Brasil 4.0

O projeto da Saída Digital pelo caminho da Quarta Revolução Industrial

Dez razões para acreditar que a Dilma cai logo

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Chega de sofrer. Aqui estão 10 razões que indicam que o impeachment vem logo.

O arte de prever o futuro é sempre incerta. Tanto que a previsão que mais acerta parece ser aquela que prevê que as previsões do futuro se mostrarão erradas. Ainda assim, a melhor maneira de prever o futuro é examinar os fatos e analisar as tendências.

Os médicos falam em “prognóstico” para definir a evolução e o eventual termo de uma doença ou quadro clínico.

Para definir um prognóstico, os médicos fazem o diagnóstico do estado do paciente, de suas condições gerais e levam em conta o desfecho de casos semelhantes.

No caso dos males que afligem o Brasil, que além do zika tem a Dilma, podemos adaptar o slogan do governo: tira a Dilma que a zika acaba.

Eis dez razões que sugerem sua queda iminente:

  1. Dilma é a enxaqueca do país. A crise profunda em que o país está mergulhado afeta todos os setores e vem atingindo a todos, indistintamente. E existe consenso sobre a causa maior, a incompetência da presidente Dilma. Dilma se tornou a enxaqueca do país. E ninguém aguenta mais suportar esta enxaqueca. Só em imaginar mais três anos com a cabeça latejando vem levando os brasileiros ao desespero. Portanto, a primeira causa para o impeachment é o desejo unanime da sociedade de livrar-se de uma enxaqueca alucinante que só irá embora quando for eliminada sua causa.
  2. Economia em marcha a ré. Dilma é uma “barbeira” na condução da economia. Nunca antes, neste malfadado país, a economia andou para trás tão rápido. Hoje, dia 07 de março, o site G1, da Globo, informou que o mercado prevê mais inflação em 2016 e ‘encolhimento’ de 3,5% para o PIB. A expectativa de inflação para este ano subiu de 7,57% para 7,59%. Já para o PIB, a previsão de contração passou de menos 3,45% para menos 3,50%. Francamente, os números são “golpistas”. Deve ser coisa de algum tinhoso tucano. Estas estimativas foram divulgadas pelo Banco Central, por meio do relatório de mercado, também conhecido como “FOCUS”. O levantamento ouviu mais de 100 instituições financeiras. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB brasileiro teve um tombo de 3,8% em 2015 – o maior em 25 anos. Se a previsão de um novo “encolhimento” se confirmar em 2016, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.
  3. O fim da era do PT e do lulopetismo deixa Dilma no sereno. O PT acabou. Só um grupo velho e ranzinza ainda acredita que o partido possa voltar como a Phoenix. Mas as chances são de que se esvaia como zumbi trôpego. No início da era lulopetista, o partido tinia de novo. Havia entusiasmo, sonhos e esperanças, ainda que soltas no ar. Para um liberal, como eu, os petistas viviam a ilusão do almoço grátis e apostavam num milagre de Santo Expedito, o santo das causas impossíveis. Mas. diante de uma oposição meia-boca, suas juras de honestidade e suas generosas promessas de abrir as portas da prosperidade para os milhões de brasileiros deserdados formaram o caldo do discurso da esperança que vencia o medo. Num primeiro momento, parecia que iria dar certo. Lula teve o bom senso de manter a política econômica herdada de Fernando Henrique e, com dinheiro jorrando de um mundo demandando as comodities brasileiras, foi possível ao PT se apossar de programas sociais criados FHC, como o bolsa escola, e alargar o caminho das políticas sociais. Gastando sem controle, contando com um marketing competente e um líder carismático bom de discurso, o lulopetismo criou um sólido suporte junto às classes C, D e E. Classes que, de repente, viam suas vidas melhorarem. E foi aí, com a ambição do poder eterno, que o lulopetismo resolveu vender a alma ao diabo. O plano de perpetuar-se no poder dependia de acertar o esquema com os “russos”. E estes, os políticos da tal “base partidária”, topavam, mas queriam rios de dinheiro. Para gente inescrupulosa como José Dirceu, Lula e sua troupe de salteadores, a solução parecia óbvia: dinheiro o país tinha. A Petrobrás era um Amazonas de dinheiro. Na estatal havia dinheiro saindo pelo ladrão. Era só montar um propinoduto e canalizar bilhões para as contas dos novos aliados da base para assegurar que o poder estaria “dominado” até o fim dos tempos. Deu tudo errado. Como sabemos, o esquema começou a fazer água. E bota água nisso. Com revelações de corrupção pipocando de todo lado, o PT começou a ser desfalcado de seus principais “operadores”. José Dirceu e outros da gang começaram a ser presos e a desfalcar a gestão. E aí veio a lava-jato. A ética do sul, de origem europeia, aflorou por meio de uma Polícia Federal, um Ministério Público e um Judiciário que acreditam no império da lei e são avessos às acomodações de matriz patrimonialista dos tempos coloniais. Em meio à esbórnia, a Petrobrás bateu num Moro. Degringolando e com as entranhas da patifaria à mostra, os ratos começaram pular fora. Com o propinoduto cortado e com o risco da cadeia à vista, a base aliada vem se esfacelando. O clima, agora, o do salve-se quem puder. Desmoralizado, sem povo e sem voto, o ciclo do PT chega ao fim.
  4. Navegar é preciso. Mas prolongar a agonia não é preciso. O modelo presidencialista dá poder demais ao presidente e o voto proporcional distancia o povo de seus “representantes”. O modelo foi criado para ser uma usina de corrupção e não se mostra mais funcional. O impeachment de Dilma é uma oportunidade para um novo recomeço. Quem sabe agora, com o povo cansado de ser trouxa, possamos ir no rumo do regime dos estados mais avançados e adotar o parlamentarismo com voto distrital.
  5. Crise de março. A história brasileira mostra que as grandes crises acontecem em Março ou Agosto. Como tudo no Brasil, o mundo da política volta de férias depois do carnaval. Os políticos delineiam suas decisões baseados no feedback que recebem de suas bases e, quando voltam, começam a articular-se conforme o sentimento de seus eleitores. Em um ano eleitoral, a urgência e a pressão são maiores. O futuro dos políticos é decidido nas eleições. Nas disputas municipais os políticos precisam formar suas bases locais. Delas é que devem vir o apoio e os votos para as eleições nacionais. Esse ano, para azar da Dilma, o carnaval foi no começo de fevereiro, em ano bissexto. Não só março começou mais cedo como ficou maior. O processo de deterioração vai ter mais tempo para mostrar seus efeitos. Aí vem a manifestação geral contra o impeachment, dia 13. E novos desdobramentos no Lava Jato vão ampliar o buraco em que se enfiou o governo.
  6. Olimpíadas da Zika. As Olimpíadas se aproximam e o país vai sentir a necessidade de se apresentar em ordem perante o mundo. Marcar a copa e as Olimpíadas foi de uma temeridade que só a inconsequência lulopetista poderia justificar. Mas como o evento está às portas, é preciso um mínimo de bom senso. Chegar com uma presidente em processo de impeachment, com a corrupção fazendo escândalos diários, com o país encurralado por um mosquito e outras coisas mais, realmente é dose.
  7. Que enfiem no c#.” As ameaças de exacerbação da ordem por parte dos lulopetistas vem deixando claro que o país se encaminha para o confronto, a confusão e o caos. O quadro político pode se deteriorar de forma a escapar do controle e os políticos podem ser levados de roldão. Lula não deixa barato: “Que enfiem no c… todo o processo!”, foi o que disse Lula a Dilma em vídeo feito por sua aliada Jandira Feghali e gravado na sede do PT após a condição coercitiva do ex-presidente e postado no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=HcIjceETqiU) Diante destes fatos, os políticos vão por as barbas de molho e preferir perder os anéis para salvar os dedos.
  8. Dilma está pendurada no pincel. Até o empresariado e os banqueiros, forças que vinham tentando segurar a escada de Dilma, já estão desistindo. A tese era “ruim com ela, pior sem ela”. Agora, concluem que não adianta querer ajudar quem não que ser ajudada. A combinação de arrogância, ignorância e incompetência tem um poder destrutivo ilimitado e pode levar o país a um retrocesso desastroso.
  9. As ruas estão falando. Os panelaços estão cada vez mais estridentes. É melhor ouvir.
  10. O Impeachment é legal. Os embasamentos legais apresentados no processo de impeachment, por parte dos juristas Miguel Reale Junior, Hélio Bicudo e Janaína Conceição Paschoal, adicionados à delação premiada do Senador Delcídio do Amaral, são inescapáveis.

