Sepultar os Mortos e Cuidar dos Vivos.

Marques de Adorna
Marques de Adorna

O mundo que vivemos é totalmente diferente daquele em que viveram nossos antepassados, e mesmo os constituintes de 1988. Tão diferente que as ideias prevalentes dos constituintes estavam mais próximas daquelas da idade média do que das ideias contemporâneas da era digital. Então, reverenciemos o passado e sua constituição. Façamos como sugeriu o General Pedro D’Almeida, o Marquês de Alorna, ao rei de Portugal, Dom José, quando sua majestade, após o terremoto de 1755 que destruiu Lisboa, perguntou o que se havia de fazer. O Marquês, singelamente, respondeu ao rei: “sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.[1]

Enterrados os mortos e fechados os portos, para evitar às pestes, vamos cuidar dos vivos. O Brasil precisa cuidar de sua população de 200 milhões de habitantes revertendo o quadro de catatonia que paralisa o país. E precisa agir com cuidado para não jogar fora o bebê com a água do banho. Em meio a uma crise que se acerba, precisamos iniciar uma reavaliação de nossa história para preservar o que ainda é útil e descartar o muito de lixo que se acumulou em quinhentos anos de patrimonialismo e burocracia. Precisamos jogar luz sobre o que nos mantém amarrados ao arcaico, ter coragem para dar nome aos bois e nos livrarmos do peso morto que estamos arrastando desse os tempos coloniais e voltar os olhos para o futuro que bate à nossa porta. Paulo Coelho diz que “a vida é sempre uma questão de esperar o tempo certo para agir”

E se perdermos o “timing” das mudanças seremos punidos pelos deuses que regem o mundo real. Seremos empurrados para o final da fila e vamos mergulhar em um novo calvário.

Felizmente, existe uma saída digital. As novas tecnologias digitais permitem pensar fora do quadrado e reorganizar disruptivamente a operação do Estado brasileiro. Permitem criar uma cidadania digital e, assim, trazer o Brasil para o Terceiro Milênio. Ou, conforme a opinião de um blogueiro: “Este país, só Reiniciando…”

Para transformar o Brasil em um País Digital será preciso mais do que boas tecnologias e boas práticas. Será preciso doses ilimitadas de paixão e sonho. Será necessário coragem para dizer a verdade e para enfrentar resistências. Precisaremos ilimitada fé em nós mesmos e acreditar que podemos. Retórica à parte, uma grande caminhada começa com o primeiro passo, que só daremos se tivermos certeza de que vai valer a pena. De que a transformação é, de fato, possível. Será preciso bom senso e entusiasmo sincero dos corações e mentes das novas gerações. Este é o tempo delas. E tudo deve começar com um intenso processo de discussão sobre que Brasil queremos.

Ceska – O digitaleiro


[1] General Pedro D’Almeida, o Marquês de Alorna. http://pensamentoslucena.blogs.sapo.pt/tag/terremotos – Outubro de 2015

O Brasil tem jeito. E o jeito é digital.

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O Brasil tem jeito?

Existe espaço para debater futuro no Brasil?

O debate tem razão de ser: nunca, país nenhum, jogou fora tanto futuro.

Mas o Brasil terá forças para reagir? Pode dar a volta por cima?

Qual o caminho escolher? Existe uma “saída digital”?

E qual o papel dos cidadãos e da sociedade no processo de repensar o Brasil?

Está caindo a ficha. A sociedade vem acordando do pesadelo. O mito do Estado Robin Hood está esvanescendo. Estamos caindo na real. O estado provedor, que tem soluções mágicas e dá tudo para todos, se revelou um engodo. O novo fiel da balança é o cidadão-eleitor. Cidadão e eleitor em plenitude. Cidadão que contribui, produz e consome. Eleitor que participa e faz a democracia com sua presença e militância.

A democracia é mais do que o voto da maioria. Democracia é liberdade, compartilhamento e participação.

A justificativa moral da democracia é a participação dos cidadãos nas definições relativas a seu destino. A democracia é uma construção da civilização e pressupõe uma sociedade livre, aberta e compartilhada. E, conforme Richard Stallman, o conhecido ativista do software livre: “compartilhar é bom e, com a tecnologia digital, compartilhar é fácil”.[1]

O compartilhamento permite a troca de informações, ideias e conceitos. E onde existem informações existe conhecimento. Onde existe debate, existem soluções.

Em meio à perplexidade geral e à falta de perspectivas do atual modelo institucional brasileiro, a única opção para resolver a crise é uma revisão em profundidade das bases em que se assenta o país. A dificuldade em vislumbrar um futuro está em que a nação ainda está olhando na direção errada. É preciso pensar com uma cabeça alinhada com o século XXI.

O Brasil tem jeito e o jeito é digital. O mundo analógico amarra o brasil no passado e limita o protagonismo dos cidadãos na Quarta Revolução Industrial que hoje é o novo norte do mundo desenvolvido.

O passado é um poço que secou. Buscar superar o atraso secular de país colonial, escravocrata e patrimonialista, olhando para a casulo vazio de um país que já adquiriu as asas da era digital é perda de tempo.

A boa notícia é que o Brasil tem jeito. E o jeito é digital.

Ceska – O digitaleiro


 

[1] Stllman Richard – http://www.brainyquote.com/quotes/authors/r/richard_stallman.html#sa4fM15Y72BvXveM.99. Web. 15 Nov. 2015.