Se queixar não é uma estratégia

Queixar
“O que devemos fazer é sempre nos inclinarmos para o futuro. Quando o mundo muda ao seu redor ou quando muda contra você o que costumava ser um vento de cauda – à seu favor – passa a ser um vento de proa. Então você precisa reconhecer isso e descobrir o que fazer, porque se queixar não é uma estratégia.”
Jeff Bezos – Fundador da Amazon.com

Existem dois tipos fundamentais de “Inovação”

  1. Evolucionária e
  2. Disruptiva

Tipo Um – Evolucionária

Esta é uma inovação que adiciona algum atributo ou característica a algo pré-existente.

  • Evolutiva – Melhora algum aspecto de algo existente. Por exemplo, aperfeiçoa um dado dispositivo constitucional ou modifica para melhor uma lei, uma norma, um procedimento.

Exemplo: A Lei Complementar 131/2009 – a chamada lei da Transparência, que altera a redação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O texto inova e determina que sejam disponíveis, em tempo real, informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É um bom passo, mas não tem o condão de mudar a natureza do Estado.

– Revolucionária – Inovação radical ou inesperada. Muda muitos aspectos dos processos em uso, mas que não afeta o contexto existente.

Exemplo: Lei da Ficha Limpa ou Lei Complementar nº. 135 de 2010, que torna inelegível por oito anos candidato que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou tenha sido condenado por decisão de órgão colegiado, que seja composto por mais de um juiz, mesmo que ainda exista a possibilidade de recurso. Esta lei foi pensada para “depurar” o processo eleitoral, mas ainda altera muito pouco sistema atual.

Tipo Dois – Inovação disruptiva

Este conceito foi proposto inicialmente por Clayton Christensen, Professor na Harvard Business School, em seu livro “O Inovador Disruptivo”.

O que Christensen trouxe como novidade é a consciência de que existem maneiras diferentes de se trocar de tecnologia. Alguns avanços tecnooógicos são passos em um mesmo caminho, enquanto outros são como saltos para outro mundo: rompem com todas as noções e regras pré-existentes.

Sendo o homem o ser inquieto, perscrutador e ambicioso que é, novos conhecimentos são incorporados a cada dia e novas soluções permitem uma evolução constante. Um aspecto relevante é que o conhecimento nos diversos campos evoluem em paralelo, mas recebem influências cruzadas todo o tempo.

Quando estes conhecimentos cruzados maturam, novas combinações permitem saltos evolutivos radicais, que “rompem” com modelos baseados em crenças do passado.

Assim, possibilidades que eram limitadas pelo nível de conhecimentos anteriormente disponíveis subitamente se transformam em “invenções” ou “descobertas” transformadoras, ou seja, “disruptivas”.

Embora pudéssemos listar milhares de exemplos contemporâneos, é óbvio que a evolução do conhecimento e os saltos disruptivos ocorrem desde que o homem aprendeu a aprender.

E a inovação disruptiva é uma conquista no campo do saber que se incorpora ao repertório de conhecimentos humanos disponíveis para mudar a vida e o destino do homem. Exemplos clássicos são o uso do fogo e a descoberta da roda.

Outro exemplo de inovação disruptiva, neste caso uma que teve impacto decisivo em nossa história, foi a descoberta da chamada “vela latina” e sua adoção no velame das caravelas portuguesas.

Embora a “vela latina” já fosse conhecida desde os gregos, foi sua adoção nas caravelas e, mas tarde nas naus portugueses, que possibilitou os grande descobrimentos.

Os navios à vela anteriores às grandes descobertas usavam velames retangulares que aproveitavam com eficiência a força dos ventos. Mas que só funcionavam bem na navegação “empopada”, quando o vento sopra da popa para a proa, ou seja, alinhado com a rota do destino.

Cerca de 1420 da nossa era, então, as “velas latinas” foram introduzidas nas caravelas. A vela latina, que apareceu no mundo árabe cerca de 200 a.C., era uma vela triangular que permitia “navegar à bolina”, ou seja, navegar contra o vento. O avanço se dava em um tipo de zig-zag, com a vela posicionada em um ângulo de 45º com o mastro. Mudando de lado, em intervalos regulares, possibilitava o aproveitamento dos ventos laterais e de popa. Este tipo de vela possibilitou ao homem, pela primeira vez, navegar com precisão para um destino pré-estabelecido.

contituiçõ da caravela
A “vela latina” permitiu à Portugal uma vantagem estratégica na descoberta e exploração do novo mundo.

O uso crescente da vela latina permitiu a exploração na costa africana, seguida de trajetos mais longos, como é o caso das viagens para a Índia. Sem a vela latina os navegadores portugueses estariam condenados à imobilidade e à amargura da irrelevância. Um destino que será o nosso se não rompermos com a mediocridade que nos envolve e imobiliza.

Esta mesma situação se apresenta ao Brasil do século XXI: precisamos navegar contra o vento para superar a crise e as dificuldades que temos pela frente.

Neste contexto que enfrentamos, a tecnologia digital pode ser nossa vela latina. A vela que nos vai permitir navegar à bolina contra a crise. Que vai permitir Introduzir um novo conjunto de soluções e remodelar o sistema organizacional do país.

Ceska – O digitaleiro


 

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