Por tudo isto, prever que a Dilma cai logo é como prever vitória do Corinthians. Você pode errar em um ou outro jogo, mas no final, vais acertar mais do que errar.

Ceska – O digitaleiro


 

O Brasil, Dom Pedro II, Mr. Bell e o telefone

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Dom Pedro II teve papel vital na divulgação do telefone. Na ilustração, o imperador toma contato com o invento e exclama: “Meu Deus, isto fala”.

O avanço tecnológico necessário para o Brasil ingressar de forma efetiva na era da Quarta Revolução Industrial exige saltar por sobre etapas que outras nações levaram décadas para percorrer. Mas não obstante o tamanho do desafio, o Brasil dispõe de massa crítica material e humana para aceitar o repto.

A bem da verdade, é preciso reconhecer que o Brasil não tem um histórico de relacionamento muito amigável com as ciências, a tecnologia e a inovação. O conflito parece ser mais com as ciências exatas, a lógica e a matemática. Para a grande maioria da população brasileira, a matemática é uma ciência estranha e hermética. Há mais gente que acredita em um despacho na encruzilhada do que nas virtudes da matemática aplicada. Somos um país que ainda crê em magia, na geração espontânea e no milagre dos efeitos sem causa.

O resultado prático desta suspicácia generalizada a tudo o que sejam números, que afronta, impávida, os axiomas de Euclides, notadamente aquele da inexorável ditadura da divisão das partes,  – “o todo é maior do que as partes” – permite que o imaginário popular acredite ser possível ir aumentando as partes indefinidamente, mesmo que o todo permaneça inalterado. No caso do orçamento nacional, por exemplo, existe uma crença difusa, perdida no ar, de que o governo cria dinheiro e pode, destarte, gastar tanto quanto queira.

Podia parecer axiomático, para os gregos clássicos, que a soma das partes não pode ser maior do que o todo, mas os políticos tupiniquins de perfil demagógico, com forte representação no Congresso Brasileiro, não acreditam nisto e tem fixação por um orçamento percentualizado. E não dão importância se os percentuais, eventualmente, ultrapassam os 100%. Desfazer o nó será um problema do Ministro da Fazenda. Claro que esta jabuticaba orçamentária, além de engessar o orçamento da república, cria dificuldades de toda a ordem e é um desestímulo a melhoria do desempenho do poder público.

Uma das causas para o desapreço que temos com as exatas é que exigem um esforço de concentração intelectual pouco compatível com o ziriguidum. Nossa especialidade são as festas e alegorias. Talvez porque o trabalho no Brasil tenha sido uma atividade braçal dos escravos e nossas elites de época faziam questão de vestir ternos de branquíssimo linho 120 para demonstrar desapreço por qualquer faina.

Um fator originário terá sido também o fato de que só tivemos nossa primeira universidade em 1920. Não tínhamos uma universidade aqui porque o governo não queria e não estudávamos porque não tínhamos uma universidade. Finalmente, já na segunda década do século XX, foi criada a Universidade do Rio de Janeiro, por meio de decreto do Presidente Epitácio Pessoa. Tratava-se mais de juntar as Faculdades de Medicina, Direito e Engenharia, mas foi o começo.

Entre as poucas iniciativas anteriores do período colonial estavam a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, de 1792, e a Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB), criada em 18 de fevereiro de 1808 por Dr. João VI.

Mesmo em um ambiente de pouco estímulo intelectual, tivemos alguns avanços nas áreas científica, tecnológica e de inovação. Mas muito pouco para país tão grande e muito aquém do necessário. Para fazermos o alinhamento com a Quarta Revolução Industrial será preciso, antes, convencer a sociedade de que precisamos avançar no preparo científico e tecnológico de nossas novas gerações. Que precisamos promover e reconhecer talentos. Que devemos estimular o empreendedorismo e facilitar a vida dos que desejam transformar o país.

Alguns bons exemplos resgatam nosso histórico no campo das invenções e inovações, mas também denunciam o pouco caso de nossas elites e dos nossos governantes.

Olhando em retrospecto, talvez a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889, tenha sido um dos maus momentos de nossa história, tanto do ponto de vista político como do avanço tecnológico. A Proclamação da República no Brasil foi um levante político-militar que, como acima, teve lugar em 15 de novembro de 1889 e depôs o imperador D. Pedro II e a monarquia constitucional parlamentarista. Em seu lugar instaurou a republica federativa presidencialista no Brasil. O modelo, mal copiado do regime vigente nos Estados Unidos, nunca funcionou a contento.

Que aquele foi um movimento infeliz, articulado por um grupo reduzido de conspiradores, prova a célebre e insuspeita constatação do jornalista republicano, Aristides Lobo, paraibano que defendia a república e que foi nomeado ministro do governo republicano provisório: “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada”.(1)

A Revista Veja, em sua Edição Especial que circulou em setembro de 1989 (e que, curiosamente, tinha na capa a data de 20 de novembro de 1889) apresenta a matéria histórica com um resumo:

“República é proclamada num piscar de Olhos.

