rastreamento e o compartilhamento de informações a nosso respeito é uma parte crucial da nova conectividade. O debate a respeito de questões fundamentais, como em relação ao impacto sobre nossas vidas íntimas e sobre a perda de controle sobre nossos dados pessoais irá crescer de intensidade nos anos à frente. De forma similar, as revoluções que estão tendo lugar na biotecnologia e na “Inteligência Artificial”, e que estão redefinindo o que significa “ser humano” ao deslocar as fronteiras da expectativa de vida, saúde, conhecimento e capacidades, irão nos compelir a redefinir nossa moral e limites éticos.

Nem a tecnologia, nem desestruturação que vem com ela, é uma força exógena sobre a qual os humanos não tenham controle. Todos somos responsáveis por guiarmos sua evolução, nas decisões que tomamos diariamente como cidadãos, consumidores e investidores. Nós devemos, assim, agarrar a oportunidade e o poder que dispomos para dar forma à Quarta Revolução Industrial e dirigi-la no rumo de um futuro que reflita nossos valores e objetivos comuns.

Para fazer isto, contudo, precisamos desenvolver uma visão abrangente e globalmente compartilhada de como a tecnologia está afetando nossas vidas e remodelando nossa economia e os ambientes social, cultural e humano. Nunca houve um tempo mais promissor, nem um tempo com maior perigo potencial. Todavia, os tomadores de decisão contemporâneos estão muito frequentemente presos no pensamento linear, ou demasiadamente absorvidos pelas múltiplas crises que demandam sua atenção, para pensar estrategicamente sobre as forças da inovação, ou da desagregação, que estão moldando nosso futuro.

No final, tudo vai depender das pessoas e de seus valores. Nós precisamos dar forma a um futuro adequado para todos nós, colocando as pessoas primeiro e lhes dando poder. Em uma visão mais pessimista, ou desumanizada, a Quarta Revolução Industrial pode ter, de fato, potencial para “robotizar” a humanidade e, desta forma, nos despojar de nosso coração e de nossa alma. Mas como um complemento do que existe de melhor na natureza humana – criatividade, empatia e engenhosidade – ela pode também elevar a humanidade a uma nova consciência moral coletiva, baseada num senso de destino compartilhado. Cabe a todos nós fazer com que esta opção prevaleça.


Tradução: Celso Skrabe (Ceska)

Artigo de Klaus Schwab – Fundador e Diretor Executivo (Executive Chairman) do Forum Econômico Mundial.

Publicado originalmente na Revista Foreign Affairs de 12 de Dezembro de 201