
A dinâmica endógena da crise
O Brasil está em meio a mais uma crise desnecessária. Certo, as crises fazem parte da vida, mas essa crise aí, feita de enfrentamento quixotesco aos Estados Unidos, é daquelas caras, tolas e estapafúrdias. Até parece masoquismo, mas o Brasil gosta tanto de uma crise que não perde oportunidade de conseguir uma depois da outra.
Na Grécia clássica os filósofos, sempre interessados em explicar os acontecimentos do mundo a partir da racionalidade, procuraram decifrar a natureza das crises. Dividiam, então, as crises em dois grupos: as crises benignas, que eles chamaram de “sinkrisis” e as malignas, que denominaram como “dekrisis”. As denominadas “síncrises” seriam aquelas que surgem esporadicamente e logo são administradas, tem suas causas são resolvidas e tendem a terminar bem. Já as “décrises”, as malignas, essa eram temidas porque podiam levar ao caos e ao rompimento da normalidade. Ao fugirem do controle podiam escalar e levar a consequências catastróficas.
Toda crise pressupõe um desarranjo funcional. Quando ocorre uma ruptura no equilíbrio das forças que atuam no interior de um organismo ou uma instituição e se rompe o equilíbrio de pesos e contrapesos que mantém o status quo, o resultado é uma “crise”. Quando os atores do organismo afetado querem evitar o caos, eventualidade que a todos prejudica, buscam entender-se e coordenar esforços para articular um rearranjo aceitável para todos. Quase sempre o resultado é que a crise venha a se dissipar e logo a normalidade recoloca a vida nos trilhos.
Entretanto, se a ruptura da normalidade se dá por provocação intencional e recíproca, a crise se complica. Quando as hostilidades são irreconciliáveis e os contendores apostam na escalada das desavenças, a crise tende a entrar numa perigosa espiral desagregadora. Se atinge um ponto de não retorno a reconciliação se tona impossível e, não raro, descamba para a guerra aberta. E, como a corda sempre rebenta no lado mais fraco, dá para saber desde logo quem vai arcar com as consequências. Nesta crise do Brasil com os Estados Unidos, óbvio, será o povo brasileiro.
Infelizmente não dá para esperar comedimento do presidente Lula. Esse morubixaba de plantão é criatura tosca, cujos parcos saberes não parecem incluir os filósofos clássicos. Daí se pode concluir que desconhece suas lições da história e, assim, não vê o ridículo da sua aposta no Brics e, ainda mais, na sua ilusão megalomaníaca de que vai espantar o Trump fazendo cara feia para o presidente americano.
Até a Janja há de saber que o Brics não tem “massa crítica” para enfrentar os Estados Unidos. Algo que a China e a Índia, por seu lado, sabem e muito bem, tanto que já trataram de buscar entendimentos com o presidente Trump. Enquanto isso, Lula, o ignaro, vai ficar sozinho pendurado no pincel. E nós? E o Brasil varonil? Ora, amigos, está mais que evidente que ao país vai caber pagar o pato.
Aliás, sob a ótica do Brasil, o Brics não é mais que uma fornalha incandescente jorrando crises quentes e prejuízos indecentes. Até acredito, cá entre nós, que os filósofos gregos nos olhariam comiserados. Como pode o Brasil, um país com tanto potencial e tanta gente boa, se meter numa crise tão sem pé nem cabeça?
Aos brasileiros resta esperar que Deus se lembre que também é brasileiro e ajude o país a se livrar de líderes tão medíocres e apalermados como esses que temos, chefiados por esse presidente espantalho que agora deu de usar chapéu de espantar passarinho.