Numa sexta-feira de muita confusão, pouquíssimo sangue e praticamente nenhuma participação popular, um punhado de militares rebelados se alia a políticos da oposição para encerrar abruptamente o quase cinqüentenário reinado de D. Pedro II. Sob o comando do marechal Deodoro da Fonseca, o Brasil entra numa nova era — a da República. O novo governo obriga o imperador deposto e sua família a embarcarem de madrugada rumo ao exílio”

A matéria da Revista Veja, possivelmente o melhor estudo publicado sobre aquele período conturbado da história brasileira, tem no cabeçalho a explicação: “A anarquia militar, a abolição radical e o centralismo derrubam o Império de supetão.”

Segundo o relato, “O Brasil acordou monarquista na sexta-feira passada (a matéria é redigida como se tivesse sido publicada em 20 de novembro de 1989) e foi dormir republicano. Jamais houve na História do país uma ruptura política tão inesperada. Na véspera, ninguém poderia prever que o reinado viria abaixo. Ao cair da tarde de quinta-feira, D. Pedro lI, 63 anos, fugindo do calor carioca, estava posto em sossego no palácio de Petrópolis, onde escreveu seu habitual soneto diário. No mesmo momento, o marechal Manoel Deodoro da Fonseca, 62 anos, encontrava-se em Andaraí, na casa de seu irmão, o oficial-médico João Severiano, tentando recuperar-se de um de seus habituais ataques de falta de ar. Menos de 48 horas depois, os detalhes eram semelhantes, mas as instituições estavam de pernas para o ar. D. Pedro lI, detido no palácio imperial do Rio de Janeiro, escrevia não um poema, mas, com a ajuda do barão de Loreto, a carta em que acatava a ordem de exilar-se: “Cedendo ao império das circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a Europa amanhã”. Na mesma hora, Deodoro ia para a cama, tão fortes eram os seus achaques. Mas, com falta de ar e de cama, era o chefe do governo provisório, o homem mais poderoso do pais.”

Os depostos imperador e a princesa Isabel eram figuras respeitadas e admiradas pelo povo, especialmente pela gente humilde, que em grande parte, apenas um ano antes, havia deixado de ser escrava.

O Partido Republicano – que era ostensivamente anti-monarquista – só havia eleito dois deputados nas eleições de agosto, três meses antes do movimento militar da proclamação da república, e nas ruas, eram escassas as simpatias que conseguia angariar.

E, no entanto, o Brasil “acordou imperial e dormiu republicano”.

A matéria da Revista Veja continuava: “Como, pelo menos até agora, não há indícios em qualquer canto do país de movimentos significativos de restauração monárquica. Caiu o Império praticamente sem sangue ou apenas com o sangue do Ministro da Marinha, José da Costa Azevedo, o barão de Ladário, 63 anos, ferido com dois tiros, um deles na região glútea. Caiu porque, ao longo dos últimos anos, a monarquia se embaralhou ao jogar com três problemas que de chofre lhe desabaram sobre a cabeça na sexta-feira, fazendo com que a coroa rolasse pelo chão. Os problemas que enredaram o Império foram a Abolição da Escravatura, o centralismo econômico-administrativo e a indisciplina militar.”

O que a matéria destaca é que, além do centralismo econômica-administrativo e uma indisciplina militar, resquício da Guerra do Paraguai, o fator decisivo para a Proclamação da República foi mesmo a abolição da escravatura. Em outras palavras, o Brasil perdeu um modelo de governo que tinha apoio popular e vinha dando certo, a monarquia com parlamentarismo, simplesmente por ter tido a “ousadia” de libertar os escravos. Todos os que ganhavam com a escravatura ficaram contra o governo. O pecado da Abolição seria ter “expropriado” os donos de escravos, que teriam perdido “suas propriedades” sem receber nada em troca.

A “insatisfação” dos donos de escravos, que reclamavam não ter recebido uma indenização “justa” pelos seres humanos que escravizavam, nos legou um governo republicano de segunda classe, com um presidencialismo patrimonialista desenhado para favorecer a corrupção.

Um aspecto relevante para a compreensão da importância do apoio dos ex-donos de escravos para o sucesso do movimento contra a monarquia é que, na capital do país, além da classe aristocrática e dos abastados proprietários que tinham escravos para as tarefas de suas propriedades, existiam ainda milhares de “donos” de escravos que viviam do aluguel de seus “cativos” que, com a abolição da escravatura, perderam seus escravos de renda e seu “negócio”.

Haviam dois tipos de escravos de renda: os “escravos de ganho”, um tipo de escravo que podia reter pequena parte do que recebia por seu trabalho e os “escravos de aluguel”, que eram alugados diretamente por seus “donos” ou por meio das muitas de agencias espalhadas na cidade. O que a monarquia deixou de levar em conta era que alugar escravos era um negócio altamente lucrativo na cidade do Rio de Janeiro.

Uma das atividades mais rentáveis para os donos de escravos era o seu uso no transporte de mercadorias. O que era feito com grandes fardos levados na cabeça. Como escreveu Debret, citado por Luís Carlos Soares em seu livro O “povo de cam” na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro”:

“Embora pareça estranho que neste século das luzes se depare ainda no Rio de Janeiro com o costume de transportar enormes fardos à cabeça dos carregadores negros, é indiscutível que a totalidade da população brasileira da cidade, acostumada a esse sistema que assegura a remuneração diária dos escravos empregados nos serviços de rua, se opõe à introdução de qualquer outro meio de transporte, como seja, por exemplo, o dos carros atrelados. Com efeito, a inovação comprometeria dentro de pouco tempo não somente os interesses dos proprietários de numerosos escravos, mas ainda a própria existência da maior classe da população, a do pequeno capitalista e das viúvas indigentes, cujos negros todas as noites trazem para casa os vinténs necessários muitas vezes à compra das provisões do dia seguinte. É esse meio de transporte, geralmente empregado, que enche as ruas da capital desses enxames de negros carregadores, cujas canções importunam frequentemente o estrangeiro pacato, entregue a ocupações sérias em suas lojas”.

Obviamente, os numerosos ex-proprietários de escravos, os agentes de aluguel e todos os que perderam suas fontes de renda com a libertação dos cativos se puseram contra a monarquia. Foram os tais “republicanos tardios”: monarquistas até a véspera da proclamação, converteram-se em republicanos no dia 15 de novembro de 1889. Mas, enquanto os ex-escravos ficaram inertes, ainda sem entender toda a extensão de sua recém adquirida liberdade, seus ex-proprietários estavam furiosos e eram suficientemente numerosos e articulados para fazerem diferença. Além disso, contaram com a “solidariedade” dos clientes e de parte importante da sociedade da época que via os negros como seres inferiores.

A propósito, não se pode esquecer que a burocracia da cidade do Rio de Janeiro também lucrava com o aluguel de escravos e tinha organizado este “negócio” com o refinamento que se poderia esperar dos burocratas brasileiros.

Luís Carlos Soares, em seu já citado livro “O “povo de cam” na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro”, nos dá conta de como os cofres municipais do Rio de Janeiro lucravam com o aluguel de seres humanos: Pelas leis da época “…era terminantemente proibido aos senhores colocarem seus escravos no ganho de rua sem a autorização expressa e licença da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Esta proibição, inclusive, era estipulada por uma postura municipal que estabelecia o recolhimento dos escravos infratores ao Depósito Público e o pagamento de uma multa pelos senhores desses cativos. Os senhores encaminhavam o seu pedido de licença à Câmara Municipal e efetuavam o pagamento de 1$000 réis relativos a cada cativo que desejassem pôr ao ganho. A licença concedida vigora apenas por um ano…Ao conceder a licença, a Câmara Municipal entregava aos senhores chapas numeradas com datas de validade. Chapas que os escravos deveriam sempre portar.”

Muitos ex-donos de escravos ainda vinham pressionando o governo monárquico por indenizações. Tanto que o abolicionista e monarquista Joaquim Nabuco dizia: “O Brasil não é bastante rico para apagar o seu crime”. Ou seja, ainda que a monarquia desejasse, não dispunha de recursos para pagar indenizações aos mais de 200.000 “donos” dos 700.000 escravos libertados no ano anterior. Com isso, a monarquia perdeu sua base de apoio mais sólida, a dos fazendeiros e donos de escravos, que se sentiram roubados. Com uma clarividência notável, João Maurício Wanderley, barão de Cotegipe, presidente do Conselho de Estado até dois meses antes da abolição, afirmou, depois da assinatura da Lei Áurea, que a princesa Isabel havia “libertado uma raça, mas perdido o trono”.

O Visconde de Ouro Preto, primeiro ministro deposto em 15 de novembro, tinha convicção de que o segundo reinado, sob liderança de Dom Pedro II, um humanista e um homem de cultura invulgar, havia sido um período positivo para o país.

Em seu livro “Advento da Ditadura Militar no Brasil”, (referia-se ao novo governo republicano) o Visconde escreveu:

“O Império não foi a ruína. Foi a conservação e o progresso. Durante meio século, manteve íntegro, tranquilo e unido território colossal. O império converteu um país atrasado e pouco populoso em grande e forte nacionalidade, primeira potência sul-americana, considerada e respeitada em todo o mundo civilizado. Aos esforços do Império, principalmente, devem três povos vizinhos o desaparecimento do despotismo mais cruel e aviltante. O Império aboliu de fato a pena de morte, extinguiu a escravidão, deu ao Brasil glórias imorredouras, paz interna, ordem, segurança e, mais que tudo, liberdade individual como não houve jamais em país algum. Quais as faltas ou crimes de dom Pedro II, que em quase cinquenta anos de reinado nunca perseguiu ninguém, nunca se lembrou de uma ingratidão, nunca vingou uma injúria, pronto sempre a perdoar, esquecer e beneficiar? Quais os erros praticados que o tornaram merecedor da deposição e exílio quando, velho e enfermo, mais devia contar com o respeito e a veneração de seus concidadãos? A república brasileira, como foi proclamada, é uma obra de iniquidade. A república se levantou sobre os broquéis da soldadesca amotinada, vem de uma origem criminosa, realizou-se por meio de um atentado sem precedentes na história e terá uma existência efêmera!

Quanto ao imperador, era homem culto, poliglota, cosmopolita e um entusiasta do progresso e das inovações. Um bom exemplo de seu entusiasmo pela inovação, que nem todos conhecem, é a história de como ele, ao visitar os Estados Unidos na qualidade de convidado especial do presidente Ulysses S. Grant para as comemorações do Centenário da Independência Americana, em 1876, ao visitar à Grande Exposição do Centenário, na Filadélfia, em 1876, ficou curioso com o invento de Alexander Graham Bell, um modesto professor de surdos mudos, e, tendo sido convidado a testar o aparelho exposto, exclamou, entre incrédulo e maravilhado: “Meu Deus, isto fala!”.

A exclamação teve grande repercussão, ganhou as manchetes dos jornais e foi decisiva para chamar a atenção do mundo para o telefone e para seu inventor.

A empolgação de Dom Pedro II não ficou só em sua surpresa inicial. O imperador, tomado de entusiasmo pela invenção, foi a primeira pessoa a comprar ações da companhia criada pelo inventor, a ” Bell Telephone Company”, fundada em 9 de julho de 1877 na cidade de Boston, Massachusetts.

A companhia, que mais tarde deu origem à American Telephone & Telegraph Company (AT&T), acabou por tornar-se a maior empresa telefônica do mundo. Foi também Dom Pedro II que adquiriu alguns dos primeiros telefones, aparelhos que foram instalados na residência de verão de Dom Pedro II, no Palácio de Petrópolis, a quarenta quilômetros do Rio de Janeiro. Com esta iniciativa, o Brasil foi o segundo país do mundo a ter telefones instalados em seu território.

Além disso, outra coisa que poucos sabem é que, até a visita de Dom Pedro II ao seu estande, praticamente ninguém tinha ouvido falar de Alexander Graham Bell. Na grande mostra seu pequeno estande passava desapercebido. Ninguém parecia interessado naquela engenhoca até a exclamação de nosso imperador.

Convém acrescentar, a esta altura, que o imperador brasileiro era o principal convidado estrangeiro e figura central dos festejos do primeiro Centenário da Independência Americana, tanto que, entre outras homenagens, teve a honra de ligar o gerador a vapor que fornecia eletricidade para a exposição.

O relato do episódio, por parte do próprio inventor, dá conta da importância de Dom Pedro II para a história do telefone:

“No domingo eu fui para a exposição. Haviam muitos aparelhos elétricos para serem demonstrados…e os pobres juízes eram conduzidos da cá para lá para ver uma coisa depois da outra, até o ponto de estarem prontos para desistir. Eu seguia os juízes em suas voltas, enquanto eles olhavam aparelho após aparelho. Finalmente, eles chegaram ao estande de Elisha Gray, que tinha um aparelho para transmitir tons musicais semelhante ao meu telégrafo múltiplo. Ele fez uma apresentação muito interessante. Fiquei atento porque eu seria o próximo, mas ele continuava e continuava, até que, quando finalmente terminou, o “chairman” da comissão dos juízes resolveu que eles adiariam as demais avaliações dos equipamentos elétricos para outro dia. Isto queria dizer que eles nunca veriam o meu telefone…Em razão dos compromissos de minha escola, eu só podia permanecer naquele domingo, de modo que eu senti que toda a minha exposição seria perdida. Os juízes já começavam a dispersar quando, subitamente, o Imperador Dom Pedro me viu e me reconheceu como o jovem que ele havia encontrado em Boston, na oportunidade em que visitou a escola para surdos-mudos, onde eu havia feito uma apresentação. Ele veio ao meu encontro e disse: “Sr. Bell, como estão os surdos-mudos de Boston?” Eu disse a ele que estavam bem e que minha demonstração seria a seguinte. Ele disse que queria ver, tomou meu braço e caminhou comigo, e claro, os juízes o seguiram como um bando de ovelhas. Minha exposição estava salva.

No estande, os aparelhos estavam prontos para serem usados. Dom Pedro foi orientado a sentar-se em uma cadeira onde estava instalada a pequena caixa de ferro do receptor e foi-lhe pedido que encostasse seu ouvido no estranho aparelho. Bell sentou-se em outra sala e falou devagar e com grande clareza no tubo do transmissor. Dom Pedro, claro, não sabia o que esperar, assim como ninguém mais na sala. Subitamente, o imperador levantou sua cabeça e, com uma expressão maravilhada estampada em seu rosto, exclamou: “Isto fala”.

Então veio Sir Walter Thompson, um internacionalmente respeitado conhecedor de eletricidade: ele ouviu, e ouviu e ouviu aquele pequeno disco de ferro falar com voz humana. Então, expressando grande admiração, disse: “Isto fala mesmo. Esta é a coisa mais maravilhosa que vi na América… Esta é a coisa mais maravilhosa até hoje conseguida pelo telégrafo elétrico…Muito em breve as pessoas estarão contando seus segredos por meio de fios elétricos.”

Quando Sir William Thompson falou, o mundo acreditou.

Bell disse, na ocasião: “eu fui dormir, na véspera,, como um total desconhecido e, no dia seguinte, me descobri famoso. Eu devo isto a Sir William Thompson e, antes dele, ao Imperador Dom Pedro e, além deles, aos surdos mudos de Boston”.

Será que sem a contribuição de Dom Pedro II o mundo de hoje teria telefones? É de se supor que sim. O mundo estava pronto para o telefone. Mas, ao perceber o potencial da inovação à sua frente, o imperador ajudou o mundo a antecipar o progresso em alguns anos. Uma evidência de como o nosso imperador era um homem do mundo; um “early adopter” atualizado e aberto à inovação.

Ceska – O digitaleiro


Referências:

Artigo escrito por Aristides Lobo no dia 15 de novembro e publicado no “Diário Popular” de São Paulo em 18 de novembro de 1889.

SOARES, Luiz Carlos. Os escravos de ganho no Rio de Janeiro do século XIX. Rio de Janeiro: Revista Brasileira de História, 16 (mar/ago), 1988.

Revista Veja – Edição Especial de setembro de 1989. – http://veja.abril.com.br/historia/republica/capa_republica.html

OURO PRETO, Visconde de, Advento da Ditadura Militar no Brasil, Editora Imprimiere F. Pichon, Paris, 1891.

“Thw Empire of Brazil at the Universal Exhibition of 1876 in Philadelphia – Editado no Rio de Janeiro pela Typographia e Litographia do Imperial Instituto Artístico – 1876 – Conforme arquivo do Global Gateway – Call Number F2513.B833 – Identidade digital: gcbr 002 http://hdl.loc.gov/loc.gdc/gcbr.002

http://www.heritage-history.com/?c=read&author=bachman&book=inventors&story=bell

Manifesto Brasil 4.0 e o Brasil digital

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O Brasil está sendo chamado para a nova etapa do gênero humano que começa com a Quarta Revolução Industrial.

Manifesto de chamamento para a construção de um Brasil digital como saída para a crise política e econômica em que estamos mergulhados:

Brasileiro:

Este é o seu país. Aqui está o seu futuro. Abra sua mente e seu coração. Liberte seus sonhos.

Juntos podemos fazer o Brasil 4.0 e alinhar o país com a Quarta Revolução Industrial e com as promessas do Século XXI.

O Chamamento da Quarta Revolução Industrial ecoa por todos os quadrantes do orbe. A humanidade segue seu caminho no rumo da plenitude. Novos avanços no conhecimento e novas conquistas científicas e tecnológicas abrem novas perspectivas para todos os povos e nações.

Em um mundo cada dia mais global, a aventura do homem chega mais perto da superação das carências que o afligem desde sempre, como a miséria absoluta, a fome, a doença e a vida mesquinha dos que não tem sonhos e não tem futuro.

A Revolução Industrial 4.0 é uma nova etapa de possibilidades e promessas. Mas seus benefícios só se abrirão para os que baterem à sua porta. A roda do tempo não para e é preciso virar a página.

O que as novas gerações digitais não querem é “remediar”. Remendar o que está aí, girando em círculos, mantendo velhas estruturas de poder, obsoletas, eivadas de vícios, desmandos e privilégios. Sabemos todos que remendar o que está aí é tão inútil como enxugar gelo.

A opção é avançar para um novo paradigma. Fazer a metamorfose para o paradigma digital. O mundo digital é a nova fronteira. Lá é que está o futuro.

O mundo digital é transparente e multiforme.

A Internet, seus canais de comunicação e suas plataformas de conectividade se tornaram as portas e janelas da sociedade contemporânea.

O mundo digital é o mundo do compartilhamento. O mundo das mãos dadas.

Nunca as pessoas estiveram tão irmanadas, tão iguais. Nunca as oportunidades foram tão amplas e nem tão universais. Nunca sonhar foi tão possível. Nunca a esperança esteve tão próxima.

O mundo digital não discrimina. Não tem preconceitos, não diferencia ninguém pela cor, pelo sexo, pela classe social, pela religião e nem por qualquer outra condição que possa dividir as pessoas em castas ou grupos.

O mundo digital permite o protagonismo de todos. Tem espaço para cada sonho, para cada esperança, para cada anseio. E neste espaço cabe você. Tem um espaço para você.

Saiba que as sociedades são diálogos. Que nações são seres humanos e não estatísticas. Que a linguagem do mundo digital é transparente por natureza, e portanto, mais sincera, aberta e construtiva.

No mundo da Quarta Revolução Industrial vem surgindo novas formas de cooperação e de troca de conhecimentos. Em todas as nações abrem-se perspectivas para novas e poderosas formas de organização social.

Na nova ordem, os líderes das nações vão precisar descer de suas torres de marfim, derrubar os muros com que se protegem e dialogar com as pessoas que se propõe liderar e conduzir.

A lealdade deve ser um compromisso mútuo entre os dirigentes e a sociedade. De fato, a lealdade se torna a chave para a equidade e para a paz social.

O cidadão é criador e membro constituinte do Estado contemporâneo, que só sobreviverá se for parceiro do cidadão. O cidadão é, a um só tempo, membro, condômino e contribuinte do Estado.

O mundo digital é rápido e múltiplo. Multidões podem compartilhar ações, recursos e informações de modo a contribuir para o bem comum. O conhecimento deve ser compartilhado sem reservas.

O sentimento de participação e engajamento, a capacidade das pessoas de se conectarem livremente com outras pessoas, em qualquer lugar e em qualquer momento, com amplo acesso à informação, irá contribuir para que se sintam integradas e se disponham a participar na vida de sua comunidade e de sua nação.

Em uma democracia na era digital, a camada que importa é a da cidadania. Ela deve ter espaço legal para decidir os assuntos de sua vida pessoal sem precisar a intermediação de uma burocracia imensamente pedante e dispendiosa, que se especializa em cobrar “pedágio” de múltiplas formas.

Sinecuras e cargos públicos desnecessários drenam recursos que deveriam pagar o salário de médicos, professores e profissionais de saúde.

O pressuposto de uma democracia digital é que deve ser capaz de organizar-se como uma vasta rede de interesses descentralizados. O poder digital se desloca do centro e flui para a ponta, lá onde está o cidadão.

Os cidadãos devem poder aglutinar-se e agir como as células de um organismo, formando elos que atuam em cadeia, cada elo com autonomia e vida própria, sem amarras burocráticas, permitindo ao sistema operar com flexibilidade e rapidez.

Já o poder central deve cingir-se a atuar como facilitador, aglutinador e coordenador.

Brasileiro, o Brasil é o seu país. Aqui está o seu futuro. Rompa as correntes que o aprisionam. Abra sua mente, seu coração e seus braços.

A Quarta Revolução Industrial convoca a humanidade para uma nova era de prosperidade e bem estar sem precedentes. O novo mundo será mais inteligente, mais conectado, mais rápido, mais abrangente, mais inclusivo e mais justo.

E o Brasil pode fazer parte desta nova e fascinante etapa da história humana.

Brasileiro, o Brasil 4.0 precisa de você. Venha, vamos juntar esforços para tornarmos realidade o Brasil Digital.

Este é o caminho para pularmos etapas e chegarmos à prosperidade. Este é o caminho para melhorarmos a qualidade de vida e, especialmente, qualidade dos sonhos da nossa gente brasileira.

O que nos anima é mais do que uma esperança, é uma certeza: o Brasil tem jeito e o jeito é digital.

Brasileiro, seja bem vindo.


Ceska – O digitaleiro

 

A Escolha do Predador

O selvagem de Montesquieu derrubava a macieira para comer uma maçã, exatamente como muitos dos nossos políticos.
O selvagem de Montesquieu derrubava a macieira para comer uma maçã, exatamente como muitos dos nossos políticos.

A oportunidade do 45o Fórum Econômico Mundial, que atrai as mais importantes lideranças governamentais, dos negócios e da sociedade civil do planeta para debater as questões mais importantes da atualidade, oferece um bom momento para refletirmos as razões que levam o Brasil a navegar na contramão da história.

Cada vez mais a humanidade se divide entre os super-ricos e os super-pobres. Cada vez mais as nações se alinham entre as ganhadoras e perdedoras. E, infelizmente, o Brasil vem solidamente se firmando entre as perdedoras. Estamos um queda livre, com a recessão dizimando empregos e empurrando o país de volta para uma pobreza que, para muitos, parecia ter sido deixada para trás.

O que está tão errado com o Brasil? Por que não conseguimos sair deste sobe e desce no campo econômico, por que vivemos de crise em crise?

A resposta talvez se encontre em nossa cultura de predadores. Neste país valorizamos mais os predadores do que os empreendedores.

Desde a colônia, sempre temos preferido fazer a escolha do predador: ao invés de criar ou produzir, queremos pegar sem esforço. Nossa ética sempre foi elástica. Predar parecia tão legítimo como produzir. Para muitos, até tem mais charme. Até o processo do Lava-Jato, o “pixuleco” era invejado. E de malandragem em malandragem, de propina em propina, nossa gente se acostumou a agir como os selvagens de Montesquieu, que os definia como aqueles que derrubam a macieira para comer uma maçã.

Aqui não acreditamos em empreender, nem em fazer. O empresário no Brasil é visto como o tonto a ser tosquiado. É a história da Geni: todos contra ele, todos atirando nele, ainda que todos devam tudo a ele. Patético.

Nossa história como predadores começou quando acabamos com o Pau-Brasil, quase extinguimos a Mata Atlântica, estamos dilapidando a Amazônia e agora vemos os estertores da Petrobrás. Nestes trópicos inconsequentes sempre acreditamos que a abundância nos protegeria de nosso comportamento de predadores insaciáveis e irresponsáveis.

Mas, assim como a aparente riqueza inesgotável da Petrobrás se mostrou finita, nossos recursos escasseiam e nos vemos próximos da bancarrota. Nem é preciso citar estatísticas ou indicadores. Todos os números apontam para o fundo do poço e indicam que mais crise está por vir.

O governo de Da. Dilma está completamente aturdido.

Dias atrás, o FMI divulgou que a queda da economia brasileira em 2016 vai superar os três por cento e informou que não vê mais retomada do crescimento em 2017 – como a entidade acreditava ainda em outubro. O desastre da economia brasileira vai pesar sobre a economia mundial como um todo, afirma o fundo.

Da. Dilma, a permanente estarrecida, mostrou-se indignada:

“Eu fiquei recentemente estarrecida com uma frase que li no relatório do FMI. Nós sabemos que o FMI fala muita coisa. No último relatório dele, avaliando a economia internacional, ele diz que três fatores são muito relevantes no atual cenário e explica as dificuldades que o mundo enfrenta: a diminuição do crescimento da China, instabilidade no Oriente Médio, e o terceiro era a continuidade da situação crítica no Brasil”, afirmou a “presidenta”.

Em seguida, Da. Dilma comentou o trecho em que o relatório atribui a situação crítica do país não à economia, mas à instabilidade política e às investigações da Operação Lava Jato:

“Ao que ele – (FMI) – atribuía a situação crítica do Brasil? Não era da economia, eram duas coisas. Instabilidade política e o fato de as investigações quanto à Petrobras terem prazo de duração maior e mais profundo do que eles esperavam e que “isso” (sic) seriam os dois principais fatores responsáveis pelo fato de eles terem de rever posição do FMI em relação ao crescimento da economia no Brasil”.

Nesse ponto do discurso, a “presidenta” afirmou, com a ligeireza com vem falando ao vento, que “tem certeza que o Brasil vai alcançar a estabilidade política e terá tranquilidade para retomar o crescimento econômico”.

“Na democracia, é absolutamente normal que a oposição critique, que qualquer um critique, se manifeste, divirja do que está acontecendo. Isso é normal, mas nós não podemos aceitar que as questões essenciais para o país não sejam objeto de ação conjunta para voltarmos a gerar emprego e renda. Faremos nossa parte”, disse.

Dá medo. Ela já vem fazendo a parte dela pelos últimos doze anos. Se fizer mais um pouco, o país vira sucata. Que Deus se compadeça de nós.

E agora, o que podemos fazer?

A era do predador acabou. Nem no erário sobrou alguma coisa. Agora, precisamos criar riquezas, gerar valor, produzir. A saída é nos unirmos. Não adianta acharmos que ajudar o governo vai funcionar. Empurrar o carro deste governo na direção do despenhadeiro só vai apressar sua queda no precipício.

A alternativa positiva ao nosso alcance é iniciarmos um amplo debate sobre a saída digital. O que podemos aprender com o que se debate em Davos é que a Quarta Revolução Industrial está deslocando o poder para as pessoas. As novas tecnologias nos capacitam a deixar o governo falando sozinho. O exemplo do Uber é didático: enquanto os cães ladram, a caravana passa…

As coisas estão mudando. Online, somos nós e nossos amigos por nós mesmos. Na Internet, somos os novos mosqueteiros esgrimindo mouses: “um por todos e todos por um”. Temos que ser criativos e buscar alternativas. Elas existem. A economia cooperativa, os bitcoins, o e-commerce, atividades online, apenas para citar algumas.

A propósito, se você já não sabe, trate de aprender inglês. (Dizia um amigo americano: Português é um “código secreto”). Olhe para a internet e para as oportunidades que oferece aqui e lá fora. São zilhões.

E para mudar o Brasil, precisamos criar grupos de ação, reunir amigos e estruturar um projeto digital para o novo Brasil digital: o “Brasil 4.0”. E é “4.0” porque precisa estar em sintonia com a Quarta Revolução Industrial.

Esquece a Da. Dilma e seu bando de panacas aloprados. Do atual governo não vai vir nada. Como dizia o “Barão de Itararé”: de onde menos se espera, de lá é que não vem nada mesmo”

Moral da História: O Brasil tem jeito e o jeito é digital.

Ceska – O digitaleiro


 

Brasil 4.0, Davos e a Revolução Industrial 4.0

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O Brasil 4.0 estará em sintonia com a Revolução Industrial 4.0 e alinhado com o mundo contemporâneo do Século XXI

 

 

 

 

 

 

 

Agora é oficial: vem aí a Revolução Industrial 4.0.

O Fórum Econômico Mundial, em seu encontro de Davos, na Suíça, colocou em sua pauta para 2016 a chegada da Quarta Revolução Industrial, esta nova onda de transformações que vão, segundo os organizadores da Conferência, “alterar de modo fundamental a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros.”

O Brasil ainda não acordou, mas vai precisar sair do torpor e da bruma da obtusidade em que se debate. A luz amarela está piscando. Precisamos rever tudo. Ou evoluímos direto para o Brasil 4.0 – pulando etapas – ou, logo, seremos um país irrelevante, empurrado para os cafundós do planeta.

O mundo caminha em meio a uma nova e extraordinária onda de transformações tecnológicas. Nunca antes neste mundo tanta coisa mudou tão rápido. Precisamos saltar sobre o fosso do ignaro para darmos as boas vindas à “Quarta Revolução Industrial” ou RI 4.0 – “Revolução Industrial 4.0”. A decisão precisa ser nossa, como cidadãos, já que nossa preclara “presidenta” não vai à Davos. Que – imaginem! – ignora e não homenageia a mandioca. Talvez por insensibilidade capitalista.

O site oficial do Fórum Econômico Mundial esclarece: “Em escala, escopo e complexidade, as transformações serão diferentes de qualquer coisa que a humanidade tenha experimentado antes. Nós não sabemos ainda como ela irá se desenrolar, mas uma coisa é clara: as resposta a esta nova era deve ser abrangente e integrada, envolvendo todos os agentes interessados (“stakeholders”) das políticas globais, do público, dos setores privados à academia e a sociedade civil”

“A Primeira Revolução Industrial usava água e a força do vapor para mecanizar a produção. A segunda RI usava o poder da eletricidade para criar a produção em massa. A terceira RI, a revolução digital, usava a tecnologia da informação para automatizar a produção. Agora a quarta Revolução Industrial está se desenvolvendo à partir da terceira, que vem ocorrendo desde os meados do século passado, e se caracteriza pela fusão de tecnologias que estão esmaecendo as fronteiras entre as esferas físicas, biológicas e digitais.”

Entre outras profundas transformações que se podem prever, o site destaca o impacto desta RI 4.0 sobre os governos:

“À medida que os mundos físico, digital e biológico continuarem a convergir, novas tecnologias e plataformas irão crescentemente capacitar os cidadãos a engajarem-se com os governos, fazer ouvir sua voz, coordenar seus esforços e mesmo circunscreverem a supervisão das autoridades públicas. Simultaneamente, os governos ganharão novos meios tecnológicos para ampliar o controle sobre suas populações, baseados na supervisão pervasiva e na habilidade de controlar a infraestrutura digital. Na somatória, todavia, os governos irão sofrer crescente pressão para mudar sua atitude em relação à participação pública e à definição de políticas, à medida que diminui seu papel central como condutor das políticas públicas em razão das novas fontes de descentralização e distribuição de poder tornadas possíveis com as novas tecnologias e com as quais que terão que competir.”

Em última análise, a capacidade dos sistemas de governo e das autoridade públicas em adaptar-se irá determinar sua sobrevivência. Se se provarem capazes de abraçar um mundo de mudanças disruptivas, submetendo suas estruturas aos níveis de transprˆ´ncia e eficiência que as capacitem a manter uma margem competitiva, elas permanecerão. Se não forem capazes de evolir, elas enfrentarão problemas crescentes.”

Isto será particularmente verdadeiro na questão da regulação. Os atuais Sistemas de politicas públicas e tomadas de decisão evoluíram durante a Segunda Revolução Industrial, um período durante o qual os tomadores de decisão tinham tempo para estudar as questões específicas e desenvolver o contexto apropriado para as respostas necessárias. Todo o processo foi desenvolvido para ser linear e mecanicista, seguindo uma abordagem de cima para baixo”

Mas esta abordagem não é mais viável. Dada a amplitude dos impactos e a velocidade das mudanças da Quarta Revolução Industrial, a maior parte dos legisladores e burocratas não conseguirão responder aos desafios sem precedentes que terão de enfrentar”.

Este é o mundo que vem sendo construído lá fora. E com o qual teremos que conviver. Gostemos ou não.

Então, o que queremos? Sermos um país em sintonia com o século XXI, digital e conectado, ou continuarmos um Brasil 0.0, a Republica da Mandioca do Lula e da Dilma?

Queremos participar da Quarta Revolução Industrial ou vamos viver nos cafundós do mundo, fazendo a “Revolução da Tapioca”?

Mas que ninguém se engane: ou assumimos nosso papel na Revolução Industrial 4.0 ou vamos todos viver de mandioca. De minha parte, não quero ser pelanca. E acho que as novas gerações digitais também não. Cansamos de ser de segunda classe. E também de um governo de segunda classe. Queremos mudar esta sina feita de mediocridade, atraso, empulhação e bazófia. Da mais cruel corrupção e incompetência.

Temos que pegar o touro à unha ou garrar um lenço para ir chorar na varanda, vendo a banda passar.

Suponho, e bota suponho nisto, que não sejamos um povo de imbecis. Está bem, nossos grotões elegeram um governo de fancaria, liderado por charlatões políticos, mas nossas ilhas de excelência mostram que nem tudo está perdido. Temos criatividade, talento, capacidade. Basta citar exemplos como a Embraer, a Rede Globo, a Editora Abril, o Grupo Gerdau, a Tramontina, o Hospital Albert Einstein, o Sírio Libnês, o INCOR, o agronegócio, as rodovias paulistas para ilustrar nossa vocação para a excelência. Se multiplicarmos estes exemplos Brasil afora vamos dar certo. E desembarcar rapidinho no primeiro mundo.

O problema é nosso atual governo lulopetista: ele é a pedra no meio do caminho. Hoje, graças ao petismo obtuso, somos um país sem noção. Sem um projeto e sem um horizonte. Vivemos sob a ética das pedaladas.

O lastimável governo petista que temos é que nos encarapuça como povo zicado, mandioqueiro, microcéfalo. Que me valha São Benedito, mas o fato é que esta política mentecapta tem que acabar. Precisamos reciclar nosso complexo de vira-latas. Afastar de nosso caminho o “sapo barbudo” e a “mulher sapiens”, e desenterrar os sapos da burrice, da pretensão e da fanfarronice cheia de empáfia.

Vamos encarar a realidade: ou nos livramos desta zica ou nosso destino será um mergulho na babaquice. E aí, além do Zika, da Dengue e do Chikungunya, ainda vamos ter que aguentar o vírus do “pestistismo”.

  • O Brasil 4.0 é o futuro em nossas mãos

Com a chegada da RI 4.0, as novas gerações do Brasil estão sendo convidadas à assumir sua missão de reformar o país. De criar e formatar o Brasil 4.0.

O Brasil 4.0 é mais do que um mote. É um projeto de país. Uma nova maneira de interagirmos com nossos concidadãos e com nossos poderes contituídos.

É também uma marca. Um objetivo. Um referencial, que, além de significado, tem visão, projeto, contornos, relevo e contexto. Associada à ideia da “Quarta Revolução Industrial” é uma marca com a solidez do aço. Seu sentido, o de um compromisso com o realinhamento com as tecnologias e oportunidades da RI 4.0, é também um brado libertador. Uma primavera tecnológica para o Brasil, para as almas deste país possível que anseiam pelo futuro e fluem livres para realizar seu sonho de prosperidade. Num sentido mais amplo, é tanto um rompimento com o passado opressor como uma promessa para o futuro, sem amarras e sem pedras no caminho.

A Revolução Industrial 4.0 é revolução no sentido mais vasto do termo. É de tirar o fôlego o que está ocorrendo no mundo digital. Nem nosso “metamorfose ambulante”, o genial Raul Seixas, iria entender. Tudo está sendo repensado e revisto. Nenhum dos mais diferentes quadrantes da vida, da humanidade, da sociedade, das coisas mensuráveis, da indústria, do mercado, da “internet das coisas”, da comunicação entre dispositivos, equipamentos, máquinas e “coisas” é como foi.

Objetos, coisas, vestuário, móveis, edifícios, eletrodomésticos, tralhas e tudo aquilo que usamos cotidianamente começa a ter vida. Como nas histórias de fadas, agora espelhos falam. Nas habitações as geladeiras informam o que tem e o que é preciso comprar. O espelho do banheiro avalia seu estado de saúde examinando sua pupila enquanto você faz a barba (ou a maquiagem…). Carros andam, estacionam (e se congestionam) sozinhos. O céu vai ter mais drones carregando encomendas do que motoboys circulando em São Paulo. O mundo real e o virtual passam a interagir. Modernas tecnologias de conectividade estão sendo combinadas com processos industriais automatizados. Aplicativos “agnósticos” se entendem com tudo e todos. É um novo composto tecnológico para servir ao gênero humano. Algo técno-antropológico. Para não perderem a objetividade prática, os especialistas classificam estes desenvolvimentos sob o nome de “Revolução Industrial 4.0”.

A Revolução 4.0 nasceu, na Alemanha, como um projeto no âmbito da estratégia de alta tecnologia voltada para a manufatura inteligente. Sendo originário da Alemanha, o conceito tinha que ser assentado em coisas objetivas. Práticas.

Sua base tecnológica é composta por um “sistema nervoso” embebido nas coisas. Novas gerações de sistemas, atuadores, sensores e dispositivos conectados e online, uns falando com os outros, sem particioação humana, via “Internet das Coisas”.

A nova Revolução virou a grande estrela da Conferência de Davos de 2016. Hoje, sob a liderança da Alemanha e dos Estados Unidos, já está em desenvolvimento um programa de cooperação por meio da Smart Manufacturing Leadership Coalition – SMLC, que vem a ser uma “Coalisão de Lideranças para Manufatura Inteligente”.

A SMLC reúne os interessados de todas as áreas, produtores, fornecedores, fabricantes, universidades, empresas de tecnologia e governos. O objetivo deste esforço cooperado é levar as partes interessadas a atuar em conjunto no desenvolvimento das novas abordagens, plataformas, infraestrutura e do arcabouço legal e normativo para a adoção de novas soluções e de um novo paradigma. Regras e protocolos compartilhados significam compatibilidade e funcionalidade. O mundo vem aprendendo a fazer certo. As novas tecnologias vem “plug and play”. Ligou, funciona,

E as novas tecnologias vem com uma nova e crescente consciência ambiental. No novo meio-ambiente dos espaços, cidades e habitações inteligentes que vem no bojo da Revolução 4.0, onde tudo estará ligado e conectado, a consciência ambiental vai ajudar a mudar a atitude em relação ao planeta. A mudança tende a ser espetacular. Como em uma nova dimensão da Hipótese Gaia, a conexão entre os organismos vivos e os elementos inorgânicos da terra poderá ser melhor compreendida e implementada. Sensores, câmaras e dispositivos se comunicarão entre si. Esta integração perfeita dos mundos físico – analógico – e o mundo virtual – digital – só é possível porque tudo o que existe no mundo real é reproduzido virtualmente no mundo digital. Como tudo o que é real tem uma dimensão no mundo virtual que existe no computador, é possível usar o processamento de hipóteses e a simulação para chegar ao melhor conjunto de opções. Trata-se da “inteligência artificial” ajudando a organizar e otimizar o do que existe, do que está disponível e de cada um dos entes existentes no mundo real.

Então, vamos migrar para o mundo da “Revolução Industrial 4.0” ?

Vamos juntar forças para pular etapas e fazer o “Brasil 4.0” ?

Agora o futuro está em nossas mãos. E esteja certo, o Brasil tem jeito. E o jeito é digital.

Ceska – O digitaleiro